terça-feira, 30 de junho de 2020

Da ascensão meteórica à queda abrupta de Bruno Lage

A BOLA - As razões para a queda inesperada de Bruno Lage (Benfica)


 


A história repete-se?


Há cerca de um ano, e após um conjunto de maus resultados para o Benfica, sob o comando de Rui Vitória que, outrora, tinha sido um grande treinador e trazido ao clube várias vitórias, Bruno Lage, técnico ao comando da equipa B, assumia o cargo de treinador principal, para o que restava da época.


De repente, os jogadores que, até ali, não jogavam nada, deram o seu melhor. A equipa, que já dava o campeonato por perdido, recuperou e sagrou-se campeã.


E Bruno Lage, um homem humilde e simples, sem grandes pretensões, tornou-se o herói encarnado, ao conseguir o quase impossível, em tão pouco tempo, e com resultados extraordinários, que fizeram dele um treinador muito desejado.


Dizia-se, na altura, que os jogadores estavam fartos de Rui Vitória, e fizeram tudo para ele sair. 


 


Após um final de época como o de 2018/2019, não se esperava menos desta em que nos encontramos, dos jogadores que por lá continuaram, e do treinador que tinha dado provas do seu valor.


Só que, da mesma forma que se deu a ascensão meteórica de Bruno Lage, também a sua queda foi abrupta.


Bruno Lage conseguiu o melhor, e o pior.


E se, no final da época passada, Bruno Lage estava na mó de cima, no topo, hoje, sai pela "porta dos fundos" de uma equipa e de um clube no qual já não consegue fazer mais.


 


Mas, será a culpa, unicamente, de Bruno Lage?


O que mudou no treinador de há uns meses, para este que hoje vemos?


A sua tática esgotou-se? 


Será que os jogadores também quiseram "fazer-lhe a cama" para o mandar embora?


 


E os jogadores?


O que mudou nos jogadores que o ano passado davam tudo, para este ano, em que parecem não saber o que fazer em campo?


Perderam-se?


Acreditava-se, antes da paragem forçada, que estariam cansados pelas sucessivas competições e jogos.


Então, e agora?


Foi por falta de treino e preparação? Por descanso a mais?


 


É certo que há anos bons, e anos menos bons. E que vitórias, derrotas e empates fazem parte do jogo. Mas é estranho uma equipa passar do 8 para o 80 e, opostamente, do 80 para o 8, em tão pouco tempo.


 


Com a saída de Bruno Lage, assume o cargo, novamente, o técnico ao comando da equipa B, desta vez, Renato Paiva. 


Mas, para Renato, não sobrará muito tempo para grandes feitos, uma vez que chega quase em final de época.


Resta saber quanto tempo lá ficará. E quem será o próximo...


 


Imagem: abola

Começou bem, a manhã!

Quem - NOTÍCIAS - Jim Carrey leva banho de tinta verde em ...


 


Haverá algo melhor que chegar ao trabalho e levar um banho de tinta?!


Não foi bem um banho, mas deu para fazer estragos.


 


Há já uns dias que andam aqui ao lado do prédio onde trabalho a fazer alguma coisa, não sei se limpeza, se pintura. Como é lá para cima, não se vê.


Hoje, estava eu a chegar à porta do prédio, e lá andavam os homens a fazer não sei o quê. Só sei que, em segundos, até entrar no prédio, fiquei com a roupa, a mala, o cabelo e a cara todos sarapintados de branco.


E se, da cara e do cabelo, ainda consegui limpar, a roupa tem que ir para lavar. E a mala tem que ser limpa com um pano, porque os toalhetes de papel molhados não resolveram o problema.


 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga

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Estava curiosa para ver este filme, sobre o Festival da Canção, onde Salvador Sobral iria fazer uma participação especial.


Sabia que era uma comédia, que não é o meu estilo favorito. Quando vi que o filme tinha uma duração de 2 horas e meia, assustei-me.


Mas fui-me deixando-me levar. E não dei por passar o tempo. Quando dei por isso, já estava a acabar.


 


Como comédia, é muito fraco, forçado e poucas cenas tem, que me façam rir.


Também não é propriamente uma história sobre o festival da canção que, aqui, serve apenas de fundo para uma comédia romântica.


Às tantas, aparece-nos no ecrã, sem qualquer propósito, que não seja dar destaque aos participantes do Festival da Canção, Jamala, Conchita, Netta, Alexander Rybac e John Lundvik.


Também Salvador Sobral tem direito a uma participação neste filme, mas ao seu estilo, com simplicidade, e beleza.


Demi Lovato interpreta a candidata favorita a representar a Islândia no Festival da canção mas, confesso, só soube que era ela quando vi o elenco! 


Gostei de algumas das músicas, e imaginei-as como candidatas ao festival, ou mesmo como hits das rádios. Melhores que muitas que por aí andam, ou que por lá já passaram.


 


Sobre a história:


Lars é um miúdo que cresce com um único sonho na vida: representar a Islândia no Festival da Canção, e pisar o grande palco. E, se possível ganhar. 


Nesse sonho, acompanha-o a sua amiga Sigrit, uma menina que adora cantar e que, à medida que cresce, se vai apaixonar por Lars.


Juntamente com Lars, vão formar a banda Fire Saga, que é totalmente descredibilizada e ridicularizada pelos islandeses.


Sigrit tem talento, mas falta-lhe cantar com alma e paixão. Todos acham que o caminho dela seria mais feliz se se afastasse de Lars. Mas ela fá-lo por ele, e para que ele possa realizar o seu sonho.


Já Lars, está tão focado da Eurovisão, que não vê mais nada à frente. Ele compõe, ele confecciona as roupas, ele escolhe os arranjos e os temas, ele imagina cenários, enfim, ele trata de tudo, e Sigrit segue-o nessa aventura.


Até ao dia em que tudo muda.


Sigrit é uma artista, no verdadeiro sentido da palavra. Lars é uma criança com mau perder, e que não sabe lidar com as contrariedades. Isso vai afastá-los, e deitar tudo a perder, com a mãozinha dos vilões da história, claro.


Portanto, como comédia romântica, não está mau de todo, embora não seja nada por aí além, como outras que já vimos.


 


Sendo assim, bem espremido, o que se pode tirar do filme?


Algo tão simples e tão importante, que devemos aplicar em tudo na vida:


- em qualquer relação, deve-se rumar no mesmo sentido, trocar opiniões, chegar a um consenso ou entendimento, ouvir os dois lados, para que as coisas resultem


- por vezes, estamos tão obcecados com um determinado objectivo pessoal, que arrastamos todos connosco sem, por um momento, pararmos para olhar se essas pessoas não terão, também elas, os seus próprios objectivos e sonhos, se não estamos a ser egoístas, se não estamos, em nome de uma obcessão, a arruinar algo muito melhor que, e que nos pode fazer mais felizes 


- por vezes, aquilo que realmente importa, está nas coisas mais simples


- é bom vencer, mas não é tudo na vida, e aquilo que para uns é uma derrota pode ser, para outros, um conjunto de pequenas vitórias muito melhores de saborear


- a melhor música, é aquela que se canta com o coração, com alma, com sentimento


 


E acho que esta música, uma verdadeira candidata a um próximo festival da canção, que já está na minha lista das favoritas, resume tudo o que acabei de mencionar.


 



 

sábado, 27 de junho de 2020

Comprar roupa nova: a triste realidade!

