sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Máscaras: obrigatoriedade e liberdade

Vetores de Emoji De Sorriso Usando Uma Máscara Cirúrgica Protetora Ícone  Para Surto De Coronavírus e mais imagens de Amarelo - iStock
"A liberdade consiste em fazer-se o que se deve e não o que se quer. Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela."


Bernard Shaw


 


Quem me conhece, sabe que evitei ao máximo o uso da máscara.


Nunca usei quando era facultativo.


Comecei a usar nos espaços em que era obrigatório, continuando a evitar o seu uso onde ainda era permitido respirar ar puro.


 


E agora? 


Continuo a considerar que o uso da máscara não é a solução por si só, nem um factor determinante para o controlo da pandemia.


Continuo a pensar que pode trazer outros problemas associados ao uso contínuo.


Continuo a não me sentir bem com ela posta.


E é por isso que, sempre que não tenho pessoas perto de mim, na rua, continuo a não usá-la.


 


Mas, a minha liberdade termina onde começa a do outro. 


Por isso, sempre que estou a passar por locais onde estão outras pessoas, ainda que seja de passagem, por alguns segundos, coloco-a.


Porque eu posso não querer usá-la, mas não tenho o direito de prejudicar os outros. Mesmo que eu não acredite muito na sua eficácia, há quem acredite que a máscara protege, e a use para proteger os demais, para me proteger.


Por isso, é meu dever, retribuir esse cuidado.


 


Ainda hoje, li esta passagem d'"Os Maias", e faz tanto sentido no dias que correm:


"Aí está por que em Portugal nunca se faz nada em termos! É por que ninguém quer concorrer para que as coisas saiam bem... Assim não é possível! Eu cá entendo isto: que num país, cada pessoa deve contribuir, quanto possa, para a civilização."


 


Não só pelo uso das máscaras, mas por todos os comportamentos que o bom senso deveria ditar, mas que acabam por ficam perdidos nas intenções, ou regulados pelo egoísmo de cada um.

Quantas hipóteses podemos/ devemos dar ao amor e às relações?

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Tantas quantas as que forem precisas, e que consideremos que vale a pena dar, se o amor ainda existir e a relação tiver hipóteses de se salvar.


Ainda quem nem sempre o amor tenha a força suficiente para, por si só, manter uma relação, ele tem que existir. Caso contrário, nenhum "remendo" que se tente colocar para manter duas pessoas unidas resultará.


Pode até colar temporariamente mas, à primeira adversidade, lá se descola tudo.


Ou, então, é daquelas colas tão fracas que, mal se coloca, escorrega, levando tudo o que era suposto colar com ela.


 


Por isso, como dizia, tem que existir ainda amor.


Depois, é necessário que haja amizade. E esse é um requisito que nunca se deve ignorar nem pôr de parte, quando se vive uma relação amorosa. Porque se as pessoas se deixam de ver como amigas, faltará tudo o resto. 


Respeito. Porque quando este não existe, não há base de sustentação. Quando o respeito dá lugar ao desdém, ao desprezo, aos insultos gratuitos, não há relação que resista.


Honestidade e sinceridade. Não adianta esconder aquilo que se sente. Acumular. Guardar para si. Porque, mais cedo ou mais tarde, rebenta e provoca estragos, por vezes, irreversíveis.


E isso leva a outro requisito fundamental: conversar. Conversar para perceber em que ponto está a relação, o que pode ser mudado, e o que pode ser aceite, por cada um.


Verdade. Para consigo próprios. Este é, talvez, o ponto mais difícil. Porque, por vezes, a verdade é aquela que tentamos a todo o custo evitar. É aquela que está à frente dos nosso olhos, mas que não queremos ver e, por isso, vamos olhando para os lados, contornando-a. É aquela que a nossa mente já sabe de antemão, mas que o nosso coração insiste em desmentir, ou desvalorizar.


Ou então, pode ser um elo fundamental para dar o empurrão que faltava, para que a relação engrene e encarrile de vez.


 


Mas nunca devemos ter como base, para essa nova hipótese, qualquer outro argumento como:


- o medo de ficar só


- o medo de não voltar a encontrar o amor 


- a tristeza e frustração que o fim de uma relação, na qual se investiu tudo, implica


- questões financeiras


- a existência de filhos, ou animais de estimação


- a habituação à convivência e partilha de um mesmo espaço


- a dependência emocional


- aquilo que os outros vão dizer ou pensar


- qualquer outra razão que não se baseie, unica e exclusivamente, naquilo que realmente mantém uma relação viva em todos os sentidos


 


Todos podemos/ devemos dar as hipóteses que considerarmos necessárias a uma relação, se acharmos que vale a pena lutar por ela, e que poderá haver futuro.


No entanto, também chegará o momento em que temos que perceber que, por vezes, essas hipóteses são apenas um adiar do inevitável. 


E, quando estivermos nessa linha, não valerá a pena passá-la, enganando não só a nós próprios, como também a quem está connosco.


 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Covid 19: podemos não ter o vírus no corpo, mas da mente já ninguém o tira

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A verdade é que o coronavírus não veio para tirar o lugar às restantes doenças e maleitas.


Elas continuam a existir, e a manifestar-se.


Ainda assim, mesmo que não o levando muito a sério ou dramatizando a questão, quem nunca, desde que convivemos de perto com a pandemia:


 



  • começou a sentir-se estranho fisicamente, meio adoentado ou com a sensação de falta de ar

  • andou, volta e meia, a ver se não tinha febre

  • teve um pouco de tosse, uma dor de barriga ou uma dor de cabeça, e pensou que pudessem ser sintomas do vírus

  • começou a tentar perceber se ainda tinha paladar e olfacto

  • pensou, em determinado momento, que poderia estar infectado e nem saber


 


Pois...


Podemos não ter (e que assim continue) o vírus no corpo, mas ele já se instalou na nossa mente, e ficará por lá muito tempo.

Reencontrei-me em Havana, de Leonor Santos

Reencontrei-me em Havana


 


A culpa é um fardo demasiado pesado para se carregar uma vida inteira.


E, por vezes, serve de desculpa para fugir aos problemas, para justificar decisões, para afastar, e se afastar, daqueles que estão ao seu redor.


Mas também pode servir de impulso para a mudança, para a descoberta, para a conquista.


Tudo depende da forma como for gerida, e da direcção em que for impulsionada.


 


Luiza passou seis anos da sua vida a deitar por terra tudo o que tinha sonhado para si, e a castigar-se, pelo acidente que tirou a vida à sua irmã mais nova.


Porquê? Porque se sentia responsável, culpada.


Era ela que ia ao volante. Foi ela que se enervou, foi ela que acelerou, foi ela que não conseguiu controlar o carro, e se despistou.


Os últimos momentos, antes de tudo acontecer, a última vez que viu a irmã com vida, passaram-se numa discussão entre ambas.


Mas, se o acidente, só por si, já lhe trouxe culpa suficiente, esta ainda se acentuou mais por conta de um segredo, que viremos a descobrir mais tarde.


 


A trabalhar como empregada de limpeza, depois de se licenciar em jornalismo, e afastada dos pais, com quem não fala há dois anos, Luiza descobre, entre as coisas da irmã, uma lista, escrita por esta, de coisas que quereria fazer antes de morrer.


