quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Deixem os Livros em Paz!

Heartstopper - Livro 1: Rapaz Conhece Rapaz - Alice Oseman - Compra Livros  ou ebook na Fnac.pt


 


Os livros "Rapaz Conhece Rapaz" - Livro 1, e “O Nosso Segredo” - Livro 2, que fazem parte da colecção de livros de banda desenhada "Heartstopper", ambos da autoria de Alice Oseman e, em Portugal, editados pela Cultura Editora, fazem agora parte do Plano Nacional de Leitura.


A responsável pela escolha destas histórias para o PNL foi a especialista Andreia Brites.


 


Até aqui, tudo normal. Ou deveria ser. Aliás, nem deveria ser assunto.


Mas depressa se transformou em polémica!


 


Porquê?


Porque é uma história de amor entre dois adolescentes do mesmo sexo!


E, para muita gente, isso não pode ser.


Pobres crianças, agora "obrigadas" a ler estas coisas de gays. Não é que os paizinhos sejam contra os gays mas "ah e tal, os meus filhos não leem"!


Realmente, isto não se admite. A escola já não é o que era. Então agora quer destruir as famílias? Educar os jovens para a sexualidade? Corromper e desencaminhá-los? Já nem as crianças deixam em paz, livres para sonhar e brincar? 


 


Tenham santa paciência!


Querem mesmo falar disso?!


Querem mesmo falar do conceito família?


Vamos lá então. O que será, para estes pais, uma família? A família que consideram "a célula fundamental de qualquer sociedade"?


Porque, para mim, como já aqui referi, família é muita coisa. Mas nada tem a ver com sexo e género. Há tantas famílias, que estes pais consideram "família", e são tudo menos isso. E, no entanto, existem tantas "famílias", que mesmo não encaixando nos padrões, constituem verdadeiras famílias.


Sim, durante séculos, a família foi vista como pai, mãe e filhos. Mas porque não, pai, pai ou mãe e mãe, e filhos? Desde que os valores estejam lá? Desde que o amor esteja lá? Desde que o mais importante esteja lá? O carácter das pessoas não se mede pela sua orientação sexual.


 


Sim, estamos habituados às histórias de amor entre homens e mulheres. Entre príncipes encantados e princesas. Entre os cavaleiros andantes, e as donzelas em apuros. Entre "homens de família" que trabalham para sustentar o lar, e as mulheres do lar, que ficam em casa a educar os filhos.


Mas os tempos mudam.


E já nos vamos habituando às histórias de mulheres emancipadas, donas de si mesmas, que não dependem dos homens para nada. Mulheres empoderadas, livres e felizes. E mulheres que desempenham papéis em igualdade com os seus companheiros.


Por isso, qual o mal de passarmos a ter histórias de mulheres que gostam de mulheres, e homens que gostam de homens? Neste caso, adolescentes?


 


Ah e tal, não tem mal nenhum. Mas recomendar esses livros no Plano Nacional de Leitura é que não!, dizem as pessoas.


A sério?!


Será que estas pessoas sabem sobre o que fala cada um dos livros que fazem parte deste plano? Será que uma história de amor, entre dois adolescentes do mesmo sexo, é o mais "escandaloso" que por lá encontram?


Olhem que não!


 


Será que estas pessoas, e pais, pensam que os jovens se vão tornar, de repente, homossexuais, por lerem um livro? Ou têm medo que os jovens, e filhos, considerem algo perfeitamente normal, o eles próprios não conseguem ver?


Será que esses mesmos jovens não leem outros livros do género? Não veem séries? Não veem filmes? Não veem essa realidade à sua frente, no seu dia a dia?


Voltamos a ter uma espécie de "Inquisição" e "censura"?


 


Dizem, estas mesmas pessoas, que educar cabe aos pais, e não ao Estado.


Vamos, então, falar de educar?


Educar não é esconder. Não é ignorar. Não é proibir. Não é fechar os olhos, e querer tapar os olhos dos educandos, à mudança, à diversidade, à realidade.


Dar a conhecer, não é incentivar. Mostrar que existe e acontece, não é apelar ou obrigar à imitação.


Educar é mostrar aceitação pela diferença. É não julgar. É não discriminar.


É dar liberdade aos jovens, podendo aconselhar, mas sem impôr, para que possam ter o seu próprio ponto de vista, a sua própria opinião, sobre o que os rodeia.


Educar é mostrar todos os caminhos que há. E não apenas aquele que nós queremos que eles sigam.


Educar é deixar que os educandos façam as suas próprias escolhas.


