quinta-feira, 21 de maio de 2020

A desresponsabilização dos professores no ensino à distância

 


Porto Editora e Leya com acesso gratuito a plataformas de ensino à ...


 


Neste terceiro período, aquilo a que tenho vindo a assistir, no que respeita às aulas à distância e aos modelos de ensino adaptados pelos professores, traduz-se, em grande parte das disciplinas, em desresponsabilização.


Os professores livraram-se, convenientemente, de explicar a matéria, para deixar o estudo e aprendizagem da mesma por conta dos alunos.


São enviados powerpoints, vídeos, até aulas da telescola da RTP Madeira, e planos de estudo com as páginas do manual a ler, e os exercícios para fazer.


Depois, em caso de dúvidas, podem-nas retirar com os professores.


Apesar de haver aulas síncronas, estas servem, muitas vezes, para transmitir informações, esclarecer dúvidas, ou indicar mais trabalhos para fazer. Poucas vezes são uma aula minimamente normal.


 


Não é, de todo, a melhor forma de ensino e aprendizagem.


Mas é preciso que estudem, e que fique o essencial na cabeça. Não há tempo a perder, é preciso terminar os conteúdos deste ano até porque, no próximo ano, vão avançar para a matéria desse mesmo ano, e esta será considerada dada e concluída.


 


Acho que querem tanto ajudar os alunos (será que é isso que querem mesmo?), não dando o ano por perdido, e sem intenções de prolongar as aulas por mais uns meses, alterando todo o calendário escolar, que estão a acabar por prejudicar muitos deles.


Está a ser exigido, aos professores, que leccionem os conteúdos previstos num ano de ensino normal, o que os leva a ter que cumprir programas e, sob pressão, despejar a matéria em cima dos alunos, e trabalhos exagerados que nunca fariam numa situação normal.


Os alunos são “obrigados” a perceber as coisas por si mesmos, e pressionados a mostrar trabalho todos os dias.


Acredito que, desde que começou o ensino à distância, nem sequer resta tempo para os alunos relaxarem, terem momentos de pausa, estar com a família sem pensar em estudos.


A minha filha, antes com duas tardes e uma manhã livre, passa agora os dias entre aulas e trabalhos, incluindo fins de semana e feriados, em verdadeiras maratonas.


 


As dores de cabeça passaram a ser uma constante, porque um dia inteiro à volta do pc, manuais e exercícios, não dá saúde a ninguém.


 


E para quê?


Para no final do ano se limitarem a dar as mesmas notas que tiveram no segundo período?


Para, no próximo ano, perceberem que não estão minimamente preparados para avançar, porque ficou muito para trás, para explicar?


 


Por mais autonomia que possam ter, ou métodos de estudo, por algum motivo existem aulas presenciais. Se não, toda a gente estudava em casa e deixava de haver escolas abertas.


Por algum motivo são precisos professores, para ensinar.

4 comentários:

  1. Um problema que afeta todos os níveis de ensino, incluindo o universitário
    Resta-nos esperar que as nossas crianças e os jovens consigam superar isto sem esgotamentos...
    Força e ânimo

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  2. Fico tão lixada quando leio estas opiniões, porque sei que tens razão, porque estamos efetivamente a ser obrigados a despejar matéria e a avaliar como se estivéssemos em tempos normais. Fico tão lixada porque nunca trabalhei tanto na minha vida, com a sensação de que na realidade não estou a fazer nada. E é uma merda tão grande que nem te passa pela cabeça. Desculpa o desabafo. Mas acho que vocês não têm a noção do trabalho que temos e da ideia de que de facto estamos a trabalhar para nada.

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  3. Sim, as opiniões de pais de diferentes anos de ensino são unânimes.
    Há professores que nem sequer corrigem os trabalhos enviados. Outros, pedem para fazer mas dizem que não é preciso enviar.
    A professora de história da minha filha disse que enviava aqueles planos de estudo porque é matéria que tem que ser dada este ano, não pode ficar para trás.
    Isto seria tudo muito eficaz se fosse um método bem estruturado, já implantado há mais tempo e com o qual já estivéssemos familiarizados, e se houvesse condições para tal, sem afectar o tempo de lazer e a sanidade mental de estudantes e famílias que os apoiam (os que têm essa sorte).

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  4. Aquilo que me parece é que o governo está tão preocupado em manter o máximo de normalidade de um ano lectivo, em termos de objectivos e metas a cumprir, e conteúdos que parecem ter que ser obrigatoriamente leccionados este ano, tal como a questão dos exames nacionais, que não tem noção do esforço que está a pedir a professores e alunos.
    Que um trabalhador fique sem trabalhar durante um mês ou dois, ou mais, é grave porque precisa dele para ganhar o seu sustento. Mas alterar as metas curriculares, fará assim tanta diferença a um aluno?
    É que, salvo aqueles estudantes que querem mesmo aprender, que são aplicados e que têm a abertura para colocar dúvidas aos professores, e perder ali o tempo que for preciso até perceberem, a maioria vai pedir ajuda a quem estiver disponível, para conseguir apresentar os trabalhos feitos. A maioria vai ficar sem perceber metade das coisas mas, desde que entregue tudo feito, não faz mal. A maioria nem se vai dar ao trabalho de mostrar que tem dúvidas. E os professores, acredito que tenham também essa sensação de que vos pedem para fazer omeletas sem ovos. Que sintam que, apesar de estarem a dar o vosso melhor, dadas as circunstâncias, não estão realmente a ensinar, e que os alunos não estão a ganhar nada com isso. Mas é aquilo a que estão obrigados.

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