E é assim que Luiza dá, finalmente, uma “utilidade” à culpa, e a usa no sentido positivo, mudando a sua vida.


Ultrapassando os medos do passado, e enfrentando os desafios do presente.


Haverá espaço, nesse presente, para se reconciliar com tudo, e com todos aqueles que ficaram para trás?


Haverá tempo para uma nova vida, livre de culpas, mágoa e ressentimento?


 


"Reencontrei-me em Havana" é um livro de escrita simples e objectiva, que se foca nos factos, sem perder tempo em grandes enredos e floreados, indo ao que realmente interessa, e de leitura fácil e rápida, que mostra que, ainda que nem sempre haja uma razão para as coisas acontecerem, há que reter ou descobrir aquela que melhor ajude a superar o que de pior esse acontecimento trouxe com ele.


 


 


Sinopse


 



"Luiza tem uma vida perfeita ou pelo menos é o que todos pensam. Uma jovem prestígio apaixonada pela escrita, com tudo para ter um futuro fantástico. Um passado traumático e um segredo enorme aterrorizam-na.


Quando a irmã morre num acidente de viação, Luiza desiste de tudo! Desiste da sua vida, da sua carreira, das suas paixões… Afasta-se dos mais queridos e de tudo que em tempos foi.


Anos passados, Luiza encontra uma carta da irmã, onde esta enumera os seus desejos. Esta pode ser a sua única oportunidade de conseguir, finalmente, seguir com a sua vida.


E assim, parte numa viagem ao desconhecido, aquilo que mais teme. Mas será que a sua vida tomará um novo rumo? Será esta viagem capaz de fazer Luiza esquecer o sofrimento e dor de tantos anos?"


 


 


 Autor: Leonor Santos


Data de publicação: Outubro de 2020


Número de páginas: 142


ISBN: 978-989-52-9033-8


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 


 



quarta-feira, 28 de outubro de 2020

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Alguém Tem de Morrer, na Netflix

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Foi uma total desilusão!


Uma minissérie de 3 episódios, em que essa é mesmo a única coisa boa, porque não se perde muito tempo, a ver uma série tão apagada, com personagens tão fraquinhas, e com um conteúdo tão pouco, e tão mal explorado.


Nem o elenco consegue salvar esta série, que tanto prometia.


 


Para além da violência, e cenas que enojam e chocam os mais sensíveis, que só estão ali mesmo com esse propósito, e eram dispensáveis, aquilo em que mais se foca é na homossexualidade, considerada crime naquela época, e no preconceito por profissões que são associadas a um determinado sexo.


 


Ester Expósito volta a desempenhar o papel de menina rica, mimada e vingativa. Alejandro Speitzer, que deveria ter maior relevo e ocupar o lugar central, anda por ali muito apagado, sendo ultrapassado por personagens secundárias.


Acho que quem consegue escapar é mesmo a avó Amparo, desempenhada por Carmen Maura, que nos faz antipatizar com ela desde o início, e Gregório, um homem rígido, de princípios, que põe o dever acima da família, capaz mesmo de denunciar o próprio filho, e mandá-lo para a prisão.     


 


Faltava uma maior contextualização, um maior desenvolvimento das personagens, um maior aprofundar de cada um dos temas. Talvez por quererem resumir tudo em três episódios, não conseguiram chegar, verdadeiramente, ao fundo de cada questão. 


E ao contrário de que seria de prever, para uma série tão curta, longe de fluir, a acção arrasta-se, sem prender.


 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

"O amor não é cego", de Teresa Caetano

O amor não é cego


 


Também me parece que "o amor não é cego". E atrevo-me a afirmar que, tão pouco, cega.


Acredito que, quando existe amor, conseguimos ver tudo, seja bom ou mau.


Aliás, quando existe um amor verdadeiro, existe uma total clareza e limpidez, que nos permite ver aquilo que está à vista, e o que está escondido. O superficial, e o mais profundo.


E nem precisamos de olhar, para o conseguir.


Mas, muitas vezes, aquilo que está à frente dos nossos "olhos" não é o que gostaríamos de ver.


Então, apenas fingimos não ver, ou optamos por não olhar para o menos bom, focando-nos no que mais nos agrada. 


E esse é, muitas vezes, o grande erro. Porque não se pode amar pela metade, ou apenas uma parte. Porque a pessoa por quem é suposto sentirmos amor, tem os dois lados e, por mais que queiramos, não podemos ficar com o que mais nos interessa, ignorando o outro, como se não existisse. 


A nós, cabe escolher entre as duas opções possíveis: ou amamos por completo, ou não amamos.


 


Quando optamos por ignorar, mais cedo ou mais tarde, as relações acabam por não dar certo.


Nem mesmo quando apostamos noutras relações, procurando apenas compensar aquilo que faltava à anterior. Porque nenhuma relação é um complemento da outra. Nem a solução para a falha da outra. Ao fazê-lo estamos, mais uma vez, a procurar aquilo que mais queremos, ignorando o restante, que poderá não nos agradar.


 


Nesta história, Carolina e André pareciam perfeitos um para o outro mas, afinal, houve muita coisa que ficou por ver, ou que se fingiu não ver, porque tudo parecia bem como estava. Mas não estava.


E, assim, vemos André procurar noutra relação, aquilo de que sentia falta na primeira. Mas o que ele queria mesmo, era aliar a parte boa da primeira relação, com a parte boa da segunda. E isso é impossível.


 


Sim, as pessoas podem mudar e, talvez, André e Carolina pudessem, observando e interpretando os sinais e, sobretudo, conversando abertamente, resolver e aplacar as diferenças que os separaram.


Mas, pela minha experiência, só depois da separação é que temos a tendência a ver as coisas de forma diferente. Porque é ela que nos abre outra perspectiva. Outros horizontes. Outra forma de encarar a vida, e as relações. Porque é ela que nos faz perceber onde errámos, para fazer melhor da próxima vez.


E isso não significa que, da próxima vez, já vamos fazer tudo bem, acertar, ver tudo com clareza. Por vezes, é um processo que se vai desenrolando, ao longo das várias relações e que pode, um dia, levar a esse amor em que vemos, aceitamos e amamos tudo por inteiro, ou nunca chegarmos a encontrá-lo.


 


Mas, mais do que o amor, as relações, ou o romance em si, que são o fio da história, destaco, acima de tudo, duas temáticas que a mesma aborda: o preconceito geral, seja em relação a estatutos sociais, a limitações físicas e tantos outros, e os entraves impostos pela sociedade às pessoas portadoras de deficiência, muitas vezes aliados a mesquinhez, egoísmo e egocentrismo.


 


Relativamente ao primeiro, é incrível como, numa traição e no fim de um casamento, aquilo que mais importância assumiu não foi a traição em si, nem tão pouco a pessoa em si, mas o estatuto social daquela pela qual foi trocada. Como se fosse um total absurdo tal troca. Uma audácia, uma ousadia a que ninguém no seu juízo perfeito se deveria atrever.


E como, mais tarde, por comparação, já tudo isso se tornou irrelevante, perante uma ousadia ainda maior, e ainda pior, aos olhos de determinadas pessoas, ao se desprezar o menino rico e de boas famílias arrependido, preferindo um homem cego.