No outro dia andava eu no site da Bershka, quando encontrei algumas peças de que gostei.


Pedi opinião à minha filha. Também aprovou. Disse para eu comprar.


Ainda ficava caro, para a minha carteira.


Comecei a ver o que poderia excluir. O que mais usaria, e o que ficaria guardado à espera daquela ocasião que nunca chega.


Eram, na maioria, vestidos ou macacões curtos. Sem mangas, ou manga curta.


Vivo numa terra onde os dias de calor, e sem vento, são uma raridade.


Teria de gastar mais dinheiro em casacos, para combinar com essas peças.


Conclusão: é melhor não comprar nada!


 


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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Matrículas/ Renovação de Matrículas - ano lectivo 2020/2021: dicas úteis

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Termina hoje o ano lectivo 2019/2020 mas, ao mesmo tempo, inicia também hoje o prazo para efectuar as matrículas ou renovações de matrícula que, este ano, serão feitas, exclusivamente, online, para o 2.º ao 12.º ano de escolaridade, através do https://portaldasmatriculas.edu.gov.pt/pdm/#/portal/home.


 


Assim, fui experimentar hoje fazer a renovação de matrícula para a minha filha, um pouco à nora porque, no ano anterior, todo este processo tinha sido feito online, mas na escola, com a ajuda dos professores.


 


 


Convém ter à mão os seguintes documentos/ elementos:


- senha do encarregado de educação do Portal das Finanças (a autenticação pode ser feita de outra forma, como explica o vídeo no Portal)


- cartão de cidadão do aluno


- cartão de cidadão do encarregado de educação


- fotografia digitalizada tipo passe


- comprovativos (ver mais abaixo), que possam ser necessários para validar a matrícula, digitalizados


 


 


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O primeiro passo é fazer o login no Portal, escolhendo a opção de perfil "Encarregado de Educação".


 


 


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Em seguida, escolher a opção "Matrículas"


 


 


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O Portal vai avançar para o próximo passo, em que se deve clicar em "Nova Matrícula ou Renovação"


 


 


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A partir daqui, começa-se então a preencher os dados para a matrícula, começando pelo quadro "Consentimento", em que damos (ou não) o consentimento para a consulta de dados e informações.


Segue-se o preenchimento dos "Dados do Encarregado de Educação".


Quando chegamos à parte dos "Dados Gerais do Aluno", é necessário então, para além do preenchimento, anexar o ficheiro com a fotografia tipo passe, que irá constar do processo e cartão do aluno.


Em seguida, vêm os "Dados da Matrícula", em que temos que preencher a situação do aluno no ano anterior (que agora terminou), e o pedido de matrícula para o novo ano, com a indicação das escolas de preferência e, se for o caso, disciplinas referentes ao curso escolhido.


No caso das disciplinas, a informação não é muito clara e, se for necessário, é preferível entrar em contacto com a escola, para que alguém possa esclarecer. Eu acho que fiz bem, mas... 


Finalmente, no quadro "Comprovativos", no meu caso, como se tratava de uma Renovação simplificada, não tive que anexar nenhum. Não sei se, noutros casos, pede. Os comprovativos que apareciam eram estes:


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Depois de tudo feito, pode-se "guardar", e verificar todos os quadros. Se estiver tudo bem, é só clicar em "submeter", e recebem no email o comprovativo do pedido, passando a constar da lista, o estado do pedido da referida matrícula, ao entrarem no Portal das Matrículas.


 


Como todas as matrículas são feitas no Portal, é provável que ele comece a bloquear, a não vos deixar avançar ou, como me aconteceu ainda há pouco, a não mostrar o processo de matrícula, como se não tivesse sido feito nenhum pedido. 


Não desesperem. 


Vão tentando. Saiam e voltem a entrar. 


 


Agora já me apareceu tudo normal. É suposto aparecer assim:


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N.º do processo, o nome do(s) aluno(s) matriculado(s), o nível de ensino (básico/ secundário) e o ano, bem como a indicação de que o aluno está "A aguardar colocação".


Se clicarem em ver detalhe, conseguem aceder a todos os dados declarados.


Penso que, em qualquer momento, podem editar e alterar, caso tenha havido algum engano. 


 


E pronto, agora é esperar que os nossos filhos sejam colocados na escola que escolheram, e aguardar as listas das turmas o que, no ano passado, foi uma grande confusão.


Este ano, palpita-me que, dada a situação, seja ainda pior a consulta de turmas e horários.


Mas, até lá, aproveitem bem as merecidas férias!


 


 


 


 


 


 


 

A Busca - História de Um Crime, na Netflix

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Numa manhã, como qualquer outra, a ama entra no quarto para acordar Paulette.


Mas ela não está na cama. Nem no quarto. Nem em casa. Nem fora dela.


Paulette desapareceu sem deixar rasto.


 


Os pais são pessoas influentes, e vivem num condomínio de luxo. O segurança desse condomínio diz que Paulette não saiu do mesmo. Que era impossível.


 


A mãe, desde o início, não se mostra como uma mãe triste e desesperada, mas antes indiferente ou, até, normal.


O pai, espera que as autoridades descubram a sua filha, mas mantendo-se afastado do mediatismo.


Já Amanda, a melhor amiga da mãe de Paulette, parece a mais transtornada, e disposta a fazer tudo para encontrar a menina, incluindo chamar a imprensa e divulgar o desaparecimento nas redes sociais.


 


O corpo de Paulette foi encontrado, 8 dias depois do desaparecimento, no seu quarto, num espaço entre o colchão e o estrado da cama, e o caso foi, convenientemente, tratado como acidente.


 


Este caso ocorreu em 2010, no México e, na altura, foi comparado ao desaparecimento de Maddie.


Até hoje, ninguém sabe o que realmente aconteceu a Paulette.


 


Quem acompanhou de perto, acha pouco provável que o corpo tenha estado ali durante 8 dias, com pessoas a dormirem naquela cama, e entrevistas a serem feitas no quarto, sem que notassem nada, nem qualquer cheiro. Sem que os cães tão pouco tenham detectado o corpo. E sem que este ficasse exposto, logo no primeiro dia, quando tiraram um lençol da cama para dar a cheirar aos cães, ou quando as amas fizeram a cama nos dias seguintes.


O que é certo, é que houve incongruências nos vários relatos das pessoas daquela casa e, perante a proximidade da verdade, foi necessário encontrar uma história que convencesse, e em que ficassem todos bem na fotografia.


 


O que ficou explícito, pelo menos na série, é que o dinheiro, o poder e os interesses podem transformar todo um cenário, e corromper as pessoas. Desde o subprocurador, a Amanda, todos procuraram dar prioridade aos seus interesses pessoais, ainda que isso prejudicasse a investigação, e a opinião pública sobre os pais, neste caso, sobre a mãe da menina.


E que quem de direito, ainda que não seja um exemplo de profisionalismo, é facilmente derrotado num jogo em que, á partida, não tinha qualquer hipótese de vencer.


A corrupção no seu melhor!


 


 


 

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Reflexão do dia

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Na vida, há quem deseje tudo, e quem não deseje nada.


Há quem tenha ambição desmedida, e quem não tenha ambição nenhuma.


Há quem percorra mil caminhos diferentes, e quem não consiga decidir um único a seguir.


Há quem siga opções erradas. E quem siga boas opções.


Há quem escolha muito, sem sucesso. E quem escolha pouco, com mais sorte.


