
Existem pessoas que vivem a sua vida.
E outras, que se dedicam a fiscalizar a vida dos outros.
Desde que chegou até nós a pandemia, são vários os "polícias comunitários" que estão atentos ao que os restantes fazem, ou deixam de fazer, que criticam, que afiam a língua, à falta de melhor entretenimento.
Porque fulano saiu sem máscara, porque saiu à rua quando devia estar em casa, porque sicrano foi ao café.
E que querem, à força, interferir com a liberdade dos outros.
Ontem, vinha eu dos correios para o trabalho quando, em sentido inverso, se aproxima uma idosa, de máscara e, às tantas, diz ela:
"Estas senhoras é que fazem bem. Não é preciso cá máscaras nenhumas. Isto é só uma fantasia. Elas é que sabem."
Ao mesmo tempo em que dizia isto, que me pareceu a mim uma crítica, a mim e a quem mais vinha na rua sem máscara, tocava ela própria na máscara, com as mãos, chegando mesmo a baixá-la, talvez para que a ouvíssemos melhor.
Não liguei, nem respondi.
Não valia a pena explicar à senhora que não é obrigatório usar máscara na rua e que, mais importante que isso, é manter a distância.
Nem tão pouco dizer que, nem há dois minutos atrás, tinha estado quase meia hora, com a máscara colocada, nos correios, depois de outra meia hora, na Câmara Municipal, locais onde se deve usá-la, e que o que mais queria naquele momento, era respirar livremente onde, e quando podia.
E menos ainda que, em vez de estar a criticar, e baixar a máscara para falar, ou tocar nela onde não é suposto, devia ter seguido o seu caminho, com a máscara colocada, como ela aprecia, e evitar colocar-se a si, e aos outros, no perigo em que não quer que os outros a coloquem!
Acho sobretudo piada a quem fiscaliza... estando na mesma situação. Exemplo: tirarem fotos e comentarem (isto durante o estado de emergência, principalmente) a vergonha que é as pessoas andarem na rua! Então e tu, Zé Manel, que para tirares a foto do ângulo em que estavas significa que também estavas na rua?
ResponderEliminarA falta de informação pode ser lixada. Mas a presunção muitas vezes derivada dessa falta de informação é perigosa. Não há sociedade que seja saudável sem mínimos de empatia, consideração e, acima de tudo, sem a atitude de que efectivamente não sabemos o que se passa na vida/cabeça das pessoas e, portanto, devemos deixar julgamentos de lado. Ou pelo menos guardá-los para nós.
Muito se vai passar por este mundo fora com todas as regras e condicionamentos a que estamos sujeitos. Era capaz de dar um bom livro de anedotas, e eu já tenho algumas para contribuir. Beijinho
ResponderEliminarAi, Marta, o que se vê por este país acima,abaixo e aos lados!
ResponderEliminarAs cidades e aldeias mais pequenas têm os seus prós e contras... todos se conhecem e, em simultâneo, por vezes exageram na opinião e curiosidade sobre os outros....
ResponderEliminarEnquanto vão mandando estas bocas, ainda se tolera.
ResponderEliminarMas há situações piores, como uma que vi num vídeo, no metro, de alguém que reclamava com outra pessoa por não usar máscara e, depois de uma confusão que envolveu agressões, essa mesma pessoa, tão preocupada consigo mesma, cuspiu para a cara da outra.
É como dizerem que devíamos todos estar em casa, em quarentena. Mas esquecem-se de quem precisa de trabalhar, ganhar o seu sustento. E que para eles ficarem em casa, alguém tem que lhes fazer chegar as coisas.
Por aqui onde trabalho, já apareceram pessoas de máscara abaixo do nariz, e ainda fizeram questão de baixar mais, para falar!
ResponderEliminarEu respeito os outros, por isso, respeitem-me também.
ResponderEliminarNa rua, não sendo obrigatório usar máscara, é manter a distância de segurança. Nos espaços que a isso obrigam, valer das duas medidas.
Tantas vezes, quem reclama é quem acaba por não cumprir, ou cumprir erradamente, o que é pedido.
É falta do que fazer
ResponderEliminarEstar tantos dias fechados em casa, dá nisto.
Cá em casa chamamos a esse pessoal a PIDE da pandemia Por acaso eu ando sempre de máscara na rua porque me sinto melhor, mas o meu marido não anda e passamos por pessoas que andam, outras que não andam, enfim. Eu prefiro, há quem prefira não ter, obrigatório é nos sítios fechados e quem nos dera a todos que as pessoas cumprissem isso como deve ser
ResponderEliminarTentei racionalizar uma ou outra pessoa que fazia isso... tive de abandonar. É tão fácil "apontar" o dedo...
ResponderEliminarÉ mais fácil apontar o dedo aos outros do que a nós próprios...
ResponderEliminarTambém costumo lidar com essas situações em silêncio.
Bom domingo Marta.
É o melhor que fazemos.
ResponderEliminarParece que não basta já a pandemia, ainda querem andar em guerra.
Bons feriados!
Eu preferir, não prefiro. Evito ao máximo usar. Mas onde sou obrigada, uso.
ResponderEliminarNo sábado, por exemplo, com algumas horas a mais que o habitual, com ela posta, valeu-me uma enxaqueca.
O dedo mais depressa se estica em frente, do que se curva para o nosso lado
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