
Estranho verão este que, de ano para ano, vamos vivendo...
Em cada verão, vivemos um pouco de cada estação.
Os dias são maiores, mas quase não damos por eles.
Os finais de tarde, antes passados na rua, a apreciar e aproveitar a temperatura amena, são agora passados em casa, porque lá fora faz frio, ou está encoberto.
Raros são os dias em que sentimos o calor de verão.
Levanto-me com vento, céu encoberto e nevoeiro. E a promessa de um dia quente que, se o chega a ser, só mesmo à hora de almoço, e onde nos consigamos abrigar do vento.
Já não existe pôr do sol, nem nascer do sol.
Não sinto que seja verão.
Sinto que estamos a dois passos do outono no qual, com sorte, fará um ou dois dias com temperatura acima do normal.
Quando o tempo quente deveria ser o normal, e não a excepção.
Não existem festivais de verão, acampamentos, festas populares.
Não existem noites quentes, que nos convidam a sair à rua.
Estranho verão, este que nos faz desejar um sofá, uma manta e um chá quente, enquanto cai a chuva lá fora.
Que nos lembra os dias de outono, o regresso às rotinas de escola e trabalho, quando ainda existem férias para gozar.
Que quer, à força, fazer-nos esquecer da sua existência.
Que quer, à força, dividir-se em mil pedacinhos, e espalhá-los por todo o ano.
O verão parece, cada vez mais, uma estação em vias de extinção, com os dias contados.
E, em breve, será apenas uma memória remota dos verões que, um dia, o foram, e nunca mais voltarão a ser.
Para felicidade daqueles que nunca morreram de amor por ele.
E para desgosto de todos os outros, que ansiavam o ano inteiro pelo reencontro, que agora não haverá, e para aqueles que nunca saberão o que é viver um verão como antigamente.
Cheio de aventuras, memórias, inesquecível...
Eu confesso que não morro de amores pelo verão …
ResponderEliminarMas mesmo não gostando … eu acho que é toda esta envolvência, estas condicionantes em que vivemos, que torna o varão mais sem parecer ser verão …
Fica bem
Nunca morri de amores pelo verão, (sempre significou trabalho) mas concordo que isto não é tempo que se apresente.
ResponderEliminarPara mim, verão é férias! É a altura do ano em que as posso ter. É quando a minha filha também as tem.
ResponderEliminarAcho que nunca me lembro de, no dia do aniversário do meu pai, estar a chover. Calhou hoje.
Este ano, de certa forma, temos um verão ainda mais atípico devido à pandemia. Mas tenho notado isto nos últimos anos.
ResponderEliminarPor exemplo, antigamente ficávamos na praia até quase às 19h. De há uns anos para cá, temos vindo a sair cada vez mais cedo. Cheguei muitas vezes a ir com a minha filha de manhã, quando era pequena. Hoje isso seria para esquecer.
Sim tem razão também já me tinha apercebido disso ...
ResponderEliminarConcordo com a amiga, eu vivi os verões de antigamente e sim, aquilo é que era verão! Gostei de a ler, excelente tarde
ResponderEliminarMuito poucas coisas se mantém "bormais". Recordar a juventude acentua as diferenças..
ResponderEliminarSão assim os tempos em que vivemos.
Dia feliz Marta, mesmo com a manta a tapar os pés
Como se costuma dizer ultimamente "é o novo normal".
ResponderEliminarSe calhar, os jovens de hoje, daqui a uns anos, vão também achar que nada é como conheceram e viveram.
Basta a inexistência da mudança da hora, trocar a duração ou início e fim de cada estação, para tudo se alterar.
Beijinhos
Bons tempos!
ResponderEliminarTambém havia os seus dias de chuva, ou encobertos. Mas na sua maioria eram dias com as temperaturas acima dos 30 graus, e sol.
Continuação de boa semana
Eu que sou mais velha, que nunca aguentei e aguento as altas temperaturas do Verão, bato palmas por este teu texto.
ResponderEliminarÉ que tenho comentado que estamos com temperaturas de inicio de Primavera/Outono, com a diferença de que na primeira há a certeza que vamos ter dias maiores e quentinhos, e na segunda o contrário.
E excepcionalmente este ano, que tudo foi diferente e estranho, parece que o Outono vem mais cedo, vem a chuva e o frio... propício ao aumento do Coronavírus
Espero que todos tenhamos o bom senso e o discernimento de cuidarmos de nós próprios , seguindo as normas da DGS, que todos sabemos, e temos obrigação, para que o país não sofra mais do que sofreu.
Também, somos culpados do que se passa na atmosfera, ela está saturada, reage.
Nós, os sabichões do universo, mesmo que percebamos que temos de mudar os nossos hábitos, pensamos que alguém fará por nós, mas esquecemos que estamos a pagar a por isso, e esta geração desta década, e das que virão vão sofrer muito mais.
O homem é egoísta e invejoso.
Tem tudo à frente dos olhos para atenuar e reconstruir o mundo, mas o poder e o dinheiro são mais fortes e irresistíveis.
Parabéns.
Adorei ler-te.
Consequências das alterações climáticas?!...
ResponderEliminarAbraço.
Haja alguém que entenda o meu sofrimento
ResponderEliminarlembro-me dos verões quando era criança eu mais os meus primos passávamos o verão na "terra" coma minha avó no Ribatejo, e muitas das noites tínhamos de ficar a dormir num colchão na rua devido ao calor, e só entravamos para casa por volta da meia noite. Hoje quando vou lá se sair à noite à rua tenho de levar um casaco senão passo frio. É rara a noite de verão que esteja agradável....
ResponderEliminarGosto muito do Verão, dos dias longos, quentes e luminosos...
ResponderEliminarMas tudo se tem vindo a alterar e, por vezes, faz as 4 estações num só dia.
Gostei de ler o texto.
Mena
Caríssima Marta:
ResponderEliminarLembro-me de quando era miúdo e ia passar férias nas praias do norte, como a Sophia…do cheiro inconfundível a iodo (odor que ali se sente e que é único no mundo!), de algumas praias onde, às vezes, a família se deslocava, estavam sitiadas por rochas que, na maré baixa, se erguiam ameaçadoras e acabavam por se tornar armadilhas para os pequenos peixes e moluscos que se deixavam aprisionar pela escassez da água, ficando à mercê de crianças curiosas ou de pescadores insensíveis!
Mas recordo-me muito bem, também, que em agosto, já o sabíamos, havia sempre dias, sobretudo na segunda quinzena, que exigiam uma camisola de lã quando íamos à praia porque o nevoeiro, as baixas temperaturas, e a humidade pediam um agasalho e o que nos valia eram os constantes jogos de bola que nos aqueciam até à medula.
Somos este desafiante animal que vive em constante procura de uma quimera, pois se está muito quente, seco e altas temperaturas ou se vêm os gelos do inverno, logo vêm uns quantos falar que estamos a matar o planeta, a destruir as temperaturas e as estações do ano, mas acaso a Terra teve sempre as mesmas temperaturas? O mesmo clima? As mesmas espécies animais e vegetais? Não foi Darwin que nos explicou a teoria do evolucionismo?
Mas se não fossem as rochas, o mar gélido e rico em espécies piscícolas, aquelas minúsculas piscinas que se formam com a maré baixa, Sophia escreveria, entre outros, a Menina do Mar? Tenho dúvidas!
Quando eu era miúdo a roda da bicicleta ficava marcada no alcatrão que derretia de calor...
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