terça-feira, 15 de junho de 2021

A pandemia entorpeceu as pessoas

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Dizem que a pandemia veio alertar as pessoas para terem mais calma.


Para desacelerarem. Para moderarem o ritmo.


Mas isso não deveria ser levado tão à letra.


 


Sinto, de uma forma geral, que a pandemia entorpeceu as pessoas.


Que lhes limitou as suas capacidades.


Que lhes roubou energia e vivacidade.


Que as "drogou" com inércia e apatia.


Que lhes prendeu os movimentos.


Que lhes toldou o cérebro, os pensamentos e as acções.


Que as tornou mais desligadas, desconectadas.


 


Ou, então, serviu de desculpa para fazer o mínimo, sem ser penalizado por isso.


Para pôr em prática medidas que lhes facilitam a vida, mas complicam a de todos os outros.


 


Se é verdade que há serviços que se tornaram mais rápidos, eficazes e descomplicados, com outros, aconteceu o oposto.


Em muitos deles, o facto de não terem o espaço interior ocupado pelos clientes, que esperam na rua, foi suficiente para lhes aliviar a "pressão", e fazer o atendimento de cada um, com mais tempo, sem pressas, e com direito a pausas entre o cliente que sai, e o outro que está à espera para entrar.


E como lá fora não se ouve e, muitas vezes, não se vê que número está a ser chamado, pode ser que muitos percam a vez, e desistam de estar na fila.


 


Noutros, a pressão foi diminuída através dos atendimentos por marcação. Agora, atendem quem querem, quando querem (claro que não é bem assim mas...), sem terem junto a si as várias pessoas em espera que costumavam ocupar a sala.


 


E depois, há serviços onde as limitações impostas ao atendimento presencial, que nem colmatado pelas máquinas pode ser, porque também as retiraram, levam a um acumular de pessoas à espera, e tempo perdido, em coisas que, por norma, seriam tão simples.


 


Estranhos tempos estes que, num mesmo contexto, levam a formas tão distintas de agir, e de estar na vida...


 

11 comentários:

  1. Muito bem vista, querida Marta! Um texto muito bom.

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  2. Quero ir ao banco, mas quando vejo as filas, desisto.
    Tens muita razão no que escreves.

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  3. Aqui na CGD inventaram um sistema, em que só estão abertos até às 12.30, e depois só atendem por marcação.
    E mesmo assim, de manhã, não deixam entrar toda a gente lá dentro, e acaba por se gerar uma fila na entrada, juntamente com quem vai só às máquinas.

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  4. A mim talvez não tenha afectado muito porque praticamente andei sempre a trabalhar, mas agora é quase um castigo ter que ir a um serviço público, ou aos CTT, pelas condições e tempo de espera a que estamos sujeitos.

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  5. Eu apenas sinto falta de alguma normalidade que, parece-me, vai ser difícil voltar a haver.
    E sinto que, em muitos sentidos, estamos piores que antes da pandemia, quando se deveria ter aproveitado para melhorar as coisas.

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  6. Acho que das poucas excepções, em termos de serviços públicos, foi o Serviço de Finanças, que é célere e facilitou em muito coisas que antes complicavam. Quase dá vontade de assim continuar.
    Mas em relação a outros, é para esquecer.

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  7. A marcação para tudo é uma instituição na França, até numa cabeleireira vazia há algumas que te marcam hora e não te atendem imediatamente, e sinceramente até prefiro este método.
    Agora sei, por força até do meu trabalho, que é mais pacífico não ter as famílias por perto, não ter pressão e que isso nem sempre é bom... Temos tendência a deixar para depois já que afinal faz tempo e depois há coisas que escapam. Não é a norma, felizmente, mas acontece. E essa é uma das muitas razões pelas quais me faz "comichão" não haver visitas nos hospitais...
    Um grande beijinho

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  8. Marta excelente texto, para ler e reflectir.

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