segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Nem sempre o apoio é oferecido com a melhor das intenções

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Nem sempre as pessoas que parecem apoiar-te são aquelas que desejam o teu bem. Já aquelas que parecem querer o teu mal, podem ser aquelas que te estão verdadeiramente a ajudar...


 


Quando queremos fazer algo, ou temos alguma ideia, é mais que normal que queiramos e procuremos o apoio nas pessoas que nos estão mais próximas, ou noutras que conheçamos.


Mas, por vezes, aquelas pessoas que desejaríamos que nos apoiassem, parecem não querer o nosso bem. Parecem não ficar felizes, ou não querer que concretizemos aquilo que queremos.


Por outro lado, surgem pessoas que, supreendentemente, nos apoiam, e que nem estávamos à espera.


 


No entanto, é preciso cuidado. Porque essas pessoas que nos apoiam, podem estar a fazê-lo como quem dá um empurrãozinho, à pessoa que está prestes a estatelar-se ao comprido, para acelerar a queda.


Já quem parece não nos apoiar, pode estar apenas a segurar-nos, para impedir a queda iminente.


 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

"Lobo Solitário", de Jodi Picoult

Lobo Solitário


 


Um pai...


Dois filhos...


Um deles quer manter o pai vivo. O outro, nem por isso.


Duas motivações diferentes. Duas perspectivas diferentes. Duas decisões contrárias.


Nesta história, nenhuma está certa ou errada.  Ambas estão certas. E ambas estão erradas.


E as decisões que tomam, tomam-nas pelas razões certas, e pelas erradas.


Porque, quando se tomam decisões que dizem respeito a terceiros, é mais fácil pensar naquilo que nós próprios queremos, e em como as mesmas nos afectarão, do que pensar naquilo que esses terceiros desejariam, e em como eles se sentiriam.


Se deixássemos de pensar em nós, e pensássemos apenas na pessoa que é a principal visada e interessada, talvez as decisões fossem mais acertadas, e menos difíceis de tomar.


Mas o ser humano é egoísta por natureza. E é com base nesse "egoísmo", que teima em justificar as suas acções e decisões, pelo fim a que as mesmas levariam e que, para ele, é o único fim possível.


No entanto, pior ainda que agir, ou decidir, é optar por não fazê-lo, esperando que outro o faça por si.


Deixar uma qualquer decisão nas mãos de outra pessoa retira, a quem não a quer tomar, a responsabilidade e o peso que a mesma acarretaria, ao mesmo tempo que lhe concede o argumento necessário para culpar quem a tomou por si, ou em nome dos dois.


É uma atitude cobarde. Mas, tantas vezes posta, em prática...


 


Uma mãe...


Dois filhos...


Um que fugiu de casa há seis anos, sem ela saber bem porquê, e que não vê desde então. Outro que preferiu ir morar com o pai, com quem se sentia bem.


E que, agora, regressam, ao mesmo tempo, pela mesma razão, para junto da mãe. Por força das circunstâncias. Embora cada um queira voltar à sua vida o mais depressa possível.


Dois filhos que a disputam entre si. Que procuram nela uma aliada. 


Dois filhos que precisam dela mais do que nunca mas, ajudando um, estará a afastar o outro.


Como provar que ama igualmente os dois?


 


Dois irmãos...


O reencontro após seis anos de ausência, traz com ele toda a mágoa, toda a recriminação, todo o ressentimento.


Se houve um dia em que foram companheiros, e amigos, hoje que estão em lados opostos.


Um, luta pela vida, ainda que essa possa não vir a existir da forma como gostaria. Uma vida sem dignidade. sem liberdade. Uma vida de dependência. Uma vida à espera da morte.


O outro, luta pelo direito a uma morte digna. Pela satisfação de um antigo desejo formulado pelo pai. Pelo salvamento de outras pessoas que ainda possam ter esperança numa vida melhor.


Pode alguém conviver diariamente com uma pessoa e, ainda assim, perceber que, ao contrário do que pensava, não a conhece minimamente?


Pode alguém ausente, ainda assim, conhecer mais uma pessoa que não vê há anos, do que aqueles que lhe são mais próximos?


 


Uma mulher...


Uma nova família, um novo recomeço. Um novo marido. Dois novos filhos.


E, quando tudo parecia perfeito, o passado volta a bater à porta. Como dividir-se em duas? Em quatro? Em cinco? Ou, até mesmo, em seis, sem deixar de ser ela própria? 


Como agradar a uns, sem desagradar a outros?


 


E os lobos...


Esses seres tão peculiares, que nos são dados a conhecer mais profundamente nesta história.


A forma como se organizam dentro da alcateia. Como protegem a sua família.


Como se guiam pelo instinto de sobrevivência, pelo sentido de responsabilidade, pelo dever.


A forma como ensinam as suas lições, como marcam as suas posições.


Como comunicam. Como sentem. Como reagem entre si, e como interagem com os humanos.


 


 


Adorei o livro, e estas foram algumas das frases que destaco desta leitura:


“Não importa o que fazes por alguém, não importa se lhe dás o biberão em bebé, ou se te enroscas com ele à noite para o manter quente, ou se lhe dás comida para que não tenha fome… Dá um passo errado na altura errada e tornas-te irreconhecível.”


 


“Podemos tirar o homem da natureza selvagem, mas não podemos tirar a natureza selvagem do homem.”


 


“Após dois anos a viver com os lobos, tinha-me esquecido da quantidade de mentiras que é precisa para construir um relacionamento. Há uma honestidade no mundo dos lobos que é libertadora. Mas aqui, entre os humanos, havia tantas meias-verdades e mentiras inofensivas que era demasiado difícil lembrar o que era real e o que não era.”


 


 


 


 


 


 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A minha primeira compra na SHEIN

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Não raras vezes, enquanto vou deslizando pelo feed do facebook, vejo anúncios de roupas que eram mesmo aquilo que uma pessoa queria mas, quando vejo que é de lojas desconhecidas, noutros países, desisto.


Ia-me ficando pelas de cá. Até que, um dia, a minha filha me fala da SHEIN. Na altura disse-lhe que, se não fosse de cá, podia esquecer.


 


Entretanto, há uns tempos, ela voltou a dizer que tinha lá umas camisolas que gostava muito, e baratas. Fui pesquisar.


Não conhecia. Não sabia se era seguro ou não. Se a encomenda cá chegaria. Apesar dos vídeos de influencers que ela me mostrou, eu só lhe dizia "não conta, porque se estão a falar é porque receberam a encomenda".


Por um lado, via muita gente a reclamar que tinha gastado dinheiro e ficado sem encomenda. Ou que a mesma ficava presa na alfândega e tinha que se pagar taxas para a poder levantar. Por outro, lia relatos de quem estava muito satisfeito, e nunca tinha tido problemas.


Portanto, estava com os dois pés atrás.


 


Acabei por fazer uma encomenda, para experimentar, dando já como certo o dinheiro por perdido.


No site referia que o prazo para entrega era de 15 a 20 dias. 


Foram semanas de ansiedade, sempre a verificar em que estado estava o pedido, à espera de uma actualização, que parecia mais do mesmo. A maior parte dos dias foi passada na China. Ora sai do armazém, ora chega ao aeroporto, ora sai do aeroporto. 


Na segunda-feira, já me aparecia em Madrid. Pelo menos estava muito mais perto de nós.


 


E na terça-feira, sem estar a contar com isso, chegou.


