terça-feira, 31 de agosto de 2021

"Sweet Girl", na Netflix

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Um filme sobre perda, sobre desespero, sobre vingança.


No meio de negócios e interesses entre farmacêuticas, quem fica a perder são aqueles que dependem dos medicamentos que, ou são demasiado caros, ou são retirados do mercado, quando acessíveis, ou vêem o seu lançamento adiado. Para tarde demais...


Quando, quem deles precisava, já morreu por falta deles.


Mas, quem quer saber disso? São danos colaterais. Ninguém é culpado. Acontece.


 


No entanto, as famílias não pensam dessa maneira.


Existem culpados, e é preciso justiça para que sejam responsabilizados, e condenados.


E, se essa falha, há que fazê-la por conta própria, até ao limite.


 


Cooper e a filha vêem-se envolvidos num esquema em que há quem esteja disposto a matar, para que o mesmo não seja descoberto.


E eles são as próximas vítimas.


A única forma de não passar o resto da vida a fugir, e temer pela vida, é entrar na toca do lobo, e aniquilá-lo. Contra tudo, e contra todos. Nem que seja a última coisa que façam.


 


Só no fim se percebe que nada do que vimos até ali, é o que pensámos que estávamos a ver.


E, aí, torcemos ainda mais para que a família Cooper consiga, finalmente, justiça e paz.


Um filme a não perder!


 


 


 


 


 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Visita às Grutas de Alvados e Grutas de Santo António

Há muitos anos que não visitava as grutas, e como o meu marido e a minha filha nunca tinham lá ido, aproveitámos estas férias para vê-las.


Normalmente, as pessoas conhecem mais as de Mira D'Aire, mas eu prefiro estas duas, mais naturais.


 


Fomos primeiro às Grutas de Alvados, onde pudemos apreciar estas imagens:


 


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Umas pernas?!


 


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Uma cara?!


 


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Umas mãos?!


 


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Em seguida, seguimos para as Grutas de Santo António, igualmente bonitas:


 


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Uma medusa?!


 


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Um rosto?!


 


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Uma cabeça?!


 


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Estas fotografias não ilustram toda a beleza das grutas, mas já dão uma ideia do que por lá se poderá ver.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Foi preciso voltar à praia para perceber o quanto sentia falta dela!

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No ano passado não fui à praia.


Com o covid, as regras e as pinturas em casa, optei por não fazer praia.


Este ano, o tempo não anda muito convidativo e, mesmo em férias, a vontade não era muita.


Pensei que já não tinha aquele desejo tão grande e aquela paixão de antigamente.


Pensei que passava bem sem ir à praia mais um ano.


 


Até que, esta semana, fomos até ao Baleal.


E foi incrível perceber o quanto sentia falta de pisar a areia.


O quanto sentia falta do cheiro a maresia.


O quanto me fazia falta dar um mergulho no mar. Sentir o sal, e o sol, na pele.


Foi incrível perceber as saudades que eu tinha da praia, e quão bem ela me faz.


 


Foi bom relembrar aquilo que parecia já estar esquecido. Como um regressar às origens.


Um despertar de algo adormecido. Mas que está lá, e sempre estará, por mais que os anos passem, e a vida mude.

Foi E.L.A. que te levou

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Não foi fácil chegar a este diagnóstico que, ainda assim, não foi uma confirmação, mas antes a grande probabilidade daquilo que tinhas, e do que provocou em ti, até te levar de vez.


Primeiro, quando fizeste as análises, e vimos que as únicas alterações eram falta de vitamina B12, fomos pesquisar. Os sintomas coincidiam. Sendo assim, com os suplementos e vitaminas que comprámos, poderias melhorar.


Depois, o médico suspeitou de um AVC. Voltámos a pesquisar, e também batia certo.


Entretanto, após os exames pedidos pela Dra. Julieta, ficámos a saber que tinhas uma embolia pulmonar, e as glândulas da tiróide ligeiramente aumentadas.


Mas não havia nada que explicasse o porquê de não conseguires comer.


Daí teres ficado internada. Para te fazerem mais exames. Que não chegaram a ser realizados.


Mas a Dra. Sandra Brás, com quem falei e que me deu a triste notícia, apontou para esta doença de que já tínhamos ouvido falar, mas estávamos longe de imaginar que pudesses tê-la. Tu, que nunca ficavas doente.


 


Esclerose lateral amiotrófica (ELA)


“A maioria dos pacientes com ELA apresenta sintomas aleatórios assimétricos, consistindo em cãibras, fraqueza e atrofia muscular nas mãos (mais comum) ou nos pés. A fraqueza progride para os antebraços, ombros e membros inferiores. Fasciculações, espasticidade, reflexos tendinosos profundos hiperativos, reflexos extensores plantares, atitude desajeitada, rigidez do movimento, perda ponderal, fadiga e dificuldade em controlar a expressão facial ou os movimentos da língua ocorrem logo a seguir.


Outros sintomas incluem rouquidão, disfagia e fala arrastada; como é difícil engolir, a salivação parece aumentar e os pacientes tendem a se engasgar com líquidos.


Na fase tardia da doença ocorrem excessos de risos ou choro inapropriados, involuntários e incontroláveis. Sistemas sensoriais, consciência, cognição, movimentos oculares voluntários, função sexual, esfíncteres urinários e anais geralmente são poupados.


A morte geralmente é causada por insuficiência dos músculos respiratórios; 50% dos pacientes morrem dentro de 3 anos do início, 20% vivem 5 anos e 10% vivem 10 anos. A sobrevida > 30 anos é rara.


Na paralisia bulbar progressiva com ELA (variante bulbar da ELA), a degeneração e morte ocorrem mais rapidamente.


 


Paralisia bulbar progressiva


“Os músculos inervados pelos pares cranianos e tratos corticobulbares são predominantemente afetados, causando dificuldade em deglutir, engolir e falar; voz anasalada; redução do reflexo de vômito; fasciculações e fraqueza dos movimentos faciais e da língua; assim como fraqueza do movimento palatal. Aspiração é um risco. Um aspecto pseudobulbar com labilidade emocional pode ocorrer quando o trato corticobulbar é afetado.


Comumente a doença se dissemina, afetando segmentos extrabulbares, sendo então denominada variante bulbar da ELA.


Os pacientes com disfagia apresentam um prognóstico muito precário, e as complicações respiratórias associadas à aspiração resultam em morte em 1 a 3 anos.”


 


https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/dist%C3%BArbios-do-sistema-nervoso-perif%C3%A9rico-e-da-unidade-motora/esclerose-lateral-amiotr%C3%B3fica-ela-e-outras-doen%C3%A7as-do-neur%C3%B4nio-motor-dnms


 


No teu caso, pensamos que o que te afectou foi mesmo a variante bulbar da ELA.


Acreditamos neste diagnóstico e, sabendo-o, estamos gratos por não teres sofrido mais, porque era isso que te esperava se cá continuasses.


 


Curiosamente, a primeira entrevista que fiz para este blog, na rubrica "À Conversa Com...", foi com Bernardo Pinto Coelho, autor do livro "O Que Eu Aprendi com E.L.A", a quem também lhe foi diagnosticada esta doença - https://marta-omeucanto.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-bernardo-pinto-coelho-411833.


Há cada coincidência...


 


Fica aqui um pouco de informação sobre a doença, esperando que, de alguma forma, possa ser útil para ajudar outras pessoas que possam ter sintomas semelhantes, sem saber o que se passa com elas.