Há quem decida mal. E há quem decida bem. 


Há os que simplesmente, decidem. E os que permanecem eternamente na indecisão.


Há quem fique à espera que o mundo gire. E quem se antecipe, e o faça girar.


 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

13 Reasons Why - quarta e última temporada

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A quarta temporada de 13 Reasons Why estreou no dia 5 de junho.
Posso dizer que, em 10 episódios, só o último, e mais longo de todos, vale a pena ver!
No final da temporada anterior comentava eu "Fala-se de uma quarta temporada. Não sei se valerá a pena, ou se não irão acabar por destruir a série."
Foi o que aconteceu...


 


De um suicídio controverso, à descoberta de abusos sexuais no meio escolar, chegámos ao mistério da morte de um dos "maus da fita" e, agora, na quarta e última temporada, em que mais alguém morre, fico na dúvida se era suposto ser uma série de terror (não conseguida), ou qualquer outro género que não percebi ainda bem qual será.


 


Dizem que esta temporada foca-se nos problemas de saude mental, nomeadamente, através da personagem Clay.


Guardar segredos é um peso que, a determinada altura, pode revelar-se difícil de carregar. Bem como a culpa e o remorso. E isso é visível um pouco em todos eles. Desde alucinações, pesadelos, ou atitudes impensáveis, esse peso parece estar a tomar conta deles, uns mais do que outros, e a roubar-lhes a sanidade mental.


Clay tem um problema (ou vários), mas este parece-me o maior. Ele meteu na cabeça que veio a este mundo para ajudar toda a gente, e é isso que tenta fazer o tempo todo. Mas ainda não percebeu que, neste momento, é ele que precisa de ajuda. E que não conseguirá ajudar mais ninguém, por muito que tente, se não se ajudar a si próprio primeiro.


Por outro lado, os seus amigos estão tão habituados a vê-lo como o "salvador", que exigem o tempo todo que se controle, que não se passe, que não faça ou diga nada de que se venha a arrepender. Mas não percebem que, agora, é Clay que precisa deles. 


Nesta temporada, Clay torna-se irritante, parvo, detestável, egoísta, invejoso, idiota. No fundo, pode até ser involuntário, ou resultado do seu problema mental, mas não vamos gostar dele. Dá vontade de dar-lhe uns pares de estalos, para ver se acorda para a vida, e deixa de agir como um imbecil.


 


Para mim, uma das melhores personagens de toda a série é o Justin.


Acabado de sair da clínica de reabilitação, Justin está diferente. Para melhor.


Mais calmo, controlado. Com vontade de recuperar a sua vida, e dar o seu melhor.


Mas as pessoas parecem preferir os "coitadinhos", os "casos perdidos", aos "corajosos", "valentes" e "bem sucedidos". 


O novo Justin, responsável e ponderado, não agrada a Clay, nem a Jessica. Porque este é um Justin que, no momento, está melhor que eles, sem o peso que eles carregam e, por isso, sem tanto a temer como eles. E isso fá-los parecer, a eles próprios, desorientados, paranóicos e inconsequentes, algo que não deveriam ser. Fá-los parecer piores do que aqueles a que sempre se habituaram a ver pior que eles.


Justin terá sido, de todas as personagens, a que mais passou e sofreu, e a que mais evoluiu até agora. E é por isso que nos vai custar vê-lo ser criticado pelo que faz bem, vê-lo sentir-se indesejado, vê-lo ser constantemente associado ao antigo Justin, o drogado, viciado, que não tem salvação, aquele de que apenas sentem pena. 


Vai ser difícil para ele ouvir tudo isto e permanecer limpo. Ver a mulher que ama com outro. E mais ainda quando souber que a mãe faleceu de overdose. Porque, ao contrário dele, não teve ninguém que lhe desse uma oportunidade, como ele teve.


 


De resto, vai ser uma temporada em que todos estão a ficar fartos de guardar segredos, de ter medo, de não viverem uma vida normal mas, ainda assim, sabem que têm que permanecer calados, e acabam por desconfiar uns dos outros, quando a verdade parece estar prestes a ser revelada.


Quem acabará por falar? Quem acabará por trair os amigos?


 


Enquanto isso, o liceu está a terminar e começam as candidaturas para a universidade que, de certa forma, podem significar um recomeço para todos eles.


Ou, pelo menos, àqueles que sobreviverem para lá chegar.


 


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 23 de junho de 2020

Antes uma verdade sincera, que mil desculpas esfarrapadas

Vendas - As desculpas mais esfarrapadas que existem! | Blog ...


 


Por vezes, tenho a sensação que as pessoas têm medo de ser sinceras, mesmo quando está à vista de toda a gente, que estão, descaradamente, a enganar os outros.


Quando os seus gestos desmentem as suas palavras.


Até mesmo quando lhes abrimos, de certa forma, o caminho para a verdade, insistem em vir com desculpas que não convencem ninguém.


Mas acham que nós acreditamos nessas desculpas. E nós, fingimos que acreditamos, até ao dia em que não conseguirmos mais fingir.


Pessoalmente, prefiro uma verdade sincera, que mil desculpas esfarrapadas, que apenas atiram areia para os olhos, mas não nos impedem de ver a realidade.


 


E a realidade é que, quando partimos todos do mesmo nível, ou parecido, parece fazer sentido unir esforços para uma finalidade conjunta, um objectivo comum.


Mas, quando uma das partes começa a crescer, a mudar, a expandir, a tornar-se demasiado importante e famosa, talvez comece a pensar que, aquilo que outrora era um complemento, é agora algo que não se enquadra, que se torna pouco relevante ou, até, desnecessário.


Está no seu direito. Não existe nenhum contrato, nem nenhuma "obrigação".


Mas não custava nada dizê-lo à outra parte.


 


É totalmente estúpido continuar a levar as coisas adiante, a pedir colaboração, muitas vezes em cima da hora e com pouco tempo para, depois, arquivar sem dar uso, ou deitar ao lixo.


Não faz sentido. É perda de tempo, e esforço, para ambas as partes.


Que poderiam ser encaminhados noutras direcções, com maior proveito e utilidade.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Pedro Lima...

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Sábado à tarde, vou a casa da minha mãe e ela diz-me "Olha, morreu mais um actor. O Pedro Lima."


Fiquei atónita. Parece que, de repente, os actores se lembraram de partir novos. Ainda há pouco tempo tinha sido o Filipe Duarte.


Fui para casa a pensar nisso e, mal cheguei, fui pesquisar mais, momento em que percebi que não tinha sido por doença, ou acidente. Pedro Lima tinha-se suicidado.


Ao que parece, a mulher já estaria a desconfiar que algo de grave se poderia passar o que, a juntar às mensagens que terá enviado nessa madrugada a alguns amigos, terá levado à rápida (mas não a ponto de impedir o pior) descoberta do corpo do actor, confirmando-se a morte.


 


É-nos difícil compreender como uma pessoa como o Pedro Lima que, aparentemente, tinha "tudo" - trabalho, dinheiro, uma família bonita, amigos verdadeiros, sucesso e por aí fora - se tenha suicidado.


Que motivos teria?


Não havia nada, à nossa vista, que nos pudesse levar a pensar que ele não estivesse bem. Não havia escândalos, falta de trabalho, problemas financeiros ou familiares, nada.


O que o levaria a tal acto de desespero, quando há tanta gente em pior situação, que não o faz.


