sábado, 31 de julho de 2021

Quando recebemos a notícia de que a nossa mãe partiu

É curioso que, tendo já escrito tantas homenagens, não me saiam agora palavras para falar da minha mãe.


Talvez porque tudo o que eu disser será pouco. E porque aquilo que está cá dentro não caberia num só texto. Ou porque talvez seja mais difícil quando são os nossos.


 


Apesar de, nos últimos tempos, ter previsto este cenário por diversas vezes, é algo para o qual nunca estamos preparados, quando ele se confirma.


Quando acordei, esta manhã, estava confiante. Nada me preparou para o que aí vinha.


 


Um telefonema da médica, pouco depois das 9 da manhã. Pensei que fosse para me pôr ao corrente da evolução da minha mãe.


Nem quando me disse que a minha mãe tinha um quadro complicado, suspeitei. 


Nem mesmo, quando me perguntou se eu tinha mais alguém em casa. Pensei que fosse por ser necessário ir lá.


Só quando lhe perguntei o que iria ser feito, quais os passos seguintes, é que ela me informou que, infelizmente, a minha mãe tinha falecido.


Portanto, ela falou e fez-me falar, já em modo de preparação, para atenuar o choque da triste notícia.


E foi, de facto, um choque. Como, imagino, será para todos os que perdem familiares.


 


Posto isto, a principal preocupação foi como dar a notícia ao meu pai.


Porque teria que ser eu a dá-la, e não o poderia fazer no estado em que estava, para além de não saber como iria ele reagir.


 


Depois, avisar familiares, amigos e, a cada telefonema, ou mensagem, reviver as emoções, relembrar o choque, encarar e tomar consciência da realidade.


E tentar não pensar nisso, para não descambar.


Fazer piadas, ocupar com tarefas domésticas.


Momentos intercalados com lágrimas e lembranças.


Até as bichanas perceberam. A Amora veio dar-me turrinhas, como que a consolar-me.


Estava em casa apenas com a minha filha.


Não foi fácil.


 


Depois, momentos de decisões.


Autopsiar, ou não autopsiar? Para quê? De que adiantava agora  saber a causa da morte?


Calhou-me ligar para a médica, e dizer que não queríamos autópsia.


 


E, em seguida, ligar para a agência funerária, para dar início a todo o processo.


Escolher urnas.


Escolher flores.


Escolher cartões para o velório.


Escolher mensagem.


E aperceber, mais uma vez, da realidade.


É necessário. É uma homenagem. Mas quem é que tem cabeça para essas coisas num momento destes?


 


Desligar o interruptor.


Há uma filha, as gatas para tratar, o almoço para fazer.


O meu marido chegou entretanto. Tinha ido trabalhar mas, perante a situação, arranjaram alguém para o substituir.


O meu irmão viria também.


 


Afinal, ainda havia mais trâmites a tratar.


A escolha da roupa para vestir a minha mãe.


É horrível.


Sabemos que será essa a última imagem dela, e queremos dar-lhe a dignidade possível, ainda que nesta hora em que nos despedimos dela.


Mas é voltar tudo ao de cima, olhar para as coisas dela, e um milhão de pensamentos e lágrimas a misturar-se, e a deitar abaixo.


 


No entanto, é preciso levar a roupa.


Fazer compras.


Limpar a casa.


Desligar o interruptor, e tentar distrair-me é o melhor remédio.


E, se possível, tentar que não toquem no assunto.


 


A esta altura, final do dia D, em que a minha mãe completa 79 anos e meio, e nos deixa para sempre, já nem sei bem o que sinto. 


Mas sei que o pior ainda está por vir.


Amanhã.


 


Por mim, seria uma despedida rápida, só para nós, e acabava.


Mas sabemos que as pessoas querem dar apoio. Que também se querem despedir. Mesmo que cada palavra, dita com a melhor intenção e sentida, nos faça mais mal que bem. Que seja como um escarafunchar numa ferida que está em carne viva, e que assim não sara.


E, por muito que saiba que vai ser duro olhar para a minha mãe, ou para o que restou dela, sei que quero olhá-la uma última vez.


 


Não sou dada a religião, mas a minha mãe era católica e, por isso, pedi serviço religioso.


Que, também ele, vai ser duro. Faz parte. E se não aguentar, é sinónimo que sou humana.


 


E, por fim, o encerrar de tudo.


O momento em que percebemos, definitivamente, que é real, que não a veremos mais. Que, a partir dali, estará debaixo de terra.


Que, ao menos, o seu espírito encontre uma moradia melhor.


 


A nós, restam-nos dias duros, de mais burocracias que, também elas, são necessárias, e a esperança de que o tempo atenue a dor e o sofrimento dos que cá ficam, com a certeza de que a minha mãe, que partiu, já não sofre mais.


É a lei da vida. Calha a todos. Uns mais cedo. Outros mais tarde. Mas ninguém escapa.


Ainda assim, não deixa de ser sempre pior quando nos toca a nós, e aos nossos.


É tentar agarrar ao que de bom vivemos com ela, com plena noção de que não ficou nada por fazer, dizer ou demonstrar, no tempo que que estivemos com ela.


 


 


 


 

Santa Maria: parte II

Como tinha referido no post anterior, tendo a minha mãe sido enviada para casa, tratámos de arranjar o apoio possível para que ela fosse acompanhada em casa.


Respirámos um pouco de alívio ao ver que as coisas se estavam a encaminhar.


Até que, na quinta-feira à noite, foi necessário chamar os bombeiros novamente, e voltar ao hospital.


Dados os baixos níveis de oxigénio, foi para a área de Covid, onde passou a noite.


Ao início não percebemos a lógica de a terem levado para ali. Ela não tinha covid.


 


Depois, surpreendentemente, agradecemos por a terem levado para lá.


A médica, ao contrário das colegas, não foi indiferente.


Fez análises, fez RX, fez electrocardiograma.


Fez duas TAC.


Ou seja, tudo aquilo que deveria ter sido feito da primeira vez, na urgência.


E ao final da tarde de 6ª feira, foi internada. Para se estudar a causa do problema dela, e tentar tratá-la. Iria fazer exames na próxima semana.


 


Ontem, ao final do dia, liguei para o serviço.


Falei com o enfermeiro.


Disse que ela estava a oxigénio, que estavam a aspirar as vias aéreas, e que estava a aguardar a colocação da sonda.


Tinha direito a visitas, o que foi um alívio saber.


Ficámos tranquilos porque, da forma como ela saiu daqui de casa, se continuasse cá, estava em constante sofrimento, não teria apoio profissional e imediato, e poderia acontecer o pior, enquanto ali, no hospital, tinha todos os meios e uma equipa médica.


Parecia estar tudo a encaminhar-se no bom sentido.


 


A forma como esta médica procedeu, ao requisitar todos os exames, e interná-la, foi a mais correcta e profissional que poderíamos pedir e esperar.


Não foi o suficiente. 


Talvez tenha sido tarde.


Talvez, se as colegas tivessem agido de forma diferente, o desfecho fosse o mesmo.


Mas pelo menos alguém se preocupou. 


Alguém viu uma pessoa que, mesmo não tendo salvação, merecia um último esforço.


 


E nós agradecemos por isso.


Porque também é preciso falar do que é bem feito.


E não se poderia exigir mais.