 


No que respeita ao segundo tema, a sociedade está formatada para lidar com pessoas ditas "normais". E é em função destas que tudo gira, que tudo é construído e adaptado. E, embora já se comece a ter em consideração as minorias, as pessoas portadoras de deficiência vêem-se, muitas vezes, limitadas, discriminadas, diminuídas, esquecidas, ignoradas, menosprezadas, pelos demais.


Faltam condições de acessibilidade, e de acesso, àquilo que deveria estar ao alcance de todos. Falta respeito. Falta solidariedade. Falta tratar o que é diferente com igualdade, e equidade, não acentuando as diferenças. É necessário derrubar barreiras, obstáculos, e tornar possível.


Há ainda um longo caminho a percorrer nesse sentido, mas é mais do que necessário.


 


Por fim, outra temática muito actual nos dias que correm: as redes sociais e as aparências.


Vivemos grande parte da nossa vida em função daquilo que os outros pensam, querem, dizem, gostam, sem nos preocuparmos naquilo que, realmente, nos faz falta, e nos faz bem. Vivemos muitas vezes no mundo do faz de conta, encarnando uma personagem que nada tem a ver connosco. 


Existe vida para além das redes sociais, para além dos "likes" dados só por dar, por quem nem sequer nos conhece verdadeiramente, para além da ostentação, para além das amizades por conveniência, para além da fama momentânea, para além de um corpo tonificado, uma cara bonita e uma roupa elegante. 


 


"O amor não é cego" não é um livro para puxar a lágrima, ou emocionar, mas antes para reflectir.


Reflectir sobre aquilo que é, realmente, importante, e nos faz, verdadeiramente, felizes. E como podemos alcançar parte dessa felicidade, marcando pela diferença, e fazendo a diferença na vida daqueles que ainda não se conseguem fazer ouvir, por aqueles que insistem em pensar apenas em si próprios.


 


Sinopse



"Desde cedo, Carolina habituou-se a viver num mundo de aparências, onde o culto pela imagem não a deixava ver a verdadeira essência das coisas.


Poder morar numa boa casa, usar roupas e acessórios de marcas caras, frequentar festas cheias de brilho e casar com o homem que se ama poderá cegar alguém perante os pequenos pormenores da vida?


Quando se está acostumada a ter tudo o que se deseja, sem qualquer esforço, será possível dar valor ao que se tem?


Este livro fala-nos de duas formas distintas de amor: o aparente e o verdadeiro que, muitas vezes, se poderão confundir.


Os diálogos entre as personagens são uma marca constante nesta história, pois é através deles que serão reveladas algumas verdades escondidas, repletas de fortes emoções.


Será que uma forma diferente de ver o amor nos poderá ajudar a encará-lo com um novo olhar?"


 



 


Autor: Teresa Caetano


Data de publicação: Outubro de 2020


Número de páginas: 314


ISBN: 978-989-52-9263-9


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 


 


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Fugir dos "fantasmas", ou enfrentá-los?

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Nem sempre estamos com vontade, disposição ou força para enfrentar os "fantasmas" que vão surgindo na nossa vida.


Seja um problema, uma dificuldade, uma desilusão, uma perda, temos tendência a fugir, a tentar encontrar um refúgio ou bolha onde nos possamos esconder, e esquecer momentaneamente o que nos faz sentir mal.


 


Quantas vezes não demos por nós a "vingarmo-nos" numa ida às compras, numa viagem, numa ida ao ginásio, ou até naquele balde de gelado, naquele hamburguer XXL com todas as calorias a que temos direito, naqueles pacotes de bolachas, batatas fritas ou barras de chocolate que comemos porque precisamos de algo doce, ou salgado. Ou mesmo naquela garrafa de uma qualquer bebida à qual nunca ligámos muito mas que, naquele momento, parece ter alguma utilidade.


 


Pois... 


Acontece.


Funciona como um escape que nos proporciona um esquecimento, uma alegria ou felicidade temporária.


Mas a verdade é que não podemos fugir deles para sempre.


 


Esse efeito prazeroso que nos "anestesiou" dura pouco e, depois, quando passa, percebemos que ainda acrescentámos mais "fantasmas".


Para além de não ter resolvido o problema original, a pessoa que já estava deprimida, fica ainda mais quando ganha a noção de que gastou dinheiro, fez figuras tristes ou arruinou a dieta, por exemplo!


E ainda se sente pior, e culpada.


É como uma criança a quem é dado um brinquedo novo para parar a birra e faz efeito durante uns minutos mas, dali a pouco, já não tem graça, já não o querem, e volta a birra.


 


Podemos andar a vida toda a fugir dos "fantasmas", mas eles não vão desaparecer, nem deixar-nos em paz. 


Por isso, por muito que custe, é preferível enfrentar os fantasmas, do que fugir deles. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Duas forças, contrastes, equilíbrio...

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Um dos grandes segredos da vida é saber vivê-la com equilíbrio.


Saber que essa vida é feita de diversas dualidades, de inúmeros contrastes, que se complementam entre si, e não poderiam existir separadamente. Porque, sem uma das partes, não saberíamos reconhecer ou dar valor à outra.


Como se costuma dizer, só sabemos o que é a alegria, porque conhecemos a tristeza. Só damos valor às coisas boas, porque sabemos como nos custam as más. Só conhecemos o bem, depois de saber como se manifesta o mal. O positivo é contrabalançado pelo negativo. A morte é contrabalançada com a vida. E por aí fora.


 


São duas forças distintas que, muitas vezes, medem forças tentando, uma, levar a melhor sobre a outra. Há momentos em que existe um claro domínio de uma sobre a outra. Momentos em que uma delas avança, fazendo a outra recuar. E outros em que as posições se invertem. Mas, quando equilibradas, anulam-se entre si, e permitem viver em harmonia, em equilíbrio, aproveitando o melhor de uma, não esquecendo os ensinamentos da outra.


 


A nossa vida não é sempre um céu azul, limpo, e um sol brilhante. Tal como também não é sempre um céu escuro, cinzento e carregado, que não nos deixa ver nada, para lá dessas nuvens negras.


O mar, não é sempre calmo e sereno. Também tem dias em que mostra toda a sua força, agitação, poder.


A própria natureza regenera-se. Tem fases em que está em todo o seu esplendor, e outros em que começa a esmorecer.


O ser humano não é diferente.


Só tem que saber compreender e encontrar o seu equilíbrio, neste mundo e vida feita de desiquilíbrios!


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Arco-íris

Arco da aliança, rasto da mensageira ou  fenómeno óptico e meteorológico?


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Depois da tempestade Bárbara ter passado por cá, terá achado Deus, por bem, mostrar que a aliança de não destruir o planeta com chuva se mantém de pé?


Ou será apenas o rasto deixado pela mensageira Íris?


 


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E como se não chegasse um, surgiu outro logo ao lado!


O que quer que seja, se for de bom, e para reforçar a mensagem, que venha a dobrar.


 


 


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E foi assim que o meu dia começou, hoje. Com a promessa de que ainda há esperança, e que o mundo não é só cinzento.


Para, logo em seguida, mostrar precisamente o contrário!