A melhor forma de diagnóstico é através de TAC, Ressonância Magnética e Electromiograma, entre outros exames.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Será a vida, realmente, aleatória?

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Excerto de uma conversa entre Alexis e Ander, no terceiro episódio das histórias curtas, da série Elite:


 


"A vida é aleatória, Ander.


Um dia tens saúde, no outro tens cancro.


Não faz sentido.


Gostamos de pensar que faz, que tudo acontece por uma razão. Mas não.


O cancro não é castigo nem a cura é um prémio.


Falamos de "vencer a batalha contra a doença".


Tretas.


Se achas que recuperaste porque lutaste e eu vou morrer...


Porquê? Não lutei o suficiente?


Perdi?


Não fuciona assim.


Mas gostamos de pensar que os nossos atos importam.


Que temos algum poder sobre o futuro.


A coisa mais fodida desta merda foi descobrir que não temos."


 


 


Será a vida, realmente, aleatória?


Será que tudo o que nela acontece é obra do acaso?


Como uma roleta russa, que nunca sabemos em que número irá calhar?


Como uma bala perdida, que nunca sabemos em quem, ou no quê, irá acertar?


Como uma bola que se tira de entre muitas?


Ou um bilhete, de entre todos os que o acompanham?


Como um sorteio permanente, em que temos tantas probabilidades de ter sorte, como de ter azar?


 


Será que queremos mesmo acreditar que temos algum poder, ou influência, no que quer que seja, mas não passa de uma ilusão?


De algo a que nos agarramos para ter esperança?


De algo que usamos como combustível, para não nos deixarmos ir abaixo?


 


Ou pelo contrário, as coisas têm, de facto, uma razão para acontecer?


Razões desconhecidas, e difíceis de entender ou explicar, que os mais cépticos se recusam a aceitar, porque tudo aquilo que os ultrapassa, e ao seu conhecimento, é visto como irreal e inexistente?


 


Existirá mesmo uma relação causa/efeito na vida, ou tudo acontece porque calhou acontecer?

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Devemos proteger os jovens da realidade, ou deixá-los ver e lidar com ela?

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Dizia-me, no outro dia, alguém que, por vezes, quando as famílias iam visitar os idosos nos lares, ou instituições, acabavam por permitir que os mais novos (netos/ bisnetos) não entrassem, porque eram novos, e não tinham que ver "aquilo". 


Há também uma grande tendência, no que respeita ao falecimento de familiares, para deixar os jovens em casa, ou com alguém que possa ficar com eles algumas horas, enquanto decorre o velório e funeral, porque poderia ser demais para eles, e não estarão preparados para tal.


Outras vezes, fugimos de certos temas, e pintamos uma realidade alternativa, para mascarar aquela que existe, como a dos sem abrigo, da violência, das guerras, das fomes, da miséria.


São jovens. Têm mais em que pensar. Não precisam de lidar com a dura realidade. 


Pois...


 


Não digo que, de forma totalmente oposta, desatemos a esfregar-lhes na cara a realidade.


Que os obriguemos, de repente, a ir para as ruas, ou para onde se passam as diversas problemáticas sociais, ou cenários menos coloridos, para que saibam como a vida é.


Que os forcemos a algo para o qual não estão preparados. Por vezes, nem nós estamos preparados.


Mas também não nos caberá, somente a nós, decidir isso.


Seeia bom ouvir os jovens. Saber qual é a sua vontade. O seu desejo. Se se sentem confortáveis.


Ou não, mas ainda assim querem ver e lidar com a realidade.


 


Se calhar, mesmo sem querer, somos nós que, muitas vezes, temos mais dificuldades em encará-la, e projectamos as mesmas nos jovens.


No entanto, eles não têm que ser iguais a nós.


E, se é verdade que não há necessidade de expô-los a tudo, de um momento para o outro, também há limites para a excessiva protecção que lhes queremos dar, alienando-os da realidade que, mais cedo ou mais tarde, lhes surgirá à frente, de uma forma ou de outra.


 


 


 


 

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

E já lá vão 10 anos de blogue!

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10 anos...


...de reflexões


...de parvoíces


...de partilhas


...de questões


...de desabafos


...de opiniões


...de brincadeiras


...de cumplicidades


...de emoções


...de escrita!


 

sábado, 21 de agosto de 2021

Desafio Tema Vida

Canteiro de Ideias: Setembro 2014


 


A Célia desafiou-nos a escrever um texto sobre o tema "Vida",


no âmbito da celebração do aniversário do seu blogue.


Esta é a minha participação:


 


"A vida é como uma contagem decrescente para o seu próprio fim.


Como um cronómetro, que se liga no momento em que nos é dada, e que um dia chegará ao zero.


Como uma ampulheta, que nos diz que o tempo está a passar e que, um dia, se esgotará definitivamente.


 


Quantas vidas temos nós?


Quantas vezes poderemos parar ou reprogramar o cronómetro?


Será possível virar a ampulheta da vida ao contrário, para termos mais tempo de vida?


 


A vida é um ciclo, com princípio e fim.


Se esse ciclo se renova, ninguém sabe.


 


A vida é um caminho, que nos é permitido percorrer e explorar.


A vida é um jogo que nos é permitido jogar.


A vida é, toda ela, uma experiência.


 


É um conjunto de sentimentos. De emoções. De acontecimentos que nos marcam, e nos definem.


É um conjunto de memórias que vamos guardando. De pessoas que vamos conhecendo. De lugares e coisas que vamos descobrindo.


A vida é algo que podemos gerar, mas sobre o qual, a partir desse momento, deixamos de ter qualquer poder.


 


Viver é amar, e ser amado.


É ser feliz, e partilhar essa felicidade.


É agarrar a oportunidade, que não sabemos se voltaremos a ter.


E fazer o que de melhor conseguirmos com ela.


Porque cada vida é única, e não se voltará a repetir."


 


 


Para verem todas as participações, espreitem o blogue aniversariante Raios de Sol!

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

À Conversa com Sara de Almeida Leite

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A convidada de hoje é Sara de Almeida Leite, autora da coleção de livros infantojuvenis "O Mundo da Inês", que já conta com 9 livros, estando o 10º a caminho.


Fiquem a conhecê-la um pouco melhor nesta entrevista!


 


 


 


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Para quem não a conhece, quem é a Sara de Almeida Leite?


Uma mãe de 3 filhos que adora, uma professora e escritora que também desenha e pinta (muito de vez em quando), uma pessoa que não sabe fazer nada sem entusiasmo, que ama a natureza e que se sente feliz com a sua vida, apesar de ser naturalmente pessimista.


 


 


A Sara é professora. Quais são os principais desafios que encontra no exercício da sua profissão?


Na minha prática, acho que o desafio maior é fazer com que os alunos sintam prazer em aprender.



Faço tudo o que posso para lhes transmitir um pouco do meu gosto, através do entusiasmo, da criatividade e do humor, mas nem sempre consigo e fico triste quando eles confessam que acham a matéria “uma seca”.



Outro desafio enorme é ajudar os alunos com mais dificuldade a serem bem-sucedidos. Também faço por isso, mas por razões várias nem sempre consigo e é uma angústia para mim ter de dar notas negativas, sobretudo a quem se esforçou.


 


 


Em que momento da sua vida surgiu a paixão pela escrita?


A minha paixão pela escrita é tão antiga quanto o meu domínio do alfabeto.