Mas os problemas, fossem eles quais fossem, estavam lá. Ainda que não se vissem a olho nu.


 


 


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Diz-se que Pedro Lima sofria de depressão. Como assim?


Se estava sempre animado, bem disposto, de bom humor, de sorriso aberto?


Estas pessoas são, por norma, as que representam mais risco. Porque escondem aquilo que sentem. Porque guardam para si. Porque não querem incomodar os outros, levá-los para os problemas que têm. Porque sofrem em silêncio, e em solidão.


Já não seria a primeira vez que lidava com a depressão quando, para todos nós, era parecia sempre um homem feliz e realizado.


E, agora, lá estava ela outra vez. Ainda que Pedro Lima desse a mão a todos, pareceu recusar-se a pedir a quem quer que fosse, que lhe desse a mão. Provavelmente, não queria incomodar. Provavelmente, achava que era algo que só a ele dizia respeito, e só ele poderia resolver.


Mas a depressão estava lá, enraizada, profunda, a dominá-lo, a puxá-lo como um polvo embora, para quem o visse, parecesse um homem liberto.


 


Diz-se que Pedro Lima tinha problemas de autoestima. 


E nós pensamos: "Problemas de autoestima? O Pedro Lima?"


Parece impossível.


Mas esta morte que tanto nos chocou, só vem provar que, por vezes, o "tudo" que achamos que as pessoas têm, não é nada do que elas precisam.


Que, por mais que os outros nos elogiem ou nos atribuam qualidades, se nós mesmos não as virmos, é como se não existissem.


Choca-nos, mas só ele saberia o que sentia, e como queria livrar-se desse sentimento. Daquilo que o ensombrava. Que o aprisionava.


 


Talvez pudesse ser ajudado. Talvez não...


Por Pedro Lima, resta desejar que tenha encontrado a paz que lhe faltava, e que esteja melhor do que neste mundo, de onde partiu.


Mas, por tantas outras pessoas, é bom que percebamos que nem tudo é o que parece. Que um sorriso pode esconder uma tristeza profunda. Que a boa disposição pode ser a camuflagem para a dor insuportável.


É uma chamada de atenção, para aquilo que, muitas veses, está para além do que se vê, ou do que nos é dado a ver.


 


 

Uma Mente Brilhante

Uma mente brilhante” que venceu a esquizofrenia e ganhou o prêmio ...


 


Pode parecer mentira mas, até ontem, nunca tinha visto o filme “Uma Mente Brilhante”!


Claro que ouvi falar ao longo destes anos, sabia quem interpretava a personagem principal mas, nunca calhou.


Provavelmente, achei que seria um filme aborrecido, sobre algo que não me dizia muito e, por isso, dispensável.


O filme é de 2001. Estamos em 2020.


Ao vê-lo, tenho a sensação de quase estar a ver um filme de época, antigo, e isso já me levou, em alguns casos, a perder o interesse, porque até poderia ver-se bem na altura em que saiu mas, agora, nem tanto. Não foi o caso.


As fórmulas, equações e cálculos, depois de anos a tentar ajudar a minha filha, e depois destes últimos meses, também me fizeram torcer o nariz. Mais matemática, não!


Mas Russel Crowe conseguiu fazer-me esquecer essa parte, com a sua brilhante interpretação, de um homem com uma mente brilhante, mas que sofre de esquizofrenia.


Confesso que, até mais de metade do filme, realmente acreditei que aquelas personagens existiam, e que tudo era uma conspiração contra ele, para fazê-lo passar por louco.


Custou-me perceber que era tudo fruto da sua imaginação, e que a sua situação estava a piorar, começando a destruir a sua carreira e família.


Foi preciso uma imensa coragem, e força de vontade, para conseguir lidar com a doença, controlá-la, e levar uma vida minimamente normal, sem perder a sua genialidade e simplicidade.


Emocionaram-me, sobretudo, as cenas finais, já com a personagem bem mais velha, a ser reconhecida e respeitada.


Quando acabei de ver o filme, fui pesquisar mais sobre John Nash, Nobel da Economia em 1994 que, curiosamente, faleceu em 2015, não do problema que tinha, mas na sequência de um acidente de viação.


O filho que teve com a sua mulher, Alicia, herdou a genialidade e a doença do pai.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Problemas com a recepção dos comentários no email

Barri.goods | Freepik


 


À semelhança do que já tinha acontecido há uns tempos, aqui pela blogosfera, estou novamente com problemas na recepção dos comentários feitos aos blogues, no meu email.


Não recebo qualquer notificação dos comentários que fazem ao meu blog, nem dos comentários de resposta aos meus comentários, feitos noutros blogues.


E se, os primeiros, ainda os consigo ver aqui, os segundos, só indo a cada um dos blogues comentados, para confirmar.


Mais alguém por aí que esteja a passar pelo mesmo? 

"Quaranteens": nova série juvenil da RTP2 estreia a 22 de junho

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"Quaranteens" é a nova série de ficção nacional, que irá abordar a forma como a quarentena e o isolamento afetam a mente, o quotidiano e a vida social de uma adolescente e do seu grupo de amigos. 

 

Fechada em casa, Leonor vai acompanhar a evolução da doença da mãe, o isolamento do pai que vive em Itália desde que se separou, e o possível contágio dos avós que, além de estarem sozinhos, não são muito proficientes com as novas tecnologias.

 

Ao mesmo tempo, tenta lutar contra os seus amigos que estão a ficar progressivamente mais afetados com o isolamento, e a falta de preparação de alguns deles para lidar com a situação, tentando manter a sanidade mental de todos os que a rodeiam, muitas vezes em detrimento da sua própria.

 

Com estreia marcada para o dia 22 de junho, pelas 21.10 horas, na RTP2, a série conta com nomes como Beatriz Frazão, Lúcia Moniz e Teresa Tavares, entre outros, e será exibida, de segunda a sexta-feira, ficando também disponível na RTP Play.

Os Santos Populares da minha infância

Festas juninas em Porto Alegre para levar as crianças - DiverDica


 


Ao fundo da rua onde morava, havia um largo.


De frente para ele, morava uma vizinha que enfeitava o largo com bandeirinhas de papel coloridas.


Havia alguém que travava de fazer a fogueira, que os mais atrevidos ou corajosos se atreviam a saltar.


A dita vizinha, na sua aparelhagem, punha música a tocar. Discos, de música popular, músicas de marchas populares e outras infantis.


Ali se juntavam as crianças das ruas próximas, a brincar, a dançar, e os familiares, a conversar enquanto davam uma olhadela aos mais novos.


Não me lembro se faziam alguma coisa para comer. Também não estava lá para isso.


Lembro-me só do quão éramos felizes com tão pouco.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Gato Bob: por vezes, esquecemo-nos que os animais não são eternos!

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Morreu o Gato Bob.


E eu não pude deixar de me sentir triste, pela morte de um gato que não conheço, com o qual nunca convivi, mas cuja história nos inspirou a todos.


E chocada: "Como assim o Bob morreu?"


Como se tal não fosse possível.


É nessa altura que tomamos consciência de que, ao contrário do que a nossa cabeça imagina, nem mesmo aquelas personalidades que idolatramos, que seguimos, que conhecemos pela fama que alcançaram, e história que partilharam, incluindo os animais, como o Gato Bob, são eternos.


Porque a morte não chega só para os desconhecidos. Mas a esses, ninguém liga, porque são isso mesmo - desconhecidos.