 


Mas, afinal, o arco-íris não passa de um fenómeno e, como tal, não vale a pena fantasiar sobre ele, nem lhe dar outros significados, quaisquer que eles sejam.


 


 


 


 

Histórias Soltas #14: Desaparecida

O VAZIO¨ ¨¨


 


Desapareceu…


Naquele final de dia, que já era início de noite…


Ninguém viu.


Ninguém a viu. Ninguém a ouviu.


Era só mais um final de dia, igual a todos os outros. A caminhar pelas mesmas ruas de sempre.


E lá estavam eles, os gatinhos, como sempre.


À espera de compaixão. À espera de uma refeição.


Estava escuro, e não queria ter que lá voltar mas… Eles chamavam por ela. Eles precisavam dela.


 


Foi a casa, pegou na ração, e saiu.


Deveria ter levado o telemóvel, mas… Eram só alguns metros, no mesmo caminho de sempre.


Por vezes, pensava que, ao fazer aquilo todos os dias, já lhe conheceriam a rotina, e saberiam os seus passos mas, quem lhe quereria fazer mal?


Chegou lá, e não havia gatinhos. Mas, muitas vezes, acontecia isso. Eles iam embora, e voltavam depois.


Hesitou em entrar naquele pátio. Mas era onde estavam as caixinhas para colocar a comida, e a água para lhes colocar nos recipientes.


Tratou de tudo.


 


Estava escuro.


Era um edifício abandonado. Onde, por vezes, se abrigavam drogados, delinquentes.


Numa rua onde poucos carros passavam. E, menos ainda, pessoas.


E dizia-se que o edifício estaria assombrado. Ou que vivia lá um velho, que matava toda a gente que lá entrasse. Mas eram só lendas… Mitos…


 


Em casa, esperavam por ela.


Mas nunca chegou.


Nem nesse dia, nem nos seguintes.


Desde aquele final de dia, que já era início de noite, tinha sido dada como desaparecida…

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Quando as pessoas não têm opinião própria

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Hoje em dia, quase toda a gente tem uma opinião a dar, qualquer que seja o assunto.


Umas mais informadas ou fundamentadas que outras, é certo. Mas as pessoas gostam de mostrar o seu ponto de vista e, se em muitos casos, nem sequer lhes é pedido, ou não serve para nada, noutros, as opiniões são bem vindas.


Não vem mal ao mundo em partilhar e trocar opiniões, e até pode ser enriquecedor, ou gerar boas conversas e debates.


Mas, para isso, é preciso que as pessoas apresentem aquela que é, de facto, a sua opinião.


 


E o que se vê, por vezes, é que as pessoas nem sempre têm opinião e, como tal, vão atrás das opiniões alheias, consoante a sua conveniência. Hoje, até são da mesma opinião que fulano x mas, amanhã, se for preciso, já são da opinião de fulano y que, por acaso, até é contrária à do x!


Ou, pior, mudam de opinião sem qualquer critério, só porque sim. Porque é melhor ir atrás da maioria. Ou porque é mais cool ser do contra.


 


São opiniões que, na prática, não valem nada porque, na verdade, as pessoas que as pronunciam não têm sequer uma opinião formada.


Já em relação àqueles que, realmente, mostram a sua opinião, esta acaba por gerar, muitas vezes, em vez de discussões saudáveis, verdadeiros pesadelos para quem as pronuncia.


Porque quem está do lado de lá, nem sempre está preparado para ouvir opiniões contrárias à sua. E, a única forma de evitar dissabores, é manter-se calado, ou concordar com os outros.


 


Por isso, para quem está no lugar do ouvinte diria que há que respeitar todas as opiniões, ainda que contrárias à sua. Se fosse para todos pensarmos da mesma forma, e termos o mesmo ponto de vista, tinham-nos feito robots, e programavam-nos para tal.


Para quem está no lugar de opinante, que dê a sua opinião, se de facto tiver alguma, ou mantenha-se calado, se não a tiver, em vez de estar a roubar as dos outros. 


 


 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Depressão Bárbara: em tão pouco tempo, já fez tanto estrago

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Ainda estava eu na cama, de madrugada, e já se ouvia o vento lá fora.


D. Bárbara a caminho, e os pagens à frente a anunciar a chegada.


Mas o céu estava relativamente limpo e, não custava tentar. Por isso, estendi algumas peças de roupa mais pequenas, deixando o resto para secar mais tarde na máquina.


Se não chovesse até ao almoço, já ficava com aquela enxuta, e poupava na eletricidade.


 


A meio da manhã, vejo o tempo a ficar escuro. 


D. Bárbara deve ter apanhado a via rápida, a autoestrada, ou um qualquer atalho, e estava a chegar mais cedo que o previsto.


Ia enviar mensagem para a minha filha me apanhar a roupa mas, no telemóvel, tinha uma outra, do meu marido, a avisar que o estendal tinha caído, mas que a roupa estava sã e salva, em casa.


Bendito pai que foi despejar o lixo, viu o estendal caído e, com a ajuda da vizinha, me apanhou tudo.


Ou quase tudo...


Quando cheguei a casa, deparei-me com os elásticos do cabelo, o casaco da minha filha e um pano da loiça espalhados pelo chão. E lá foram para lavar de novo.


 


Antes disso, pelo caminho, tive a imensa sorte de um autocarro passar ao meu lado, e me dar um banho!


 


Já em casa, andava a minha filha de espanador e esfregona na mão, porque a chuva tinha entrado no quarto dela e o chão estava todo alagado.


Mas como estava na hora de ir para as aulas, e a chuva não parava, achei por bem chamar um táxi para a levar à escola. Não convém apanhar molhas e ficar doente em casa. Logo agora que está em semanas de testes.


Só que, não havia táxis!


O que eu costumo chamar, não estava por cá, nem o pai. E avisou-me logo que já várias pessoas tinham tentado ligar para a praça de táxis, e ninguém atendia, porque andava tudo a fazer serviços.


Boa! E agora?


Lá andei a pesquisar e liguei para um número de telemóvel que me desenrascou. Menos uma preocupação.


 


Com a casa de volta a uma relativa ordem, pus-me a caminho do trabalho. Nestes dias, costumo ir por uma rua em que tenho prédios com telheiro, onde dá para proteger um pouco mais mas, hoje, com a Depressão Bárbara ao comando, posso dizer que, em 41 anos, nem isso me valeu, e apanhei a maior molha de sempre.


Até ver...


Porque dizem que o pior ainda está por vir amanhã!


 


Alguém que invente aí a aplicação "Stayaway Bárbara", e a mande embora depressa?


É que, em tão pouco tempo, já fez muitos estragos na minha vidinha.


Juro que, se algum dia vier a ter outra filha, Bárbara é daqueles nomes que estão automaticamente fora de questão!


 


 


 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Enola Holmes, na Netflix

Enola Holmes (2020) | Crítica - Vamos Falar de Cinema!


 


Gostei do filme.


Gostei da interacção da protagonista com o público.


Gostei de conhecer mais sobre a família da personagem Sherlock Holmes, nomeadamente, um irmão chamado Mycroft, e uma irmã, Enola, cujo nome ao contrário pode ler-se "Alone".