Educar é apoiar.


Educar é amar. E, quando se ama, tudo o resto é insignificante.


 


Isto é muito bonito de dizer, que a educação cabe aos pais. Mas muitos desses pais são os primeiros a descartar-se dessa educação.


A despejar os filhos nas escolas. A não fazer a mínima ideia de com quem andam, do que fazem, de como é a sua vida, dos seus problemas, inquietações e receios.


Muitos jovens mostram, nas escolas, ou noutros locais, a educação que não têm, que não lhes foi dada pelos pais.


E de certeza que não foi um livro que os influenciou.


 


Tivessem as pessoas mais preocupadas com aquilo que os jovens andam a fazer, quando nem os próprios pais sabem deles. 


Quando são deixados ao abandono.


Quando estão entregues a si próprios. 


Quando lhes falta a base, o apoio, os pilares que deveriam ter da família.


 


Há um movimento intitulado "Deixem as Crianças em Paz", que está absolutamente contra a iniciativa de incluir estes livros no Plano Nacional de Leitura.


Eu penso que é caso para dizer, em jeito de resposta "Deixem os Livros em Paz"!


 


 


 

28 comentários:

  1. Muito bom e bem!
    Fossem muitas mães e pais, e educadores, como tu.

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  2. Também vou aprendendo todos os dias, e tentando melhorar.
    Estou longe de ser exemplar, mas tento levar as coisas com tranquilidade.

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  3. Não é só a questão de ser exemplar, é aceitar a realidade das coisas.
    A sociedade evoluiu para umas coisas, regrediu para outras.

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  4. Concordo, genericamente, com o conteúdo do que escreve mas não com a forma.
    Por exemplo:
    "Dois adolescentes do mesmo género"
    O género é o "homo", uma rapariga e um rapaz são do mesmo género, um do sexo masculino e outra do sexo feminino.
    Quanto aos reparos que faz a alguns pais que se desresponsabilizam em relação à educação dos filhos está certa.
    Nada devemos confundir instruir com educar. A instrução cabe à escola a educação cabe aos pais.
    O livro em apreço é instrutivo?

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  5. esses livros são deliciosos. há tanto tempo que não lia uma BD com tanto gosto.
    ah, fala sobre homossexualidade? lamento, só vi amor, adolescência, dúvidas, avanços e recuos. vida!

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  6. Sem qualquer duvida o assunto pode ser tratado na escola para dar a conhecê-lo e desmitificar preconceitos com a finalidade de acabar com a segregação, discriminação e maus tratos de que a pessoas nessa situação ainda são alvo.
    A julgar pelo que descreve, penso que a abordagem do assunto pelo tema em questão não será o mais indicado para o objetivo que descrevi e me parece essencial.

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  7. Obrigado por este post (ainda) tão necessário nos dias que correm. Não sei qual é o problema desta gente, se passei os anos escolares a ler sobre relações homem/mulher (Os Mais, Amor de Perdição, etc, etc) e nem esses me desviaram da minha homossexualidade. Até me sinto parvo por escrever uma coisa destas, mas não é mesmo o que essa gente pensa? Que, ao ler uma história de amor entre dois homens, serão desviados da sua heterossexualidade. Tão frágeis que são...

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  8. Bom ponto de vista.
    Os Maias fala sobre incesto mas não é um livro sobre incesto.
    Este livro se falar sobre dois adolescentes que descobriram a cura para o cancro e têm uma relação homossexual, óptimo. Se for um livro focado, exclusivamente, numa relação homossexual acho redutor, pouco instrutivo. Penso que caberá aos pais falarem com os filhos sobre sexualidade, sobre educação no sentido lato.

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  9. Pedro, obrigada pela chamada de atenção.
    No meu ponto de vista, instrução e educação não têm que estar limitadas a um único espaço. Devem, antes complementar-se, através de uma cooperação mútua, sem se sobreporem uma à outra, nem interferirem uma com a outra.

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  10. Das pessoas que já os leram, tenho ouvido comentários nesse sentido, positivos
    A homossexualidade está lá, mas não é só sobre isso. É sobre adolescentes, e todas aquelas questões que lhes dizem respeito nessa fase.

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  11. Por acaso pensei em alguns desses livros - mulheres casadas que têm amantes, irmãos que se amam, suicídios por conta de desgostos de amor - sem que nada disso, que eu saiba, tenha influenciado negativamente quem foi obrigado a ler os ditos livros.
    Não se percebe a implicância com este.