Também chega àqueles que, de alguma forma, através da música, da escrita, da arte, ou outra qualquer, se tornaram conhecidos de todos nós e passaram, de alguma forma, ainda que à distância, e indirectamente, a fazer parte da nossa vida.


 


Muitos de nós já perdemos entes queridos, animais que faziam parte da nossa família, e sabemos como doeu, o que nos custou superar essas perdas.


Não imagino sequer como James se esteja a sentir neste momento, ao perder o gato que lhe mudou a vida, e a quem ele mudou a vida.


Espero que todo o percurso e ensinamentos até este dia lhe sirvam agora para não perder o rumo, e para continuar no caminho da protecção dos animais, para que muitos tenham a sorte que Bob teve, e muitas histórias para contar, tal como ele.


E para que James não dê por perdido tudo o que viveu com Bob, ao longo dos anos em que estiveram lá um para o outro.


Até sempre, Bob!


 

Do feminismo...

Sim, Nós Precisamos De Feminismo – Insecta Shoes


E como ele pode, por vezes, manifestar-se de forma tão hipócrita.


 


Por um lado, uma mulher que defende que todas as mulheres devem poder seguir os seus estudos, e frequentar a universidade, ao invés de seguir o caminho do casamento e família.


Uma mulher que defende que se contrate uma professora para dar aulas aos alunos da região, em igualdade de circustâncias.


 


Por outro, essa mesma mulher condena outra porque usa calças.


Porque aceitou boleia de um homem, para não ter que ir a pé, porque o seu meio de transporte, uma bicicleta, se avariou.


E porque, por ser nova e bonita, constitui uma ameaça para as mulheres casadas da região!


 


 


Inspirado na série "Anne With An E".


 

terça-feira, 16 de junho de 2020

Perdida - a série, na Netflix

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Há treze anos atrás, Soledad, uma menina de 5 anos, desapareceu na praia onde estava com os pais e familiares, em Espanha, sem deixar rasto.


A única coisa que sabem, é que foi levada por um homem tatuado, e só com um olho.


A polícia não consegue descobrir nada, e o caso é esquecido.


Antonio e Inmaculada, os pais da menina, não superam a perda e separam-se.


 


Treze anos depois, Antonio, o pai, é preso no aeroporto da Colômbia, por transportar drogas no estômago, como "mula".


O objectivo: ir para a mesma prisão onde está o homem que raptou a sua filha, e pedir-lhe informações sobre esta.


Antonio está disposto a tudo para não perder, novamente, a filha, nem que para isso tenha que perder a vida.


Com tudo planeado ao pormenor, Antonio vai desencadear revelações surpreendentes, e o ódio de muita gente que não hesitará em tirá-lo, e a todos os que forem necessários, do caminho, incluindo aqueles que, de alguma forma, estiveram envolvidos nos acontecimentos do passado.


Antonio terá ainda que lidar com os dois grupos rivais existentes dentro de La Brecha, a prisão onde cumprirá a pena, na Colômbia.


 


Ao saber que o ex marido está na Colômbia atrás da filha, Inma segue também para lá, para perceber o que Antonio sabe, e o que descobriu.


 


E a verdade é que Soledad está viva, e de perfeita saúde, com os seus novos pais, uma actriz famosa e o rei do narcotráfico da região, super protegida, não vá alguém querer levá-la, da mesma forma que estes a raptaram. Mas o que percebemos é que Soledad, a menina que Antonio e Inma adoptaram (sim, era adoptada e não biológica) é mesmo filha de Milena.


 


O que nos leva a um dilema.


O que é menos aceitável: que uma filha seja retirada à sua mãe biológica, e vendida por gente sem carácter, a um casal que só queria adoptar uma criança para lhe dar amor, e não fazia ideia das circunstâncias da adopção (embora desconfiassem), ou que uma filha seja raptada e retirada aos seus pais adoptivos, que a criaram até aos 5 anos, para ser devolvida à mãe biológica, que sempre a procurou?


Quem tem mais direitos sobre esta criança? Quem a quer mais? Quem a ama mais? 


 


A diferença, é que Milena e Quitombo, o seu marido, estão dispostos a tudo, para que Soledad fique com eles, inclusivé, matar os pais adoptivos.


Mas falta ainda outra das partes interessadas: o verdadeiro pai de Soledad. Quem é? E como reagirá quando souber que tem uma filha e nunca soube?


 


Uma série sobre corrupção, tráfico de crianças, drogas, poder mas, também, de amor.


Um amor que deu origem a toda a história, e ao nascimento de Soledade.


Um amor que fez um casal adoptá-la e criá-la como sua.


Um amor que levou uma mãe a ordenar o rapto da sua própria filha.


Um amor de um pai, que quer pedir perdão à filha por não a ter protegido, e que engendrou um plano para a descobrir, que o fará passar os próximos anos na cadeia.


Um amor de uma mãe, que volta a ter esperança de encontrar a sua filha desaparecida, e que também irá arriscar tudo, para tê-la de volta.


Um amor de um homem que aceitou a menina, e a ama como se fosse do seu sangue, por amor à mulher.


 


E será esse amor a ditar o destino de Soledad, que tem agora com 18 anos, idade para tomar as suas próprias decisões que, quem a amar, respeitará e aceitará.


Mas não sem, antes, se perderem várias vidas, pelo caminho.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Uma doce razão para proteger o planeta!

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Quando todos os argumentos para salvar o planeta parecerem inúteis, eis uma razão de peso, para o fazer!

A Luz Que Brilha, de Danielle Steel


 


Danielle Steel, quem é?


Eu só a conhecia como escritora de romances. Alguns dos quais já li. Muitas vezes semelhantes uns aos outros, e sem nada a acrescentar.


Não é, por certo, uma das autoras que entre na minha lista dos favoritos. E pouco mais sabia sobre ela.


 


Este livro, tenho-o há anos em casa. Veio de oferta, na compra de outro e, até há uma semana atrás, ainda tinha o plástico com que chegou às minhas mãos.


Apetecia-me ler, e era o único livro à mão, e à vista, que ainda continuava por ler, por isso, lá peguei nele.


 


O primeiro "choque" foi perceber que Danielle é mãe de muitos filhos, quase uma equipa de futebol, e com pouca diferença de idades entre eles: Beatrix (sim, é mesmo com "x"), Nick, Vanessa, Zara, Samantha, Victoria e Maximillian. E ainda mais dois, emprestados, filhos do seu ex-marido John - Todd e Trevor.


O segundo, foi perceber que, mesmo uma autora de romances com finais felizes, teve vários relacionamentos (cinco) que não resultaram.


O terceiro, e talvez o mais importante, foi perceber como Danielle é, no fundo, uma mulher como qualquer uma de nós e, ainda assim, uma mulher e mãe de coragem, numa luta real e ingrata, a enfrentar os obstáculos com que muitas pessoas, nessas situações, também se deparam, sem poder fazer muito mais, mas sem querer desistir.


 


Nick Traina, o seu segundo filho, desde sempre sofreu de psicose maníaco-depressiva, mas foram precisos muitos anos, muitos problemas,  muitos internamentos, muitos médicos, muita medicação, muitas angústias e incertezas, até obter o tão ansiado diagnóstico, a partir do qual saberiam melhor com o que lidavam, e como poderiam agir dali em diante.