 


Confesso que este Sherlock está fora da imagem que sempre tive em mente, para esta personagem. Já Mycroft, é dispensável. É o típico nobre preocupado com a opinião pública, frio, calculista.


Quanto a Enola, tem tudo para ser uma dama, se assim o quiser, mas também uma mulher que luta, que tem os seus próprios ideais, inteligente, desenrascada.


Logo no início, não gostei do jovem Tewkesbury. Pareceu-me um palerma convencido. Mas, ao longo da história, ele vai mostrar que é melhor que isso e que, também ele, quer seguir o seu próprio caminho, desafiando a família.


Enola, por sua vez, fica sozinha quando a sua mãe desaparece misteriosamente. Sendo os irmãos bem mais velhos, saíram de casa quando ela era pequena, e Enola sempre viveu e foi educada e preparada para a vida, pela mãe.


Agora, vê-se forçada a ir para uma escola aprender regras de etiqueta para se tornar uma dama já que, aos olhos do irmão Mycroft, ela parece uma selvagem indomável.


Conseguirá ela escapar, e traçar o seu próprio destino?


 


E Tewkesbury, porque correrá ele perigo de vida? Qual a sua importância na história, e porque se cruzou o seu caminho, com o de Enola?


 


O filme entretém, prende, passa rápido, e queríamos que continuasse, para saber mais sobre como seguiriam as vidas deles, se haveria romance, se haveria mais aventuras com Enola e Tewkesbury, e como seria a futura relação de Enola com a mãe e com os irmãos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Covid-19: Outubro, e o retrocesso no combate à pandemia

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A 18 de Março de 2020 foi decretado “estado de emergência” em Portugal. Nessa fase, início dos efeitos da pandemia no nosso país, o número de novos casos por dia era baixo – 194.


Desde então, o máximo de novos casos atingido foi em Abril (1516), valor só ultrapassado agora no mês de Outubro.


 


De uma forma geral, Outubro marca pelo aumento de novos casos, aumento dos internamentos, um aumento de óbitos por comparação com meses imediatamente anteriores.


Seis meses depois, encontramo-nos em “situação de calamidade”, por onde já andámos há uns meses atrás.


Iremos assistir a um retrocesso, a todos os “estados” ou “situações” em que já estivemos, mas no sentido inverso?


 


É consensual que não suportaríamos um novo confinamento, com as consequências que o mesmo acarreta, e que já antes, apesar dos apoios, causaram danos em muitas famílias.


Por isso, há que encarar a pandemia de frente.


 


Como já tenho dito, acredito que, mais cedo ou mais tarde, todos nós seremos contagiados, e lidaremos com o vírus.


A minha dúvida, no meio disto tudo, é se o vírus perdeu força, se se manifesta de forma menos grave, e se causa menos mortes, à medida que o tempo avança, ou se, entretanto, quem de direito está mais perto de conhecer o vírus, e lidar com ele, do que no início da pandemia, garantindo que, aconteça o que acontecer, nada será como teria sido nessa altura, se não houvesse confinamento.


Ou, pelo contrário, sabe-se tão pouco como no início, e qualquer cenário ou desfecho é uma incógnita.


 


É que, se virmos bem, logo no início (março), o governo quase nos colocou numa redoma, num bunker de onde poucos podiam sair, ou onde poucos podiam entrar. Ele foi estado de emergência, confinamento, uma mão cheia de medidas, para conter e dispersar o avanço da pandemia que, como vimos, resultou na altura. E, por isso, lentamente, foi-se abrindo uma porta, uma janela, até quase escancararmos a casa toda.


 


Agora, dizem que é impensável voltar ao bunker. Temos que fazer a vida normal. E se formos contagiados, paciência. Portanto, tudo aquilo que tentaram evitar, até ao verão, pode vir agora a dobrar, ou triplicar, pondo em causa todo o esforço, todas as dificuldades, todas as consequências sofridas.


De que serviram, então, os meses de clausura? Terão valido a pena? Ou terão sido em vão?


Fizeram sentido?


 


A pessoa que perdeu parte do rendimento, a que perdeu o seu negócio, a que perdeu o seu trabalho, a que quase perdeu a sua sanidade mental, a que perdeu em grande parte, a sua liberdade, para se proteger, pode agora vir a ser infectada, com o mesmo vírus do qual andou a fugir durante meses a fio.


Os alunos e professores, que durante meses tiveram que ir para casa, e se adaptar a uma nova forma de aprendizagem/ ensino, podem agora vir a ser infectados, porque fechar as escolas novamente está fora de questão.


 


O Serviço Nacional de Saúde, e os hospitais, que na altura não se queriam entupir e asfixiar, com um elevado número de casos, podem ver esse receio concretizado agora, em que, ao regresso à normalidade, se junta a época das constipações e gripes que, por si só, já costumam encher os serviços. Sem contar com todas as outras doenças que também precisam de ser tratadas e não se podem mais ignorar, fingir que não existem, ou que fizeram uma pausa temporária para deixar “brilhar” a Covid-19.


Faz sentido?


 


Para o governo, a solução para combater neste momento, a propagação do vírus e o aumento de casos, está no uso da máscara e numa aplicação. Num regresso à situação de calamidade, baseada em multas, e receita para o governo. Um governo, ele próprio, muito duvidoso a cumprir as regras e medidas que quer impor aos outros, ao género “façam aquilo que eu digo, mas não aquilo que eu faço”, com muito pouca credibilidade, que muda o discurso consoante lhe apetece.


Faz sentido?


 


O que é certo, é que há formas de tentar prevenir e evitar, que dependem de nós, e que nem sempre cumprimos.


Há comportamentos que cabem a nós pôr em prática, e que ainda tendemos a descuidar.


Mas existem outras tantas condicionantes, factores e situações que nos transcendem, e que contribuem para a evolução, positiva ou negativa, da pandemia, sem que possamos fazer o que quer que seja.


 


Porque, se nos mandam para a frente de combate, sabemos que tanto podemos sair ilesos, como feridos ou mortos. Que, apesar das armas que temos, estas podem não ser suficientes, ou eficazes, e deixar-nos desprotegidos. Que, enquanto nos defendemos de um lado, podem atacar-nos pelo outro.


E, ainda que evitemos ao máximo estar na linha de fogo, podemos sempre levar com uma bala perdida.


 


Por isso, ou o governo nos coloca de volta no bunker, ou nos dá ferramentas melhores, e exequíveis, de defesa, ou nos deixa enfrentar o inimigo, com as armas que temos, limitando-se a esperar pelos sobreviventes.


 


Se virmos bem, ainda não estamos naquilo a que chamam “o novo normal”. Aí, só estaremos quando a guerra acabar, e começarmos a reconstruir aquilo que sobrou, com aqueles que ficaram.

Coisas que oiço por aí

The Day I Closed a Ring Road & A Multi Storey Car Park - Laura's Lovely  Blog ♥


 


Ao passar na rua, ouvi alguém a falar ao telefone, dizendo o seguinte:



"Ele não é má pessoa. Tem aquele ar de carrancudo, mas não é. Coitado, não tem culpa da cara que tem..."!


 


E por aí, conhecem alguém que que se encaixe na descrição?!

