
No outro dia, perguntava-me o meu marido: "Se te pagassem para escrever um artigo todas as semanas, aceitavas?".
E eu respondi-lhe "Não!". "Não", porque gosto de escrever quando estou inspirada, quando tenho algo para dizer, quando um assunto surge e me interessa. E isso não tem dia e hora marcada para acontecer.
Tudo é que acontece de forma natural e espontânea, sai melhor. É feito com gosto, por prazer, e deixa-nos felizes.
Mas, se começarmos a transformar esse prazer em obrigação, a paixão perde-se, muitas vezes, pelo caminho e, às tantas, já não queremos fazer aquilo, já sentimos o peso da pressão, da necessidade de apresentar aquilo para o que nos pagam, e com o qual estão a contar.
Estou a imaginar, por exemplo, alguém que adora cozinhar, para a família, para um grupo de amigos, ou sozinho, inventando receitas, fazendo experiências. Que leva o seu tempo a apurar, a ornamentar os pratos, que preza a apresentação.
Se, de repente, tiver que cozinhar para um regimento, sem tempo para grandes invenções, e com o relógio a contar, a pessoa acaba por não conseguir dar aquilo que mais gostava, e cozinhar torna-se cansativo e sem graça.
Imagino que também os escritores passem um pouco por isso, quando têm prazos para entregar as suas obras, e não lhes saem as palavras ou, quando saem, não são as que deveriam.
Ou os artistas plásticos.
E, um pouco, todos nós, naquelas pequenas coisas que, normalmente, fazemos por prazer, e lazer.
A obrigação, é meio caminho andado para tornar a paixão, em aversão, e levar ao abandono daquilo que, um dia, gostámos de fazer.
Sem dúvida. 😘
ResponderEliminarPensava da mesma maneira, e por isso entrei no "desafio dos pássaros" para me testar, para perceber se seria capaz de escrever por "encomenda". Descobri que era capaz e que me dava um gozo incrível criar textos a partir de palavras outrem.
ResponderEliminarHoje tenho orgulho da minha participação, e senti falta.Tanto, que aderi aos desafios que agora vigoram pela blogosfera.
Creio ter-te dito que gostaria de ler textos teus nesse âmbito, por gostar muito da maneira como escreves.
Atreve-te e vê aonde consegues ir...
Concordo com a tua perspetiva Marta, especialmente porque também escrevo essencialmente por inspiração, mas acredito que é possível transformar a paixão em trabalho sem lhe ganhar aversão.
ResponderEliminarRecordei-me daquela frase atribuída a Confúcio:
"Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida."
Dia muito feliz Marta
Totalmente de acordo
ResponderEliminarTalvez...
ResponderEliminarCada pessoa reage de forma diferente e há quem adore o que faz e não se sinta afectado pela obrigação. Ou trabalhe ainda melhor sob pressão.
Mas não me parece que eu me inserisse nesse grupo.
Pelo menos no que toca à escrita.
Boa quarta-feira!
Não ias ler nada de jeito, de certeza
ResponderEliminarSe me deres um tema agora, posso estar dias e dias a olhar para ele, e não me sair nada que preste e, por isso, escrever só porque tenho que escrever. E só depois, um dia, à toa, me viria à cabeça exactamente aquilo que queria ter escrito na altura!
Sou um bicho estranho
No meu caso, a maioria das ideias surgem mesmo do nada, sem estar à espera.
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