Assim que fui capaz, pus-me a escrever e nunca mais parei.


Não exagero se disser que passei grande parte da minha infância entretida a inventar histórias que ilustrava.


 


 


Quem são os seus autores de referência?


Tenho vários e são de dois tipos: os que escreveram obras admiráveis e incontornáveis, como Tolstoi, Cervantes, Shakespeare, Machado de Assis, Jorge Amado, Eça, Camilo, entre outros; e aqueles que, não sendo clássicos, me encantam muitísimo pelo seu estilo, pela forma única como sabem usar as palavras e comover-me: José Saramago (que talvez já possa ser considerado um clássico!), Rosa Montero, Julian Barnes e Mia Couto, por exemplo.


 


 


 


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Em que/ quem se inspirou para escrever a coleção de livros "O Mundo da Inês"?


Isto pode parecer estranho, mas inspirei-me em coleções que não li: as de Enid Blyton, passadas nos colégios internos (As Gémeas em Santa Clara e O Colégio das 4 Torres).



A minha filha adorava esses livros e eu resolvi escrever uma história com o mesmo tipo de enredo, para ela se entreter, numas férias em que havia pouco para fazer.



Sabia que a fórmula era simples e deixei-me guiar pela intuição. Como ela adorou o texto que escrevi, prossegui nessa linha!


 


 


Que feedback tem recebido relativamente aos vários livros editados?


Vou recebendo mensagens de mães e pais muito satisfeitos por verem que as filhas adoram a coleção e que fazem questão de me agradecer, porque fiz delas leitoras ávidas, quando antes tinham pouco ou nenhum interesse pelos livros.



Chegam a dizer-me que notaram melhorias no desempenho escolar, o que me faz muitíssimo feliz, naturalmente.


Também recebo mensagens de leitoras que me escrevem simplesmente para dizer que adoram os meus livros, o que é deveras gratificante.



Quando, nas minhas idas às escolas, me perguntam se já recebi alguns prémios literários, respondo com sinceridade que o melhor prémio, para mim, é esse retorno dos leitores, em primeira mão (literários nunca recebi nenhum!).


 


 


Por norma, é mais abordada nesse sentido pelos pais, ou pelos próprios adolescentes, que se reveem nas diversas situações descritas?


Como a plataforma que uso mais é o Facebook, que é mais para “cotas”, sou sobretudo abordada pelos pais (mães, na maioria), já que a juventude é mais dada ao Instagram e outras redes que eu nem conheço! Ainda assim, há muitas leitoras que utilizam a conta de Facebook das mães para me contactarem.


 


 


Nesta história, a Inês vai estudar para um colégio interno. Na sua opinião, quais são as vantagens e desvantagens deste tipo de ensino e vivência, comparativamente aos existentes noutro tipo de escolas?



Nunca estudei num colégio interno nem investiguei muito sobre o assunto, mas parece-me que o internato terá a desvantagem de constituir um meio fechado e mais limitado, do ponto de vista da convivência com pessoas provenientes de contextos socioculturais e económicos diferentes.



Quanto às vantagens para os estudantes, não sei se existem efetivamente, ou se são apenas imaginadas.


Sem dúvida que existe o “sortilégio” do internato, uma espécie de encantamento em relação a uma experiência que se idealiza, precisamente por não se ter vivido nessa realidade.


Nesse sentido, talvez se pense que a convivência permanente com os pares desenvolve um espírito de camaradagem, de entreajuda, etc. mas tenho dúvidas de que esse espírito se desenvolva a um nível mais elevado do que entre rapazes e raparigas que frequentem externatos e escolas públicas.


 


 


 



 

O grande companheiro de Inês é o seu cão, Bruno. Considera que os animais podem ter um papel fundamental na vida das crianças?


Sou a favor do contacto e da amizade entre crianças e animais, desde que sejam sempre fundados no respeito pelos bichos.


Estão amplamente documentadas e difundidas as vantagens de as pessoas em geral e as crianças em particular conviverem com animais, mas faz-me muita confusão que as famílias tenham cães, gatos, pássaros, coelhos, hamsters, peixes, etc. que tratam como objetos ou bonecos, isto é, que não respeitam como seres que precisam de liberdade, de movimento, de poderem comportar-se e viver de acordo com a espécie a que pertencem.


 


 


Ao longo dos vários livros, os leitores vão assistindo ao crescimento e evolução da Inês. Que conselhos deixaria para quem está a passar pela adolescência, e por todas as mudanças e receios que esta implica?


Confesso que prefiro coibir-me de aconselhar adolescentes, por vários motivos: primeiro, por não ter formação em psicologia, depois, porque cada jovem vive a adolescência à sua maneira e eu, como eu não me senti atormentada por mudanças nem receios nessa fase, receio não compreender bem as suas angústias; e finalmente porque cada vez mais me parece que muitos adultos têm “problemas da adolescência” por resolver, ao passo que muitos adolescentes são mais sensatos e sábios nas suas opções do que muitos adultos.



Eu própria não me sinto um modelo, um exemplo a seguir, para dizer a verdade.


Estou muito consciente dos meus erros e por isso não acho que tenha autoridade para dar conselhos aos jovens só por ser mais velha ou mais experiente.



 


 


Para além desta coleção, a Sara tem outros projetos em mãos?


Sim, vai ser lançada em setembro uma nova coleção, também da Porto Editora, com mais mistério e aventura, que eu desejo que venha a cativar também o público masculino.


Os protagonistas são um grupo de amigos (rapazes e raparigas) e uma cadela, que descobrem um ser misterioso que lhes confere poderes sobrenaturais...


 


 


O que falta, na sua opinião, à literatura em Portugal?


Não me atrevo a responder!



Leio menos de 40 livros por ano (muitos deles estrangeiros) e, como tal, não me sinto autorizada a referir-me à “literatura em Portugal”, sobretudo na atualidade (estudei Literatura Portuguesa, mas já foi há décadas!).



Há obras de que gosto muito, outras que não consigo acabar, mas quando sinto “antipatia” por um livro concluo que se trata de uma questão pessoal, de uma falta de identificação (como quando antipatizamos com uma pessoa) e não de uma falha, ou falta, na obra ou no autor.


 


 


Considera que os autores nem sempre fazem um bom uso da língua portuguesa na sua escrita?


É inevitável cometermos erros: somos humanos e os autores não são exceção!


Mas, como estudiosa da gramática, tenho a noção de que o conceito de correção linguística é muito “escorregadio”.


As gramáticas normativas regem-se pelo uso da língua que os autores consagrados fazem, mas eles nem sempre estão seguros das suas escolhas. Existe até uma história engraçada sobre o escritor Augusto Abelaira, que um dia teve uma dúvida sobre sintaxe e ficou desconcertado quando, ao consultar uma gramática, deparou com um exemplo de uso “correto” retirado de uma obra sua!


As gramáticas descritivas, por seu turno, baseiam-se no uso que os falantes fazem do idioma e esses usos, como sabemos, são frequentemente desviantes em relação às normas mais convencionais ou antigas.


Este assunto é muito interessante, mas dá “pano para mangas”, como se costuma dizer...!


 


 


Que conselho deixaria para quem se quer aventurar na escrita literária?


