sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Nunca estaremos preparados para a morte

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É aquilo que de mais certo temos na vida.


Sabemos que chegará. Sabemos que nada a impedirá.


Mas, ainda assim, nada, nem ninguém, está preparado, nem nos prepara, para quando ela chega.


Porque, o momento em que estivermos totalmente preparados para ela, será o momento em que já nos conformámos, em que perdemos a esperança, em que baixamos os braços e deixamos de lutar.


 


Por isso mesmo, nunca estaremos preparados para a morte dos nossos entes queridos.


Como os nossos pais.


Pai, é pai. Mãe, é mãe. São eternos, no nosso pensamento.


Estarão sempre lá para nós, tal como nós, para eles. Aguentam tudo, são valentes, são rijos, são sobreviventes. São o nosso apoio, o nosso abrigo, os nossos conselheiros.


Por vezes são chatos, rabujentos, dão trabalho, dão-nos preocupações. Mas não o fazemos tantas vezes, também nós, enquanto filhos?


E, no entanto, não deixamos de os amar, e eles a nós.


Por isso, por muito que a vida nos vá dando indícios de que as coisas estão diferentes, de que as probabilidades estão a aumentar, de que o tempo está a fugir pelos dedos, de que algo se pode aproximar, ignoramos, fingimos não ver, ou acreditamos, sinceramente, que é apenas um mau pensamento, numa má fase, e que tudo voltará a ficar bem.


A morte dos meus pais é algo que, felizmente, ainda não me surge muito no pensamento. Penso sempre que ainda têm muitos anos pela frente.


 


Mas já vi muitos pais, e mães de pessoas que me são próximas, ou nem tanto, deixarem este mundo. Muitas vezes, cedo demais. Para alguns, já seria um desfecho previsível. Para outros, nem tanto.


E, seja em que circunstância for, nunca é fácil. É sempre um choque, uma sensação de punhalada, de vazio, de inconformismo.


Podemos tentar confortar, de todas as formas que conseguirmos, os filhos e familiares que ficam, mas nenhum gesto ou palavra, por mais sincera e sentida que seja, apaga a dor da perda.


Só quem passa por isso, saberá.


O mais próximo que tive de alguém a falecer na família, foi a minha tia e madrinha. E custou-me, na altura.


Mas mãe, é mãe. E pai, é pai. É diferente.


 


O maior consolo, para um filho que perde uma mãe, ou um pai, é saber que, em vida, esteve sempre lá para eles. Que não deixou nada por dizer. Nem por fazer.


Que viveram e partilharam os melhores momentos que poderiam ter vivido, e partilhado.


Acreditar que, onde quer que estejam, estarão bem. Que já fizeram o que tinham a fazer neste mundo, e agora resta-nos continuar o seu legado, até chegar a nossa vez. 


E que um dia, quem sabe, se reencontrarão.


 


Hoje, soube que partiu a mãe de uma blogger desta plataforma, com quem tenho uma relação meramente virtual, mas que já considero de amizade - a Joana.


Este texto é dedicado a todos aqueles que já perderam os seus pais e, especialmente, para a Joana, a quem desejo muita força, neste momento tão triste para si e para a sua família.


 


Um beijinho, Joana! 


Um abraço apertado, e muita força e coragem


 

16 comentários:

  1. Que texto lindo. Senti cada palavra a queimar-me a pele. Perdi a minha em Setembro e ando lentamente a tentar recompor-me, como se tal fosse possível. É muito difícil e parece que custa mais cada dia que passa. E como tão bem dizes o meu único consolo é que estive sempre lá para ela, até ao último dia.

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  2. Concordo perfeitamente,nunca ninguém está preparado para a morte,aliás,é um dos meus maiores medos!! Bom fim-de-semana,muitos beijinhos,até breve!!

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  3. Olá, Marta! :)
    Muitos Parabéns pela excelente reflexão!
    A morte, ainda, é um assunto tabu na nossa sociedade... não somos educados para aceitar a morte como uma etapa da Vida... de facto, nada nos prepara para tal (mesmo que a morte seja algo expectável, face à condição clínica da pessoa), sobretudo, quando se trata de alguém que nos é muito querido... já perdi o meu pai e a minha mãe... é doloroso... tentamos preencher o vazio com as memórias que guardámos das partilhas felizes... mantendo-os vivos em nós!

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  4. Eu confesso que tenho muito receio e faço muitos filmes com o que possa acontecer à minha filha. Até pesadelos tenho. Mas com os meus pais raramente penso nisso.

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  5. Acho que em grande parte é o não saber o que acontece depois, se há um seguimento, se estarão bem, se algum dia os reencontraremos, ou se tudo acaba ali. Saudades também, do que passaram juntos e que não se voltará a repetir. Um pouco de egoísmo também, que os queríamos sempre para nós.

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  6. Também tenho, não diria medo, mas angústia por não saber se tudo acaba com a morte, ou se é só uma passagem para outro nível qualquer, por saber que um dia não estarei cá mais, nem verei mais as pessoas que amo.
    Bom fim de semana!

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  7. Obrigada :)
    Enquanto não soubermos o que há depois da morte (e receio que nunca o venhamos a descobrir), será sempre um tabu, visto como algo mau, que só traz sofrimento e dor, saudade, tristeza.
    Acredito que, quando gostamos mesmo das pessoas, temos memórias para preencher um pouco do vazio. Mas, ao mesmo tempo que essas memórias preenchem o nosso espírito e coração, como um sopro de ar que enche o balão, são as mesmas que nos fazem perceber aquilo que perdemos, e esvaziam o ar com a mesma rapidez.
    Com o tempo, vamos conseguindo um equilíbrio. Mas até lá...

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  8. É completamente complicado pensar na morte,seja de que maneira for!! Obrigada pelos teus votos de bom fim-de-semana!! Muitos beijinhos!!

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  9. "E, seja em que circunstância for, nunca é fácil. É sempre um choque, uma sensação de punhalada, de vazio, de inconformismo."

    Não tenho mãe, pai, e dois irmãos mais velhos, e sabendo que estavam doentes, a notícia da morte foi um choque.
    Ninguém se prepara para a morte. Todos nos preparamos para a vida.
    O tempo ajuda, mas fica sempre as lembranças do sofrimento dos dias menos bons, que felizmente são superados pelas lembranças das pessoas que foram.
    Marta, hoje pensei na Joana, acredita.
    Ao passar nos links dos blogs, estive para espreitar o blog, mas há muito que ela não escreve, passei à frente.
    Agora leio este post, e espreito para ver quem era a blogger.
    Sabes que eu conheço pessoalmente a Joana?
    Vou enviar-lhe um e-mail.
    Um beijinho para ti.

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  10. A sério, Maria?!
    Nós já tivemos algumas vezes para nos encontrarmos por causa do Clube, mas nunca deu.
    Vamos falando apenas por telemóvel/ facebook.
    Os últimos anos não têm sido fáceis para ela.E agora isto.
    Beijinhos

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  11. Da última vez que falei com ela, a mãe estava a fazer fisioterapia.
    Pensei que era uma questão de tempo até ficar bem. Nunca imaginei este desfecho.

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  12. Conheci-a no 4º encontro de bloggers, em São Pedro de Moel.
    Tive o contacto mas perdi-o, penso que numa avaria do telemóvel.
    Enviei um e-mail.
    Beijinhos, Marta

    https://cantinhodacasa.blogs.sapo.pt/eu-fui-1243198

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