 


 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Desafio dos Pássaros 3.0 #7

Três caras bebendo cerveja 268417 Vetor no Vecteezy


 


Pedaços de conversas distintas, de três pessoas diferentes, que bem poderiam ser uma única conversa, entre elas. 


Enquanto Gustavo Santos apresentava as suas obras, o padre vai espalhando a palavra de Deus, e o negacionista queixa-se, reclama e duvida de tudo, como não poderia deixar de ser!


 


Negacionista: - Acreditam que me mediram a febre à entrada? Sinceramente! Vim aqui tantas vezes engripado, e nunca se preocuparam com isso.


Padre: - Perdoai-os, Senhor. Não sabem o que fazem.


Negacionista: - Andam é todos loucos com esta história do vírus. Querem limitar-nos, tirar a nossa liberdade, voltar à ditadura. Não há quem se revolte contra esta cambada toda. 


Gustavo Santos: - "A Força das Palavras" fala disso mesmo, do poder que estas possuem, e de como podem mudar quem nos rodeia, e a nós próprios.


Negacionista: - Parecemos cordeirinhos, é o que é.


Padre: - O Senhor é nosso pastor, e nada nos faltará.


Negacionista: - Cada vez temos menos, ganhamos menos, e ainda nos querem tirar o pouco que têm. Nem sabemos para que lado nos viramos.


Gustavo Santos: - "O Caminho" ajuda a percebermos que rumo devemos seguir.


Padre: - O caminho de Deus é perfeito.


Negacionista: - Pois, com sorte, é a mão de Deus. Já não seria a primeira vez que ele fazia uma razia aos humanos. Não se lembram do dilúvio e da Arca de Noé, ou do fogo de Sodoma e Gomorra? 


Gustavo Santos: - É preciso encontrar o equilíbrio, de forma a manter a nossa sanidade mental. Acima de tudo, "Arrisca-te a Viver".


Padre: - Entreguem todas as vossas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês.


Negacionista: - Mas alguém acredita que Deus existe? E mesmo que existisse, queria lá ele saber de nós. Isto é mas é a natureza a vingar-se dos humanos, por a andarem a destruir há anos. Agora, olhem, temos que aguentar.


Gustavo Santos: - Concordo plenamente! ´"Agarra o Agora". Nada como encarar, aceitar e viver da melhor forma o momento presente, apesar de todas as adversidades.


Padre: - Vivemos tempos conturbados, mas todas as nuvens enviadas por Deus são passageiras.


Negacionista: - Isto nunca mais vai acabar. Agora que tomaram o gosto, vai ser estado de emergência a vida toda, recolheres obrigatórios, proibições. Querem-nos controlar à força. Ele é chips disfarçados de vacinas, ele é certificados. Qualquer dia nem sabemos quem somos.


Gustavo Santos: - Com "Reencontra-te", podes voltar a redescobrir-te!


Negacionista: - Uma treta, esta vida. E é cada um  por si.


Gustavo Santos: - "Ama-te", e tudo o resto virá por acréscimo.


Negacionista (ao ver o copo vazio): - Olha, por falar nisso, venha mas é de lá a segunda dose, que esta já se foi!


Padre: - Brindemos a um futuro melhor. Enquanto há vida, há esperança.


Negacionista (depois da segunda cerveja): - Agora sim, já estou vacinado! Venham cá agora dizer que não posso estar cá dentro!


 


 


 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Rir para não chorar

Hospital Santa Maria (Centro Hospitalar de Lisboa Norte, EPE) | CM Odivelas


 


A manhã estava relativamente calma, para quem acabava de chegar, na sala dos "amarelos".


Algumas macas, algumas pessoas sentadas nas cadeiras, uma ou outra em cadeiras de rodas.


Utentes sozinhos. Outros, sobretudo os que estavam nas macas, acompanhados.


Os auxiliares mostravam-se prestativos, atenciosos.


Até o segurança ajudava.


Mas, à medida que as horas iam passando, o caos começava a instalar-se.


 


Eram chamados doentes, que sabiam que estavam a ser chamados, mas não tinham ninguém que os levasse, porque estavam nas macas.


Outros, nem sabiam, e ficavam por ali à espera que alguém se lembrasse deles.


Os auxiliares já pouco vinham cá fora tentar saber onde estavam os utentes chamados.


Tinham que ser os acompanhantes, ou os utentes que se podiam movimentar, a ajudar.


Cada vez havia mais pessoas. Cada vez o espaço ficava mais reduzido. Por cada maca que saía para o doente fazer exames ou ser visto, outras duas ocupavam o lugar.


Às tantas, já havia macas nos corredores, encostadas umas às outras, ou em qualquer buraquinho disponível, e até mesmo por baixo do ar condicionado, ou no meio das correntes de ar, como se não bastasse a doença que já tinham.


Sempre que passava outra, as que por ali estavam sujeitavam-se a levar um encontrão.


Havia doentes à espera de ser chamados para consulta há 24/ 48 horas. Alguns até se deitavam nas cadeiras. E outros que andavam por ali, entre exames e afins, há 2/3 dias, sem ir para casa, mas também sem saber se ficariam internados.


Havia pessoas cheias de dores, mas os auxiliares passavam por eles totalmente indiferentes.


Havia utentes a reclamar do tempo de espera, a desistir. Outros, já conformados, munidos de paciência, telemóveis carregados e algo com que se entreter.


E outros, já meio avariados do juízo, a passear pela sala e arredores descalços, com os sapatos na mão. A falar alto sobre doenças e mais doenças, como se alguém quisesse ouvir algo assim naquele momento. 


 


Tudo leva tempo. Tudo demora horas. Tudo é saturante, desgastante.


Os médicos demoram a chamar, apesar de estar tudo a rebentar pelas costuras.


Há congestionamentos de macas, utentes e cadeiras na área de gabinetes e tratamentos.


Não há qualquer distância de segurança. Nem sempre há álcool gel. Não há qualquer controlo ao covid. É tudo ao molho, e fé em Deus.


Isto é o dia a dia da urgência de um qualquer hospital central e, quem a ele recorre com frequência, já sabe como é. Mas, para quem não está habituado, é triste.


 


Na terça-feira, tive que ir à urgência do Santa Maria com a minha mãe.


Já nem da cama se conseguia levantar.


Não foi considerada uma situação de emergência, pelo que tivemos que chamar os bombeiros para a levar. Foram impecáveis, e até permitiram que eu a acompanhasse.


Chegámos por volta das 09.30h.


Foi vista pela médica perto das 11h.


Uma consulta que mais parecia uma anedota!


A médica estava mais preocupada com quem fazia as compras para os meus pais, e o que comiam, do que com o estado de saúde da minha mãe.


"Ah e tal, se ela não come muito é porque não tem fome. Não come porque não quer. Também na idade dela não precisa de comer muito."


"Não sei se a sua mãe preenche os requisitos para internamento. Ela é uma mulher saudável. Está melhor que eu."


Mandou fazer análises e soro. Tinha que ser eu a andar lá com a maca de um lado para o outro. Nunca a deixei. E depois, quando o meu irmão chegou, íamos trocando para não ficar sozinha.


Duas horas depois, nova análise ao sangue. E esperar.


Depois, tentativa de análise à urina. Beber água, que ela não conseguia. 


Teve que o meu irmão pedir mais soro, porque não tinham indicação para dar mais. Lá extraíram a urina por outros métodos.


Passava das 20h, quando a médica me chamou ao gabinete.