Para cuidar do filho, ajudar a minimizar os efeitos e as consequências do problema que o afectava, e tentar proporcionar-lhe uma vida o mais normal possível, Danielle acabou por negligenciar muitas vezes os restantes filhos, já que aquele lhe exigia todo o seu tempo e atenção. 


 


Após internamentos, programas especiais, escolas específicas, assistentes particulares e outras soluções que resultavam a curto prazo, mas logo se mostravam inúteis ou prejudiciais, Nick acabou por ir viver com a amiga da mãe, que sempre o ajudou - Julie - outra mulher de coragem, que também colocou, muitas vezes, Nick, à frente da sua vida e família. 


 


Danielle teve, assim, que lidar com uma legião de filhos, com várias relações fracassadas, com a sua carreira enquanto escritora e fama que daí adveio, com a sua vida exposta em jornais e revistas nem sempre de forma positiva, e com a doença do filho, sem perder a sua sanidade mental, o foco, e a esperança de que Nick superasse a doença.


 


E se Nick foi uma criança complicada e, mais tarde, um adolescente problemático, também é verdade que era um jovem encantador, que conquistava quem com ele privasse, e conseguiu até ter alguma estabilidade, e carreira musical, como membro fundador das bandas Link 80 e Knowledge (sim, as bandas existiram mesmo).


 


Só que a doença contra a qual lutava mostrou-se mais forte e, após tentar o suicídio algumas vezes, acabou mesmo por pôr termo à vida, com apenas 19 anos.


Este livro é sobre a história de Nick, daquilo por que passou, do que enfrentou, do que o dominou, e do que o levou deste mundo.


É a história de uma mãe que sabia que algo se passava com o seu filho, mas nunca teve a noção da dimensão do que o problema significava.


E que nunca pensou que, um dia, essa diferença significasse uma sentença de morte.


 


 


Nick Traina 16 Year Death Anniversary Tribute - YouTube


 


Danielle Steel lançou o livro em 1998, um ano após a morte do filho, e as receitas do livro foram usadas para fundar a Nick Traina Foundation, que Danielle administra, para financiar organizações dedicadas ao tratamento de doenças mentais.


 


Álbuns com os Link 80


17 Reasons (1997)
Killing Katie (1997)


 


Com os Knowledge:


A Gift Before I Go (1998)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Sonhos que davam filme

Agente Secreto Maria Treinamento Espião Aventura Ação Jogo ...


 


Marta tinha sido colocada a trabalhar, como agente infiltrada, numa empresa suspeita de negócios ilegais.


A sua missão era recuperar o dinheiro que esta empresa havia roubado, e que escondia naquele escritório.


Parecia ser um dos seus primeiros trabalhos, e não estar muito confortável com o mesmo.


 


Quando surgiu a oportunidade, Marta conseguiu retirar de lá o dinheiro.


A empresa deu conta do desaparecimento, e começou a investigar. 


A agência para a qual Marta trabalhava achou melhor tirá-la de lá, antes que a descobrissem.


Até porque alguém filmou Marta durante a operação, e a denunciou.


 


Nessa altura, Marta já escapou de lá, e entra no carro onde estão os seus parceiros, Gustavo e Sandra. O próximo passo é depositar o dinheiro na conta a que pertence. Marta percebe que, sem máscara, não podem entrar no banco para o fazer, por isso, Gustavo procura o multibanco mais afastado, para que possam fazer a operação, sem serem vistos.


Marta leva o dinheiro. Sandra, os códigos das contas.


Mas ainda antes de fazer o que quer que seja, percebem que estão a ficar cercadas por pessoas que não têm a melhor das intenções e, mais uma vez, vêem-se obrigadas a entrar rapidamente no carro, para fugir dali.


Marta entra e tranca a porta, aconselhando os companheiros a fazerem o mesmo.


Gustavo arranca com o carro mas, como estão a ser perseguidos, considera que a melhor solução é atirarem-se, no carro, para o rio. 


Marta fica em pânico, tem medo de morrer afogada e agora, com a porta trancada, pode correr o risco de nem sequer conseguir sair, e de o seu maior receio se concretizar.


Vale-lhe Sandra, que a ajuda e a traz para a superfície, incentivando-a a continuar, enquanto vai ver onde está Gustavo, que ficou para traz.


 


Marta nada e consegue sair daquilo que julgavam ser um rio mas que, afinal era um tanque e que, à volta, tem apenas um corredor do qual não conseguem sair. E quem anda atrás deles, continua, e está pronto a matá-los.


Marta percebe que a sua única hipótese de viver, é fugir para o mato, que rodeia o tanque, correndo o mais depressa que pode, e escondendo-se entre os arbustos, enquanto os assassinos, a cavalo, andam por ali a ver se a encontram.


Correr no meio de ervas e plantas não é fácil, sobretudo quando não se tem a roupa adequada e, no caso de Marta, aquele casaco está a dificultar-lhe a vida, sempre a prender, e a travar-lhe os movimentos.


Mas não desiste. Pelo caminho, vai vendo umas cabanas mas, com receio de que a denunciem em vez de a ajudar, prefere continuar sozinha, por sua conta.


Depois de achar que nunca vai conseguir sair daquela floresta, que parece não ter fim, Marta avista finalmente um edifício, que lhe parece familiar, e onde pensa já ter estado antes.


 


Percebe que está numa fronteira, e só tem que correr mais uns metros para passar para o lado de lá, sem que lhe possam fazer mal.


Nessa última tentativa, mais uma vez, o casaco prende, e Marta teme não conseguir dar o passo final mas, por fim, é bem sucedida.


 


Nesse momento, surge Gustavo, que passa também a fronteira, ao mesmo tempo que Marta, sem forças devido à fuga e em choque, cai ao chão.


Gustavo corre até ela, baixa-se e diz-lhe:


"Fizeste um bom trabalho, Marta. Conseguiste. Tiveste muito bem, para quem não está habituada a ests coisas. Pena que tenha que te levar de volta para lá."


Marta, que apenas tinha simulado o desmaio, percebe assim quem é Gustavo:


"És tu o traidor!"


 


Quando tudo parecia perdido, Gustavo é baleado por Sandra, que entretanto os tinha seguido. É a segunda vez que Sandra salva Marta.


E é assim que ambas sobem as escadas do dito edifício, para chegar ao carro que as espera, e que as levará, sãs e salvas, de volta a casa, como se nada de mais tivesse acontecido.


 


 


Nota: tendo em conta que isto foi um sonho, e nos sonhos nem sempre existe lógica, não tentem perceber o porquê de determinadas acções, ou falta delas, e das situações em si

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Privacidade: um direito inviolável ou a chave para salvar alguém?

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A privacidade é um direito que nos assiste, e que ninguém tem permissão para invadir, ou violar.


Por norma, quando alguém o faz, é quase sempre para fins menos dignos, por motivos pouco altruístas, mas por puro egoísmo, curiosidade, desconfiança, lucro, ou outros igualmente condenáveis.


Mas, e se essa invasão for essencial, não para benefício próprio, mas para ajudar a salvar alguém? Justificar-se-ia invadir a privacidade, violar esse direito?


 


Quando uma mãe, após o suicídio do seu filho, lê o diário escrito por este, e percebe que estava ali a possível chave, que poderia ter, quem sabe, evitado o que veio a acontecer, o que pensa ela?


Que a resposta esteve sempre ali.