Portanto, até ver, por esta primeira experiência, pagamento seguro, e encomenda entregue dentro do prazo - foi feita a 6 de novembro, chegou a 24 de novembro.


 


Quanto às peças em si, tenho a dizer que o casaco me desapontou. Mais parece uma bata, ou uma camisa comprida, do que propriamente um casaco. 


Já a camisola que mandei vir para mim, gostei.


Das camisolas da minha filha, apenas uma é um pouco transparente, deixando ver o que quer que tenha por baixo, mas ela gostou.


Como a diferença não era grande, e porque não fazia ideia de que tamanho pedir, mandei vir tudo em tamanho "m". 


À partida, acertámos, embora as mangas sejam um pouco compridas. O que até dá jeito agora no inverno.


Em termos de qualidade, não será a melhor, mas não é assim tão diferente da de muitas lojas que temos por cá.


 


Compensa fazer compras na SHEIN, se os produtos tiverem descontos ou promoções, e se a pressa de os usar não for muita.


Mas é sempre um risco mandar vir algo que só se consegue ver num site, e não fazemos ideia de como será ao vivo, e se nos ficará tão bem quanto imaginámos. Já para não falar que é diferente ir ali à loja e trocar o artigo, ou ter que devolvê-lo para a China!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Mais cedo ou mais tarde, o verdadeiro carácter de uma pessoa acaba por se revelar

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As pessoas são como são e, por mais que finjam ser outra coisa durante algum tempo, a máscara acaba por cair, e mostrar o que está por baixo.


Na vida, cada vez mais acredito que não temos que provar ou mostrar nada a ninguém. Nem para nos defendermos, nem para tentar fazer os outros perceberem quem tem razão, e quem esteve mal.


Quem quiser acreditar naquilo que somos, e naquilo que dizemos ou fazemos, acredita. Quem não quiser, está no seu direito. 


A vida acabará por dar a resposta e, mais cedo ou mais tarde, o verdadeiro carácter de uma pessoa acaba por vir ao de cima, e revelar-se.


 


 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

"La vita davanti a sé" (Rosa e Momo), na Netflix

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Por norma, sou daquelas pessoas que acredita que algumas circunstâncias da vida podem levar as pessoas a comportamentos menos aceitáveis. E, como tal, de certa forma, desculpáveis.


Sou daquelas que acredita naquele pensamento de que "atrás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida".


Que tem uma predisposição para querer compreender e ajudar aqueles que parecem ter problemas. Para querer encontrar o melhor, debaixo daquela carapaça que só deixa ver o pior.


Que acha que, por vezes, basta alguém que acredite nessas pessoas perdidas, que lhes mostre o caminho, que as apoie, que lhes dê a mão, que as vejam como realmente são, que as ajude a ultrapassar os traumas.


Ainda que nem sempre haja algo para salvar, e nem sempre se venha a ser bem sucedido nessa missão.


 


A verdade é que cada pessoa é única, diferente dos demais, e tem formas diferentes de reagir e lidar com uma mesma situação.


E se, em alguns casos, é uma questão de sobrevivência, de falta de opções, noutros é mesmo uma questão de escolha. E nem sempre se fazem boas escolhas.


 


Por isso, quando comecei a ver este filme, seria de supor que iria ter compaixão pelo jovem Momo, pela situação em que vive, pelo trauma com o qual tem que lidar.


Mas ele despertou o meu lado menos compreensivo, menos paciente, e mais insensível. Um lado de quem  já não está para se cansar porque, por vezes, as pessoas são mesmo assim. Não adianta ajudar quem não quer ser ajudado. 


E irritou-me tanto! Só me apetecia dar-lhe dois pares de estalos, para ver se acordava para a vida. Se aprendia a respeitar os mais velhos, aqueles que o tentam ajudar e querem o seu bem. Para ver se abria a pestana, e percebia que o tipo de vida que andava a levar não o faria chegar a lado nenhum, apesar do dinheiro, do prestígio, da sensação de poder. Se percebia que ele não é o único que carregava o passado às costas, e que estava a pagar o preço pelas injustiças da vida e da sociedade.


Eu só conseguia ver que Momo estava na vida que tinha, porque ele próprio a queria, e não fazia nada para mudar. 


No fundo, gostava de se armar em rufia. Era pobre e mal agradecido. Convencido. Irritante. Ciumento. Invejoso. Malcriado. Egoísta. E tantos outros adjectivos me ocorreram, tal como a Madame Rosa, que acabou por acolhê-lo em sua casa (que Momo apelidava de pocilga), a pedido do Dr. Cohen, tutor de Momo.


 


Depois de me ter feito despejar tudo o que de pior eu poderia estar a sentir em relação ao Momo, e não sei se era esse o objectivo do filme, comecei então a ver o verdadeiro Momo.


Aquele que, no fundo, só precisava de uma presença materna, de protecção, de um objectivo na vida, e de ajuda para conseguir, com apoio, o que não conseguiria fazer sozinho.


No fundo, como perceberam o Dr. Cohen, Madame Rosa e Hamil, ele era um bom menino.


E, tal como referi atrás, coube a ele a escolha de continuar na vida que levava, ou mudar, e tornar-se uma pessoa melhor. Ou seja, a escolha estava nas mãos dele. Mas talvez ele ainda não tivesse percebido isso.


 


Já tinha ouvido falar do filme, e a crítica afirmava que o filme era emocionante. Pois a única parte em que chegou perto disso foi mesmo no final, em que a música da Laura Pausini deu um bom contributo.


 


A música


(que será submetida à consideração do Oscar para o prémio de canção do ano)



 


 


Há quem diga que é o novo "Milagre na Cela 7". Para mim, foi menos bem conseguido.


Não foi dos meus filmes preferidos. Começou enfadonho, depois stressou-me e, quando finalmente se poderia ver um outro lado, acabou.


Mostrou-nos pouco do outro Momo, que agora estava a desabrochar.


Mostrou-nos muito pouco da Madame Rosa, que tinha tanto para dar a conhecer.


E impossibilitou-nos de acompanhar a relação que se estava a desenvolver entre ambos.


 


 


O trailer do filme



 


 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Começaram os Tira-Teimas no The Voice Portugal

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Começou ontem, ao vivo, a fase dos Tira-Teimas, no The Voice Portugal.


E, se as novidades foram muitas, tal como as alterações à dinâmica desta fase, nem por isso surpreenderam pela positiva.


 


O Conguito foi um daqueles erros de casting que de vez em quando se cometem.


Muito forçado, muitas vezes parecia que não sabia o que dizer ou perguntar. Parecia alguém que andou a estudar o guião mas, em directo, se esqueceu de algumas partes e ficou à nora. As tentativas de ter piada também não resultaram da melhor forma.


Nada a ver com a Mafalda de Castro, nas edições anteriores.


 


Equipa Marisa


Quanto às actuações, com a equipa da Marisa a apresentar todas as suas apresentações, esta deveria escolher os quatro que ficavam nas cadeiras no "tudo ou nada", ficando os restantes a votos, para o público escolher mais dois.


Como é óbvio, as primeiras quatro actuações ocupam as cadeiras e, depois, é substituir uns pelos outros. A Marisa começou, bem, por tirar a Rafaela e a Sara. Mas depressa descambou, ao tirar a Laura, para dar lugar à dupla Luciana e Pri. Tal como tirou o João, para dar lugar à Favela.