Acho que estas 5 dicas são as mais importantes:


1) leiam livros todos os dias, de preferência os que sejam recomendados por bons leitores, e sobretudo livros que vos entusiasmem e deem vontade de escrever;


2) escrevam todos os dias (um diário, notas, contos, qualquer coisa), mesmo sentindo que os vossos textos não são para aproveitar, porque a escrita flui melhor com o treino;


3) façam exercício físico, de preferência ao ar livre, pois o bem-estar psicológico depende do bem-estar físico;


4) fomentem o contacto social e as experiências culturais: convivam com pessoas de várias gerações, assistam a documentários, espetáculos, exposições, vejam filmes, séries, etc., pois a criatividade também depende desses estímulos;


5) reflitam e questionem-se sobre os grandes e pequenos dilemas da vida, formulem questões sobre o que acontece e tentem encarar os problemas como desafios ou testes à vossa capacidade para encontrar soluções.


 


 


A Sara irá estar presente na próxima edição da Feira do Livro de Lisboa. Onde poderão os leitores encontrá-la?


No stand da Porto Editora Kids, presumo. A sessão de autógrafos da coleção “O Mundo da Inês” está prevista para 4 de setembro às 17h.


E no dia 12 de setembro, também às 17 horas, estarei lá para o lançamento da coleção nova!


 


 


Muito obrigada, Sara!


 


Notas:



  • Não poderia deixar de mencionar a ilustradora Zita Pinto, que dá "vida" às diferentes personagens da coleção, fazendo um trabalho fantástico!

  • Para além da coleção de livros, existe também um diário "O meu Diário Incrível", que traz uma caneta de tinta invisível.


 


Imagens: Sara Leite, O Mundo da Inês

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A Última Carta de Amor, na Netflix

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Mal vi o anúncio deste filme, soube que queria vê-lo.


Ou não fosse ele inspirado no livro de Jojo Moyes.


Mas confesso que ficou aquém das minhas expectativas.


O filme, apesar do romance e da bonita e trágica história de amor, é um pouco entediante, monótono.


Dei por mim a torcer mais pelo romance entre a jornalista e o arquivista, do que pelas outras duas personagens principais.


 


Jennifer é uma mulher cheia de vida, independente, extrovertida, que teve a pouca sorte de casar com um homem que a limita em todos os sentidos, e que não lhe dá a mínima atenção, preocupando-se, exclusivamente, com os negócios, com as aparências, com o estatuto.


Talvez por isso não tenha resistido aos encantos de Anthony, o jornalista que iria entrevistar sobre o marido.


O seu amor foi pontuado por diversos encontros e desencontros, que resultaram numa separação de cerca de 40 anos.


 


Na actualidade, a jornalista Ellie encontra algumas das cartas enviadas por Anthony, a Jennifer, e vai tentar descobrir mais sobre esta história de amor e, quem sabe, voltar a juntar o casal.


Enquanto isso, ela própria lida com os seus medos, e foge de qualquer compromisso, mesmo quando percebe que Rory poderá ser a pessoa que a fará feliz.


 


A parte mais comovente do filme é, sem dúvida, o final, quando ficamos na expectativa se Jennifer, após todos aqueles anos e a sua recusa em falar do passado, comparecerá ao derradeiro encontro com o seu grande amor.


 


A título de curiosidade, o actor Harry Bernard "Ben" Cross, que deu vida a Anthony na actualidade, faleceu em Agosto de 2020.


 


 


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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

À deriva...

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Por vezes, sem nos darmos conta, acordamos um dia e sentimo-nos à deriva.


À deriva num imenso mar, sem terra à vista.


À deriva num imenso deserto, ou numa extensa floresta, onde não vislumbramos um único abrigo.


O nosso porto seguro, que sempre ali esteve, não existe mais. Desapareceu.


E nós, ficamos sem referência. Sem orientação.


 


Damos aos braços, para nos mantermos à tona. Mas não sabemos para onde nadar...


Caminhamos, porque de nada adianta ficar no mesmo sítio. Mas não sabemos para onde ir...


Remamos, mas não vislumbramos nada além de água...


Está tudo ligado mas, ainda assim, é como se um dos interruptores se tivesse desligado. E uma parte de nós deixasse de funcionar.


 


É provável que, neste desafio de resiliência e sobrevivência, venhamos a encontrar um novo porto seguro. Diferente do anterior, mas igualmente seguro.


É provável que, com o tempo, nos venhamos a adaptar a esta nova forma de viver. À mudança. Às circunstâncias.


 


É expectável que o tempo volte a pôr-nos a funcionar em "modo manual" mas, até lá, é como se nos tivessem colocado em "piloto automático".


Vivemos, mas não por inteiro.


Sentimos, mas apenas pela metade.


E o que quer que digamos, ou façamos, parece sair forçado. 


Porque tem que ser. 


Mas sem a vontade e o entusiasmo de antes.


Sem a energia de outrora.


 


Sentimo-nos à deriva...


E talvez nos deixemos levar pela corrente, pela maré...


Talvez nos deixemos levar pelo vento...


Talvez nos deixemos guiar por pontos imaginários...


Só para chegar a algum sítio, algum lugar...


Para poder descansar. E recuperar forças. 


 


Até que consigamos discernir entre ficar, ou partir, para outras paragens.


Com energia renovada, e pelo próprio pé.


 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

"Amor sem tempo", de Teresa Caetano

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"Amor sem tempo", porque não houve tempo para viver o amor...


"Amor sem tempo", porque o verdadeiro amor é intemporal, e permanece, independentemente do tempo que passar...


Pode um amor, ao qual não foi permitido ser vivido, ainda assim, continuar a existir no coração de cada um dos amantes, por décadas?


Nesta história, só Ana e Diogo poderão responder a essa pergunta!


 


Eles apaixonaram-se a partir do momento em que, realmente, se viram um ao outro, e enfrentaram tudo e todos para ficarem juntos.


Tinham muitos planos. Tinham projectos. Tinham sonhos a concretizar. Juntos.


Mas eram novos. 


E o que aconteceu a seguir teve força suficiente para, não só abalar a relação, como colocar-lhe um ponto final de uma forma que não foi justa para nenhum deles.


Diogo foi acusado de homicídio, e condenado a 25 anos de prisão. Tinha 18 anos. 


Por muito que tentasse, Ana não conseguiu acreditar, totalmente, que tivesse sido apenas um acto em legítima defesa. Afinal, todas as provas apontavam para a intencionalidade. E a testemunha ouvida também. 


E sabemos como a dúvida pode ser corrosiva. Arruinar sentimentos. Afastar as pessoas.


Neste caso, seria a dúvida, e toda uma vida perdida. Como poderia ela esperar 25 anos? Deixar a sua vida em suspenso?


 


Por isso, Ana seguiu o seu caminho.


Licenciou-se. 


Casou.


Teve filhos.


E empurrou o passado para um recanto escondido, de onde não pudesse ser desenterrado.


 


Enquanto isso, Diogo sofreu com saudades de Ana, mas teve que se adaptar, que ultrapassar a rejeição e a desconfiança dela, apoiando-se nas pessoas que nunca duvidaram dele, e estiveram sempre lá.


Entre eles, Jorge, o seu companheiro de cela, que se tornou o "pai" que, a determinado momento, o abandonou, e Vanessa, uma prima de coração, que esperou por ele todos os anos em que esteve preso, que o visitou todos os dias que podia, que o defendeu até ao fim, daqueles que o acusavam, tal como a tia Amélia.


 


"Amor sem tempo" é um livro que nos fala sobre caminhos errados, sobre sonhos desfeitos, sobre vidas destruídas.