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  12. Se será a melhor abordagem em contexto escolar, caberá aos professores, e pais, lerem o mesmo, e tirar daí as suas ilações.
    Mas criticar e rejeitar à partida, sem sequer os ler, também não será muito correto.
    Penso que, apesar de o Plano Nacional de Leitura ter boas obras, nem sempre as propostas são muito apelativas para os jovens. Talvez por isso se esteja a apostar noutros livros, que lhes captem a atenção.
    De qualquer forma, seja uns ou outros, não acreditam que exerçam grande influência, ao ponto de entrar em conflito com a educação que cabe aos pais.

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  13. Quanto à chamada de atenção é um erro muito comum, penso que terá a ver com a tradução errada do inglês.
    Quanto à cooperação país escola devia existir mas com diferentes culturas e sensibilidades é difícil, por exemplo a comunidade cigana é de um modo geral homofóbica, os muçulmanos ortodoxos, também, lidam mal com a homossexualidade, uma escola inclusiva para diferentes culturas mas que ao mesmo tempo se imiscua em temas "tabu" para essas minorias tem tudo para fracassar.
    Assim, na minha opinião, não compete à escola moldar mentalidades.

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  14. Gostei muito querida Marta!

    Obrigada pela partilha e parabéns pelo destaque!

    Beijinhos

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  15. Eu só gostaria de alertar para a seguinte questão: Se a humanidade fosse quase exclusivamente constituída por homossexuais como é que nos reproduzíamos?

    Isso faz-me lembrar os impostos...só alguns é que pagam, para o beneficio de todos :)

    Pelo simples facto de se aceitar a existência e o direito à diferença de determinada situação, isso não significa necessariamente que ela seja o padrão da normalidade da espécie humana ou, que se tenha de passar a divulgar subliminarmente, ou não, a sua normalidade com o objectivo de persuadir as mentes mais distraídas de que é tão normal ser heterossexual como ser homossexual.
    Desculpem ser tão frontal, mas também quero deixar claro que não discrimino nem nunca descriminei ninguém pelo facto de ser homossexual, não me digam é que é uma situação normal para a espécie humana, porque efetivamente não o é.

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  16. Boa tarde, João,
    Aqui a questão principal, e sendo que, como diz, nunca discriminou ninguém pela sua orientação sexual, é se o incomodaria ver este livro no Plano Nacional de Leitura, apenas porque aborda uma relação homossexual, e se acharia que, ao ser recomendado aos jovens, lhes poderia confundir a cabeça ou influenciar de alguma forma, quanto a esse aspecto?
    Obrigada pela visita, e comentário

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  17. Foi com agrado que vi a notícia que dizia que estes dois livros foram incluídos no PNL. Falam das descobertas pela qual todos os adolescentes passam, do amor e de muitas outras coisas.
    Já os li e comprei-os para os meus filhos adolescentes.
    Confesso que fiquei abismada com tantas críticas.

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  18. Obrigada pela visita e comentário, Margarida
    Também fiquei abismada com as críticas, principalmente, de pessoas que nem sequer os leram, mas condenaram logo.
    São apenas livros. Não é uma lavagem cerebral.
    Aliás, por vezes parece que há pessoas a considerar a escola (e algumas disciplinas), não como local de aprendizagem, mas de doutrinamento de diversas ideologias políticas e sociais.

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  19. È uma vergonha este texto !
    É pior e mais grave !
    è tentar normalizar uma aberração!

    Vejam se percebem !!
    Foi Deus que nos criou ! basta preciso ter o quoficiente de inteligencia de 1 para chegar a essa conclusão !!
    E Ele diz disse e continuará a dizer sempre porque o é defacto que a Homosexualidade é um pecado grave como a pedofilia o incesto a pornografia o zoofilia etc é uma deturpaçao mental no minimo uma doença psiquiatrica grave para quem não quiser usar o nome pecadose lhe parecer muiito retrogrado mas o pecado é aquilo que nos machuca e destroi e nos leva a depressao e tristeza sem fim!
    Voce está a fazer a apologia da aberrraçao e ainjectar nas crinanças e adolescentes e morte da perversão da normalizaçao da aberração , está a tentar envenenar a nossa juventude !

