quinta-feira, 11 de março de 2021

Sinais da idade

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"Todas as asneiras que fizermos em novos havemos, mais tarde, de pagar por elas."


 


E o meu pai que o diga!


 


Acho que, por mais anos que passem, temos tendência a ver os nossos pais sempre da mesma forma, como se esses anos não passassem por eles, ou passassem, mas eles continuassem iguais, sem se notar a passagem do tempo.


Sempre vi o meu pai como uma pessoa activa. Alguém que não consegue estar quieto ou parado muito tempo no mesmo sítio. Alguém que gostava de fazer longas caminhadas.


Mas o tempo, as asneiras, os vários acidentes que foi tendo desde novo, não perdoam.


E, hoje, aliadas a alguns problemas já existentes, condicionam-lhe os movimentos e a vida, provocam-lhe dores, dificultam-lhe as tarefas mais básicas e, ainda assim, volta e meia, lá insiste em fazer mais alguma "asneira" para a qual o seu corpo já não está preparado. 


Depois, os ossos, os músculos, os tendões, tudo se ressente.


E a memória começa a pregar partidas.


Afinal, são quase 80 anos.


 


E a minha mãe?


Mulher activa, também. Ultimamente, não tanto.


Fingimos não perceber, mas é um pisco a comer. 


Está magríssima, embora as calças disfarcem.


Mas levá-la ao médico? Só quase arrastada.


Diz que se sente bem. Que não precisa de fazer exames, nem ir ao médico.


As únicas consultas a que vai, são as de oftalmologia, em que é seguida por causa das cirurgias que fez à vista.


Não é mulher de se queixar, de mostrar dores, de fazer fitas. Guarda para ela.


Mas uma pessoa vai-se, aos poucos, apercebendo dos sinais da idade.


Um degrau que ela já tem dificuldade em subir ou descer sem ajuda. Algo que ela já demora a agarrar, não sei se por não ver bem, ou se por outro motivo.


Um dente ou outro que falta, e que lhe dificulta a fala.


Afinal, são 79 anos.


 


Que bom seria que os nossos pais estivessem sempre novos, apesar do tempo passar. 


Que tivessem sempre saúde, enquanto vivessem.


Mas se nem nós, muitas vezes, a temos, e andamos piores que eles, como podemos esperar que eles sejam mais valentes?


 


É assim a vida.


Sempre a dar sinais.


Sinais das parvoíces que achávamos que não iam ter consequências.


Sinais de que o nosso corpo não é de ferro.


Sinais de que o tempo não pára.


Sinais da idade, que avança a cada ano que passa, para todos nós, e para eles também.


 


 


 


 

6 comentários:

  1. Ui, o que eu já escrevi sobre isto, sobretudo nos últimos dois anos. Felizmente, depois de vários sustos, neste momento está tudo bem, não sei é até quando. Mas, afinal são 86...

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  2. Lá diz o ditado, "quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga" e é bem verdade.
    E depois a idade faz o resto …

    O ideal, seria envelhecer com qualidade de vida.

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  3. O meu pai tem aventuras com vacas, quedas de cavalo, uma perna espatifada enquanto íamos aos caracóis (que nenhum de nós come)!.
    Coisa que na altura acontecem e passam, mas deixam mossa.

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  4. Pois, ainda são mais uns aninhos.
    Por aqui não posso propriamente falar de sustos.
    No outro dia o meu pai escorregou na entrada do hipermercado e caiu. Tiveram que ajudá-lo a levantar. Mas depois, continua, apesar das dores, a fazer o mesmo de sempre, nem sequer ao médico foi.

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  5. E quão difícil é ver esses sinais! Às vezes até tento não ver!

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  6. Nunca fui muito de estar atenta porque, lá está, via-os sempre, automaticamente, da mesma forma. E como não se queixam, e não param...
    Só há pouco tempo comecei a prestar mais atenção.
    Embora continue a achar que ainda vão andar por aqui muitos anos, e ver os bisnetos que um dia venham por aí

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