Relativamente à Laura, que é uma das concorrentes mais fortes da sua equipa, disse a Marisa que "sabia" que ela iria ter muitos votos e, por isso, seria salva.


Quando ela percebeu que assim não foi...


A cara de choque que a Marisa fez quando percebeu que a Rafaela tinha sido salva pelo público. E que, com a escolha do João, perdeu aquela que era uma das suas concorrentes mais fortes, e que ela achou que ia ter muitos votos. Terá ela percebido, naquele momento, o tamanho do erro que cometeu? Para mim, os seis justos seriam João, Laura, Susana, Carina, Luís e Favela. A Rafaela esteve bem melhor ontem, mas ainda assim não a via nas galas. A Luciana e Pri não foram felizes na sua actuação. A Sara Leite nunca me conquistou e acho que nem aqui devia ter chegado.  


 


Equipa Zambujo


Já na equipa do António Zambujo, parece que ninguém percebeu o que aconteceu ao seu concorrente Márcio Gonçalves, que não esteve presente e, ao que parece, ficou desde já de fora do lote dos 6 apurados para as galas, tal como os Talita Cayola e a Patrícia Pratas. Com a repescagem da Mariana, acabou esta por ganhar um lugar nas galas.


Apesar das boas vozes que tem na equipa, palpita-me que o Zambujo este ano vai levar o Tiago à final.


 


 


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Ficam agora por apurar os concorrentes da Aurea e do Diogo.


Mas a sensação que fica, já desde a fase das batalhas, é a de que estão a querer apressar o programa, não sei se para chegar às galas, ou se para acabar mesmo.


E não estou a gostar muito da forma como está tudo a ser despejado de enfiada, em cima de quem está, deste lado, a acompanhar.


 


 


Imagem: The Voice Portugalholofote


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Teimosia, ingenuidade ou burrice?

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Não sei qual delas (ou se um pouco de todas) nos levará a insistir naquilo que já sabemos que, provavelmente, não irá resultar, não sairá como queríamos, ou não terá o efeito pretendido.


 


Mas o que é certo é que o fazemos muitas vezes, ignorando os avisos, o nosso pensamento, contrariando a nossa intuição, querendo provar a nós mesmos que podemos estar enganados. E que, daquela vez, as coisas podem ser diferentes.


 


E é impressionante como, por vezes, a cada tentativa falhada, e ficando um pouco mais desiludidos, continuamos a não querer ver o óbvio, e a insistir.


Será preguiça?


Comodismo?


Medo da mudança, e de arriscar num resultado que pode também ele, não ser o esperado?


Receio de arrependimento?


 


Mas, e insistindo, com efeitos muito aquém dos esperados, não nos levará igualmente à insatisfação, e consequente arrependimento?

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

"Amor com Data Marcada", na Netflix

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Quem disse que a vida de uma mulher solteira e sem namorado, é uma vida triste e amargurada?


Quem disse que estar só é sinónimo de vergonha? De exclusão?


Quem disse que a vida, para ser plenamente vivida, tem que ser a dois?


Quem disse que a felicidade de uma mulher depende, em grande parte, de uma relação amorosa?


 


Será mesmo assim, ou é uma ideia errada, formulada por aqueles para quem é inconcebível uma mulher estar bem e sentir-se bem consigo mesma e, logo, com todos à sua volta, sem precisar de um homem para o conseguir?


 


Uma coisa é certa:


A vida, os sentimentos, os momentos, tudo aquilo que experienciamos, ganham outra cor e outro sentido, quando partilhados.


Por isso, não raras vezes, as pessoas sozinhas não se sentem mesmo felizes. Não se sentem bem por não ter uma relação. Mas outras haverá a quem um parceiro não lhes faz falta, porque têm todo um outro tipo de suporte humano e familiar à sua volta.


No entanto, isso é algo difícil de compreender por quem não pensa da mesma forma.


 


E, embora, as mulheres sejam mais massacradas que os homens, também há muito boa gente a censurar um homem solteiro, sem qualquer intenção de manter relacionamentos sérios.


A pressão existe para ambos. Sobretudo da família, e dos amigos. Ainda que não seja exercida directamente.


A diferença, é que as mulheres são vistas como fracassadas, como as encalhadas, a vergonha da família, as “tias”.


Já os homens, podem ser eternos solteirões, mas não ganham uma conotação tão negativa.


 


Assim, para evitar essa pressão e sentimento de “não pertença” ao clube dos comprometidos, que incomodam os demais, que Sloane e Jackson fazem um pacto, de ser o par um do outro nos feriados e datas festivas que, habitualmente, “obrigam” à exibição de um parceiro do sexo oposto, calando assim as más línguas e acabando com o incómodo que a falta de um companheiro causava.


 


A ausência de compromisso, por comum acordo, gera uma cumplicidade e um à vontade muito maior, e eles acabam por se divertir e viver inúmeras peripécias juntos, de forma descontraída.


 


Até ao dia em que se dá o “click”.


O dia em que percebem que se estão a apaixonar um pelo outro, mas não querem admitir, dar o braço a torcer, e preferem fugir, daquilo que está a sentir, sobretudo Sloane, com receio de voltar a sofrer.


E, muitas vezes, o receio é nosso inimigo, fazendo-nos deitar tudo a perder, quando tínhamos tanto a ganhar.


Conseguirá Sloane perceber isso a tempo?

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Algumas lojas/ sites online são impróprias para pessoas ansiosas

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Se, de uma forma geral, sou uma pessoa paciente (cada vez menos), no que respeita a compras online, a coisa muda de figura.


Sou daquelas que, quando faz uma encomenda, está sempre à espera que ela chegue o mais depressa possível.


Uma semana para entrega, para mim, já é um prazo mais que suficiente, para começar a ficar impaciente. Mas, por norma, as encomendas que tenho feito chegam antes, e evitam-me essa preocupação.


 


Quando a minha filha me disse que queria encomendar umas coisas de um loja, e percebi que o prazo de entrega era de 15 a 20 dias, fiquei logo de pé atrás. Tanto tempo?


Lá fiz uma compra, para experimentar.


No site, é possível ir consultando o percurso da encomenda só que, apesar dos vários passos que ela já avançou, e que dão a sensação de que já muito aconteceu, a verdade é que, bem vistas as coisas, a encomenda ainda não saiu de lá!


 


Cada dia que passa, sem qualquer evolução, ou com uma evolução que não é aquela que queríamos ver, é um dia de ansiedade.


Será que vem? Será que não vem? Será que fica pelo caminho?


Quanto tempo ainda demorará? Quando será que chega?


 


Pois...


É caso para dizr que algumas lojas/ sites online são impróprias e pouco recomendáveis para pessoas ansiosas!

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Nevoeiro

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Nevoeiro...


O que escondes atrás de ti?


O que estará para além de ti?


Porque nos roubas a nitidez?


Porque nos impedes de ver com clareza?


Porque crias essa barreira? 


 


Porque nos envolves na incerteza, na dúvida?


Porque nos desorientas, nos deixas sem norte, e sem chão?


Porque é que a tua luz, e a tua brancura, nos cegam, nos deixam na escuridão?


 


O que, de tão misterioso, encerras em ti próprio?


 

Somos, de uma forma geral, um povo brando e passivo

Só há um poder: o emanado do povo


 


Aquilo que temos de sobra, em valentia, coragem, revolta e crítica sobre o que está mal no país e no mundo, esgota-se em meia dúzia de linhas, em comentários nas redes sociais, em meia dúzia de palavras, numa qualquer conversa de café ou de circunstância, num desabafo que nos é permitido, mas que só serve mesmo para nos aliviar o stress momentâneo.


