segunda-feira, 19 de abril de 2021

Respirar

respirar.jpg


 


Respirar…


Algo tão natural, tão básico, tão inato, a que ninguém presta atenção.


E, ainda assim, essencial para a nossa sobrevivência. Um claro sinal de que estamos vivos.


 


Respirar…


Algo que faço constantemente, quase sem dar por isso.


Como se o meu corpo fizesse todo o trabalho por mim.


 


Respirar fundo…


Aí, sim, percebemos que estamos a respirar.


Acaba por ser, de certa forma, um acto menos involuntário. Fazemo-lo, muitas vezes, propositadamente. Com alguma intenção, que não a mera sobrevivência.


 


Respirar fundo…


Passou a ser o meu respirar normal. Aquele que era suposto ser involuntário, e fazer-se sozinho.


Passei a ter que respirar. Frequentemente. Passei a ter que assumir essa função que deveria ser do meu organismo.


 


Falta-me o ar…


Sim. Algures, por entre a respiração normal e superficial, sinto que o ar fica perdido pelo caminho. E não chega onde deveria.


E, então, tenho que ir eu buscá-lo. Ver se ele ainda cá está.


 


Falta-me o ar…


Como num ataque de pânico, mas sem o pânico.


Como numa crise de ansiedade, mas sem a ansiedade.


Como se tivesse o nariz entupido, mas sem o estar.


Como estar com uma máscara na cara, mas sem ela.


 


Cansaço…


Respirar assim, relembra-me que ainda tenho ar. Mas cansa.


E junta-se ao cansaço que já sinto, pelo simples facto de fazer as tarefas mais simples.


 


Cansaço…


Ter que parar a meio, porque estou cansada, e me falta o ar.


Ter que me sentar, porque estou cansada, e me falta o ar.


Estar deitada, e ter que escolher a melhor posição, para que não me falte o ar, ainda que demore a controlar.


Ter que dormir com medo que me falte o ar, e não acorde.


 


Desde quando, respirar, passou a ser algo que se controla, que se programa, que se pensa e faz conscientemente?


Quero voltar a respirar, sem ter que pensar que tenho que respirar...

10 comentários:

  1. respirar fundo, várias vezes ao dia, faz-te bem.
    espreguiça-te, move as mãos, sorri, faz movimentos que achares que te pões relaxada
    por vezes, esquecemo-nos de que são gestos importantes de e para o nosso dia.

    ResponderEliminar
  2. Respirar fundo e deixar fluir, o que mais faço, todos os dias, respirar fundo e acreditar.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Obrigada!
    Imagino que seja o habitua, nos tempos que correm, para a maioria das pessoas, seja em sentido figurado, seja no sentido literal.

    ResponderEliminar
  4. Sim, respirar fundo ajuda a relaxar.
    Sempre que inspiramos, é como se viesse um pouco de esperança, de energia escondida que nos ajuda a ultrapassar esta fase. E sempre que expiramos, é como se nos estivéssemos a livrar do negativo. Renovar o ar é renovar a crença de que em breve tudo melhorará

    ResponderEliminar
  5. Acho que é importante não nos acomodarmos, continuar activos, fazer pausas, ainda mais do que o habitualmente.
    No meu caso, fui mesmo "obrigada" a respirar fundo. Não sei se era da constipação, mas andei uns dias assim, a ter dificuldades em respirar. Não sempre, apenas em alguns momentos, e depois passava. Ainda não estou a 100%. Já tenho consulta marcada, para ver o que poderá ser. Desconfio de alguma anemia, dado o cansaço.
    Mas também noto que, quando estou dobrada, enrolada, sentada ou demasiado cheia, por vezes acontece. Ontem estava com uma barriga tão grande que até brinquei com o André, que devia ser a criança que estava a ocupar demasiado espaço na barriga, e apertava o diafragma!

    ResponderEliminar

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!