    E QUER A PROVA DESTA VERDADE!!: NÃO HA NENHUM HOMOSEXUAL E PODE PROCURAR ONDE QUIESER E MOSTRAR-ME E EU FAÇO-LHE UMA ENTREVISTA TRANQUILA E PACIFICA COM PERGUNTAS SIMPLES E MOSTRO-LHE POR A MAIS B QUE SÃO PESSOAS PERTURBADAS ,INQUIETAS,TRANSTORNADAS SEM PAZ E ALEGRIA INTERIOR VERDADEIRAMENTE FELIZES QUE TENHA UM SORRISO PACIIFICO FELIZ QUE VIVAM EM PAZ CONSIGO E COM OS OUTROS SEM AGRESSIVIDADE SEM INQUITAÇAO OU SEJA PESSOAS EM PAZ CONSIGO E COM OS OUTROS!!!!!!!!!!! MOSTRE-ME VÁ MOSTRE QUE TEM RAZAO PROCURE E TRAGA-ME UM HOMOSEXUAL VERDADEIRAMENTE FELIZ E EM PAZ CONSIGO COM OS OUTROS E COM O MUNDO!!!!

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  20. parece-me bom, promete, agora nao posso ler mais. Provavelmente ainda cá estará mais logo.
    Mas deixo já uma ou duas notas : se calhar existe aqui polemica um equivoco e quem está a contestar sao os visavos das crianças, que nao os pais de 20 e poucos anos !!!!!!!!
    È o mesmo que proibir livros de fumar, impedir as crianças de aceder a cigarros em forma de livros.

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  21. o post ainda é "maior" do que poderia imaginar. Apesar de neste tempo dever ser já dispensável, enfrenta a discussao e responde.
    Defendo até que este post seja obrigatorio no plano nacional de educaçao de adultos.
    Mais dois ou tres apontamentos.
    sim, é ate provavel a esmagadora dos que assinam o protesto, nao saibam o que diz o livro, mas isso nao é criminalizável, pois noutras areas seguimos quem confiamos, e essas pessoas confiam.
    A denuncia é se essas pessoas nao sao as mesmas que assinaram contra a emancipaçao da mulher.
    No maior pais do mundo existem nucleos de pessoas religiosas que vivem em herdades totalmente afastadas do mundo e sem televisao. Portanto, as criancinhas nem sabem que existe mais mundo para alem daquele espaço, logo nem precisam de estar acorrentadas literalmente pois nao sentem impetos de fugir dali

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  22. Não podemos concordar. E não podemos não pelo facto do livro apresentar um par de namorados do mesmo sexo - isso pouco nos importa - mas por três grandes razões:

    Primeiro, existem livros absolutamente abomináveis produzidos pela espécie humana. Eu e os meus colegas tivémos de ler alguns deles ao longo dos anos, ali para o nosso site, e se se levanta a não-possibilidade de proibir certos livros, corre-se o perigo de meter gente a ler obras em que, por exemplo, existem grotescas violações sexuais de menores de 9 anos de idade. Quer alunos de escola a ler "Mein Kampf" ou as obras do Marquês De Sade? Certamente que não, e é por isso que é importante filtrar-se as leituras na escola - em casa, cada um leia o que quiser!

    Segundo, os livros a ler em tempos de escola devem demonstrar uma visão apartidária da realidade, consolidada pelo seu mérito próprio e pelo seu valor contínuo para a sociedade portuguesa. Caso contrário, criaremos jovens que vivem não em Portugal, mas numa fantasia apátrida da sua mente, em que nem saberão onde é o rio Douro, quem foi Fernando Pessoa ou a Maria Cachucha, ou como Camões perdeu o seu olho direito. Ao lerem obras nacionais, de autores nacionais, cuja importância se prolongou no tempo, aprendem também a cultura nacional e os valores culturais de Portugal, em vez de se focarem na obra popularucha da semana, que nada de real acrescenta às suas vidas.

    Terceiro, e último, se o valor de um livro se resume ao facto de ter duas personagens homossexuais, a ideia não tem qualquer mérito. É muito comum, nos dias de hoje, adicionarem-se esse tipo de personagens aos livros só para venderem mais, quando isso é um absurdo. Se a sexualidade das personagens até é o único elemento digno de nota na obra - e note-se que o pouquíssimo que disse sobre ela indica isso mesmo, i.e. é "uma história de amor entre dois adolescentes do mesmo sexo" - existem, sem qualquer dúvida, livros melhores para os alunos. Aprenderão mais com a fábula da lebre e da tartaruga do que com as muitas páginas dessa obra.

    Na verdade, essa ideia de "epá, bora fazer um livro com uma história de amor entre dois adolescentes do mesmo sexo" é para vender. Só isso, e pouco mais. Contraste-se, por exemplo, com as obras de Platão, em que é dito que Sócrates também gostava de homens jovens, mas em que isso é secundário, porque a sexualidade é, e deve ser, um elemento não-primário da nossa identidade. Não deverá ser uma brincadeirinha de "olhem para mim, sou gay!!!!", quando existem outros factores da nossa identidade que nos definem bem melhor!