 


No fundo, acabamos por acatar, contrariados, tudo o que os outros decidem por nós, e nos impõem.


Acabamos por agir como cordeirinhos. Alguns, desviam-se do caminho só para provocar, mas logo voltam. Os poucos que realmente querem deixar o rebanho são isso mesmo, muito poucos.


E acabam por ser arrastados de volta, ou por ser ostracizados pelos demais.


São os poucos que lutam por todos, mas de quem todos se desmarcam, na hora de os apoiar.


 


Quantas dessas pessoas transpõem essa linha, para transformar aquilo que estão a sentir, e aquilo que querem ver mudar, em manifestações que produzam algum efeito real?


Se virmos bem, aquilo que hoje temos, que alguns conseguiram para todos nós, temo-lo, porque se fizeram revoluções, porque meia dúzia de pessoas ousou sair para as ruas, manifestar-se, expressar aquilo que queria, e lutar pela mudança.


Não foi, ficando sentados no sofá, enquanto bebem uma cervejinha na esplanada, ou a criticar tudo e todos nas redes sociais.


Aí, são todos valentes.


Já no terreno, muitos enfiam o rabinho entre as pernas, e saem de mansinho, para que ninguém dê por eles. Afinal, não querem problemas para o seu lado.


 


Pois, é verdade.


As revoluções acarretam consequências, para quem se envolve nelas e as leva a cabo, mas é também por elas que somos o que somos, temos o que temos, e conhecemos o mundo que hoje conhecemos.


Não terá valido a pena?


 


 


 


 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

"Operação Feliz Natal", na Netflix

Operação Feliz Natal (2020) - Netflix | Flixable


 


Baseado em factos reais, fica a lição:


Havendo vontade, dedicação, empenho, tudo o resto se torna mais fácil.


Se cada um der um pouco de si, do seu tempo, do seu contributo, no final, consegue-se muito.


Mais vale pouco ou insuficiente, que nada.


Tudo se aproveita, tudo se reutiliza, tudo se pode transformar e tornar útil, embora para muitos já não sirva.


Temos que ser uns para os outros, ajudar uns aos outros, tornar a vida dos outros um pouco melhor, se o pudermos.


Quase tudo gira à volta do dinheiro, mas ainda muito se pode conseguir através de meras trocas, de algo que não precisamos, por algo que outros possam ter, e que queremos.


E a isso se chama viver numa verdadeira comunidade!


 


Neste filme, é fácil perceber como funcionam os políticos e homens com poder e dinheiro.


Tudo se resume a votos, manutenção dos cargos que alcançaram, e a negócios lucrativos.


A promessas e intenções louváveis que abandonam, mal obtêm aquilo que querem, e que passam a não ter qualquer importância ou espaço na agenda.


 


Por fim, relembra-nos um pouco o espírito que deveria haver no Natal (e em qualquer momento do ano), e que o Natal pode ser como, onde, quando, e com quem quisermos.


Para quem já está cansada do Natal que é suposto acontecer todos os anos, este Natal surge como uma lufada de ar fresco, como uma alternativa muito mais animadora e desejável.


 


 


Com o objectivo de encerrar aquela base militar em pleno pacífico, Erica é enviada para encontrar todos os problemas e defeitos que a mesma apresentar, mostrando que é um custo desnecessário a sua manutenção, pela pouca, e inútil, utilidade que tem. 


Andrew, por seu lado, vai tentar fazer Erica mudar de ideias, dando-lhe a conhecer a realidade que, só quem ali vive, conhece, e a missão desenvolvida pelos militares, a custo zero para os EUA, mas ainda com vantagens para estes, ao mesmo tempo que, em comunidade e com o apoio de todos, se dedicam a ajudar os povos das várias ilhas que ficam longe de tudo, de difícil acesso, que poucos recursos têm e, ainda assim, os veem, frequentemente, ainda mais reduzidos pelas tempestades que ali se fazem sentir.


E como filme romântico que é, obviamente que os dois vão viver a sua história de amor que, como sempre, começa como cão e gato.


 


No filme, Erica estava um pouco desligada no Natal, mas este "Natal" diferente fez a diferença para ela, e devolveu-lhe o espírito há muito perdido.


Acho que também precisava de um Natal assim, para ver se recuperava o meu!

sábado, 14 de novembro de 2020

Pra Cima de Puta, de Cristina Ferreira

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Goste-se ou não da Cristina Ferreira...


Seja um livro com conteúdo, ou puro marketing...


Defenda o empoderamento feminino, ou apenas a si mesma...


 


... adorei o título do livro!


Admiro-lhe a coragem, a iniciativa, a inteligência.


 


Vai ser, provavelmente, um dos livros mais vendidos neste Natal!


Quer as mulheres que a adoram, e querem saber o que este livro traz de novo sobre a Cristina, quer as que a odeiam, que acham que vão ter ali mais material para depois destilar veneno nas redes sociais, irão comprá-lo.


 


E eu, confesso, sinto-me tentada a comprar. Embora não saiba se depois de ler, terá valido a pena o investimento.


Mas que a Cristina já ganhou, já.


E tiro-lhe o chapéu!

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

E se, de vez em quando, "calçássemos o sapato do outro"?

Sapato - Desenho de marsala1998 - Gartic


 


Se há coisa que me irrita são pessoas que querem impôr "a sua verdade" como uma verdade absoluta.


Que pensam que, aquilo que funciona com elas, funciona com todos.


Que afirmam que, se elas conseguem, os outros também têm que conseguir.


Que acham que, o que é simples e banal para elas, o é para todos.


 


É muito fácil caminhar quando temos um sapato feito à nossa medida, que nos serve, assenta bem e com o qual nos sentimos confortáveis.


Mas, e se, de vez em quando, "calçássemos o sapato do outro"?


Será que ainda nos sentiríamos assim tão confortáveis?


Ou descalçaríamos, na primeira oportunidade, para voltar ao nosso?


 


Pois...


É que isto é muito fácil falar, quando tudo corre a nosso favor.


Mas aquela que julgamos ser a verdade é, por vezes (muitas vezes), apenas a "nossa verdade", a nossa realidade, que pode ser muito diferente daquela que as outras pessoas vivem e, por isso, seria melhor pensar um pouco antes de falar.


Porque a nossa situação, é nossa. Pode não ser a dos outros.


 


Isto aplica-se em quase todas as coisas da nossa vida mas, este desabafo, vem na sequência dos vários comentários que tenho lido pela internet, de pessoas que se julgam donas da verdade e atiram, com quatro pedras na mão, a propósito do encerramento do comércio às 13 nos fins de semana "ah e tal, podem muito bem ir às compras durante a semana" ou "em x país os hipermercados estão encerrados, porque é que aqui faz tanta confusão?", entre outros.


Quase apostaria que, quem diz estas coisas, ou tem disponibilidade de sobra, ou tem um horário flexível, que lhes permita fazê-lo, ou vivem uma realidade diferente, em termos de organização dos serviços, que não é a nossa.


 


Se eu sou contra essa medida?


Acho que, a ser implementada, deve ser para todos e, por esse ponto de vista, acho bem que o Costa a tenha igualado para todos os estabelecimentos comerciais.