 


Mas ela não queria estar a invadir a privacidade do filho e, por isso, nunca leu o diário, nunca soube como ele se sentia, nem o que o atormentava e, como tal, não conseguiu ajudá-lo a ponto de evitar o pior.


Deveria ela ter quebrado a confiança?


Deveria ela ter invadido a privacidade?


Agradecer-lhe-ia, o filho, por tê-lo feito?


Seria garantido que essa invasão seria útil, e impediria o suicídio?


Não sabe... Mas sabe que, não o tendo feito, pode ter contribuído para o desfecho, pela inação.


 


Parece-me a mim que, nos dias que correm, a privacidade é muitas vezes violada sem motivos válidos e, poucas vezes, invadida por razões que o justifiquem.


O que levanta outra questão: existem razões ou motivos que justifiquem essa invasão?


Ou é, imperiosamente, um direito inviolável?


 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Rotinas boas e rotinas más

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Rotinas…


Existem rotinas boas. E rotinas más.


Existem rotinas necessárias. Que trazem organização, planeamento, hábitos saudáveis.


E rotinas dispensáveis. Que cansam, que aborrecem, que não nos deixam viver em pleno.


Existem rotinas que queremos manter para sempre. E outras que gostaríamos de empurrar para longe.


Existem rotinas que fazem sentido. E outras que mais não são, que uma obrigação.


Existem rotinas que foram criadas para serem seguidas. E outras que devem mesmo ser quebradas.


Existem rotinas sobre as quais não temos qualquer poder, que nos foram impostas pela vida. E outras, que somos nós que as fazemos.


É bom criarmos e termos rotinas, se elas ajudarem a melhorar a nossa vida.


Mas será ainda melhor aboli-las, sempre que pudermos, quando estas nos prejudicam mais do que ajudam.


 

terça-feira, 9 de junho de 2020

"Anne With An E", na Netflix

Anne With an E | Netflix revela data de estreia e confirma 3ª ...


 


A Ana dos Cabelos Ruivos fez parte da minha infância.


Muitos anos depois, voltei a recordá-la através da minha filha, quando começámos a fazer a colecção de DVD's de animação.


Agora, deparo-me com esta série da Netflix - "Anne With An E".


 


 


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Ao contrário do que se possa pensar, esta não é uma série infantil, ou só para adolescentes. E não segue, em muitas partes, a história que todos conhecemos.


É uma série passada no século XIX mas, de certa forma, adaptada à realidade dos nossos dias.


É uma série sobre amor, amizade, família, pertença, aceitação.


É uma série sobre preconceito, racismo, discriminação, homofobia, intolerância.


É uma série sobre machismo, feminismo, lutas, direitos, resignação.


É uma série sobre sonhos, receios, mudanças.


É uma série sobre perdas, sobre frustrações, sobre fardos, mas também sobre alegrias, esperança, segundas oportunidades.


Sobre aprender com os erros, e melhorar a cada dia. Sobre o não se deixar de ser quem é, sem nunca ser aquilo que os outros querem que sejamos.


Sobre aquilo que fomos no passado, o que queremos ser no presente, e o que planeamos para o nosso futuro.


 


 


Quando, há dias, escrevi o texto sobre ser diferente, inspirado na série “Anne With An E”, baseei-me, sobretudo, na própria Anne, a orfã, a miúda de cabelo cor de cenoura, tagarela, sonhadora, revolucionária, que parece atrair para sim todos os azares do mundo.


Mal sabia eu que essa diferença estaria presente em toda a série, através de tantas outras personagens.


 


 


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Bash, o homem negro, que vem mostrar o racismo que ainda existe nas pessoas.


A pessoas como ele, não é permitido aspirar a algo mais que servir os brancos, e fazer o trabalho duro e sujo, que mais ninguém faz. Ou não fosse ele filho de uma escrava que, mesmo depois da abolição da escravatura, continuou a servir a família que a manteve cativa. E, mesmo quando sai desse ambiente, continua a agir como se fosse uma mera empregada. 


Bash encontra o amor da sua vida no "Bog", uma comunidade de Charlottetown onde vivem os negros, à margem do resto da sociedade.


Mas será junto de Gilbert, o seu grande amigo branco, que irão viver, em igualdade, e como família.


 


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Cole e Josephine, o primeiro, um jovem na descoberta da sua sexualidade, um artista, que tem que reprimir tudo aquilo que é, por não ser aceite ou tolerado, e a segunda, uma idosa que escondeu durante anos a relação amorosa que mantinha com a sua companheira.


Se a segunda já pouco se importa com a opinião dos outros, fazendo o que bem lhe apetece, e aconselhando os mais jovens, Cole ainda irá sofrer, até encontrar o seu caminho.


 


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Muriel, a professora moderna e feminista, que traz uma nova forma de ensinar os alunos, nem sempre vista com bons olhos, face ao ensino tradicional.


 


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Ka’kwet, a indígena, vista como selvagem que é preciso "domar" para ser tolerada na sociedade. Ela vai para o que julga ser uma escola, mas que não passa de uma espécie de "campo de concentração para indígenas", do qual não poderá sair.


 


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Marilla, a solteirona. É uma mulher que abdicou do seu grande amor, e da sua vida, para cuidar da mãe e, depois, do irmão mais novo. Sempre viveram os dois, um para o outro, o que levou a que, no caso dela, endurecesse o coração, e guardasse muita frustração, ao longo dos anos, dentro de si.


Mathew, o anti-social e tímido. Sempre foi uma criança tímida. Era o mais novo dos irmãos e, depois do irmão mais velho de ambos, e a sua mãe, terem falecido, só pôde contar com Marilla. Guarda uma grande mágoa da mãe, por não ter tomado conta deles. E uma tristeza por também não ter conseguido viver o seu amor, e formar uma família.


 


 


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A história, bem, essa já a devem conhecer.


Anne é uma jovem orfã que foi levada, por engano, para Green Gables, onde a esperam Marilla e Mathew, achando que iam receber um rapaz.


Apesar de reticentes, e depois de esclarecidos alguns mal entendidos, os irmãos aceitam adoptar Anne, que passa a fazer parte da família e irá, aos poucos, para além de os deixar com os nervos em franja, amolecer os seus corações, e dar um novo sentido às suas vidas.


 


 


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Anne não será bem recebida pela comunidade de Green Gables, nem tão pouco pelos restantes colegas de turma, à excepção de Diana, que será a sua melhor amiga.


Ainda assim, Anne tem uma predisposição para se meter em sarilhos, mesmo quando não os planeia, o que lhe valerá ainda mais inimizades.


Para a maioria, ela é vista como "lixo", a indesejada, a "vira-lata". E Anne irá, ao invés de esquecer, ressuscitar os fantasmas de um passado de tortura, no orfanato onde sempre viveu.


Com o tempo, acaba por fazer algumas amizades, e ser tolerada, até porque, em várias ocasiões, foi a sua sabedoria, destreza e coragem, que salvaram algumas situações, e pessoas, naquela comunidade.


Ao longo de quatro anos, assistimos à transformação de todas as personagens e, obviamente, ao crescimento de Anne, que deixa de ser criança, para passar à fase da adolescência.


 


 


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Outro marco na história de Anne é a competição e rivalidade com Gilbert Blythe, tanto nos estudos, como na vida. 


Claro que esta relação só poderia resultar num grande amor!


 


 



 


E as paisagens?


Quem não gostaria de percorrê-las, conhecê-las, explorá-las?


