segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Ir, ou não ir, ao cemitério?

Coisas da Colônia - Alma do outro mundo - Fato Novo


 


Até há pouco tempo, o familiar mais directo que tinha, no cemitério, era a minha tia.


No entanto, nunca lá fui visitar a campa dela. Não senti essa necessidade.


Também não é, propriamente, um local onde se queira ir passear. Embora conheça algumas pessoas que adoram lá ir, como se fossem a uma festa.


Não aquelas que vão porque têm lá os seus entes queridos, e querem cuidar do que é seu, ou sentem necessidade de ir por se sentirem mais próximas. Essas, respeito.


 


Entretanto, morreu a minha mãe.


E, agora, sou presença assídua por lá.


Há pessoas a quem faz confusão ir ao cemitério. Outras, que se sentem mal.


Há as que ficam tristes.


As que querem manter as aparências. As que vão por obrigação.


E as que, talvez, queiram ir para ter o seu momento a sós com a pessoa falecida. Ainda que, por aqui, dada a proximidade das campas e a quantidade delas, seja quase impossível haver essa "privacidade".


 


Eu, confesso, costumo lá ir ao fim de semana.


Primeiro, porque fica relativamente perto de onde vivo (a escassos metros), e não me custa nada. Se fosse mais longe, não iria de propósito com tanta frequência.


Depois, porque até tem estado bom tempo, e faz-se bem o percurso.


E, por último, porque, querendo ou não, é a campa da minha mãe. 


É óbvio que ela não vê, nem sente nada, e para ela, estar uma campa arranjada e com flores, ou só terra e abandonada, é igual. Devemos cuidar das pessoas, enquanto estão vivas.


E cuidámos.


Agora, continuamos a marcar a nossa presença.


Dá-me prazer enfeitar a campa dela, com flores, da mesma forma que ela gostava de flores, em vida.


 


É uma viagem rápida.


Comprei umas plantas com flor, que se dão bem no exterior, e é só lá ir colocar água nos vasos. Assim, duram mais tempo, e não há necessidade de andar sempre a comprar. E depois, quando calha, levo umas flores para pôr na jarra.


Não é uma obrigação. É um gosto.


Vou quando posso. 


Há quem, para evitar tudo isso, tempo e gastos, opte por flores artificiais. Faz o mesmo efeito. Serve o propósito, mas... Considero isso um pouco impessoal. 


 


E é isto.


Não vou lá para "falar" com ela, que isso faço em qualquer lugar.


E não me sinto mal porque, por estranho que pareça, não me vem à mente a imagem dela, ali, debaixo da terra, enterrada.


Simplesmente vou, coloco água, ajeito as flores, e saio.


 


 


E por aí, têm o "hábito" de ir ao cemitério?


 


 


 


 


 


 

9 comentários:

  1. Para mim não faz sentido!
    Por isso foi algo que perguntei à minha irmã, para ela também não.
    Perguntei no dia que eu sabia que me estava a despedir do nosso pai.
    Foi cremado e as suas cinzas estão comigo.
    O meu pai está comigo e não abandonado numa campa.

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  2. Olá Marta bom dia!
    Entendo o que escreveu.
    Tenho todos os meus familiares falecidos, no mesmo cemitério.
    Infelizmente alguns morrreram muito novos.O meu pai talvez o que partiu mais cedo, e para mim o mais doloroso.
    Quando vou ao cemitério é quase como ir ás minhas raízes.
    Mas concordo em vida é que devemos fazer tudo, mas tudo.
    E dizer o quanto os amamos. Não deixarmos nada por resolver, depois é tarde.
    A Marta ainda está a fazer o luto .
    Eu, quando foi o meu pai também me sentia bem ir visitar a campa dele.
    Também não gosto de ver , as campas , carregadas de tantas flores , é um exagero.
    Será que em vida receberam tantas??
    Uma boa semana.
    Luisa Faria

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  3. Eu vou raramente, saio de lá sempre muito em baixo mas a minha mãe vai todos os dias tratar da campa do meu mano

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  4. Acreditas que a agência funerária nem me falou dessa opção?!
    Para mim tem cada vez mais lógica os falecidos serem cremados, e as cinzas entregues à família.
    Não sei é se será mais dispendioso, e se o processo se faz em todo o lado.
    Aqui, a funcionária da agência deu-me logo o catálogo das urnas para a mão e, como a minha tia veio com a história da "campa de família", naquele momento nem me ocorreu outra opção.

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  5. Julgo que seja ligeiramente mais caro.
    Mas depois quem opta por um enterro, tem todas as outras despesas ao longo dos anos…
    Não é feito em todo o lado, cada área tem zonas que há crematório ou não, as a agência trata de tudo.
    Naquele momento, as pessoas não estão capazes de decidir nada, a minha prima é que falou com o senhor da agência ao telefone.
    No dia seguinte é que decidi tudo o que faltava, mas a cremação já tinha sido decidida.
    A agência é perto do hospital, foram incansáveis e principalmente muito humanos.

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  6. Pois, lá está, as pessoas têm sentimentos diferentes quando vão.
    Ir todos os dias seria impensável para mim. Só vou mesmo ao fim de semana porque é quando tenho mais tempo, e porque fica perto. Se morasse mais longe, não iria de propósito.

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  7. Do ponto de vista logístico, tendo em conta que cada vez há mais pessoas, maior é a necessidade de espaço para conseguir enterrar toda a população nos cemitérios. Com a cremação, ainda que as pessoas não quisessem guardar as cinzas em casa, o espaço renderia muito mais. Antigamente, compravam-se campas, jazigos que ficavam para as famílias. Hoje em dia, é impensável. Chegando ao fim daquele tempo de decomposição, é preciso desocupar, para dar lugar a outros.
    Mas sem dúvida que, se a diferença não fosse muita, e me tivessem proposto essa opção, aceitaríamos.

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  8. Eu acho que é um pouco o acreditar que, da mesma forma que ela gostava de flores em vida, e gostaria de ver as coisas dela cuidadas, eu agora o faço por ela, e para ela.
    Mas em termos de ir às raízes, de me emocionar, de me recordar ou ir abaixo, é mesmo em casa dela, ao ver as coisas dela, as fotografias.
    No cemitério, nada disso me vem à mente.
    Beijinhos, e boa semana!

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  9. Também disse logo à minha prima, que não haveria velório! Nem eu, nem a minha irmã íamos aguentar...

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