Da forma como estava, só prejudicava o pequeno comércio, dando a encher os bolsos aos grandes que, não contentes com isso, ainda queriam alargar o horário. A xico-espertice no seu melhor!


Mas acredito que a concentração no curto período, que é inevitável acontecer (digam o que disserem), vai trazer mais prejuízos que benefícios.


 


E como eu não sei como são as situações dos outros, vou apenas falar por experiência própria.


Sim, vai dificultar-me a vida.


Levanto-me às 06.30 horas para me despachar, a mim, à minha filha, e às gatas, para entrar no trabalho às 09h, pelo que é impensável ir às compras antes de entrar ao serviço.


Tenho uma hora e meia de almoço, que é utilizada, mais uma vez, para tratar do almoço, das gatas, da roupa que tem que secar durante o dia, etc.


Se for às compras nesta pausa, arrisco-me a nem sequer ter tempo para almoçar.


Saio do trabalho às 19 horas, e o que mais quero é ir para casa, arrumar tudo e ir para a cama cedo. Ainda assim, poderia ir a essa hora fazer as compras mas...


Pão, a essa hora, é escasso.


Sopa, a essa hora, nem sempre há.


Coissants, por exemplo, só de manhã.


Ou seja, poder até podia, mas só conseguiria trazer metade das coisas.


Assim sendo, é-me muito mais fácil fazer as compras ao sábado. Ou seria! Num horário normal.


Com esta limitação, vou ter que acordar cedo, no único dia em que poderia aproveitar para descansar, para ver se consigo ter sorte, e não apanhar filas de duas/ três horas, para entrar no supermercado.


E não, não me venham dizer que vá antes ao comércio local, para ajudar, porque até é mais barato, porque não é. Aqui onde vivo não é mais barato. Longe disso.


 


Por isso, antes de abrirem a boca, com base naquilo que é a sua realidade, seria bom as pessoas pensarem um pouco na realidade dos outros.


Porque, se há pessoas que estão desempregadas, reformadas, que entram tarde ou saem cedo, que trabalham ao fim de semana com folgas durante a semana, que trabalham por turnos, que vivem ou trabalham perto dos supermercados e podem lá dar um saltinho a qualquer hora, também há quem saia cedo de casa e chegue tarde, quem não tenha essa disponibilidade, quem só consiga mesmo ir ao fim de semana.


 


Não há nada que não se consiga, com esforço, e vontade, mas também nada é assim tão simples como para alguns.


Em vez de criticar e apontar o dedo, seria bom solidarizarem-se com aqueles que não têm a mesma sorte ou facilidade.


Menos crítica e mais empatia.


Vale para esta medida, em particular, e para tudo na vida, em geral.


 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Reflexão do dia

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Quando as pessoas estão constantemente a falar da mesma coisa, a puxar frequentemente a mesma conversa, é porque algo as incomoda. 


Por mais que digam que não. 


Porque, quando algo é visto como normal, e aceite, ninguém passa o tempo a abordar o mesmo assunto vezes sem conta, e em tom recriminatório, mostrando que apenas tolera, mas não gosta, e se sente incomodado. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

"A Última Saída", de Federico Axat

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O meu marido apanhou este livro numa promoção do Continente.


Quando mo mostrou, o nome e a capa não me soaram estranhos. E até lhe disse "acho que tenho esse livro na minha lista de livros a comprar", o que confirmei mais tarde ser verdade.


Assim, não precisei de comprar para o ler.


Só tive que esperar várias semanas, para ele acabar de o ler, e poder começar eu.


 


Peguei então nele no sábado. 


Ia ao cabeleireiro, e é sempre uma boa opção levar um livro para me entreter naquelas mais de duas horas.


Comecei a ler, mas não me entusiasmou. Às tantas, guardei-o na mala.


Passei o resto do tempo em conversa com a cabeleireira.


Ao chegar a casa, perguntou-me o que estava a achar do livro, e disse-lhe que estava muito desiludida. Muita fantasia, muita confusão. Não faz o meu estilo.


E ele respondeu-me:


"É mesmo assim. A primeira parte tem esse efeito em todos os leitores. Mas vais ver que, à medida que fores avançando, não vais querer parar de ler, e vais gostar."


 


Lá continuei.


E ele tinha razão!


Portanto, quem tenha interesse em ler, considerem a "Primeira Parte" do livro uma espécie de Cabo das Tormentas, que é preciso ultrapassar, no caminho para chegar à Índia. É a parte mais difícil da viagem. Depois, a viagem torna-se mais apelativa e emocionante.


 


Posto isto, temos o protagonista, Ted, que aparentemente está prestes a cometer suicídio quando uma visita inesperada lhe estraga os planos.


O motivo para tal acto parece ser o tumor cerebral que lhe foi diagnosticado. Ainda que esteja a ser seguido por uma psicóloga, para o ajudar a lidar com o problema, Ted parece ter tudo premeditado ao pormenor, e querer pôr fim à vida.


 


Entretanto, vão sendo apresentadas outras personagens, que não percebemos muito bem onde encaixam. Descobrimos que o seu casamento tinha acabado. E ficamos curiosos para saber o que raios é, afinal, um opossum, um animal que está sempre a surgir na vida de Ted.


Embarcamos naquela teoria da conspiração, de que estão todos contra ele até que...


Ups, nada é o que pensámos ser até ali.


 


E é a partir da "Segunda Parte" que a trama ganha balanço, e começamos a querer descobrir tudo o que aconteceu para Ted chegar àquele ponto da sua vida em que agora se encontra, e onde e qual a chave que abre a porta para o que ele guarda na mente, e não consegue, de forma alguma, desbloquear.


Laura parece ter um papel fundamental, para fazê-lo sair de cada um dos ciclos em que se encontra, e partir para o próximo, num caminho em que não convém voltar atrás, mas que pode ser assustador, sabendo que, no fim do mesmo, está a verdade que o seu cérebro o fez esquecer.


E, ainda assim, aquela verdade que se descobre pode ser apenas "a verdade dele", que mascara a verdadeira realidade. 


 


O que é certo é que, atrás de cada fantasia criada pela nossa mente, pode existir uma base real, uma realidade que foi inconscientemente distorcida.


Ler este livro fez-me pensar naquelas pessoas que estão mentalmente aprisionadas, num estado de sofrimento por não se lembrarem de quem são, do que fizeram, sem capacidade para distinguir a realidade da ilusão, sem memórias dos seus últimos dias, num limbo entre a sanidade e a loucura. No tal círculo central, que separa as duas metades do campo, e no qual ninguém quer, nem pode, estar, eternamente.


Ted está no círculo, e precisa de sair dele. À medida que o tempo passa, mais perto fica da metade do campo que lhe trará a sanidade mental de volta.


Mas, conseguirá ele lidar com a verdade?


Conseguirá Laura olhar Ted da mesma forma, e continuar a querer o melhor para ele, depois de descobrir a verdade?


 


No labirinto que é a nossa mente, há apenas uma única saída, que temos que encontrar, para conseguirmos sair dele, sem ele nos prender para sempre, e nos perdermos para sempre.


 

terça-feira, 10 de novembro de 2020

É possível gostar de determinados alimentos e passar anos sem os comer?

Magali, uma apaixonada por comida – Blog Ao Ponto


 


Sim!


 


Já várias vezes afirmei que sou gulosa!


No outro dia, dizia o meu marido "se és gulosa, porque é que nunca te vejo comer um bolo?".


