
(O Abraço Certo)
Duas amigas conversavam sobre a pandemia, e como a mesma tinha privado tanta gente de afectos, de beijos, e de abraços.
Lembrando-se de uma história que lhe tinham contado em tempos, uma delas perguntou à outra:
- Sabias que, para cada pessoa, há um abraço certo? Aquele que encaixa na perfeição, e que tem o efeito que mais nenhum consegue?
- Para mim todos os abraços são bem-vindos! Não sei onde é que foste buscar essa teoria.
- Não é uma teoria. Parece que houve mesmo alguém que já o experimentou.
- Ai sim? Então conta lá como é que isso aconteceu.
- Parece que a filha de um comerciante, lá da aldeia, vivia num permanente estado de tristeza e inquietação, desde que a sua mãe a tinha deixado, para fugir com outro homem.
A vizinha, que tinha a mania que era curandeira, disse ao senhor que a sua filha precisava apenas de um abraço.
Então, o pai começou a abraçar a filha, sempre que estava com ela. Mas não resultava. Ela continuava triste.
Pediu então ao irmão dela que tentasse. Mas também não funcionou.
Ao longo do tempo, foi pedindo aos familiares para o fazerem, mas ela parecia cada vez mais incomodada com tantos abraços que, de repente, toda a gente lhe queria dar, sem sentido.
Farta daquilo tudo, combinou com um amigo dar um passeio pelo bosque.
Durante algum tempo, caminharam calados, entregues aos seus pensamentos. Até que se sentaram ao pé de uma árvore, com o riacho a correr à sua frente, e foi quando ela desabafou com o seu amigo, que se sentia triste, cansada, insegura, desde que a sua mãe a tinha abandonado.
E que, apesar de ter o seu pai, e o irmão, eles ainda a andavam a deixar mais desconfortável, desde que tinham decidido pôr em prática o conselho da vizinha.
Não era por toda a gente anda a dar-lhe abraços, quase forçadamente, que ela iria sentir-se melhor.
O amigo, não sabendo como consolá-la, instintivamente, puxou-a para si, com as costas dela contra ao seu peito, e abraçou-a.
E ela, pela primeira vez, deixou-se ficar.
Pela primeira vez, sentiu-se relaxar.
Sentiu-se segura e protegida.
Sentiu-se mais leve, do fardo que até aí carregava.
Afinal, a curandeira tinha razão.
Ela só não tinha experimentado ainda o “abraço certo”!
- E tu acreditas mesmo nisso? – perguntou a amiga, depois de ter ouvido a história.
A amiga, sem saber o que dizer, limitou-se a encolher os ombros…
E assim me estreei neste desafio que já vai na sua terceira edição.
Não respondi à primeira chamada. Nem me atrevi na segunda.
Mas dizem que, à terceira, é de vez!
Sempre achei que a tua participação teria textos interessantes, e acertei!
ResponderEliminarObrigada pelo voto de confiança
ResponderEliminarAcredita que nos primeiros dias andei a pensar em mil e uma coisas, a tentar que me saísse alguma coisa através de algumas imagens, mas nada parecia soar bem.
Então, uma noite, tive um sonho, precisamente, com um abraço destes e, quando acordei, pareceu-me que era o tema ideal para construir o texto.
É esse o meu problema - a imaginação e inspiração só vêm quando lhes apetece!
Tenho andado a mil com o trabalho e a saúde dos meus pais. Ainda pensei em não participar esta semana, mas ontem perto da meia noite decidi que não posso baixar os braços assim. Uma semana sai pior, noutra sairá melhor.
ResponderEliminarO abraço, sempre o abraço. Adotei o abraço em substituição do beijo, e é tão reconfortante.
ResponderEliminarBeijinhos
e que estreia mais doce linda!
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ResponderEliminarComeçaste muito bem.
Um abraço sabe bem quando nos faz mais falta.
E eu adoro abraços, mas não é de qualquer pessoa.
Beijinhos
Ainda bem que à terceira foi de vez. Gostei muito deste texto.
ResponderEliminar(lembrei-me de quando a minha avó morreu e tive um sonho que no mundo havia apenas outra pessoa que poderia dar um abraço igual ao dela, mas mesmo essa outra pessoa não era ela - gosto de abraços e são muito especiais aqueles de quem gostamos e gostam de nós)
Obrigada!
ResponderEliminarHesitei muito antes de me aventurar no desafio mas, só por este texto, e pelos comentários que têm deixado, já valeu a pena.
Acredito que há abraços que nos confortam, que nos deixam leves e nos quais nos abandonamos pelo conforto e segurança que oferecem.
Sim, são reconfortantes! Mas penso que não devem ser banalizados, senão tornam-se incómodos.
ResponderEliminarObrigada, Ana!
ResponderEliminarAgora é esperar pela inspiração para o próximo tema
Obrigada, Maria!
ResponderEliminarLá está, os abraços têm que vir na hora certa, pela pessoa certa.
Beijinhos
Claro que não, nem todas as pessoas merecem um abraço.
ResponderEliminarBeijinhos
Não há como resistir a um abraço de coração!
ResponderEliminarVerdade!
ResponderEliminarTambém, se não for do coração, não vale a pena
Tão giro Marta.
ResponderEliminarOu parafraseando uma publicidade antiga: há sempre um abraço amigo
à espera de si!
Parabéns!
ResponderEliminarObrigada, José!
Braços há muitos. E abraços também. Mas há uns que são especiais