Queria fazer mais soro. E receitar antibiótico para infecção urinária. De resto, todas as análises estavam bem, portanto, não havia nada a fazer.


Então e não fazem outros exames?


Só se as análises apontassem para algo. Como está tudo bem, não fazemos mais nada.


Nisto, houve mudança de turno. Passagem de serviço. E nós ali à espera.


A nova médica entendeu que devia fazer mais soro.


Mais tempo de espera.


Chamaram-na depois das 22h. Para lhe dar alta. Não havia nada que pudessem fazer. Não era caso de internamento. E qualquer outra coisa não seria em urgência.


Soro em casa, é com o médico de família.


Sonda gástrica, é com o médico de família.


Outros exames, é com o médico de família.


Falei da dificuldade em deglutir. Não fazem consulta de otorrino em urgência, por isso, apenas podia referenciar para marcação de consulta.


Tive que pedir as análises feitas, porque dizem que não é hábito dar.


Saímos do hospital às 23h, com ela pior ainda do que tinha ido e, quando chegámos a casa e a deitámos na cama, só pensei. Não passa desta noite.


Mandaram-na para casa para morrer.


 


Ontem, já sem grande esperança, fomos ao Centro de Saúde.


Impecáveis.


Foi logo lá uma enfermeira pôr soro. Tivemos a aprender como se aplica.


À hora de almoço, foi a médica avaliá-la, e colocar a sonda gástrica. Tivemos a ver como se alimenta através da mesma.


Disse que calhámos com uma má equipa. Que não tivemos sorte. Que deveriam ter feito outros exames. Que deveriam ter passado um relatório de alta hospitalar. 


Queria que fossemos novamente à urgência, desta vez a outro hospital. Para ver se fazia o que o primeiro não fez. Recusámos. Nenhum de nós, principalmente a minha mãe, aguentava mais um dia inteiro num ambiente desses.


Lá passou uns exames para fazer cá fora. Para ver se se descobre a causa, para pensar no melhor tratamento. Que já estão marcados. E com sorte teremos transporte de doentes para a levar e trazer, porque ela está acamada.


Já fomos buscar uma cama articulada e um colchão antiescaras, emprestado pela Protecção Civil. Só falta montar, e transferi-la para lá. O que vai ser muito complicado.


Neste momento, falta-nos o apoio domiciliário, sobretudo para cuidados de higiene.


As listas de espera são grandes. E quando não é esse o caso, são os custos elevados que pedem.


Tínhamos uma instituição que poderia começar hoje. Abriam uma excepção, dada a urgência. Mas pediam 300 euros por mês. É a reforma da minha mãe! Tivémos que rejeitar. Agora é esperar por outras alternativas, mais baratas.


Até lá, temos que ser nós a mudar as fraldas, e tentar limpá-la minimamente, correndo o risco de o fazermos mal, de lhe partir alguma coisa, tal a fragilidade.


E não é fácil perceber o que diz. Ontem tive mesmo que pedir que escrevesse num papel, para poder ajudá-la.


Está tão fraca e debilitada, que o mínimo esforço lhe esgota as forças. Tem que ser tudo feito com tempo, calma e cuidado.


Mas para as duas médicas que a viram no hospital, estava de perfeita saúde!


Isto é só mesmo para rir, para não chorar com tamanha incompetência. Ou melhor, a facilidade com que descartam as pessoas e as responsabilidades para outros.


Já de um ou dois auxiliares e enfermeiros, e do segurança que por lá andava a ajudar, não tenho qualquer razão de queixa. Foram a única coisa positiva.


Tem sido uma semana para esquecer. 


Mas, ainda assim, apesar de tudo, está tudo a correr melhor do que prevíamos.


E está em casa, como sempre quis.


 


 


 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Cascata de Fervença

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Este fim de semana aventurámo-nos pelas cascatas da zona de Sintra, que tínhamos pensado ver nas férias.


A ideia inicial era ver as do Rio Mourão, mas como o GPS nos levou para as de Anços, que já tínhamos visitado anteriormente, rumámos à de Fervença.


É difícil encontrá-la mas, mesmo assim, estava bastante movimentada, com muitas pessoas a ter a mesma ideia que nós.


 


 


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Depois de uma senhora simpática nos ter indicado o caminho, e até nos conduzido até lá, estacionámos, e descemos o caminho de terra.


Essa foi a parte mais fácil.


A pior foi quando percebemos que tínhamos que passar por cima de uma rocha, para conseguir vê-la. Mas lá passámos.


Como podem ver, há por ali muitas rochas e o piso é escorregadio, pelo que é preciso alguma coragem e muito cuidado.


 


 


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Vimos pessoas, mais aventureiras, que andavam a escalar esta parte da cascata. E até quem, indo à volta, por um caminho estreito e de rochedos, se atrevesse a chegar lá ao topo.


 


 


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Nós, como não quisemos arriscar, ficámo-nos cá por baixo.


A cascata é linda, mas é pena a água estar suja.


 


 


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Vale a pena visitar, mas talvez noutra altura do ano, em que haja mais água, e menos pessoas, para que se possa apreciar o refúgio que ela representa, com alguma tranquilidade.


 


 


 


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Escolhas

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Escolhas…


As escolhas fazem parte da vida.


 


Muitas vezes, é-nos dado esse poder. E que bom é ter a liberdade de fazê-las.


Ainda que nem sempre, de forma consciente, pensada, estudada, acertada.


Ainda que, por vezes, de forma impulsiva, apressada, inesperada.


São as nossas escolhas, o rumo que traçamos para seguir.


Somos os únicos responsáveis por elas.


Escolher implica opções, alternativas, hipóteses, oportunidades. 


Significa que, querendo, podemos sempre tentar mudar de direcção. Fazer novas escolhas.


 


Outras vezes, alguém as toma por nós.


Seja porque nos deixamos levar. Seja porque deixamos que o façam. Seja porque não queremos, ou não podemos, escolher.


Por vezes, essa hipótese de escolha surge como um "presente envenenado", que não queremos aceitar, mas que outros não se importam de receber.


Ainda assim, a qualquer momento, podemos pegar na rédea que entregámos a outras mãos, e passar a comandá-la nós mesmos.


 


E outras vezes, não há qualquer hipótese de escolha...

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Skater Girl, na Netflix

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Habituada a ouvir o termo "casta" para designar as diferentes variedades das uvas, por exemplo, fiquei surpreendida por ouvir essa palavra, neste filme, num contexto diferente, relacionado com a estratificação social.


Em Rajastão, na Índia, as pessoas estão agrupadas por "castas superiores", e "castas inferiores". E castas diferentes não se misturam. 


Crianças de castas diferentes não brincam juntas. Jovens de castas diferentes não podem ter qualquer tipo de relacionamento. Pessoas de castas diferentes, têm direitos diferentes, deveres diferentes, e espaços diferentes.


 


Esta é apenas uma das questões culturais abordadas no filme "Skater Girl", numa história que mostra como as mulheres indianas nascem e crescem para casar e ter filhos, em casamentos, muitas vezes, arranjados pelos pais. Nem sequer imaginam considerar um futuro diferente, porque essa é a realidade que conhecem. 


E o quão indigno é, para os maridos, que estas tenham que trabalhar, porque isso significa que eles são fracos, falhados e não conseguem sustentar a família. É um verdadeiro atentado ao orgulho deles.