Já várias vezes disse que não como as coisas por serem saudáveis ou por fazerem bem à saúde, mas porque gosto.


E ele contrapõe "mas a maioria das coisas que comes é saudável".


 


Não me perguntem como, mas talvez seja uma questão de habituação, de gosto, de me sentir bem.


Sim, é verdade que já fui viciada em bolachas, ao ponto de devorar um pacote de uma só vez. Daquelas com recheio de chocolate, ou outras do género. Hoje, sou fã de outro tipo de bolachas. E mais moderada.


 


Na minha adolescência, fartava-me de comer Ruffles de presunto, com bastante sal, até ficar a arder os lábios. Hoje, praticamente não toco nas batatas. Não deixei de gostar. se tiver que comer, como. Mas não sinto aquele desejo de comer.


 


Adoro bolos. Sou mais fã de bolos, que de gelados. No Natal, não me escapa o Bolo-Rei. Nos Santos, as broas. Nos aniversários, também provo uma ou duas fatias. Mas já fui mais de ir à pastelaria comprar bolos. Hoje em dia, passam-se meses, ou mesmo anos, sem comprar um que seja.


 


Nunca fui esquisita no que respeita a pão. Qualquer um marchava. Aliás, lembro-me de, quando pequena, a minha mãe ir comprar pão e, quando chegava a casa, uma parte dele era logo para mim, para o pequeno almoço!


Hoje, não deixei de apreciar o pão normal, mas passei a gostar de outros tipos de pão, e acabo por comer estes mais recentes.


 


Se como fruta ou sopa, é porque gosto.


Se como grelhados, ou legumes, é porque gosto.


Se pão de sementes, é porque gosto.


Se prefiro ir ao McDonalds e comer apenas um hamburguer, abdicando das batatas, é porque é mesmo do hemburguer que mais gosto.


Se prefiro acompanhar carne com salada, em vez de arroz ou batatas, é porque me sabe bem, e me sinto bem.


No entanto, podem-me colocar à frente os mais diversos tipos de alimentos que, se eu não gostar, por mais saudáveis que sejam, e por melhor que me façam à saúde, não lhes toco.


Da mesmo forma, se me apetecer muito comer algo que não seja tão saudável e que seria de evitar, como na mesma. Até porque isso, felizmente, só me acontece de longe em longe e, por isso, não há problema, são apenas aquelas excepções que nos são permitidas!

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A falta de comunicação e de noção (na elaboração) das medidas impostas pelo governo

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Se há coisa que me complica mais com o sistema nervoso, do que a aplicação de uma medida, é a falta de clareza com que a mesma é apresentada e explicada e que leva, muitas vezes, a diferentes interpretações, algumas contradições, e diversas dúvidas por esclarecer.


Desde que começou a pandemia, que vemos, constantemente, o governo e quem de direito, a falhar na comunicação, sempre que se dirigem aos portugueses, ou respondem às questões colocadas.


 


Que os canais de comunicação, jornais, revistas, internet, noticiários, dêem, cada um, a sua versão das coisas, à medida que a informação lhes vai chegando, ou que passem informação errada, ou incompleta, é grave, mas já estamos habituados, e damos um desconto.


Mas que essa falha na comunicação exista quando o governo se dirige directamente aos portugueses, aí é mais grave.


 


Ao ouvir as declarações de António Costa, a ideia que ficou foi a de que o que é essencial é ir à escola, e trabalhar, mas tudo o resto é supérfluo. Portanto, temos direito a ganhar o nosso sustento, mas não a momentos de lazer.


E que a partir das 13 horas de sábado e de domingo, toda a gente tem que ficar em casa, sendo que, o que houver para fazer, é para se fazer de manhã. As compras? De manhã. Passear? De manhã. Ir ao shopping? De manhã. E por aí fora.


Com as devidas excepções. Que eram poucas, as que ele falou. Mas que, afinal, eram muitas mais, que ele se esqueceu, ou não convinha, dizer.


Porque, a ideia a passar é a de confinamento total. O resto, vem nas entrelinhas, ou em letras mais pequeninas, para aqueles que estiverem mais atentos.


Ah e tal, está tudo explicado no decreto.


Pois está! Mas nem toda a gente tem acesso ao decreto. Nem toda a gente sabe procura-lo, e perceber o que lá vem.


 


Ontem, ao ouvir as declarações de António Costa, o que eu percebi (e pelo que fui lendo, muitas pessoas mais) foi que, se quisesse ir às compras, o que faço por norma à hora de almoço de sábado, teria que me levantar mais cedo, e sujeitar-me a uma fila para entrada no supermercado que, supostamente, encerraria às 13 horas. Isto, se conseguisse entrar a tempo. Uma situação que acabaria por gerar um aglomerado e concentração de pessoas no mesmo espaço, o que não seria uma boa medida de combate à pandemia.


Afinal, as mercearias e supermercados estão abertos, e as pessoas podem lá ir fazer compras. Mas os estabelecimentos comerciais têm que fechar às 13 horas. Então, em que é que ficamos?


Ah, afinal os estabelecimentos comercais têm que fechar às 13 horas, à excepção das mercearias e supermercados. É isso?!


 


Ontem, ao ouvir as declarações de António Costa, e depois de andar a pesquisar as excepções, fiquei sem saber como seria o cumprimento das responsabilidades parentais.


Não vinha nas excepções que ele falou. Mas também, verdade seja dita, também nem sequer se falou disso.


Há quem diga que, o que não está especificamente proibido, é permitido. Neste caso, e no meu ponto de vista, se não vinha nas excepções, seria proibido.


Mas as coisas não funcionam à base do entendimento de cada um. Já estava a ver como iria conjugar as idas da minha filha para o pai, nos próximos fins de semana, para não prejudicar nem eu nem o pai e, sobretudo, paa não prejudicar a minha filha.


Só hoje, ao ver o decreto, percebi que, afinal, no lote das excepções, que afinal são bem mais que aquelas que António Costa referiu, vem contemplado o exercício das responsabilidades parentais.


 


Ontem, ao ouvir as declarações de António Costa, ele falava constantemente do horário de recolhimento obrigatório como terminando às 5 horas. No entanto, nas legendas colocadas pelo canal, aparecia sempre 6 horas. A jornalista ainda o “corrigiu”, mas ele voltou a vincar que eram 5 horas.


 


Ainda ontem, li que o não cumprimento não daria lugar a multa, mas apenas ao acompanhamento ao domicílio. Hoje, já se fala em multas e crimes de desobediência. Em que ficamos?


Isto só serve para gerar dúvidas, porque são omissões, contradições e falhas na comunicação, de algo que deveria ser o mais claro possível, e para que todos possam entender, sem dar azo a diferentes interpretações e versões, de algo em que só existe uma interpretação e versão.


 


 


Então e, quanto às medidas em si?


Se me afectam? Com as previstas excepções, não muito. Mesmo sem estas medidas, raramente saímos, até porque vem aí a segunda fase de testes, e os fins de semana são passados em estudos. As noites são para dormir, por isso, também não me afectam as restrições.


Se acho que serão eficazes? Tenho dúvidas.


As pessoas deixam de ir a restaurantes. Mas ninguém as impede de se juntarem em casa.


Tal como a medida de proibir a venda de bebidas alcoólicas a partir das 20 horas não impedia ninguém de as comprar antes.


Não podem andar a circular sem uma boa desculpa? Arranjam-na. Ou então, encontram-se à sexta e ficam para o fim de semana!


