
Sábado à tarde, vou a casa da minha mãe e ela diz-me "Olha, morreu mais um actor. O Pedro Lima."
Fiquei atónita. Parece que, de repente, os actores se lembraram de partir novos. Ainda há pouco tempo tinha sido o Filipe Duarte.
Fui para casa a pensar nisso e, mal cheguei, fui pesquisar mais, momento em que percebi que não tinha sido por doença, ou acidente. Pedro Lima tinha-se suicidado.
Ao que parece, a mulher já estaria a desconfiar que algo de grave se poderia passar o que, a juntar às mensagens que terá enviado nessa madrugada a alguns amigos, terá levado à rápida (mas não a ponto de impedir o pior) descoberta do corpo do actor, confirmando-se a morte.
É-nos difícil compreender como uma pessoa como o Pedro Lima que, aparentemente, tinha "tudo" - trabalho, dinheiro, uma família bonita, amigos verdadeiros, sucesso e por aí fora - se tenha suicidado.
Que motivos teria?
Não havia nada, à nossa vista, que nos pudesse levar a pensar que ele não estivesse bem. Não havia escândalos, falta de trabalho, problemas financeiros ou familiares, nada.
O que o levaria a tal acto de desespero, quando há tanta gente em pior situação, que não o faz.
Mas os problemas, fossem eles quais fossem, estavam lá. Ainda que não se vissem a olho nu.

Diz-se que Pedro Lima sofria de depressão. Como assim?
Se estava sempre animado, bem disposto, de bom humor, de sorriso aberto?
Estas pessoas são, por norma, as que representam mais risco. Porque escondem aquilo que sentem. Porque guardam para si. Porque não querem incomodar os outros, levá-los para os problemas que têm. Porque sofrem em silêncio, e em solidão.
Já não seria a primeira vez que lidava com a depressão quando, para todos nós, era parecia sempre um homem feliz e realizado.
E, agora, lá estava ela outra vez. Ainda que Pedro Lima desse a mão a todos, pareceu recusar-se a pedir a quem quer que fosse, que lhe desse a mão. Provavelmente, não queria incomodar. Provavelmente, achava que era algo que só a ele dizia respeito, e só ele poderia resolver.
Mas a depressão estava lá, enraizada, profunda, a dominá-lo, a puxá-lo como um polvo embora, para quem o visse, parecesse um homem liberto.
Diz-se que Pedro Lima tinha problemas de autoestima.
E nós pensamos: "Problemas de autoestima? O Pedro Lima?"
Parece impossível.
Mas esta morte que tanto nos chocou, só vem provar que, por vezes, o "tudo" que achamos que as pessoas têm, não é nada do que elas precisam.
Que, por mais que os outros nos elogiem ou nos atribuam qualidades, se nós mesmos não as virmos, é como se não existissem.
Choca-nos, mas só ele saberia o que sentia, e como queria livrar-se desse sentimento. Daquilo que o ensombrava. Que o aprisionava.
Talvez pudesse ser ajudado. Talvez não...
Por Pedro Lima, resta desejar que tenha encontrado a paz que lhe faltava, e que esteja melhor do que neste mundo, de onde partiu.
Mas, por tantas outras pessoas, é bom que percebamos que nem tudo é o que parece. Que um sorriso pode esconder uma tristeza profunda. Que a boa disposição pode ser a camuflagem para a dor insuportável.
É uma chamada de atenção, para aquilo que, muitas veses, está para além do que se vê, ou do que nos é dado a ver.
Que a sua alma descanse me paz
ResponderEliminarSabes que quando a meio do almoço de sábado me disseram que tinha morrido o Pedro Lima disse que se estavam a enganar, que era o Filipe Duarte e que isso era notícia de há meses atrás, quando por fim pesquisei para provar à dita pessoa que estava errada, fiquei em choque.
ResponderEliminarMais uma morte e esta tão dolorosa, custa-me sempre imenso lembrar-me há pessoas que sofrem tanto, é horrível saber que esse tipo de dor existe para além das quatro paredes onde vivo e mais horrível já a ter experiênciado e saber quão mau é aquilo pelo que a pessoa passou.
Não sei também se havia alguém que podia ter feito mais, mas acho que em geral podemos todos fazer mais uns pelos outros, temos a tendência para nos esquecer que somos todos humanos a tentar fazer o nosso melhor.
Um grande beijinho
R.I.P.
ResponderEliminarNunca sabemos o que vai na cabeça de cada um que se cruza connosco. A depressão não é pêra fácil e eu já passei por 2 infelizmente... soube pedir ajuda e tive sempre comigo pessoas que souberam ajudar-me!
ResponderEliminarNão sou de falar sobre o que sinto e sou um pouco de Pedro Lima sempre com um sorriso na cara e sempre bem disposta, mas às vezes o que vai cá dentro só nós é que sabemos.
A primeira depressão que tive foi em 2010 meio ano após o nascimento do meu primeiro filho, quando comecei a perceber os sintomas e as reacções que tinha os pensamentos, fui ao médico. Fui medicada e tratada, fiz o desmame da medicação ao fim de ano e meio e segui caminho. Comecei por saber como evitar as coisas.
Anos passaram-se sem que tivesse qualquer problema, comecei com ataques de pânico e mais uma vez médico, medicação para ansiedade só em SOS. No ano passado por infortúnio da vida e após a perda do meu pai, voltei a cair ao poço, mais uma vez fui ao médico, fiquei um mês em casa, medicação.
Este ano antes de toda esta pandemia decidi que iria fazer o desmame da medicação e falei com o médico que disse que sim... apesar de tudo o que estamos a passar, está a correr bem.
Mas vez um jovem como Pedro Lima passar por isto e não ter coragem de pedir ajuda deixa-me triste a pensar nos milhares de pessoas que passam pelo mesmo e não têm ajuda.
A depressão dói... e dói muito!
Que descanse em Paz e que este pequeno texto sirva de ajuda a todos os que pensam estar bem mas não se sentirem bem... falem com amigos, familiares, liguem para as linhas de apoio vão ao médico!
Tudo se resolve mais cedo ou mais tarde tudo se resolve!
Também já passei por uma, há alguns anos e nunca dei a entender pelo que estava a passar. Só o meu marido sabia. A médica é que não tinha muita vontade de ajudar
ResponderEliminarRecomendou-me tomar comprimidos e desabafar com amigas!
A paz que não encontrou neste mundo.
ResponderEliminarEu, quando me disseram, acreditei, mas pensei em algum problema de saúde ou acidente.
ResponderEliminarEm alguns casos, ninguém pode mesmo fazer nada. Apenas tentar.
Beijinhos
Agora começa o pior, para quem cá fica - lidar com o escrutínio, as teorias, as mentiras, os mexericos.
ResponderEliminarEnfim...
Há médicos e médicos, é uma questão de sorte... desta ultima vez avisei várias vezes os meus familiares que a coisa estava preta... mas acharam por bem continuar a dar todo o trabalho que temos de fazer nas finanças e nos bancos após a morte do meu pai.
ResponderEliminarQuando deu o berro acabou tiveram que se arranjar sozinhos!
O que importa é que as pessoas saibam a quem pedir ajuda e terem a coragem de o fazer!
Beijos