Quando decidimos e/ou agimos pelos motivos e com os objectivos errados

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Tomar decisões ou agir pelos motivos, e/ou com objectivos errados nem sempre leva ao resultado que esperamos.


Fazêmo-lo, achando que é uma porta aberta para a felicidade, para a realização pessoal ou profissional, para preencher o vazio que se instalou em nós mas, por vezes, essa felicidade é passageira. E depressa lhe sucede uma tristeza, uma sensação de vazio ainda maior, mal passamos a porta.


Muitas vezes, gera mesmo frustração.


 


Há quem faça as coisas em busca de reconhecimento. E se ele não vem? Ou não vem na medida em que se imaginou?


Há quem faça as coisas à espera de um retorno, que pode tardar, ou nunca chegar.


Há quem aja para afogar as mágoas, para fintar a tristeza. Mas, e se as nossas acções tiverem um efeito inverso, e ainda pior?


Há quem tome decisões no calor do momento, por impulso, baseadas na raiva, na dor. Mas, serão as mais correctas? Não nos iremos arrepender depois, quando a "poeira" assentar? 


 


Fazemos as coisas porque realmente queremos? Ou para agradar alguém?


Porque nos satisfaz, ou porque queremos daí tirar vantagens?


Porque é algo que nos dá prazer, ou porque é aquilo que se espera de nós?


 


Quantas vezes não nos enganamos com a ilusão de que são honestos os motivos e objectivos pelos quais agimos mas, ainda que inconscientemente, não são os certos, e podem não resultar da forma como imaginámos.


E, ainda que resultem, deveriam ter outra base, que não aquela em que nos apoiámos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

As "sobrinhas" emprestadas que a minha filha me arranja!

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Há uns anos, uma amiga da minha filha perguntou-me se me podia tratar por tia.


Disse-lhe que, por mim, não havia problema, se ela se sentia à vontade assim.


 


Ontem, a minha filha perguntou-me se uma outra amiga poderia ir lá a casa almoçar com ela. Esta é recente, e ainda não a conheço pessoalmente mas, em conversa ao telemóvel com a minha filha, mandou-me uma mensagem "Olá tia Marta!".


E eu, depois, perguntei à minha filha "porquê tia?".


Responde-me ela: "Então não sabes que nós tratamos as mães das nossas amigas por tias?"


Eu: "Ai sim?"


Ela: "Sim! Por isso, és tia de todas as minhas amigas!"


Eu, ao fim de um momento: "Xii... Tenho tantas sobrinhas!" 

Emily in Paris, na Netflix

Emily in Paris - Just Breathe.


 


A nova série da Netflix, "Emily in Paris", traz-nos uma história leve, descontraída, por vezes cómica e surreal.


Não tem grandes mistérios, nem muito "sumo", mas o que é certo é que, por vezes, também precisamos dessa leveza na vida. Nem tudo tem que ser pesado, dramático, intenso.


 


Quando ouvi falar da série fiquei com algum receio porque, por exemplo, Betty Feia em Nova Iorque, além de demasiado longa, não me prendeu muito. Tornou-se cansativa, e perdeu o interesse. Então, pensei que talvez esta série, apesar de mais curta, fosse no mesmo sentido. Mas não.


 


Vê-se num ápice, com episódios curtos, e já devorava uma segunda temporada!


Ver "Emily em Paris" é como querer, por vezes, também nós, ter uma mudança na nossa vida, e vivê-la através das aventuras da protagonista embora saibamos, de antemão, que não seria assim tão cor de rosa!


É uma série que nos leva a sonhar, e a viajar, num momento em que é o que menos podemos fazer, e com a liberdade que gostaríamos. 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Há pessoas que não nasceram para lidar com os da sua espécie

Desenho de Galo mal-humorado pintado e colorido por Usuário não registrado  o dia 18 de Outobro do 2016


 


Nem tão pouco lidar com burocracias chatas, mas necessárias.


Hoje recebi um email. Vinha com assunto, mas sem conteúdo. Pode ter sido engano do remetente. Acontece a todos. Pode ser um problema do meu email (duvido, mas...). Também acontece.


Respondi à pessoa que, embora tivesse recebido o email, como não tinha conteúdo, não consegui perceber, pelo assunto, o que era pretendido.


Logo em seguida, a mesma pessoa, talvez dando conta do erro, envia um novo email, desta vez com o texto.


E, segundos depois, em resposta ao meu, escreve esta preciosidade:


 


"Boa tarde, 


O texto já enviado 2x é o seguinte...."

 


Pela resposta, parecia uma adulta irritada com crianças que a estão a fazer perder tempo, só porque não prestam atenção às coisas. 


Mas quem se irritou com esta resposta fui eu!


Tendo em conta que o primeiro email veio sem texto (daí ela ter enviado novamente), eu só recebi uma vez.


E se ela não o queria estar a enviar de novo, podia simplesmente dizer que, entretanto, já tinha enviado um email, e para eu confirmar se tinha recebido.


Mas não. Preferiu ser rude.


 


Confesso que, desde o ano passado, não vou à bola com esta pessoa. Acho-a, por vezes, injusta, demasiado crítica, e picuinhas. 


Mas, talvez pelo nível de exigência e perfeccionismo que exige aos outros, tivesse a consciência e o dever de, também ela, o ser para com eles.


No entanto, o que vejo é alguém que não nasceu para tratar de questões burocráticas, chatas (como sabemos e todos se queixam), que fazem dispender o tempo de quem assume esse cargo, mas necessárias.


E também me parece duvidoso que tenha nascido para lidar com os seus semelhantes. 


 

Quando o prazer se torna obrigação, perde-se a paixão

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No outro dia, perguntava-me o meu marido: "Se te pagassem para escrever um artigo todas as semanas, aceitavas?".


E eu respondi-lhe "Não!". "Não", porque gosto de escrever quando estou inspirada, quando tenho algo para dizer, quando um assunto surge e me interessa. E isso não tem dia e hora marcada para acontecer.


Tudo é que acontece de forma natural e espontânea, sai melhor. É feito com gosto, por prazer, e deixa-nos felizes.


Mas, se começarmos a transformar esse prazer em obrigação, a paixão perde-se, muitas vezes, pelo caminho e, às tantas, já não queremos fazer aquilo, já sentimos o peso da pressão, da necessidade de apresentar aquilo para o que nos pagam, e com o qual estão a contar. 


 


Estou a imaginar, por exemplo, alguém que adora cozinhar, para a família, para um grupo de amigos, ou sozinho, inventando receitas, fazendo experiências. Que leva o seu tempo a apurar, a ornamentar os pratos, que preza a apresentação.


Se, de repente, tiver que cozinhar para um regimento, sem tempo para grandes invenções, e com o relógio a contar, a pessoa acaba por não conseguir dar aquilo que mais gostava, e cozinhar torna-se cansativo e sem graça.


 


Imagino que também os escritores passem um pouco por isso, quando têm prazos para entregar as suas obras, e não lhes saem as palavras ou, quando saem, não são as que deveriam.


Ou os artistas plásticos.


E, um pouco, todos nós, naquelas pequenas coisas que, normalmente, fazemos por prazer, e lazer.


A obrigação, é meio caminho andado para tornar a paixão, em aversão, e levar ao abandono daquilo que, um dia, gostámos de fazer. 