Naqueles estabelecimentos que agora veem o seu horário reduzido, pode acontecer as pessoas juntarem-se mais, no pouco tempo que têm.


Vão haver sectores que sofrem, mais uma vez, a nível económico. E sem garantias de que os números baixem.


Por outro lado, basta um pai que esteja a trabalhar, chegar a casa e infectar um filho, que entretanto vai à escola e infecta colegas e/ou professores, que entretanto contactam com outras turmas, e com as suas próprias famílias, para haver aí uma imensa quantidade de contágios, até se descobrir o primeiro infectado, com um teste positivo, e se seguir e isolar a cadeia.


Pessoalmente, sou a favor do ensino presencial. Nós bem sabemos como foram os últimos meses de ensino à distância, e não foi bom para ninguém. Mas acho que, neste momento, seria uma medida adequada. O governo entende que não. Até porque os tão prometidos equipamentos a que todos teriam direito, e que eliminariam as desigualdades, ainda não chegaram.


E, assim, pode acontecer uma mesma turma ir para casa várias vezes, ao longo do ano, de quarentena, enquanto os restantes continuam em ensino normal. E professores comuns irem para casa, e as turmas não afectadas ficarem sem aula daquela disciplina.


 


De resto, concordo que a maioria dos contágios se dá em ambiente familiar, ou em grupos de amigos, que desrespeitam as regras, e que depois transportam o resultado desse incumprimento para o trabalho e escola, e não propriamente nos transportes, nas compras, nas coisas básicas.


Mas, lá está, para essas pessoas, podem vir todas as medidas e mais algumas que, não havendo bom senso, não produzirão grandes efeitos. E acabam por pagar os "justos" pelos "pecadores".


 


A verdade é só uma: ninguém sabe como lidar com o vírus, nem que medidas funcionarão. Então, vai-se por tentativa/ erro.


Como alguém que vai ao médico e queixa-se, e o médico manda fazer um exame. Mas não acusa nada. Então, se o problema não é dali, muda para outro lado. E assim vai andando até acertar, se acertar. Porque algumas vezes nunca chegam a descobrir o problema. 


Mas, tal como alguns médicos têm uma falta de noção absoluta (como um que insistia que o meu problema era na garganta, e me receitou um injecção de penincilina para o efeito, quando o meu problema era uma infecção urinária!), parece-me que também quem pensa e elabora algumas destas medidas também não tem a menor noção do que elas, na prática, implicam para quem tem que se sujeitar a elas.


Porque se há coisas de que podemos perfeitamente prescindir, porque não são essenciais para nós, também há quem tire daí o seu rendimento e, para essas sim, é essencial.


Mas o que é isso para os governantes que, se for preciso, estão abrangidos por todas as excepções possíveis, e podem fazer a sua vidinha à vontade, com o dinheiro dos portugueses nos bolsos.


 


 


Imagem: https://sicnoticias.pt/pais/2020-11-07-As-novas-medidas-do-estado-de-emergencia

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Salgado ou insonso?

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Batatas fritas sabem bem salgadinhas!


Mas devem ser das poucas coisas que consigo comer com sal.


 


Cada vez mais, uso menos sal na comida. E, por isso, é-me difícil voltar a comer algo que, para mim, já me parece ter sal a mais.


O problema, é que o sal a mais para mim, é o normal para as outras pessoas.


Por exemplo, no sábado fiz sopa. Uma panela grande. Pus 5 colherinhas de sal. Para mim chegava. Mas o meu marido e a minha filha reclamam sempre que precisa de mais sal, por isso, lá acrescentei mais uma.


O meu marido gostou. A minha filha gostou.


Eu provei, e achei-a salgada!


 


Hoje, comi ervilhas com ovos que a minha mãe fez.


Não consegui comer tudo o que tinha no prato. Estava salgadíssimo. Mas tanto o meu pai como a minha mãe comeram na boa.


Também já me aconteceu com o arroz de tamboril que a minha mãe faz.


 


Fico sempre na dúvida se são os alimentos que estão mesmo salgados, ou o meu paladar que já se habituou ao insonso, e agora estranha.


 


E por aí, não havendo meio termo, são mais para o salgadinho, ou para o insonso?

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O Gambito da Rainha, na Netflix

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"O Gambito da Rainha" é uma minissérie que retrata a história de Beth Harmon, uma órfã que se tornará campeã de xadrez, desde que chegou ao orfanato, até ao estrelato, acompanhando todo o caminho que esta percorreu.


 


Começando pelo fim, um dos ensinamentos que podemos retirar desta série é a de que, quando temos amigos verdadeiros, não importa aquilo que fizemos, ou como os magoámos, ou afastámos, em alguma fase da nossa vida porque, quando menos esperamos e achamos que já os perdemos, eles estão lá, ao nosso lado, para mostrar que, apesar de tudo, ainda querem o nosso bem, ainda nos apoiam, e que há muito nos perdoaram.


 


Outro dos ensinamentos e, como é óbvio, poderá não se aplicar a todos, é o de que, muitas vezes, quando deixamos de fazer algo de que gostamos, pelo prazer, e passamos a fazê-lo por dinheiro, pela fama, pela necessidade de nos afirmarmos, pelo poder, as coisas podem sair fora do nosso controlo, descambar, fazer-nos perder o gosto, e querer desistir.


Quando os outros começam a exigir demasiado de nós, e nós próprios nos exigimos mais do que aquilo que deveríamos, podemos estragar e deitar tudo a perder.


Sobretudo, quando aquilo que era um talento nato, passa a funcionar apenas à base de drogas. Quando as vitórias e conquistas se tornam algo tão obsessivo que, se não acontecem, o nosso mundo parece desmoronar, não aceitando as derrotas, e descarregando a nossa frustração naquilo que nos destrói, física e/ou psicologicamente.


 


Voltando ao início, e à chegada da Beth ao orfanato, aquela primeira impressão que temos da directora, uma pessoa bondosa, carinhosa e compreensiva, comovida com a triste história que a leva a receber aquela criança, depressa passa. Não que ela seja uma bruxa malvada, como estamos acostumados a ver. Mas também não é a bondade em pessoa.


Já o orfanato, parece estar a criar um bando de cordeirinhos que têm que se manter amestrados, mansinhos e sossegados e, para isso, nada como uns calmantes a que eles chamam de "vitaminas" e que, logo desde tenra idade, nalguns casos, começam a provocar dependência. 


 


No caso de Beth, ela segue o conselho de outra orfã, Jolene, e toma-os à noite. E é sob o seu efeito que ela começa a desenvolver o seu conhecimento, a sua capacidade, e as suas técnicas de xadrez, um jogo que aprende a jogar com o zelador do orfanato.


Decidida a aprender e tornar-se a melhor, ela passa a ir à cave jogar com o seu amigo sempre que tem oportunidade, e a encher-se de calmantes, para visualisar com mais clareza os jogos.  Até ao dia em que os calmantes são proibidos, e ela, em abstinência, rouba o frasco e toma mais do que devia, desmaiando em seguida.


 


Mais tarde, e já ambas mais velhas, Jolene e Beth continuam grandes amigas. Só que Beth acaba por ser escolhida para adopção, e a separação é inevitável.


Jolene fica sentida porque parece que ninguém a quer, e que irá envelhecer para sempre naquele maldito orfanato, onde todas as crianças chegam e partem, menos ela, que não tem sorte.