Sobre pré julgamentos, sobre aparências e conveniências. Sobre identidade própria, e individual.


Sobre discriminação. Sobre elites e classes desfavorecidas.


Sobre "meninos mimados" armados em valentões, mas que não passam de cobardes.


Sobre como os erros podem transformar tudo numa fracção de segundos, e dar passagem directa para o "inferno".


Sobre como sobreviver, numa prisão, à solidão, ao desespero, às horas, meses e anos infinitos, sem perder a sanidade mental.


Sobre como esquecer um grande amor, e seguir com a vida.


Sobre encontrar objectivos a que se agarrar, para não cair de vez.


E sobre como, por vezes, pode haver redenção, segundas oportunidades, e uma mão do destino, que mostra a luz ao fundo do túnel, que dá uma nova esperança.


 


Mais cedo, ou mais tarde, a verdade virá ao de cima.


Mais cedo ou mais tarde, o passado regressará. Para resolver o que ficou pendente. Para restabelecer a ordem das coisas. Para ajustar contas com o presente.


 


A verdade é que Ana não esqueceu Diogo.


Tal como Diogo não a esqueceu.


No entanto, e apesar de terem agora a maturidade que não tinham na altura, cada um tem as suas vidas, os seus companheiros. Seria justo atirarem tudo ao ar, e ficarem juntos depois de todos estes anos?


Poderá este amor que não teve tempo de ser vivido, recomeçar do ponto onde parou, 20 anos depois?


Ou terão que se contentar com um amor que, não podendo ser vivido como gostariam, permanecerá eternamente nos seus corações?


 


Ao ler este livro, sinto que a autora voltou ao estilo a que já me tinha habituado.


Aquele que nos desafia as emoções, que nos enreda na história, que torna tudo mais real, ou não fosse a realidade descrita, aquela com a qual lidamos diariamente.


Recomendo, sem dúvida!


 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

O que faríamos de diferente se soubéssemos o nosso "prazo de validade"?

Il significato umano del tempo. Categorizzazioni culturali – Linda Armano


 


Aquilo que de mais certo temos na vida, é a morte.


Sabemos que ela a um dia virá.


Esperamos sempre que seja muito lá para a frente, quando formos muito velhinhos.


Ou então, nem sequer pensamos nisso. Porque não queremos sofrer por antecipação. Ou porque é algo tão certo e natural que, mesmo sem dar por isso, aceitamos como dado adquirido e passamos à frente.


 


A partir do momento em que nascemos, é accionada uma contagem decrescente, para um final que nunca sabemos quando chegará.


Mas...


E se nos fosse permitido saber?


Se nos dissessem, exactamente, quando o nosso tempo se esgotará?


O que faríamos de diferente, se soubéssemos o nosso "prazo de validade"?


O que mudaria? 


 


Deixar-nos-ia, essa certeza, mais descansados?


Viveríamos mais, e mais intensamente?


Aproveitaríamos mais cada minuto, cada hora, cada dia?


Faríamos tudo aquilo que, por norma, tendemos a adiar?


Daríamos mais importância ao que realmente importa?


Valorizaríamos mais os bons momentos?


Seríamos mais felizes?


 


Ou seria, pelo contrário, condenar-nos a uma permanente angústia?


Levar-nos a pensar constantemente no fim?


Não deixaríamos nós de viver?


Não nos entregaríamos nós à tristeza, à depressão?


Não ficaríamos nós obcecados com a nossa morte, sem aproveitar a vida?


 


Eu confesso que, por muito tentador que possa ser, saber quando chegará a nossa hora, prefiro permanecer na ignorância.


Prefiro não saber quando chegará esse momento.


Porque não saberia lidar com essa informação.


A não ser, claro, que estivesse doente e me restasse pouco tempo de vida.


Mas, numa situação normal, mais vale não saber quando o tempo se esgotará.

domingo, 15 de agosto de 2021

Não há uma sem duas...

Descolamento de Vítreo


 


Foi em Dezembro de 2014 que tive o descolamento do vítreo do olho direito.


Na altura, o médico disse que, provavelmente, dali a uns anos, poderia acontecer o mesmo com o olho esquerdo.


Desde esse momento deveria fazer uma vigilância regular, e tomar umas vitaminas para evitar problemas oculares.


Claro que depois de fazer o exame que ele me tinha passado, e perceber que estava tudo bem, nunca mais lá fui.


E tão pouco tomei as vitaminas, porque são extremamente caras, e não há dinheiro para o fazer diariamente, para o resto da vida, como era suposto.


 


Os anos foram passando, e nunca tive problemas nenhuns.


Ontem à noite, estava a passar umas fotografias para o computador, e notei que estava a ver umas luzes do lado esquerdo, tipo flashes, mas como tinha os óculos, achei que isso acontecia por eu me mover, e por conta da luz do candeeiro e do próprio computador.


No entanto, quando tirei os óculos, os flashes continuaram. Mesmo sem qualquer luz ligada.


Ao mesmo tempo, comecei a ver as tais "moscas volantes".


E só então me ocorreu: está a acontecer, é o vítreo a descolar do olho esquerdo!


 


Como não me afectou a visão, não estou muito preocupada porque, como já me tinha sido dito, o descolamento do vítreo, por si só, não prejudica em nada.


Mas tenho que marcar uma consulta de oftalmologia, para confirmar se foi mesmo só o vítreo que descolou ou se, ao descolar, fez algum estrago na retina, isso sim mais preocupante.


 


 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

À Conversa com Telma Nunes

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A convidada de hoje é Telma Nunes, autora do romance "A Justiça do Amor", recentemente lançado.


A Telma vive no Luxemburgo, e tem várias paixões, para além da escrita.


Fiquem a conhecê-la um pouco melhor nesta entrevista!


 


 


 


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Para quem não a conhece, que é a Telma Nunes?


Eu sou uma pessoa que gosta de coisas simples, não gosto de complicar a vida!


Sou amiga do meu amigo, mas quem me pisa, só o faz uma vez. Prefiro perder um amigo que uma oportunidade.


Adoro motas, e a liberdade que me proporciona, quando as conduzo. A minha prioridade é, e será sempre, a minha família, que inclui os amigos mais próximos, e que conquistaram o lugar deles na minha vida e na vida dos meus filhos.


 


 


A Telma vive atualmente no Luxemburgo. O que a levou a emigrar para lá?


Emigrei para o Luxemburgo em 2011, juntamente com o meu marido e as minhas duas filhas mais velhas, porque queríamos lutar por uma vida melhor e mais desafogada do que a que tínhamos em Portugal. Penso que é a razão que leva a maioria dos emigrantes a sair dos seus países de origem.


 


 


Sendo segurança de profissão, o que de melhor, e pior, destacaria no âmbito desse trabalho, e quais as principais diferenças relativamente a Portugal?


Eu adoro o meu trabalho, já o faço desde 2007.


Muitas pessoas acham que ser segurança é só "ficar ali, sem fazer nada", mas é muito mais do que isso.


É um trabalho exaustivo e que, no meu caso, me satisfaz em plenitude em termos profissionais.



O que de melhor há nesta profissão é o facto de podermos ajudar alguém e, de algum modo, fazer uma pequena diferença na sociedade que nos rodeia.


O pior é a falta de apoio e falta de métodos de defesa.



Porque existem certos postos em que corremos riscos à nossa integridade física, muitos deles contra certas armas, brancas ou de outro tipo, e nós, seja em Portugal ou no Luxemburgo, não somos autorizados a usar qualquer tipo, nem mesmo um spray pimenta, ou um taser que, na minha modesta opinião, seria o mínimo.