A Ilha do Príncipe Eduardo e, sobretudo, Green Gables, parecem o paraíso. Uma junção de praia, campo, animais, a natureza no seu melhor.


 


 


A série, dividida em três temporadas, num total de 28 episódios, soube a muito pouco, e deixou tanto em aberto. 


Infelizmente, não será renovada e, como tal, resta-nos imaginar o que aconteceria, dali em diante, a cada uma daquelas personagens, que acompanhámos, como se também nós fizessemos parte da história! 


 


 


 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Antes um amigo selvagem, que um inimigo civilizado

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Aqueles que muitos apelidam de selvagens, conseguem ser mais civilizados do que os que se afirmam civilizados, mas agem como selvagens.
Se, para um selvagem se integrar na sociedade e se "humanizar" tem que se submeter à selvajaria imposta pelos "civilizados", então, antes ser selvagem, sem fazer mal a ninguém, do que ser civilizado, tornando-se um perigoso selvagem, que não olha a meios, para atingir os fins.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Os "fiscais" da comunidade

Vigiar e produzir - Época Negócios | Inteligência


 


Existem pessoas que vivem a sua vida.


E outras, que se dedicam a fiscalizar a vida dos outros.


 


Desde que chegou até nós a pandemia, são vários os "polícias comunitários" que estão atentos ao que os restantes fazem, ou deixam de fazer, que criticam, que afiam a língua, à falta de melhor entretenimento. 


Porque fulano saiu sem máscara, porque saiu à rua quando devia estar em casa, porque sicrano foi ao café.


E que querem, à força, interferir com a liberdade dos outros.


 


Ontem, vinha eu dos correios para o trabalho quando, em sentido inverso, se aproxima uma idosa, de máscara e, às tantas, diz ela:


 


"Estas senhoras é que fazem bem. Não é preciso cá máscaras nenhumas. Isto é só uma fantasia. Elas é que sabem."


 


Ao mesmo tempo em que dizia isto, que me pareceu a mim uma crítica, a mim e a quem mais vinha na rua sem máscara, tocava ela própria na máscara, com as mãos, chegando mesmo a baixá-la, talvez para que a ouvíssemos melhor.


 


Não liguei, nem respondi.


Não valia a pena explicar à senhora que não é obrigatório usar máscara na rua e que, mais importante que isso, é manter a distância.


 


Nem tão pouco dizer que, nem há dois minutos atrás, tinha estado quase meia hora, com a máscara colocada, nos correios, depois de outra meia hora, na Câmara Municipal, locais onde se deve usá-la, e que o que mais queria naquele momento, era respirar livremente onde, e quando podia.


 


E menos ainda que, em vez de estar a criticar, e baixar a máscara para falar, ou tocar nela onde não é suposto, devia ter seguido o seu caminho, com a máscara colocada, como ela aprecia, e evitar colocar-se a si, e aos outros, no perigo em que não quer que os outros a coloquem!


 


 


 


 

O meu rosto em cem palavras

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A Maria desafiou-me.


Eu aceitei o desafio.


E o resultado foi este.


 


Rosto, outrora mais redondo, hoje mais estreito e longo.
Olhos grandes, para melhor ver aquilo que me rodeia, o que é digno de ser visto, e o que não deverei voltar a ver. De cor castanho-esverdeado, ou verde-acastanhado.
Pele clara, outrora de adolescente, cheia de borbulhas. Hoje, restam as marcas das alegrias, das tristezas, das preocupações, das vivências, dos sorrisos, traduzidas em finas linhas a que apelidam de rugas de expressão.
Nariz e boca banais. Sobrancelhas cada vez mais finas, pestanas longas.
Cabelo ruivo, outrora escuro, e que volta agora a clarear, com reflexos brancos fruto da idade.
Sou eu…

quinta-feira, 4 de junho de 2020

For Life: viver num mundo movido por interesses e alimentado pelo poder

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Vivemos num mundo movido, maioritariamente, por interesses, e nem sempre interesses colectivos mas, muitas vezes, individuais.


E para eles contribui, quase sempre, o poder daqueles que os podem satisfazer, concretizar, levar a cabo. Ou para os travar, aniquilar, impedir.


Se uns têm a sorte de o poder estar do seu lado, outros, têm-no constantemente contra si. Sobretudo, se os interesses de uns, chocam com os de outros. Quando não podem coexistir.


Quando assim é, por muito que tentemos quebrar esse ciclo, mudar o rumo dos acontecimentos, inverter as situações, torna-se complicado.


É difícil vencer qualquer batalha que seja e, quando achamos que, por uma vez que seja, a vitória nos coube, logo a vida se encarrega de mostrar que não ganhámos coisa nenhuma.


 


For Life conta a história de um homem condenado injustamente, por um crime que não cometeu, a prisão perpétua. Porque não quis assinar nenhum acordo, em que se desse como culpado, sabendo que era inocente.


Obstinação? Ingenuidade? Coragem? Quem sabe…


Foi usado como “bode expiatório”, como “exemplo” de justiça, com fins e interesses políticos de uns, e pessoais, de outros. Não é que tivessem, particularmente, algo em concreto contra a sua pessoa, mas era preciso arranjar um culpado, e ele estava mesmo ali a jeito.


Ao longo dos anos em que esteve preso, Aaron Wallace viu a mulher trocá-lo pelo seu melhor amigo e a filha engravidar. Ainda assim, manteve o seu foco em formar-se em direito e ir ajudando os seus colegas de prisão, com o objectivo final de pedir um novo julgamento para si mesmo e provar a sua inocência, derrubando o responsável por tê-lo colocado lá dentro, e recuperando a família.


 


Sabemos que a vida na prisão não é fácil. Grupos rivais, rixas e, lá está, mais uma vez, interesses, podem ser um factor a favor, ou contra. Nem sempre a imparcialidade é bem vista, ou aceite. Algumas vezes, se não estamos do lado de alguém, então é porque estamos contra.


Depois, há todo um sistema paralelo, em que nem os guardas e os directores não gostam de se meter, ou interferir.


Os que se atrevem, angariam inimizades, e há sempre quem aguarde, na plateia, o momento em que cometam erros, em que caiam, em que fracassem, em que as circunstâncias os derrubem. Nem que seja preciso dar um empurrãozinho.


 


De qualquer forma, contra tudo e todos, umas vezes com sucesso, outras nem tanto, Wallace vai superando os desafios, as contrariedades, levantando-se depois das rasteiras que, volta e meia, o atiram ao chão, e seguindo rumo ao objectivo.


Para isso, conta com a ajuda de alguns colegas da prisão, da mulher, que ainda o ama, da filha, que quer ver o pai fora da cadeia, da directora da prisão, e de um antigo promotor público, agora seu mentor jurídico e amigo.


No entanto, há quem não tenha interesse em que Aaron consiga alcançar aquilo a que se propôs, e se empenhe ao máximo para mantê-lo para sempre atrás das grades. De cada vez que Aaron acende um fósforo, logo alguém se encarrega de apagá-lo.


Ainda assim, ele consegue mesmo acender a fogueira!


Só que, lá está. Nem tudo corre como queremos e, agora, Aaron terá de escolher entre manter a fogueira acesa, correndo o risco de queimar todos aqueles que ama, ou apagá-la ele mesmo, perdendo tudo aquilo pelo qual lutou, e resignando-se ao que sempre recusou.


O poder, por mais voltas que se dê, uma vez contra nós, sempre contra nós.


 


 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!