 


No entanto, a vida de Beth, que começa a jogar a nível profissional, e a participar em vários torneios, ao mesmo tempo que tem que lidar com o seu passado, com os problemas na sua família adoptiva, com a nova vida escolar e pessoal, com as novas descobertas sobre si mesma, e com o preço da pressão e do sucesso, não será, também ela, um conto de fadas, mas antes um inferno, do qual pode nunca vir a sair.


 


Ser mulher, jogadora de xadrez e campeã, num mundo e num jogo de homens, eleva muito a fasquia. Estará Beth preparada para vencer? Não só os jogos, mas também o jogo em que a sua vida se torna? Ou acabará por sair vencida?


 


Uma boa série, que recomendo, na qual Anya Taylor-Joy desempenha o seu papel de protgonista de forma exemplar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Outono verde

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Quem disse que as cores do outono são só o amarelo, o laranja, o vermelho ou o castanho?!


 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Reler "Os Maias", e encontrar semelhanças com a sociedade actual

Os Maias - Livro - WOOK


 


Tenho andado a reler "Os Maias", mas é como se estivesse a ler a primeira vez. Já não me lembrava de nada.


E é curioso ver como, apesar de tantos anos passados, a sociedade actual não é assim tão diferente daquela que é retratada no romance de Eça de Queirós.


Ainda assim, para quem critica as gerações de agora, as do século XIX não eram muito melhores e, nesse aspecto, conseguimos descobrir diferenças, para melhor.


 


Um dos aspectos que me saltou logo à vista (não sei se foi só na edição que li), é o uso constante de estrangeirismos, como "bric-à-brac", "dog-cart", "fumoir", "soirées", "robe de chambre", "shake-hands", "abat-jour", "chic", "grog", "highlife", "chut", "break" e tantos outros.


Confesso que tive que ir procurar o significado de algumas dessas palavras usadas, porque não fazia a mínima ideia do que eram. 


E ainda dizem que, hoje em dia, com a adopção de tantos estrangeirismos, já quase não sabemos falar português!


 


Na segunda metade do século XIX, época em que se passa a história, nem a nobreza, nem a burguesia, tinham muito interesse em fazer algo que fosse pelo país. Falavam, descontentes, do que havia de ser mudado, de revoluções, mas a única revolução que se atreviam a fazer era gastar dinheiro em futilidades, para depois ostentá-las, para reforçar o seu estatuto, quer fosse a remodelar uma divisão da casa, ou a comprar uma vestimenta nova. A maioria, deixava-se levar pela corrupção, pela mesquinhez. Davam pouco valor à cultura.


 


A juventude representava a esperança, a mudança, o futuro.


Mas o meio envolvente foi mais forte que todos os planos, projectos, intenções.


Carlos da Maia formou-se em medicina. Montou um consultório e um laboratório. Queria escrever artigos para revistas, e um livro sobre medicina. Consultou meia dúzia de pessoas, até se deixar levar pela ociosidade.


João da Ega formou-se em direito, mas nem sei se chegou alguma vez a exercer.


O passatempo preferido destas pessoas era andar atrás de mulheres, comer e beber, passear, divertir-se em noitadas, jogos de cartas, enfim... Houvesse dinheiro, e tudo o resto se esquecia. Era uma vida caracterizada pela boémia.


Nesse aspecto, sinto a juventude de hoje mais lutadora, mais empenhada nas suas causas, mais ansiosa de vencer na vida. Ou talvez seja porque a maioria já não tem tudo dado de bandeja, e tem que conquistar o seu dinheiro, o seu prestígio, o seu nome.


 


E as mulheres?


Já nessa altura elas traíam os maridos!


Muitas delas tinham amantes, normalmente, mais jovens, das mesmas classes sociais, e muitas vezes amigos dos maridos.


Provavelmente, naquele tempo, as traições deviam-se ao facto de precisarem de aventura nas suas vidas, dado o papel reduzido que tinham enquanto mulheres e esposas, cuidadoras do lar, dos filhos e dos maridos, e por falta de amor aos maridos, arranjados em casamentos por conveniência ou impostos, com homens com idade para serem seus pais.


Mas, se antes tudo era feito de forma clandestina, para que não viesse a público, e manchassem a sua honra, hoje é feito às claras, sem quaisquer consequências e, por isso, mais falado.


 


Falar d'"Os Maias" é falar do romance entre Carlos da Maia e a sua irmã Maria Eduarda.


Um romance condenado, que afastou para sempre estes dois amantes. 


Curiosamente, foi um romance que não me convenceu. Achei mais bonita a relação de Carlos com a filha de Maria, do que com a própria.


Acredito que Maria Eduarda amasse, realmente, Carlos. Já ele, pareceu-me mais um capricho do momento, uma paixão que, com o tempo, tenderia a acabar, e levá-lo-ia a traí-la, com outras.


E se Maria parece ter refeito a sua vida, resignando-se ao possível, dadas as circunstâncias, fica a dúvida se Carlos voltará um homem diferente, disposto a, finalmente, dar algum sentido e utilidade à sua vida, ou se permanecerá perdido numa vida boémia, juntamente com o seu amigo João da Ega, e os seus pares.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Batalhas pouco justas no The Voice Portugal

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Terminou ontem a fase das provas cegas no The Voice Portugal, mas ainda houve tempo para estrear a fase das batalhas.


E com novidades que, a mim, não me agradaram muito.


 


Agora, em vez de serem os mentores a escolher quem querem colocar frente a frente, com a mesma música, os concorrentes são escolhidos à sorte, e esses escolhidos escolhem, por sua vez, com quem querem travar a batalha.


Embora faça mais sentido do que a, muitas vezes tendenciosa, escolha dos mentores, penso que deveriam ser ambos tirados à sorte.


Pelo que percebi, a música, será escolhida pelos concorrentes, e não pelo mentor.


O que leva à pior novidade das batalhas: cada concorrente canta uma música diferente, e à vez. O que não faz qualquer sentido, porque os mentores deveriam avaliar a prestação de cada um, no mesmo tema e registo.


Nos tira-teimas já iriam ter a oportunidade de fazer o que agora estão a fazer nas batalhas.


 


 


 


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Posto isto, veio a primeira batalha, entre dois concorrentes fortes da Aurea que, por acaso, nas provas cegas, cantaram o mesmo género musical e, por isso, fez sentido quando a Catarina, sorteada, escolheu o António para travar a batalha consigo.


No entanto, se o António se manteve fiel a esse registo, e com uma boa prestação, a Catarina optou por mostrar a sua diversidade, com outro estilo musical.


Cada um no seu registo, ambos estiveram bem e seria difícil escolher, mas pareceu-me óbvia a escolha da mentora.


 


O António mencionou que nunca sentiu discriminação ou preconceito pela sua idade.


Pois aqui, não retirando mérito à Catarina, pareceu-me uma atitude um pouco preconceituosa da mentora. É óbvio que querem dar oportunidade aos mais novos, de se lançarem na música, e a Catarina é jovem, ao contrário do António.


A Catarina mostrou um outro lado dela, que faz o género da Aurea e, por isso, aliando o gosto à diversidade da concorrente, foi meio caminho andado para a decisão. Talvez, se a Catarina tivesse optado pelo lírico, a escolha não fosse tão fácil.


Mas está mais que visto que o lírico nunca vingou neste tipo de programas e, como tal, dificilmente chega muito longe.


 


 


 


Imagens: The Voice Portugal


 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!