No Luxemburgo, apesar de tudo, sinto-me mais apoiada pelas forças policiais, que nos veem como um apoio, e não como inimigos, como muitas vezes senti em Portugal. Friso, mais uma vez, que se trata somente da minha opinião e que não generalizo, de forma alguma.


 


 


Como surgiu a sua paixão pela escrita?


A minha paixão pela escrita existe desde sempre.


Infelizmente, todos temos problemas e, eu não sou diferente.



A minha vingança sempre foi a caneta e o papel. Os meus desabafos, medos, angústias…


Sempre achei mais fácil escrever do que falar com alguém.



Um erro, talvez, mas ao menos no papel podemos "dizer" o que nos apetece sem ferir susceptibilidades.


 


 


Quais são as suas principais referências a nível literário?


Sempre gostei de ler, mas o livro que mais me marcou até aos dias de hoje, foi ‘Os Capitães de Areia” de Jorge Amado.


Ainda me lembro do que senti, a primeira vez que o ouvi há mais de 20 anos, quando uma professora que tive na escola preparatória, tirava sempre 15 minutos do fim da aula para nos ler um pouco, durante todo o ano lectivo.


 


 


 


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“A Justiça do Amor” é a sua primeira obra. Em que/ quem se inspirou para escrever este livro?


Neste livro, tive como intenção passar algumas mensagens.


A principal, e a que está mais "acentuada", é a violência doméstica que, infelizmente, e em pleno século XXI, continua muito presente.



As vítimas continuam com medo de denunciar e muitas ainda acham que a culpa é delas.


Neste caso, quis mostrar que podemos denunciar, podemos e devemos confiar em alguém.



Outros temas que abordo são as relações familiares e a importância delas.


A homossexualidade, ou até mesmo o facto de o dinheiro não comprar tudo, porque o Miguel, por exemplo, é um bilionário que está disposto a perder tudo, por amor.


 


 


Que feedback tem recebido relativamente a esta história, por parte dos leitores?


Dos leitores tenho tido uma aceitação muito maior do que esperava.


Todos me dizem que é uma história com a qual qualquer um deles se identifica facilmente e que sentem empatia pelas personagens.


Muitos deles me dizem que se identificam com um personagem de tal forma, que é como se eu tivesse a contar a história dele próprio, quando eu nem sequer conhecia o leitor antes. É muito bom ouvir este feedback.


 


 


Na sua opinião, que justiça pode trazer o amor?


O amor pode trazer qualquer tipo de justiça se as duas partes estiverem empenhadas em fazer funcionar e remarem para o mesmo lado de forma a levar o barco a bom porto.


Não sou a pessoa que acredita no amor e numa cabana, mas sou a pessoa que acredita que quando se ama, tudo é possível e, essa cabana, pode tornar-se um lar.


 


 


Esta história aborda as marcas deixadas numa pessoa vítima de violência doméstica. Considera que, tanto a nível legal, como emocional, as vítimas ainda estão muito “entregues a si próprias”, e sem grande apoio?


Considero sim.



Infelizmente as vítimas são, muitas vezes, deixadas só com um papel na mão que diz que o(a) agressor(a) não se pode aproximar.


Dá vontade de perguntar às autoridades, então e se se aproximar, o que fazemos? Mandamos-lhe o papel à cara e ele(a) vai embora?



Acho que é pior ainda quando existem filhos no meio, e em que é decidido que, mesmo depois de provados certos maltratos, eles podem continuar a ter contacto. (Tal como acontece no meu livro).


Estou de acordo quando se diz que os filhos não têm de pagar pelos erros dos pais, mas em certos casos deveriam também ser mais protegidos.


 


 


Em “A Justiça do Amor”, o Miguel surge como a pessoa que poderá fazer renascer, em Ana, a esperança e a confiança. Na vida real, também podem existir segundas oportunidades com finais felizes?


Sem dúvida que sim.


Eu tive a minha, e acredito que mais pessoas conseguiram a felicidade e a vida que mereciam desde o início.


 


 


Outra das suas paixões é fazer tatuagens. Que desenhos ou mensagens lhe pedem, normalmente, para fazer?


Tatuagens com significados e homenagens é sempre o mais pedido, principalmente aos pais, ou aos filhos.


Algumas das vezes ao próprio cônjuge.


Eu própria tenho 15 tatuagens e não há nenhuma que não tenha um significado especial para mim.


 


 


A Telma é casada, e mãe de quatro filhos. É fácil conjugar o seu trabalho, as suas paixões e a vida familiar?


Quando se gosta do que se faz, arranja-se tempo e não desculpas.


Claro que, por vezes, para ter tempo para tudo, nós somos penalizados em horas de sono, por exemplo, mas ver o sorriso dos meus filhos nos lábios porque fomos ao cinema ou a um parque de diversões, compensa qualquer coisa.


A escrita faço quando eles já estão a dormir e, as tatuagens, quando estou de folga do trabalho e eles estão na escola.


Tento conciliar tudo o mais que posso, não esquecendo a vida de casal, que é também importante. Nada que com um pouco de organização, não seja possível.


 


 


“A Justiça do Amor” deixa o seu final em aberto. Podem os leitores contar com uma continuação desta história?


Sim, de facto “A Justiça do Amor”, terá 3 volumes.


O segundo volume sairá brevemente, pois já se encontra na fase de paginação por parte da editora e, o objectivo é lançar o terceiro volume antes da época natalícia.


Entretanto aproveito também para anunciar que a tradução para francês já está também a ser executada, mas ainda não tenho datas certas de lançamentos.


 


 


Que temas gostaria de abordar numa próxima obra?


Depois de acabar definitivamente “A Justiça do Amor”, estou a pensar abordar um tema que me afecta directamente, o facto de ter tinta no corpo.



A discriminação que sofremos é retrógrada, e muitas vezes somos prejudicados a níveis profissionais e, até mesmo pessoais, pela tinta que temos no corpo.


O facto de ser motard só ajuda a essa descriminação. O pensamento de que quem tem tatuagens é criminoso, ou não é digno de confiança, tem de mudar.



Felizmente, no Luxemburgo não somos tão discriminados como em Portugal, mas infelizmente, ainda acontece.


 


Muito obrigada, Telma!


Obrigada Marta e, gostava de esclarecer, mais uma vez, que todas as respostas que dei, são somente a minha opinião pessoal, e não são para ofender ninguém.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Quando vem do coração, tudo sai melhor!

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Vale para tudo.


Qualquer que seja a actividade, missão, profissão, projecto ou tarefa que abracemos, ou a que nos dediquemos, quanto mais o fizermos com alma e coração, melhor será desempenhada, e melhores resultados terá.


Em tudo, é preciso entregarmo-nos por completo.


Deixar as emoções vir ao de cima, e deixarmo-nos guiar por elas.


Deixarmo-nos conduzir pelo instinto, pelo nosso interior.


Deixar o corpo falar por nós.


Sermos nós mesmos.


Até podemos ser muito bons a imitar, a copiar, a seguir os passos do outros, a reproduzir aquilo que já foi feito.


Mas nada se compara àquilo que conseguimos criar, quando o nosso coração toma o comando. 


Porque tudo o que de nós sair será único. Será nosso. Será verdadeiro. Será sentido.


E isso, passará para quem está do outro lado.


