sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Histórias Soltas #20: Estagnar, ou seguir em frente?

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- O que vai acontecer comigo?


- Vais seguir o teu caminho.


- Mas... E eles?


- Eles?


- A minha família. Posso vê-los?


- Porque queres vê-los?


- Porque sei que estão a sofrer. Quero olhar para eles, despedir-me, dizer que estou aqui.


- Isso de nada adiantaria. Não te podem ver. Não te ouvem. Não te sentem. Não lhes servirás de consolo. E será pior para ti.


- Mas... Não é possível abrir uma excepção? Uma única vez?


- Neste momento, não. Terás que seguir em frente para aperfeiçoar a tua aprendizagem. Só depois, então, saberás o que te é possível. Mas, se fizeres muita questão, podemos dar-te, temporariamente, acesso às imagens que tanto desejas, em tempo real.  Este acesso tem uma duração limitada. Depois, terás que deixar a tua vida passada, para iniciares a tua vida presente.


 


- O que acontece se eu não quiser avançar, deixar para trás?


- Ficarás, para sempre, presa neste limbo. Não voltarás à vida antiga, mas também não terás uma nova. Ficarás, eternamente, estagnada. E perdes qualquer possibilidade que seja, de um contacto futuro, com quem quer que seja. Tal como outros, que assim o quiseram. 


- Então, o que me estás a dizer é que, para eu ter a mínima hipótese de voltar a ver os que mais amo, de comunicar com eles e, quem sabe, ser vista por eles, ainda que sem qualquer garantia, terei que abdicar deles daqui em diante.


- De forma resumida, sim. É isso.


- Mas é tão injusto. Eles estão tristes. Eu estou triste. Eles precisam de mim. Eu preciso deles.


- De momento, sim. Mas depressa vão ultrapassar. E tu deves fazer o mesmo. Libertá-los. E libertares-te. Quanto mais depressa te libertares, mais cedo iniciarás o teu processo evolutivo. A decisão é tua. 


 


- E, aqui, há alguma hipótese de nos encontrarmos, um dia? Irei, pelo menos, encontrar quem veio antes de mim?


- Talvez sim... Talvez não... Aqui cada um tem o seu próprio caminho e aprendizagem. Pode, ou não, cruzar-se com quem gostaria.


- Ou seja, não há forma de saber o que me espera!


- Não. Só saberás à medida que avançares. Se assim o decidires. Quando estiveres pronta, virei para te acompanhar.


- E se eu não estiver pronta? Se nunca estiver pronta?


- Então, não voltarei. Ficarás entregue a ti própria.


 


E assim ficou, até ao último momento, sem saber o que fazer, demasiado agarrada ao que tinha perdido, para tentar pensar no que poderia vir a ganhar. Mas... 


Não perderia ainda mais, se ali permanecesse?


Não valeria a pena tentar? 


Então, rendida, como quem solta, e deixa voar, aquilo que, até então, tentava agarrar, ela soube o que tinha que fazer...


 


 


 


 


 


 

11 comentários:

  1. Olá Marta, temos que seguir em frente passo a passa.
    O caminho é duro, mas há que levantar a cabeça e continua a caminhar.
    Tu perdeste a tua mãe, eu o meu pai, ambas sabemos que já não estão a sofrer.
    A dor no peito da saudade é terrível, mas o amor que sentimos por eles e eles por nós, nem a morte acaba com ele.
    Devias ler o livro que estou a ler.
    Bjs

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  2. Neste caso, serão eles, que partiram, que têm que seguir em frente sem nós, que ficámos.
    O que lhes espera, do outro lado? Como se desligam de nós? Ou ficam "presos"?
    Que livro estás a ler?

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  3. No livro fala das duas coisas!
    Depois da morte da tua mãe, já sonhas-te com ela?
    O meu pai está bem e e espero que a tua também.
    A nossa alma continua e eles vão dando sinais.
    Espreita no meu blog, porque há várias livros com o mesmo nome.
    Já me fartei de chorar, com a história da Inês.

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  4. Já sonhei várias vezes com ela.
    Não em forma de despedida, como aconteceu com a minha tia, mas no seu ambiente natural, alguns anos mais nova, a fazer o mesmo de sempre.

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  5. É a maneira de eles comunicarem connosco!
    São sempre muitos rápidos os sonhos.
    A tatuagem que ainda me falta fazer, foi o meu pai que me deu a resposta em sonhos, de que pássaro deveria colocar.
    Deu-me diretamente um colibri para as mãos.
    São as aves do paraíso.

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  6. E o que devo interpretar da minha mãe ao fogão a dizer que já fez sopa e vai fazer carne?!

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  7. Estaria mais feliz a ver os programas de domingo que a cozinhar
    Mas sim, posso interpretar por aí. Que ela quer que nos recordemos dela como sempre.
    Só que estranhei porque não é tipo um sonho e acabou-se. São vários.

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  8. Seguir sempre em frente ... é esse o caminho
    Gostei imenso desta reflexão, Marta

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  9. Sem dúvida!
    E vais ter várias vezes essa experiências.
    Adoro sonhar com o meu pai, num deles deu-me um abraço e encostou a minha cabeça no seu peito.

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