
Estreou no dia 25, e foi um belo presente de Natal para todos os fãs da história desta família, de que já antes falei aqui, e que conheci através dos livros da autora Julia Quinn.
Embora não me recorde de grande parte dos romances, algumas personagens são inesquecíveis, como Lady Danbury e Lady Whistledown que, volto a afirmar, são duas mulheres sem papas na língua, inteligentes, perspicazes, astutas, muito à frente no seu tempo.
Uma delas é presença assídua nos grandes eventos das temporadas londrinas, para deleite de uns, e receio de outros, que a temem pela sua absoluta sinceridade e frontalidade.
Já a outra, é um mistério que todos querem descobrir. Temo que, na série, não tenham atribuído esse papel à mesma personagem que o foi nos livros.
Basicamente, conhecemos a sociedade londrina do século XIX, onde as mulheres eram criadas para o único propósito de casar e procriar garantindo, de preferência, um herdeiro para os títulos da família.
Quando chegasse o momento, eram apresentadas à Rainha, numa cerimónia e, a partir de então, frequentavam os bailes e festas da "temporada" onde era suposto arranjarem marido, de entre os homens disponíveis, que as pretendiam cortejar.
Assim, era possível encontrar mulheres entusiasmadas com os seus pretendentes, outras resignadas e satisfeitas com o seu destino, outras contrariadas e revoltadas, por não serem livres de escolher a sua própria vida, e o homem com quem queriam casar ou, até mesmo, por não poderem ser mulheres solteiras sem o olhar reprovador de toda a sociedade, onde só os homens tinham poder.
As mulheres, essas eram "pertença" dos pais, ou dos irmãos mais velhos, que decidiam por elas, até transferirem esse poder para os futuros maridos.
Nos bailes, dava-se valor à beleza, à ostentação, ao saber estar. Feliz a mulher que conseguia ter os seus cartões de dança preenchidos pelos vários pretendentes que com elas quisessem partilhar uma dança, assim pensavam as mães, que queriam ver as suas filhas bem casadas à "primeira temporada".
Poder-se-ia até dizer que as mães eram umas verdadeiras "caçadoras" de maridos para as filhas, sobretudo se houvesse jovens solteiros com títulos vistosos como duques ou condes.
Já os homens, por norma, fugiam a sete pés deste compromisso que é o casamento, e a sua missão era tentar passar despercebidos ou esconder-se destas mães.
Nesta primeira temporada da série, Daphne é uma das mulheres "atirada para a arena" que ditará o seu destino.
Mas Daphe não é como as outras jovens. Aliás, ela é uma Bridgerton, e isso diz tudo!
Nenhum membro da família Bridgerton é igual aos restantes, nem aquilo que seria de esperar. Todos têm a sua personalidade especial, uns mais vincada que outra, e é por isso que as suas histórias nos cativam, nos fazem rir, nos emocionam, e nos fazem sentir a diferença, num mundo tão igual e sem sal.
Acima de tudo, são uma família unida. E essa união também vai ajudar cada um deles a encontrar, apesar do que dita a sociedade, o amor, tão menosprezado e desvalorizado, quando se fala em casamento.
E Simon, o duque que foge das caçadoras de maridos.
No entanto, desengane-se quem pense que, por ser duque, Simon teve uma vida fácil.
Mais do que a cor da pele, foi um outro problema o que levou o seu pai a renegá-lo, ainda em criança.
Foi Lady Danbury que o ajudou a criar, e a tornar-se o adulto que hoje é.
Só que, esse adulto, fez uma promessa no leito de morte do pai, e não pretende quebrá-la.
Conseguirá Daphne amolecer o coração de Simon, e fazê-lo mudar de ideias?
Conseguirá Simon resistir ao amor que sente por Daphne, por puro orgulho?
Se gostam de séries de época, recomendo!
Até agora, só não achei muita lógica ao facto de colocarem músicas do nosso tempo, de pleno século XXI, como músicas de baile do século XIX, ainda que em modo clássico.
E da nova abordagem à personagem Anthony que, na série, está totalmente diferente do homem que conhecemos dos livros, para pior.
De resto, e após um primeiro episódio algo morno, garanto que os seguintes valem a pena!
O grande problema destas séries é que deviam ter um aviso sobre a inexactidão histórica... tem sido um problema convence-las que aquilo está bem longe da realidade da época...
ResponderEliminarPor acaso vi ontem um vídeo sobre factos da série e um deles era a de que tinham tido a colaboração de historiadores, para tentar ser fiel à sociedade da época.
ResponderEliminarMas, tal como a Netflix afirmou para The Crown, são séries de ficção, não documentários, e as pessoas que veem têm que perceber isso, sem ser necessário quaisquer avisos.
Não sendo fã de história, aquilo que vejo retratado é muito daquilo que tenho vindo a ler em livros de diversas autoras embora, lá está, possa ser apenas ficção.
A série em si, acabou por ser um pouco fraquinha, para as minhas expectativas.
Vi a série porque os meus alunos me falaram nela, quando dei o contexto histórico da época artística. E lá tive que desconstruir aquilo tudo... não, nao se relacionavam assim... nao, os bailes nao tinham negros de rastas... mas o guarda-roupa era bonito, isso era
ResponderEliminarPois, essa parte dos negros...
ResponderEliminarQuando vi o trailer até pensei "um duque negro, naquele tempo?"
Eu lá consegui contextualizar aquilo aos miudos; é uma situação utópica em q o rei teria casado com uma negra e aberto os privilégios a outras cores de pele. Mas muitos pensaram que era assim!
ResponderEliminarAcabou por ser interessante, a discussão sobre o que seria uma sociedade sem xenofobia. E muitos estabeleceram o paralelo com a mulher do príncipe mais novo, o politicamente correto... enfim, foi interessante, depois de devidamente explicado :)
Pois, de facto existem rumores de que a rainha Charlotte tenha descendência africana, e acho que aproveitaram isso.
ResponderEliminarJá que falamos de história, não sei se costumas ler os livros da Lesley Pearse, mas é uma autora que introduz muito de história nos seus livros, desde as guerras mundiais, ao desterro dos condenados na Austrália, entre outros períodos.
Ofereceram-me ha alguns anos um ou dois livros dela, mas já não li mais nada.
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