 


 


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Segredos, guerrinhas e mexericos

Ecos das Lutas: Sobre futricas e mexericos...


 


Gosto cada vez menos de conversas que começam com um "vou-te contar isto mas é para ficar entre nós".


Algumas pessoas, dizem-no sem essa real intenção, mas com o objectivo oposto, de ver a informação ser espalhada.


E as que realmente querem guardar segredo, não devem andar a falar com esta e aquela pessoa, com a desculpa de que confiam que essa pessoa vai guardar esse segredo. Pode guardar, é verdade. Mas também pode não o fazer. 


 


Pior ainda quando, essa pessoa que pediu para guardar segredo não foi capaz, ela própria, de o fazer, e depois exige isso das outras a quem "passou a bola".


O que é que resulta daqui?


Mexericos. Acusações. Intrigas.


Muitas vezes, são informações postas a circular, para criar guerrinhas e, no fim, é apanhado no meio quem não tem nada a ver com isso.


 


Por isso, o melhor a fazer, quando vêm com esse tipo de conversa, é cortar. Não deixar nem a pessoa começar. Se é segredo, que o guarde consigo.


 


 

domingo, 11 de outubro de 2020

Uma tela chamada céu

Uma das vantagens de andar a pé, é poder observar tudo com mais calma e pormenor.


E o céu, muitas vezes, mostra ser uma bela tela, com todas as cores, tonalidades, pinceladas de nuvens e efeitos, que poderíamos imaginar.


Estas imagens são apenas um pequeno exemplo daquilo que o céu tem para nos deslumbrar!


 


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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Medicina do trabalho: real eficácia ou mera formalidade burocrática?

Medicina Trabalho e Higiene e Segurança no Trabalho Funchal - Madeira: Medicina  do Trabalho - Funchal - Madeira


 


Há quem diga que a medicina do trabalho só beneficia as entidades patronais.


Há quem já tenha recorrido a ela, e não tenha ficado satisfeito.


Mas também haverá quem não tenha do que se queixar, no que a esta questão diz respeito.


 


Há as consultas em que os médicos são mais exigentes e fazem, ou pedem, análises e exames, e diversas perguntas sobre hábitos e vícios.


Outras, em que se faz o mínimo indispensável à obtenção do "Apto" ou "Não Apto" no relatório.


 


Eu pessoalmente, não sou fã de ir a médicos e, consultas de medicina de trabalho, menos ainda. Por mim, quanto menos fizerem, melhor.


E, agora com a situação da pandemia, ainda menos é possível.


Da última vez que fui, posso dizer que a consulta demorou menos que o tempo que levei a lá chegar (demoro 15 minutos). Que maravilha!


 


Uma suposta enfermeira mediu-me a febre antes de entrar. Depois, encaminhou-me para um gabinete, onde me mediu a pressão arterial, enquanto me perguntava a altura e o peso. Fiquei admirada porque sempre ouvi dizer que não se deve falar durante a medição.


Depois, fez-me um teste de visão à moda antiga (nada de aparelhos por causa da Covid), e mandou-me para o gabinete médico, onde a médica, sentada a cerca de dois metros, me perguntou se tomava alguma medicação, e me pediu o boletim de vacinas, enquanto preenchia no pc as informações.


Por fim, numa maquineta de assinaturas colocada ao pé de mim, só tive que assinar, nem sei o quê.


 


E pronto, até daqui a dois anos!


Nada de análises. Nada de electrocardiogramas (que odeio, para além de ficar toda suja de gel). E nada de cópia do relatório para mim.


Provavelmente, à semelhança dos relatórios anteriores, estarei apta para o serviço. Não tenho que me preocupar.


 


Mas, no meio disto tudo, fica a dúvida: a consulta de medicina do trabalho serve simplesmente, para a entidade patronal aferir a aptidão do funcionário para o serviço, é uma mera formalidade, ou tem, verdadeiramente, eficácia no que respeita ao trabalhador?


É que, nestes anos todos de consultas, nunca me colocaram questões relacionadas com o meu trabalho, como por exemplo, se os problemas de visão se fizeram notar por estar tantas horas em frente a um ecrã, ou se tenho tendinites pelo trabalho repetido de teclado e rato, ou se me queixo de problemas de coluna, sei lá, algo do género. Algo em que o trabalho me possa estar a prejudicar a saúde, e seja necessário intervir. Nada.


 


Já me perguntaram, em anos anteriores, se fumava, se bebia, se usava drogas. 


Já me perguntaram se tinha alguma vez estado grávida, ou sofrido algum aborto.


Ou até se já tinha sido operada.


Portanto, basicamente, o historial clínico.


Mas nada relacionado com eventuais doenças profissionais. Não que as tenha. Ou que haja algo para me queixar.


O estranho, é nem sequer mostrarem querer saber.


 


E por aí, como costumam ser as vossas consultas?


 


 


 


 

Pode a confiança ser sinónimo de desresponsabilização?

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"Como está ela?"


"Está bem."


"Tens a certeza?"


"Sim. Foi ela própria que o disse."


"E tu acreditas nela?"


"Sim. Confio nela."


"Confias nela porque é mais fácil para ti achar que está tudo bem, e assim não tens que te preocupar, e podes seguir com a tua vida."


 


Será que, por vezes, aquilo a que apelidamos de confiar não é, pura e simplesmente, o caminho mais fácil para nos desresponsabilizarmos? A forma que temos de não querer saber, de ignorar, de não saber como lidar com uma determinada pessoa ou situação?


 


No caso deste excerto, parece-me que existe uma certa verdade nessa afirmação. Não que fosse propositada, ou consciente mas, ainda assim, "olhos que não veem, coração que não sente" e, ao confiar totalmente na enteada, deixando-a agir por sua conta, e presumindo que tudo estaria bem, era uma preocupação a menos, a juntar às que já tinha com o filho, e com o trabalho.


 


Mas nem sempre tem esse sentido.


Confiar é dar um voto de crédito a quem amamos, para que possam tomar as suas decisões, e agir como acham que devem agir, sem impormos a nossa vontade.


É deixar dar os primeiros passos, e voar, quando assim o desejarem.


A questão, é não deixar eles voar sozinhos, sem saber que rumo seguiram, mas antes deixá-los voar acompanhando, ainda que de longe, o percurso que estão a fazer. É deixá-los cair, se for preciso, mas estar lá para apoiar e minimizar os estragos, em vez de nem sequer saber que eles caíram.


 


 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

"AWAY", na Netflix

Away' now streaming on Netflix | Francine Brokaw | heraldextra.com


 


"Away" é uma série que conta a história de 5 astronautas, enviados numa missão a Marte, para descobrir se é possível habitar o planeta vermelho.


Se tudo correr como programado, a missão terá a duração de 3 anos, durante os quais cada um dos tripulantes estará longe da sua família, que deixou na Terra.


 


Emma Green é a comandante da missão, algo para o qual ela se preparou a vida toda, chegando mesmo a ponderar abortar, quando soube que estava grávida, com receio que um filho lhe estragasse o sonho de uma vida.


No entanto, a sua filha é agora uma adolescente, e Emma está a concretizar o sonho, ao contrário da sua amiga e colega, que abdicou da carreira para se dedicar à maternidade.