 


 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Colegas de turma que vão e vêm

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A minha filha tem uma pontaria para ficar em turmas de estranhos que é impressionante.


No derradeiro ano do ensino obrigatório, ela fez as suas próprias escolhas, sem se deixar influenciar por ninguém, nem mesmo pelas amigas que, eventualmente, pudessem ter outras opções de disciplinas em mente.


 


Resultado: à excepção de uma amiga que vem desde o 10º ano, assim à primeira vista, todos os restantes colegas são estranhos, ou pessoas com quem não tem ligação.


 


Depois, um olhar mais atento leva-nos a perceber que uma ou duas colegas já foram, em tempos, da turma dela, uma até ao 6º ano, e a outra no 9º ano. 


É curioso como escolhas diferentes, noutros anos, as separaram e, agora, escolhas iguais, as voltaram a juntar. Ainda que sejam daquelas com quem pouco convivia.


 


Já no 10º ano não conhecia ninguém.


Agora, tem apenas, para já, uma amiga por companheira.


Todas as outras ficaram distribuídas pelas restantes turmas do mesmo curso.


Mas há que ver o lado positivo.


Foi de entre algumas dessas estranhas que saíram as amizades de hoje.


Por isso, quem sabe este não é mais um ano para isso acontecer!


 


 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

"A Justiça do Amor", de Telma Nunes

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Será que o amor é justo?


Receio que nem sempre seja.


E não só não é justo como, por vezes, se paga um preço muito alto por ele.


Mas também é verdade que não haverá nada melhor que o amor, para se ter alguma justiça, numa vida onde ela teima em não existir.


 


Ana foi uma vítima de um amor que, tarde demais, percebeu que era unilateral e, pior que isso, lhe poderia ser fatal.


E foi, depois de uma série de agressões, cada vez mais violentas, que decidiu, por receio, por si e pelo seu filho, pedir o divórcio. Enquanto isso, o seu ex-marido foi condenado a uma pena de prisão, e com ordem de afastamento dela.


Algo que, mal sai em liberdade, não tem intenções de cumprir.


Porque, para estes monstros, as mulheres são propriedade sua, a partir do momento em que casam e, como tal, podem fazer o que bem entenderem com elas, inclusive, agredir ou matar.


Porque, infelizmente, não há justiça nem leis que protejam estas mulheres, que as defendam, que as levem a sério.


Porque os agressores safam-se sempre, de uma forma ou de outra. Mesmo que deixem um rasto de sangue que, mais do que às vítimas, se estende à família e a quem se atrever a meter no seu caminho.


 


Miguel é um empresário bem sucedido que, mal vê Ana, se apaixona por ela. Ela também não fica indiferente.


E o cupido até dá uma ajudinha, tal como o seu irmão Ricardo, e a sua amiga Raquel.


Miguel pode ser a salvação para Ana, e o seu filho Pedro.


Miguel poderá protegê-los. Fazê-los acreditar novamente no amor. Dar-lhes a família que não têm.


Mas Ana tem medo. Por si mas, principalmente, pelos que se aproximam dela ou tentam ajudá-la. Porque foi assim que o seu irmão ficou ferido. 


E a sua culpa aumentou. Sim, porque são as vítimas que ainda se sentem culpadas, ao contrário dos agressores, cujos actos não lhes pesam minimamente na consciência. 


 


Daniel, o ex-marido de Ana, saiu em liberdade, e tem enviado mensagens a Ana, em tom ameaçador.


A qualquer momento, pode descobrir onde ela está, e sabe-se lá o que poderá acontecer.


Mas Miguel tem uma equipa de segurança pronta a proteger a vida de todos, por isso, não haverá razão para receios.


Ou será que há?


 


Muita coisa acontecerá ao longo desta história, que explora traições, enganos, oportunismo, assédio, intrigas... O vale tudo para se obter o que se deseja, a qualquer preço.


Uma história que aborda as relações familiares, a união, a simplicidade e o amor entre pais e filhos, e entre irmãos.


 


E que traz à luz um pouco do trabalho dos vigilantes de protecção e acompanhamento pessoal.


Um trabalho, muitas vezes, ingrato, e que nem sempre consegue o seu propósito.


 


O final deste livro deixa tudo em aberto e, no entanto, soa mais a injustiça, do que à justiça do amor, que lhe dá o nome. O que não deixa de ser a realidade, na maioria das vezes, e dos casos de que temos conhecimento.


Quem sabe uma continuação não nos devolve a esperança que este desfecho acabou de nos tirar.


E nos faz acreditar que nem sempre os monstros levam a melhor. Que nem sempre saem vencedores.


E que ainda é possível ser-se feliz novamente.


 


Sinopse



"Miguel Pereira Fontes é um empresário respeitado, poderoso e ligado à família. Um trintão bilionário, desejado por dezenas de mulheres, que anseia pelo amor da sua vida.


Uma partida do destino volta a colocar Ana Vieira no seu caminho, depois dele se convencer que teria de a esquecer e, desta vez, ele está disposto a tudo para a conquistar, mas Ana tem um passado de sofrimento e não está pronta para voltar a confiar em mais nenhum homem. Quando Miguel descobre, ele mostra- lhe que fará de tudo para provar o que sente e não descansará até que a justiça seja feita."


 


 


Autor: Telma Nunes


Data de publicação: Julho de 2021


Número de páginas: 266


ISBN: 978-989-37-1236-8


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 



 


segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Into The Beat: Dança com o Coração, na Netflix

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Este fim de semana foi dedicado, entre as tarefas do costume, a ver filmes.


Um deles foi este "Into The Beat: Dança com o Coração".


Sim, é mais um filme de dança. Em que a protagonista se junta a um grupo de hip hop e descobre uma nova paixão.


Em que o protagonista desperta o lado mais emocional da dança na sua mais recente companheira.


Como já vimos em tantos outros filmes do género.


 


Mas, o que diferencia este, dos demais, é a pressão. O peso de um nome. Do legado familiar. O compromisso, a responsabilidade, o dever.


O continuar do que ficou por fazer, por conquistar.


A mãe de Katya era bailarina. Mas, a determinada altura, talvez devido a algum acidente, terá morrido.


O pai de Katya é um bailarino de topo, reconhecido e prestigiado, no auge da sua carreira. Mas sofre um acidente, e nunca mais poderá dançar.


Katya é bailarina desde que se lembra. É uma das melhores da turma. E gosta de dançar.


É a "sucessora". Aquela que vai dar continuidade ao nome e ao trabalho dos pais.


 


Só que, enquanto tenta conquistar o sonho, que talvez seja mais do pai do que dela própria, ela descobre o hip hop.


E percebe que, ao contrário do ballet, é o hip hop que a faz sentir aquilo que os pais sempre descreveram que sentiam quando dançavam.


No entanto, o pai não lhe permite abdicar de todo um trabalho de uma vida, por causa de uma "dança de rua".


Ela tem um dever a cumprir, e não se pode desviar do caminho. Tem um nome a defender, e não pode defraudá-lo, por conta do que julga ser um "capricho".


Até mesmo a própria professora de dança a tenta convencer de que são apenas dúvidas passageiras, e que Katya deverá ignorar, mantendo-se firme.


 


Mas, quanto mais pressão sente, mais Katya sofre, entre aquilo que ela quer realmente, e aquilo que esperam dela. Entre tentar não magoar uns e outros, acabando por se magoar a ela própria, sem que ninguém a compreenda ou ajude.