As meninas vão à escola, sim. Mas, se for preciso ajudar os pais, deixam de ir. Como foi o caso de Prerna, a protagonista da história.


 


Na verdade, Prerna vai desafiar todas as tradições, após conhecer Jessica e Erick, que lhe despertam o gosto pelo skate, algo que a faz sentir um pouco mais livre. Uma parte de algo. Mas que, para a comunidade, é considerada uma "coisa de rapazes".


Prerna vai enamorar-se pelo filho do director da escola, que também gosta dela e a ajuda sempre que pode mas, sendo este de casta superior, a relação estará condenada. 


Por conta de uma saída, que para nós seria absolutamente normal, entre dois adolescentes, para uma ida à feira, Prerna é obrigada a casar com um homem que não conhece.


 


É certo que a mãe de Prerna é bem mais compreensiva que o pai, e tenta incentivar a filha, e ajudá-la como pode mas, no fim, ela é apenas uma mulher sem qualquer poder, que tem que respeitar a tradição, e deve obediência ao marido, portanto, impotente.


O pai é um cabeça dura, orgulhoso, que põe a tradição e os costumes à frente da felicidade da própria filha, tendo algumas atitudes que nos revoltam.


Já o irmão mais novo de Prerna, é o seu maior fã, e irá colaborar com ela, quando mais precisar.


 


Sendo a história do filme baseada no skate, é importante referir a alegria das crianças quando vêem pela primeira vez na vida, os verdadeiros skates, que nada se comparam com as "tábuas de rodas" que constroem com o pouco que têm.


O gosto pela modalidade que desperta nelas a partir daquele momento.


E que leva Jessica a querer criar um parque de skate naquele local.


 


Só que, mais uma vez, está presente a desigualdade, a inferioridade das mulheres, o machismo.


Jessica não consegue o apoio financeiro que precisa, quem invista no seu projecto, quem torne possível a sua ideia, porque é mulher. 


Só lhe resta recorrer a uma outra mulher. Alguém que também desafiou as tradições. Alguém que arriscou e venceu. E pode agora tornar possível o sonho de outros jovens. Dar-lhes a oportunidade que precisam.


"Skater Girl" é sobre como o desporto pode unir as pessoas. Eliminar todas as barreiras. E em como, no lugar delas, passam a existir sonhos, e conquistas.


 


No final, há uma frase que fica:


"Se dermos uma oportunidade aos nossos filhos, talvez um dia encontremos um campeão mundial nesta aldeia. Mas um campeão, não é apenas alguém que ganha. Um verdadeiro campeão é alguém que demonstra coragem, paixão e determinação perante as adversidades."


 


Tornar-se-á, Prerna, uma verdadeira campeã?


 


 


Nota: A pista de skate Desert Dolphin Skatepark, localizada na região rural de Khempur, perto de Udaipur (a cidade dos lagos e palácios), foi construída especialmente para o filme com o apoio de voluntários da Índia e de outros países. O seu objetivo é manter o impacto social nas comunidades rurais, podendo ser usada pelo público de forma gratuita. É uma das maiores pistas de skate da Índia e a primeira de Rajastão, atraindo skatistas de todo o mundo.


 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Se...

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Se soubéssemos como tudo poderia mudar em dois meses, talvez tivéssemos estado mais atentos. Ou talvez não...


Se desconfiássemos que o cenário era pior do que parecia, talvez não tivéssemos desvalorizado tanto. Ou talvez não...


Se a minha mãe fosse pessoa de se queixar, ao invés de guardar e calar, talvez as coisas pudessem ter sido diferentes. Ou talvez não...


Se ela fosse pessoa de ir regularmente ao médico, talvez se pudesse ter previsto, ou prevenido, a situação. Ou talvez não...


Se soubéssemos que ela não comia pouco por mera falta de apetite, mas por algo mais, talvez tivéssemos agido mais cedo. Ou talvez não...


Se tivéssemos percebido que não lhe custava a falar por simples falta de um dente ou outro, mas por outra situação mais grave, talvez tivéssemos ganhado tempo. Ou talvez não...


Se não tivéssemos sido tão ingénuos, ao acreditar que as coisas eram menos graves do que são, talvez não estivéssemos agora tão desesperançados. Ou talvez não...


Se ela não se recusasse terminantemente a ir ao hospital e ficar internada, talvez não estivéssemos neste dilema. Ou talvez não...


Quem sabe, se ela fosse, houvesse um hipótese de ser tratada, e reverter a situação. Ou talvez não...


Se...


Se...


Se...


 


A vida é feita de "se's". E não nos podemos agarrar a eles, como argumento, ou como desculpa.


As coisas são como têm de ser. E nem sempre está nas nossas mãos evitar o pior, ou conseguir o melhor.


Há situações em que não existem decisões melhores, ou piores.


Não existem respostas certas, nem erradas. O que será bom, ou o que será mau.


Existem opiniões diferentes, maneiras de estar diferentes, mas que têm em comum um mesmo fim: querer o melhor para os nossos. Ainda que esse "melhor" chegue de perspectivas diferentes.


As pessoas podem dizer muita coisa, aconselhar, dizer que, no mesmo lugar, fariam isto ou aquilo. 


E, ainda assim, nada disso importa, quando a pessoa mais interessada em ficar bem, está consciente, e capaz de tomar a sua própria decisão. Que vai no sentido contrário.


 


Há cerca de dois meses, a minha mãe ainda estava activa, mais ou menos bem, para a idade.


Depois, algo aconteceu. Algo de que não nos apercebemos.


O médico suspeita que tenha sido um AVC. Mas não pode afirmar com certeza.


Desde então, ela começou com dificuldade em falar. Mas ainda se mexia bem.


Desde então, ela começou a comer cada vez menos. Mas dizia sempre que só comia o que tinha vontade.


E nós deixámos andar. Não vimos. Às vezes, só vemos o que queremos ver, ainda que inconscientemente.


 


O meu pai queixava-se. 


Mas dizia que não valia a pena marcar consulta, que ela não ia.


E as coisas foram agravando.


Na passada semana, estive de férias.


Levei-a ao médico. Consulta de urgência, porque se estivesse à espera da médica dela, só para Outubro.


O médico queria mandá-la para Santa Maria. Ela recusou.


Lá passou umas análises para fazer, e uns suplementos de dieta hipercalórica, para ajudar.


No dia seguinte, foi fazer as análises. Quase não lhe conseguiram tirar sangue.


 


Está completamente desidratada, e desnutrida.


Precisa de ajuda para subir e descer degraus. Para andar. Para sentar e levantar. Para fazer a higiene. Não consegue comer grande coisa.


Quinta-feira, consulta particular de medicina geral. Para tentar alternativas, soluções que não fossem contra a vontade dela.


Internamento em casa, só depois de passar pelo hospital, de ficar lá uns dias e de se averiguar o que tem, e qual o melhor tratamento a seguir. Ela recusa. Sem esse primeiro passo, não há mais nenhum.


O médico aconselhou a comer papas Cerelac. Uma espécie de "engorda", para ver se não emagrece ainda mais, ainda que já só tenha 29 kilos.


Mas avisou logo: ou ela vai para um hospital, ou "está para breve".


 


Ela não quer ir para um hospital.


Quer estar em casa.


Ouviu dois médicos, e nenhum a fez mudar de opinião.


