segunda-feira, 8 de novembro de 2021

"O Dilema", de B. A. Paris

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Se descobrirmos algo que sabemos que, inevitavelmente, teremos que contar a alguém, e que poderá destruir essa pessoa, o que fazemos?


Adiamos a revelação, por  uns últimos momentos de felicidade dessa pessoa, antes de o seu mundo ruir?


Por altruísmo?


Ou fazêmo-lo o quanto antes, antecipando o sofrimento e a decepção?


 


Escondemos o segredo durante mais uns dias, ou semanas, porque não sabemos como o revelar?


Porque sabemos que irá afectar várias pessoas e relações?


Porque queremos uma última oportunidade de normalidade?


Por egoísmo?


Ou isso deveria ser a última coisa em que pensar?


 


Lívia descobriu um segredo que tem vindo a esconder de Adam, o seu marido, não só porque ela própria ainda tem dificuldade em acreditar, mas também porque sabe que, a partir do momento em que o contar, tudo irá mudar na sua família e círculo de amigos.


E também porque, afinal, ela vai ter a sua festa de aniversário. Aquela com a qual sempre sonhou, e tem vindo a planear ao longo dos últimos anos. À partida, não fará assim tanta diferença para os outros, que ela o faça antes ou depois da festa mas, para ela, faz. E ela quer tanto a festa...


Irá, Adam, perdoá-la?


 


Adam descobriu algo que irá destruir Lívia, da mesma forma que já o está a fazer a si, e que, mais cedo ou mais tarde, terá que contar a ela.


Mas ela está tão feliz. É o dia da festa porque tanto ansiou. E ele não quer estragar-lhe essa felicidade. Até porque, bem vistas as coisas, ainda não tem a certeza dos factos. Ou não quer acreditar que seja verdade.


E não serão umas horas que farão a diferença. Ou farão?


Irá, Lívia, perdoá-lo?


 


Por isso, Lívia, pensando um pouco em si e na concretização do seu desejo, e Adam, na felicidade de Lívia, que estás prestes a acabar, omitem os seus segredos até ao dia seguinte.


Ela, radiante e feliz mas, ao mesmo tempo, receosa dos tempos que virão quando contar a verdade, sem saber que haverá uma outra verdade ainda pior que essa.


E ele, cada vez mais curvado pelo peso que carrega sozinho, para que todos os outros estejam bem, e felizes, umas últimas horas.


 


Se erraram os dois? 


Talvez...


Se um segredo era bem mais grave que o outro, e havia mais motivos para ser contado de imediato, que o outro?


Talvez...


Se contar o segredo a Lívia iria mudar alguma coisa? Não.


Mas se Lívia tivesse contado o seu segredo a Adam, antes, talvez não existisse outro mais grave para revelar. Talvez se tivesse podido evitar o que aconteceu.


Ou talvez não...


 


O que é certo é que os segredos foram revelados e, agora, resta lidar com a dor, com o sofrimento, e com os cacos por eles deixados.


Como enfrentar tudo sem se destruirem, e à sua família? Como manter as amizades intactas?


Como se reerguerem, depois da queda?


 


Em "O Dilema", toda a história se centra nos preparativos para a festa, na festa, e no pós festa, sendo que as revelações, embora o leitor as saiba mais cedo, só são feitas entre personagens mesmo para o final.


Até lá, sentimos toda a tensão, todas as dúvidas, toda a angústia, os pensamentos e desejos de cada um deles, relativamente ao outro.


Bastaram uns segundos para mudar toda a vida deles.


O presente é o que é. Não se pode mudar.


Já o futuro, está sempre em aberto...


 


 

4 comentários:

  1. Obrigada pela sugestão! Fiquei com vontade de ler o livro!

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  2. Eu gostei.
    Sabemos muito cedo os segredos, mas estamos sempre naquela "é agora que vai contar?"
    E, depois, também temos uma ínfima esperança de que, afinal, tenha sido um engano e as coisas não sejam assim tão más.

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  3. É um livro que se lê bem.
    Aborda relações entre pais e filhos, responsabilidades parentais, amizades.

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