É um filme.


Mas, quantas vezes, não acontece isto na vida real? Pais que projectam os seus sonhos nos filhos? Pais que criam expectativas, que não querem ver defraudadas?


Pais que pressionam, que limitam, que não deixam os filhos voar por si próprios?


 


É um bom filme para reflectir sobre o que é realmente importante para os nossos filhos, e como devemos apoiá-los a conquistar os seus próprios sonhos.


Porque é isso que os fará felizes e, se os amamos, nos fará, enquanto pais, felizes também!


 

sábado, 7 de agosto de 2021

Uma semana sem ti...

Diário de Desabafos: Saudade


 


Prólogo do livro "Memórias de uma eterna guerreira"


 


"Partiste...


Partiste sem despedida. Sem pré-aviso. Quando o nosso coração estava a começar a encher-se de uma pequena esperança.


Conhecendo-te, atrever-me-ia a dizer que levaste a tua ideia avante, ou não fosses tu conhecida pela teimosia.


Deixa lá!


Dizem que sou tão teimosa como tu, por isso, já se sabe o que podem esperar daqui também.


Mas, como dizia, tanto afirmaste que não querias ir para um hospital, e tanto resististe à ideia de um possível internamento que, quando não foi mais possível, e não houve mais hipótese de escolha, de escapar a essa realidade, encontraste forma de fintar o destino.


Trocaste-lhe as voltas. Não querias ficar no hospital. E partiste. Concretizando o teu último desejo.


Ou então, não. 


Se calhar, não tiveste mesmo livre-arbítrio, e foi ela que te veio buscar. 


A temida e desconhecida morte. 


Aquela que coloca um ponto final à vida terrena, e que não sabemos se terá uma continuação, ou uma outra forma, noutro qualquer plano do universo.


Talvez para que não sofresses mais. E para que não sofrêssemos também, ao ver-te sofrer. 


Embora o nosso sofrimento fosse o menor dos males, comparado com o que estavas a passar. Sofríamos porque nos víamos impotentes. Porque queríamos ver-te bem, e não sabíamos como. Porque queríamos respeitar a tua vontade, ainda que ela nos tirasse um pouco de ti, a cada dia.


Imagino que, para uma pessoa que toda a sua vida assumiu as rédeas e o comando, seria muito difícil estar, agora, tão dependente, tão limitada.


Que, para uma pessoa que sempre se habituou a cuidar dos outros, fosse complicado ver-se agora a ser cuidada, por conta de uma doença que estávamos longe de imaginar que terias.


Atrevo-me a dizer que, se não sabias com certeza, pelo menos sentias que a morte estava próxima. Tu bem dizias que não te estavas a entregar, mas que, um dia, ela viria.


Só não sabíamos que viria tão depressa.


Nem mesmo quando o médico nos disse, a ti e a mim que, se não fosses internada, "estava para breve". Afinal, o que é o breve? 


Para ti, foi mesmo muito breve. Apenas uns dias, que nos pareceram meses, e, ao mesmo tempo, escassos segundos que nos escaparam por entre os dedos, sem nos dar hipótese para mais nada.


Dizem que partiste tranquila. Tomara que sim. Que, pelo menos, nesse último suspiro, não tenhas sofrido.


E que, no meio de todos os pensamentos que te habitaram nesses instantes, tenhamos estado contigo, já que não nos deixaram estar fisicamente, na despedida, que não sabíamos que ia acontecer.


Sim, somos um pouco egoístas. Ao ponto de desejarmos os teus últimos pensamentos. Ao ponto de sentirmos a tua falta, e querer que cá estivesses, como sempre. Mas não a ponto de esse desejo se concretizar à custa do teu sofrimento.


Para isso, preferimos ter-te aí, onde quer que estejas. Esperando que a moradia seja mais apelativa e confortável que aquela onde, fisicamente, te deixámos.


E, não querendo pedir muito, que vás dando um olhinho por nós, que andamos aqui em modo de adaptação à tua ausência, para que não nos percamos, e não te percamos, nem à memória dos momentos que nos proporcionaste, enquanto estiveste connosco. 


Este livro é uma homenagem a ti, criança e mulher guerreira, de muitas lutas, que sempre aguentou o barco, mesmo quando ele ameaçava afundar. Que sempre se manteve firme como pilar, para que o resto da estrutura não caísse.


Uma guerreira que terá, agora, o seu merecido descanso!"


 


 


Faz hoje uma semana que nos deixaste.


Uma semana desde que recebi a triste notícia.


Uma semana de saudades, e de muitas emoções.


 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A primeira ida a um restaurante/ snack bar em tempo de covid

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Não foi programada.


Desde que começou a pandemia, tenho optado sempre por trazer para comer em casa, ou encomendar.


Tenho evitado ir a cafés, esplanadas, restaurantes e afins, porque não é algo que me faça falta, e que esteja habituada a frequentar.


E mais vale prevenir, que remediar.


 


No entanto, naquele dia, não havia outra alternativa.


Estava fora de casa, e iria continuar por longas horas. 


Precisava de comer.


E a cafetaria era o mais próximo que ali havia, com comida relativamente decente.


 


A parte da esplanada estava cheia mas, lá dentro, havia várias mesas livres.


Pedimos uma sopa e uma tosta mista, para cada um. 


Sentámo-nos com a sopa já no tabuleiro.


Mal acabei de comer, coloquei a máscara, enquanto esperava pela tosta.


Depois, veio a tosta.


E voltei a repetir o processo, quando terminei, e enquanto aguardava que o meu marido acabasse.


 


Portanto, tudo correu bem. 


Não quer dizer que, após esta primeira ida a um restaurante/ snack bar em tempo de covid, comece a ir mais vezes.


Continuo a achar que, se puder, devo evitar.


Mas se tiver que ser, também não me vou armar em esquisita, e deixar de comer! 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Burocracias

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Todos queremos fugir delas, mas nem sempre as podemos evitar.


E esta semana tem sido de burocracias. Necessárias, é certo.  Mas que dispensaria de bom grado.


 


- Tratar com a agência do subsídio de funeral e percentagem da reforma da minha mãe


- Abrir uma nova conta, só em nome do meu pai, para receber o dito subsídio e pensão


- Passar pelo centro de saúde, para comunicar à médica de família o óbito e deixar um agradecimento


- Ligar para as instituições de apoio domiciliário a que tínhamos ficado de dar resposta, para informar que não será mais necessário


- Marcar com o hospital o levantamento do espólio da minha mãe, o que fizemos ontem, mas só veio metade, pelo que lá teremos que ir novamente


- Fazer reclamação no hospital, das duas médicas que, da primeira vez, a enviaram para casa, embora saiba que não vai produzir qualquer efeito, mas não poderia deixar de fazer


- Ligar para a protecção civil, para ver o que era preciso para devolver a cama, que não chegou a ser utilizada


- Começar a reunir a documentação para participação às Finanças do óbito e relação de bens


 


Há coisas que terão que ficar para as férias.


É tempo de regresso ao trabalho e os poucos dias a que temos direito não dão para tudo.


 


No entanto, no meio de todas estas burocracias, surgiu a ideia.


Se aquilo que de melhor faço, por esta altura, é escrever, porque não fazê-lo também, em forma de homenagem?


E, assim, estou a tentar dar forma a um livro, intitulado "Memórias de uma eterna guerreira", porque foi isso que a minha mãe foi a vida toda - uma guerreira!


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!