Tentei perceber os receios dela. Se estava a desistir de viver. Se achava que já não tinha hipóteses, e preferia estar junto da família. Se o problema era ver-se lá sozinha, e deixar-se ir psicologicamente. Não fala. Não quer ouvir falar.


Explicámos-lhe que em casa pode não conseguir recuperar. Pode acontecer alguma coisa. Pode piorar de dia para dia. Pode mesmo ter que ir parar a um hospital, e depois ser tarde demais. 


Mantém a decisão. E diz para sossegarmos.


Irrita-se com a conversa.


 


Mas, se não tocarmos no assunto, fala de outras coisas. Até se ri.


Vê televisão.


Ainda põe as gotas nos olhos para controlo da tensão ocular.


Vai andando, lá por casa. Embora não saibamos como se aguenta em pé.


 


E nós, respeitando a sua decisão, estamos à espera, não do "se", mas de quando acontecerá o que não queremos. Porque o mais certo é acabar por acontecer.


E quem nos garante que, indo para um hospital, não seria igual?


Pois...


 


Por isso, apesar de tudo, não descurem a saúde. 


Não menosprezem ou desvalorizem os mínimos sinais. Por mais inocentes ou inofensivos que possam parecer.


Quanto mais cedo se conseguir detectar e agir, mais se poderá evitar.


Fiquem atentos a quem não se queixa. A quem esconde a dor. A quem tende a disfarçar as situações.


Porque são essas as pessoas que, muitas vezes, exigem uma maior preocupação.


 


Esqueçam os "se's".


Esqueçam as "chantagens emocionais".


Ponham-se no lugar da pessoa.


Tentem perceber o que vai na mente dela.


Oiçam o vosso coração.


E façam o que acham melhor. Ainda que se venha a constatar que não o foi.


 


Não é fácil vermos alguém que nos criou, que esteve sempre ali para nós, nesta situação.


Uma pessoa que, há uns anos atrás, cuidava da neta. Do marido. Ajudava os filhos como podia.


Pela primeira vez, em 42 anos que tenho, vi o meu pai ir abaixo, e chorar. De tristeza. De impotência.


Ele, que tanto dizia que a minha mãe tinha que estar preparada, para quando ele partisse, arrisca-se, agora a vê-la partir primeiro.


Encaramos cada dia como se fosse, literalmente, o último. Porque um dia poderá ser mesmo.


Mas, até lá, está com a família, na sua casa, no seu ambiente, com os seus programas de televisão, a fazer um esforço para comer o pouco que passa, como decidiu... 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 20 de julho de 2021

Praia dos Coxos, em Ribamar

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Numa semana em que quase tudo aconteceu, incluindo um telemóvel avariado, várias fotografias perdidas, um carro na oficina, e alguns problemas de saúde, ainda conseguimos dar um passeio pelas arribas da Praia dos Coxos, em Ribamar.


E, para experimentar a qualidade fotográfica do telemóvel novo, aqui fica o registo!


 


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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Katla, na Netflix

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"Katla" poderia ser uma série sobre o vulcão subglaciar da Islândia.


Ou poderia ser uma série de suspense, e ficção científica, sobre o mistério que se esconde por detrás do surgimento de pessoas cobertas de cinza que, numa situação normal, não sobreviveriam. De pessoas iguais, como se de clones se tratassem. Ou das mesmas pessoas, em épocas diferentes.


Até poderíamos ir para o campo do sobrenatural, em que os mortos, de certa forma, ressuscitam.


Onde há lugar a lendas, mitos e segredos que, por vezes, é melhor não serem descobertos.


Ou sobre religião. Anjos? Demónios? Haverá, em tudo aquilo que está a acontecer, a mão de Deus? Ou nem por isso?


 


Mas "Katla" não é apenas sobre isso.


Aliás, é muito pouco sobre isso.


 


"Katla" é, sobretudo, sobre um reconciliar com o passado.


E, com ele, uma nova oportunidade no presente.


É sobre poder emendar o que não está bem. Sobre poder esclarecer o que ficou por dizer.


Sobre tomar consciência dos erros. Daquilo em que a vida se transformou. Ou foi transformada.


 


"Katla" é sobre aceitação. Constatação. Perdão.


Sobre ultrapassar os traumas. E seguir em frente.


Tudo o que aconteceu ao longo da série teve um propósito. 


E esse propósito foi, quase na sua totalidade, cumprido.


 


Um ano depois da erupção do Katla, e do desaparecimento de Ása, irmã de Gríma, esta vive uma crise no casamento, para além de estar a recuperar de um esgotamento que teve na altura em que procurava a irmã.


Um ano depois, aparece uma mulher coberta de cinza, em hipotermia, afirmando ser uma mulher que, na realidade, trabalhou ali há 20 anos atrás mas, para ela, é como se fosse no tempo presente.


No entanto, a "verdadeira" Gunhild está mais velha, como é óbvio, e vive na Suécia com o filho. Então, quem é esta mulher?


Mais tarde, outra mulher coberta de cinza aparece. Desta vez, é Ása, que todos julgavam morta, apesar de o corpo nunca ter aparecido.


O que é mais difícil de acreditar é que Mikael, o filho de Darri e Rakel, falecido há três anos, esteja vivo, e tenha aparecido naquele lugar.


Surge também uma versão mais nova de Magnea, a mulher de Gísli, que está acamada e em estado terminal.


E, por último, uma segunda Gríma, igual à original, mas muito melhor psicologicamente, e com muita vontade de viver a vida e o amor por Kartjan que, a legítima, parece ter esquecido.


Com o surgimento de cada uma destas misteriosas criaturas, descobrem-se segredos há muito guardados, e muitas vidas irão mudar. Umas para melhor. Outras nem tanto.


Ainda assim, eram mudanças necessárias.


 


No fim, tudo parece ter seguido o seu rumo.


Mas novas figuras, nascidas no vulcão que, segundo Darri, esconde um meteorito capaz de gerar criaturas humanas, estão a caminho de Vík, o que deixa em aberto uma segunda temporada.


 


Uma série que vale a pena ver!


 


 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Desafio dos Pássaros 3.0 #6

Atividade física idosos: vetores de stock, imagens vetoriais, desenhos  gráficos | Depositphotos


"Toc Toc", ouviu-se na porta de uma das casas da Ilha dos Sonhos.


- Quem é?


- É a Xana!


Vem à porta uma senhora com os seus 60 anos, cansada e suada.


- Olá Xaninha, entra. Desculpa o meu estado, mas estava aqui a praticar uns polichinelos para ver se abato estas gordurinhas.


- Oh dona Peraltina, a senhora não tem gordurinhas! Mas faz bem em praticar exercício físico. 


- Pois faço Xaninha. E ando em dieta também. Aqui neste corpo não entram mais processados. Só alimentos naturais.


- Então, mas desde quando é que a dona Peraltina anda assim tão preocupada com a sua saúde? Foi alguma recomendação médica?


- Qual médico, qual quê! Então, tu não sabes?


- Não sei o quê, dona Peraltina?


- Então, aquele outro lá da Microsoft anda a vender um software que dá para criar comida como a verdadeira. Até dá para imprimir em 3D e tudo, vê lá tu ao que chegámos!  


- É verdade que já se anda a estudar essa possibilidade. Mas é para que os nossos recursos naturais não se esgotem. 


- Eu não quero saber de nada disso. Vá que ainda aquilo vem com vírus, e me dá cabo do sistema todo.


- Oh dona Peraltina, a senhora lembra-se de cada coisa!