 


Em termos de missão, dificuldades técnicas relativas à mesma, e acção desenvolvida à volta desse tema, a série não cativa muito. Não há grande acção, nem tão pouco adrenalina.


Também Emma, enquanto comandante, deixa muito a desejar, sem conseguir manter a autoridade, o respeito e, ao mesmo tempo, o consenso e a empatia, relativamente aos companheiros, ao longo da viagem.


Tal como enquanto mulher, e mãe. Se, por um lado, quer ir em missão, por outro, muito cedo mostra o desejo de querer voltar para casa.


Acho até que, das várias personagens de Hilary Swank, esta terá sido a menos bem conseguida.


 


Assim, no que respeita às personagens presentes na nave Atlas, talvez Misha seja a mais interessante. Um homem que, após prometer à filha que não voltaria ao espaço, acabou por se refugiar nesse mundo, após a morte da mulher, deixando a filha a cargo de uma tia, que a criou. 


No entanto, Misha quer a todo o custo obter o perdão da filha, que o rejeita e, agora que esta pode ser, efectivamente, a sua última missão, dado o risco e a perda de visão que está a sofrer, é por esse objectivo que luta.


Começa a série como um russo arrogante e com a mania que é melhor que os outros, mas acaba por mostrar o seu verdadeiro eu: um companheiro leal, um avô babado, um professor bondoso, um ser humano sensível.


 


Lu, a chinesa escolhida para ser a primeira a pisar Marte e tirar a foto da praxe, parece a antítese de Emma, no que se refere a questões familiares. Lu está focada na missão, que quer levar até ao fim, nem que para isso tenha que se sacrificar, e mentalizou-se de que, durante aquela missão, o filho só terá o pai, e ela não se deve desviar ou deixar-se levar pelas emoções, que podem comprometer todo o trabalho.


No entanto, o que não falta dentro de Lu são sentimentos oprimidos que, com o tempo, acabarão por extravasar, e mostrar uma outra faceta da mesma pessoa.


 


Kwesi destaca-se porque, a partir de determinado momento ele, que era o estreante nestas viagens espaciais, parece ser o que mais sensatez, espírito de equipa e de liderança apresenta, e sempre com as palavras certas, no momento certo.


 


Já em Terra, o destaque vai para Alexis, filha de Emma que, como seria de esperar, vive em permamente ansiedade pelo tempo que vai estar longe da mãe, e pela possibilidade de ela morrer.


Como se isso não bastasse, o pai sofre um AVC, terá que fazer fisioterapia e pode não voltar a andar. Em último caso, devido à sua doença, pode ter a vida em risco.


E ela própria vive na dúvida se não terá herdado o gene da doença do pai.


Assim, na ausência dos pais, ela acaba por encontrar o seu refúgio junto de Melissa, a filha desta e Isaac, que virá a ser o seu primeiro amor.


Só que, entre tantas incertezas e sem os pais presentes para a guiarem, ela acaba por ter algumas atitudes irreflectidas sem, contudo, deixar de ser a menina que sempre foi. Mas já sabemos que, quanto mais se proibe, mais se incentiva a fazer e as palavras têm, muitas vezes, o efeito contrário daquele que se pretendia.


 


Ou seja, a série vale pelas relações pessoais entre as personagens, e não tanto pelo tema principal - a viagem a Marte.


E confesso que, para mim, seria imensamente claustrofóbico passar tanto tempo numa nave, em pleno espaço. Acho que daria em louca, e me acabaria por atirar, num acesso de loucura, para o buraco negro do universo!


 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

A eterna luta entre a vida e a morte

Morte e vida severina Archives - CENPEC


 


É uma luta desigual, e inglória.


Uma luta em que já sabemos quem, no final, levará a melhor. Tudo aquilo que nasce, mais cedo ou mais tarde, morre.


 


Podemos, de certa forma, ter uma palavra a dizer sobre a vida. Decidir quem (o que) nasce, e até programar quando nasce. Mas, sobre a morte, não temos qualquer poder. Não sabemos quando nem como chega. Só sabemos que é certa.


 


Por isso, embora estejamos cansados de ouvir dizer que, por ser curta, devemos aproveitar a vida ao máximo, a verdade é que é o melhor que podemos fazer. Porque nunca sabemos quando ela nos vai ser tirada.


Por vezes, recebemos sinais de que devemos abrandar. Parar. Avisos de que a vida não estará cá sempre para nós, e que devemos valorizá-la e aproveitá-la mais.


Avisos em forma de cansaço, de doença, de acidente, de pandemia, como a que estamos a viver este ano. Ou outros.


 


Mas os avisos, nem sempre serão apenas isso. Avisos. 


Muitas vezes, são o início da contagem descrescente. O prenúncio do que não podemos evitar.


 


Por essa razão, antes que os "avisos" nos cheguem à porta, mais vale fazê-lo por nós mesmos, pela nossa vida, pelo nosso bem estar.


Abramos os olhos para a vida enquanto podemos, antes que a morte os feche de vez!

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Mães ausentes

De que são feitas as mães? – Carla Félix


 


Na última semana acompanhei duas séries e, em ambas, havia uma mãe que, como é óbvio, diz amar os seus filhos mais do que tudo na vida mas, ainda assim, uma mãe ausente.


Em ambos os casos, a ausência deveu-se ao trabalho exigente de cada uma delas, que as obrigou a deixar os filhos aos cuidados de terceiros.


 


Sofia, apesar de viver com o seu filho Emil, estava tão embrenhada no seu trabalho de investigação criminal, que não fazia a mínima ideia do que se passava com o filho na escola, da criança em que ele se estava a transformar, e das consequências que a constante falta de uma mãe presente estavam a provocar a nível psicológico, no seu filho.


Apesar de morarem juntos, pouca ligação tinham. Sofia não sabia o que fazer com ele e, das poucas vezes em que prometia um programa a dois, acabava por ter que cancelar, por causa do trabalho.


Emil estaa a ser, basicamente, criado pela meia irmã ou por vizinhas, que tomavam conta dele quando a mãe não estava.


Atrevo-me a dizer que Sofia se sentia mais realizada e confortável a nível profissional, do que familiar. 


 


Já Emma, preparou-se toda a vida para ser astronauta e, especialmente, para a primeira viagem a Marte.


Durante essa missão, o seu marido sofre um AVC que o deixa numa cadeira de rodas, e a filha de ambos, a adolescente Alexis, terá que lidar com a doença do pai, com a ausência de 3 anos da mãe, com a hipótese de a mãe não regressar a casa, com o primeiro amor e com todas as inseguranças próprias da sua idade.


Como é que se pode educar alguém à distância? Como é que se pode participar do crescimento de um filho, com uma ausência tão longa, na fase em que mais precisa dos pais?


E como se pode delegar essa função numa "equipa de apoio"? 


Ainda assim, ao contrário de Sofia, desde cedo se vê Emma a querer voltar para casa, a querer voltar para a família, a sofrer pela distância.


 


Será mesmo possível, para estas mães, conciliar a vida profissional e familiar? 


Ou terão que abdicar de uma delas, para se poderem focar totalmente na outra?

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!