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  23. Apresentem-se argumentos pertinentes, seja a favor, seja contra e, ainda que possa não concordar, aceito e respeito.
    Neste comentário, isso foi feito. E é legítimo. Apresentam 3 motivos válidos para a não inclusão.
    Penso que a inclusão, ou não, de um determinado livro no Plano Nacional de Leitura se deve reger por diversos critérios como idade a que se destinam, conteúdo e tantos outros, que não o de, exclusivamente, vender uma ideia que está na moda.
    O que está em causa é que as pessoas que se manifestaram contra, só focaram o facto de ser sobre um casal gay, e mostraram ser esse o único motivo para serem contra. Sem saber mais sobre os livros, sobre o que mais, para além disso, abordam.
    E daí este post.

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  24. Este comentário fez lembrar de uma citação que li há uns dias:
    "Quando se quer treinar um falcão, basta uma luva, um pedaço de carne e uma cordinha para amarrar o falcão. Depois de algum tempo voando assim, limitado, o coitadinho se acostuma e nunca vai além desse limite — mesmo que se lhe tire a corda dos pés."
    Acredito que a extensão do post faça muitos desistirem de o ler

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  25. Boa tarde Marta, respondendo à sua questão, eu revejo-me integralmente na opinião que foi manifestada pelo Pedro Oliveira no dia 27 cerca das 12 horas.
    Obrigado.

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  26. Cara Marta, entendemos isso. E é legítimo. Mas, ao mesmo tempo, para defender aqui a inclusão da obra... notou que nada diz de significativo sobre ela? O erro de quem se opõe devido ao "facto de ser sobre um casal gay" é o mesmo erro de quem a defende devido ao "facto de ser sobre um casal gay". Estão na mesmíssima página, fazendo apenas leituras opostas da obra.

    Permita-me, por isso, contar-lhe uma história que os meus colegas acharam apropriada para aqui. Quando os Lusíadas foram publicados, alguns defenderam que a obra era digna de censura e ela até foi censurada durante anos. Entre versos menores, contava-se, por exemplo, a necessidade de suprimir o episódio da "Ilha dos Amores".
    Agora, se nunca nos contam esta pequena história em tempos de escola, é porque ela é hoje desnecessária. Certamente que leu os Lusíadas na escola, até pode ter lido este episódio, mas raramente se vê algo de errado na obra - porque o tempo a consagrou e nos revelou quem tinha razão, i.e. que se calhar o "Concílio dos Deuses" e a "Ilha dos Amores", entre outros episódios, pouco ou nada tinham de mal.

    O mesmo se passa com a obra de que falou aqui. Já viu se se definissem os Lusíadas como "uma obra em que os Portugueses vão a uma ilha misteriosa e se envolvem em amores com ninfas"? Seria absurdo, porque esse não é o cerne do poema, mas apenas um episódio.

    Agora, se os homofilíacos querem aclamar esta obra como digna de leitura, fazendo dela seu bastião de batalha, pelo menos que nos dissessem sobre que ela é. Que contribui ela para a formação das nossas crianças e jovens? Se o tempo de leitura em escola é limitado, porquê esta obra e não outras, que adicionam mais às suas vidas, como "Uma Aventura", "Lendas e Narrativas", "O Oriente", etc etc etc.? Isso é que não vemos ninguém a responder, ninguém que defenda que a obra deve ser lida, ou não, com base no mérito próprio ou ausência dele. E isso sim, é preocupante, porque implica rejeitar - ou aceitar - uma obra cujo único ponto de interesse parece ser "epá, tem duas personagens homossexuais"!

    Se esse aspecto é assim tão importante como o querem fazer soar, quase que apetece - e escrevemos isto em tons de brincadeira, como é óbvio - convidar duas famosas autoras a escrevem "Uma Aventura... Lésbica", só para o incluírem no PNL e venderem mais uns tantos livros...

    Por isso, duas questões finais - leu a obra? E, em caso positivo, porque não nos contou quase nada sobre ela, excepto sobre o facto de conter dois rapazes homossexuais?

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  27. A intenção deste post não é falar sobre o livro em si (isso farei noutro post), nem tão pouco defender a sua inclusão no PNL.
    É apenas a de me manifestar contra os argumentos baseados, unicamente, na questão de ser uma história sobre gays, para rejeitá-la, à partida. Porque a homossexualidade corrompe a noção de família, por exemplo. E outros do género.

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