- É verdade, Xaninha. Até dizem por aí que quem comer aqueles alimentos passa a ser controlado lá pelas máquinas. Deve ser de alguma coisa que põem lá para dentro. Mas comigo não se safam.


- A senhora não devia dar ouvidos a boatos. Há por aí muitas teorias da conspiração!


- Se é conspiração ou não, a mim é que não me tramam.


- Mas deixe lá, dona Peraltina, que isso ainda não é para já. Ainda pode comer à vontade.


- A sério?! Então tenho que combinar com a minha comadre irmos ali ao McDonalds!


- Então, mas a senhora não tinha dito que não comia mais nada processado?!


- Ora, Xaninha, McDonalds não é comida processada.


- E olhe que dizem que os alimentos de lá têm qualquer coisa que torna as pessoas viciadas e dependentes.


- Ah, Xaninha! Isso são tudo teorias da conspiração!


 


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quinta-feira, 15 de julho de 2021

Eram felizes, e não sabiam...

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Eram miúdos.


Brincavam na rua. 


Corriam pelos montes.


Aventuravam-se...


 


Caíam, e levantavam-se.


Mesmo com um joelho esfarrapado, ou um braço arranhado.


Não tinha importância.


 


Mergulhavam no tanque.


Tomavam banho à mangueirada.


Que importava?! Queriam era refrescar-se!


 


Madrugavam. Com o nascer do sol.


Acordavam ao som dos animais. 


Aqueles com quem conviviam, até irem parar ao prato. 


 


Alimentavam as galinhas.


Passeavam as cabrinhas.


Bebiam leite das vacas.


 


Corriam atrás das borboletas.


Fingiam caçar os pássaros.


Sonhavam ao ver os pirilampos.


E chegavam, ao fim do dia, cansados.


A olhar o céu estrelado, antes de fechar os olhos.


 


Ali, eram como uma grande família.


Uma família onde passavam os verões. As férias. Ou o ano inteiro.


Uma família com a qual cresceram.


Os pais, os tios, os avós, os vizinhos.


 


Os mimos.


A comida especial.


O aconchego.


 


Mas, um dia, quiseram partir.


Ou tiveram que partir.


E tudo mudou.


 


Os anos passaram.


Os avós, partiram. 


Os tios, partiram.


Os pais, partiram.


Alguns vizinhos, partiram.


 


Alguns miúdos, agora adultos, tentaram manter a ligação. A tradição. As memórias. 


Tentaram diminuir o efeito do tempo. Honrar a família.


E preservar aquele que será, sempre, o seu verdadeiro lar.


Onde podem reencontrar a felicidade, a paz, a tranquilidade.


A sua essência. As suas raízes. 


 


Outros, afastaram-se de vez.


Quebraram a ligação.


Abandonaram o passado, e não fazem ideia de lá voltar.


E, com esse abandono, com esse esquecimento, tudo o que lhe dizia respeito se foi degradando. aos poucos.


Tudo se foi perdendo.


 


No seu lugar, restam as lembranças de quem ainda por lá anda. As saudades de quem ainda por lá vai passando.


Quem sabe, um dia, a vida não volta àquelas casas, àquelas terras, àquelas gentes?


Quem sabe, os filhos pródigos não voltam, ao lugar onde eram felizes, e não sabiam, na esperança de agora, sabendo-o, voltar a ser...


 


 


Imagem de Nellya Brito


Este texto surgiu na sequência da imagem da Nellya. Mal a vi, vieram-me várias reflexões à mente.


A Nellya desafiou-me a escrever uma delas. E aqui está!


 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

É o mundo que está perdido, ou nós que nos perdemos nele?

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O mundo está louco. Virado do avesso.


Ou, então, somos nós, que vamos enlouquecendo, com tudo aquilo com que nos deparamos à nossa volta.


O mundo está perdido. Sem rumo.


Ou, então, somos nós que estamos perdidos, nesse rumo para onde nos arrastam, sem que o tenhamos escolhido.


Muitas vezes, a vida atira-nos para o “olho do furacão”, para o meio da tempestade.


Prende-nos na “montanha-russa”, e faz-nos andar em velocidades e perigos vertiginosos, sem opção.


Ou, então, obriga-nos a assistir a um “filme de terror”, no qual não temos como intervir para salvar aquelas personagens que estão a vivê-lo.


Muitas vezes, só queremos que pare. Que acabe. Que chegue ao fim, e nos seja possível libertar, fugir para bem longe.


Só queremos que a maré nos arraste até à areia, onde não haverá mais perigo.


Refugiar no nosso porto de abrigo, onde nos sentimos seguros. Na nossa bolha protectora.


Onde o sol ainda brilha.


Onde a sanidade ainda prevalece.


Onde a paz ainda é a constante...

terça-feira, 13 de julho de 2021

"O Poder das Pequenas Coisas", de Jodi Picoult

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Racismo.


Este é o tema central da história, inspirada num acontecimento real,  que Jodi Picoult quis abordar levando-a, porém, para um caminho e desfecho diferente.


 


Serão, as pessoas brancas, racistas por natureza?


Acredito que todos sejamos um pouco racistas. Não especificamente, os brancos em relação aos pretos, mas de uma forma geral. Muitas vezes, sem nos darmos conta. Em pequenas coisas, ou situações. Ainda que sem aquela intenção inerente de "agredir", de menosprezar, de diminuir os outros.


Todos nós podemos discriminar, ou ser discriminados, por qualquer uma das nossas características, seja ela física, cultural ou qualquer outra.


 


Serão, as pessoas brancas, privilegiadas à nascença, e ao longo de toda a sua vida, apenas pela sorte de ter nascido com esse tom de pele?


Sim, há pessoas que, mesmo não tendo feito nada para tal, acabam por ser privilegiadas por diversos motivos, como o local onde nasceram, a riqueza, o tom de pele, a religião e por aí fora.


Mais uma vez, não é um exclusivo das pessoas brancas.


 


No entanto, esta história é sobre pessoas brancas, e pessoas negras.


Sobre oportunidades, e privilégios.


Sobre aquilo que é tido por adquirido, e aquilo pelo qual se tem que lutar.


Sobre aceitação. Sobre poder de encaixe. Sobre resiliência e resignação.


Sobre ouvir, calar e perdoar.


Sobre desvalorizar, ainda que se tenha que anular.


Sobre pré julgamentos.


Sobre direitos. E deveres.


 


E, se é verdade que pessoas negras, como Ruth, estão em clara desvantagem, por conta de um sistema que aí as coloca à partida, de racistas activos, que fazem questão de mostrar o seu ódio, e de racistas passivos, que não questionam e nada fazem para mudar o sistema, também é verdade que esse "racismo" não é, de todo, unilateral.


Por outro lado, não se deve julgar o todo pela parte. E descarregar frustração, e anos de discriminação, apenas por serem negros, culpando os brancos, não deixa de ser, também, uma prática implícita de racismo.


Sim, podem não ter facilitado as coisas, podem não ter desbravado o caminho, podem ter ficado alheados ou abster-se de intervir.


Mas a culpa não recai sempre, e só, sobre uma das partes envolvidas. Sobretudo, se a outra não se impuser, não lutar, não se aceitar, não se valorizar. Se passar o tempo todo a agir como inferior. A acreditar que o seu lugar é a servir, e não a ser servido. Se passar o tempo todo a querer ser como aqueles que acusa de racismo, e a tentar encaixar-se no meio deles, em vez de mostrar o que vale, e se orgulhar da pessoa que é.


Cada vez mais as pessoas, ao querer estar um pouco em cada um dos lados, acabam por nunca estar em nenhum deles, nem pertencer verdadeiramente a nenhum deles.


 


Posto isto, e no que respeita à história em concreto, não há dúvidas de que Ruth, uma enfermeira negra com mais de vinte anos de experiência, é vítima de racismo.


Primeiro, por parte de Turk e Brit, dois brancos supremacistas que exigem que Ruth não volte a tocar no seu bebé, apenas porque é negra, sem qualquer outra queixa a nível de atendimento e trabalho enquanto enfermeira.


Depois, por parte da chefe que, atendendo ao pedido dos pais, e querendo salvaguardar o bom nome do hospital, acede ao pedido, sabendo que ela é das enfermeiras mais qualificadas e profissionais que ali trabalha.


E, por fim, quando o bebé morre, e Ruth é acusada de homicídio. Porque alguém tinha que ser sacrificado, em detrimento do hospital, e ela era o bode expiatório perfeito.


Porque, se ela cumpriu as ordens da sua superior, e não auxiliou o bebé porque a tal não estava autorizada, agiu mal e pôs em risco a vida do bebé. Ou então, ela ignorou essa ordem, prestando auxilio, e não o fez como deveria, levando à morte do bebé. 


Estes são os argumentos que vão ser levados a tribunal, para dá-la como culpada. Para além do óbvio, que os pais do bebé veem: é negra, logo, culpada.


Ruth terá que provar que tudo fez para salvar o bebé e que, o que quer que tenha feito, não o foi por vingança, ou retaliação por ter sido vítima de racismo.


 


Quando as pessoas vivem demasiado tempo oprimidas, com questões por resolver, com palavras caladas e atitudes contidas, é normal que, um dia, a coisa descambe, e elas saiam fora dos eixos.


Por vezes, é libertador. É inofensivo. E funciona, permitindo seguir em frente.


Outras, leva a caminhos mais sombrios, a violência gratuita, a culpabilização de terceiros, para evitar a autoculpabilização.


Penso que Ruth e Turk representam bem estes dois opostos.


Ruth quer soltar a voz que durante anos calou, e falar do racismo de que é vítima, acabando por mostrar um pouco do seu racismo contra os brancos, ainda que isso lhe tenha saído no calor do momento.


Já Turk e, sobretudo, Brit, mostram às claras aquilo que defendem, o seu ódio aos negros, e chegam mesmo às ameaças.


Tudo indica que, se não obtiverem justiça de uma forma, a farão por sua conta, de outra.


 


Mas, um dia, tudo pode mudar.


A vida gosta de, quando menos esperamos, mostrar a sua ironia.


A hipocrisia por detrás da inflexibilidade.


A essência por debaixo da capa


E provar que as pessoas podem mudar.


Seja para pior. Ou para melhor...


 


 


 


 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Elite - 4ª temporada

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Ainda antes de começar a ver esta quarta temporada, já as críticas negativas me chegavam aos ouvidos. E não eram poucas!


Mas, como gosto de ser eu mesma a avaliar, e porque tenho vindo a acompanhar todas as temporadas, comecei a ver.


 


Com a saída da Nádia, da Carla, do Valério e da Lucrecia, houve necessidade de trazer caras novas para o colégio, que proporcionassem novas aventuras e dilemas.


É dessa forma que ficamos a conhecer Ari, Patrick, Mencía e Phillipe, os novos alunos de Las Encinas. 


Os três primeiros, são filhos do novo director do colégio, Benjamín, que vem substituir Azucena, a mãe do Ander.


 


Pode parecer estranho, mas eu gostei do Benjamín.


É pai. Viúvo. Com três adolescentes a seu cargo. Age muitas vezes como pai e, por isso, nem sempre percebe que não é disso que os filhos precisam. Ou talvez sejam eles que não percebam que é, precisamente, disso que eles precisam, e por isso se afastam, sem que ele consiga ter mão neles.


Pelo menos, em Patrick e Mencía, os mais rebeldes, que só lhe dão problemas.


Ari é, apesar de tudo,  a mais certinha, e aquela na qual ele projecta as suas esperanças, exercendo uma certa pressão que também não é saudável.


Conseguirá Benjamín, um homem que nem dos filhos dá conta, pôr ordem no colégio? Lidar com todos aqueles alunos? Talvez não...


No entanto, à medida que os episódios se vão sucedendo, mais empatia criei com ele, e mais ele vai mostrando que não é aquele ditador que parecia ter mostrado ao início.


 


O trio Omar, Ander e Patrick


Confesso que não gostei desta abordagem.


Omar e Ander já tinham a sua história, o seu amor reconquistado.


A chegada e interferência de Patrick veio, de certa forma, mostrar os homossexuais como instáveis, inconstantes, promíscuos. Faz parecer que, apesar de até poderem gostar do seu parceiro, precisam de outros para se satisfazer e ser felizes.


Pelo amor da santa! O Patrick chega, e o Ander fica logo apanhadinho, a ponto de terminar com o Omar. Já este, a certa altura, também acha que está apaixonado por Patrick. Mas logo de seguida já clareou as ideias, e já tem certeza de que quem ama mesmo é Ander. E Ander, afinal só queria sexo com Patrick, porque ama Omar mas, apesar disso, acha que ainda é novo e tem que viver novas experiências.


Mas pronto, vamos acreditar que isto é só a adolescência a falar mais alto.


 


Rebeka e Mencía


Depois da desilusão com Samuel, Rebeka não quer nem sequer falar com ele. E tão pouco está virada para novas relações. Mas Mencía vai quebrar algumas dessas barreiras.


Apesar de gostar de as ver juntas, e de gostar da personalidade de cada uma destas personagens, também não gostei da abordagem.


Pareceu um pouco o querer mostrar "se os homens te desiludirem, vira-te para as mulheres". A Mencía surge como um "prémio de consolação" para Rebe. Por outro lado, a Rebe parece mais uma forma de Mencía desafiar o pai, a vida e a sorte.


Mas, lá está, são adolescentes, e estão na idade da descoberta, e das experiências.


Vamos ver como correm as coisas, na quinta temporada, entre ambas.


Mas gostava que a Rebe tivesse mais sorte do que até aqui.


 


Cayetana


Bem...


Que grande evolução da Cayetana!


A par com a Rebe e a Mencía, é uma das minhas personagens favoritas nesta temporada.


Quase nem acreditamos que ela, um dia, não foi assim.


Onde anda a Cayetana que queria ser rica à força? Que estava disposta a tudo para conseguir o que queria?


Afinal, Cayetana é muito mais do que isso e, como diz Ari, a determinada altura, ela "tem talento, e tem dignidade".


Continua Caye!


 


O príncipe Phillipe


Não gostei dele.


Há ali qualquer coisa que ele esconde, e não me cheira.


Talvez seja excesso de protecção, por ser quem é. Talvez seja de si mesmo. Ou talvez tenha sido da educação que a mãe lhe deu.


A certo ponto, ele terá que assumir a sua parte da responsabilidade, mas é certo que não é exclusiva dele.


Phillipe acaba por ser um jovem só, sem amigos, e de quem a maior parte se aproxima apenas por interesse.


Apaixona-se por Cayetana, mas as coisas não vão correr como ele esperava. Talvez em outros tempos, fosse possível. Mas não agora.


 


O trio Samuel, Ari e Guzmán


Foi-se embora a Lucrecia, veio a Ari.


E os dois amigos vão andar mais parvos que nunca, num disputa pela atenção e amor desta, que pode pôr em causa a sua amizade, quando as velhas diferenças de classe, e acontecimentos do passado, já ultrapassadas, voltam a fazer-se sentir.


É certo que Samuel não tinha, propriamente, uma relação com Carla. E Guzmán e Nadia terminaram o seu namoro à distância.


Mas valerá tudo, por uma mulher? Valerão golpes baixos e sujos? Sobretudo por uma que não sabe o que quer, e vai brincando com os dois?


 


Então e, afinal, o que aconteceu nesta quarta temporada?


Ari é encontrada no lago, insconsciente, na noite da passagem de ano.


Não se sabe se viva, ou morta.


E todos são suspeitos! Outra vez!


Haverá um crime e, de novo, os amigos terão que se unir, para se proteger.


 


O último episódio vale a pena.


As emoções tomam conta das personagens, e dos espectadores.


Finalmente, o amor e a amizade falam mais alto, e são tomadas decisões difíceis, mas necessárias, e mais adultas do que até então.


E tudo está bem, quando acaba bem. Ou será que ainda não acabou, e a quinta temporada virá ressuscitar fantasmas adormecidos?


Uma coisa é certa: neste final da quarta temporada, dizemos adeus a Guzmán e Ander. Com alguma pena minha.


 


Assim sendo, com muitas passagens para a frente, em excessivas cenas de sexo que não servem para mais do que ocupar tempo, que poderia ser utilizado de forma mais proveitosa, a quarta temporada segue a mesma linha das temporadas anteriores, e vale a pena ver os 8 episódios que a compõem.


 


 


 


 


 

sábado, 10 de julho de 2021

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Decisões...

15 frases que te farão pensar sobre a vida


 


Porque é que tantas vezes as evitamos?


As adiamos?


 


Porque é que, tantas vezes, tentamos contorná-las?


Empurrá-las para outra pessoa?


 


Porque as tememos tanto?


Porque receamos tanto as suas consequências? Os seus efeitos?


Porque evitamos tanto assumir essa responsabilidade?


 


Nem sempre é fácil tomar decisões.


Nem sempre há decisões fáceis de tomar.


Ainda assim, é preciso tomá-las.


Tomar decisões implica coragem. Determinação. Que nem sempre temos.


 


Há inações que esperam acções.


Há momentos que pedem decisões.


Há pedidos ocultos que apelam a decisões.


Há silêncios que gritam por decisões.


Há urgências que obrigam a decisões.


 


A decisão que tem de ser tomada, neste momento, é necessária, ainda que não consensual.


De um lado, está o respeitar da vontade do outro. O não querer agir, para não melindrar. O acatar do desejo do outro, se isso o faz sentir melhor. Ainda que, na prática, lhe esteja mesmo a fazer pior.


De outro, está o agir o quanto antes, de forma radical, para evitar o pior. Ainda que, fazendo-o, se vá contra a vontade e desejo do outro, e se arrisque a, na ânsia de querer o melhor, levar ao pior.


E, no meio, está o tentar conseguir alguns progressos, o tentar respeitar a vontade, ainda que com algumas cedências, para que o pior não chegue nem de forma passiva, nem de forma activa, mas sem certezas de, nesse tempo, conseguir melhorar o que quer que seja. O que, provavelmente, poderá ser um arrastar negativo.


 


Pois, é difícil decidir...


Mas alguma decisão terá que ser tomada.


Antes que seja tarde demais.


Se não for já tarde demais...

A fragilidade invisível

Legendas para fotos sozinha pensativa - As Melhores Frases


 


O céu estava limpo…


Mas as piores nuvens não são aquelas que se avistam no céu. As que estão à vista de todos.


São aquelas que ensombram os pensamentos. Aquelas que ninguém vê e, ainda assim, estão lá.


 


E, aí, na mente, as nuvens, por vezes, ficam carregadas…


Por nada em particular… Por tudo, de uma forma geral.


Sem motivos concretos. Sem razões aparentes. Apenas pequenas partículas que, aqui e acolá, se foram juntando e formando a espessa nuvem.


 


Há dias em que se teria tudo para estar bem e, ainda assim, algo teima em assombrá-los.


Há dias que, por norma, seriam dias para se estar feliz e sair à rua. Para os celebrar. E, no entanto, as nuvens apelam a ficar em casa.


Há dias que convidam ao “barulho”. Outros, só querem o silêncio.


 


E há momentos em que percebemos quão frágil pode ser tudo aquilo que julgávamos forte.


Quão frágeis são aqueles alicerces que tomávamos por inabaláveis.


Como tudo se pode desfazer com um sopro.


É uma fragilidade invisível, que surge como um relâmpago, para nos mostrar que existe. Uma fragilidade que até pode voltar a camuflar-se, e deixarmos de a ver. Mas sabemos que está lá.


 


E, uma vez descoberta, vinda à tona, colocada a nu, o que fazer com ela?


Ignorá-la? Fingir que não existe?


Ou deixá-la ganhar forma, e força?


Encará-la de frente? Ou virar-lhe as costas?


Destruí-la, antes que seja ela a destruir?


Ou alimentá-la e tornar, quem a alimenta, ainda mais frágil que ela própria?


 


Será, essa fragilidade, necessária, para que se consiga perceber o que se pode esperar? O perigo a ela associado?


Será um aviso? Uma premonição? Um alerta?


Ou poderá, pelo contrário, a percepção dessa fragilidade acelerar a queda, que sempre se quis evitar?


Será, essa fragilidade, saudável e libertadora, relembrando-nos a vida?


Ou poderá ela transformar-se no veneno que, aos poucos, vai matando tudo à sua volta?


 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Centro de Interpretação da Vila de Mafra na Quinta da Raposa

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"A quinta tem uma história complexa e multifacetada.


Foi comprada pelo Barão do Resgate ainda no século XIX e depois transformou-se em Viveiro Nacional de Mafra, na época do combate à filoxera.


Sucederam-se os arrendatários até 1954, ano em que o conjunto foi adquirido e transformado em Seminário de S. Vicente de Paulo. 


Finda a ocupação religiosa, o edifício foi adaptado a Escola Preparatória e Secundária de Mafra, que funcionou até 1990, data em que foi adquirido pela Câmara Municipal de Mafra.


O espaço multifuncional albergou a CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, e alberga outros serviços cedidos a entidades exteriores, como a USEMA – Universidade Sénior de Mafra e Conservatório de Música de Mafra.


Integra, ainda, a Casa da Música Francisco Alves Gato, auditório que recebe variados espetáculos musicais."


 


Recentemente, serviu de laboratório para realização de testes Covid-19.


E, agora, é também na Quinta da Raposa que se encontra o Centro de Interpretação da Vila de Mafra e Centro de Interpretação das Linhas de Torres.


 


 


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Foi inaugurado no passado dia 26 de junho, na presença do presidente da Câmara Municipal de Mafra, e com as palavras do professor Manuel Gandra, perante uma pequena plateia que se encontrava no exterior, à espera do aguardado momento da visita.


 


 


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Será, certamente, mais um ponto obrigatório, para quem visita a vila de Mafra.


 


 


 

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