terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #1

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Pode, a prisão, libertar-me?


Trazer-me mais liberdade, do que a liberdade que me aprisiona?


As pessoas dizem que não sou livre.


Mas há alguém que o seja? Totalmente?


E, quantos de nós, o querem, realmente, ser?


 


Quantas vezes está, a liberdade, ali mesmo à nossa frente, e nem sabíamos que a tínhamos.


Porquê?


Porque nunca nos foi permitido experimentá-la.


Porque nunca nos foi mostrada.


Ou porque nunca ousámos descobri-la.


 


Porque abdicamos dela, a troco de tantas coisas que nos acabam por prender.


Por vezes, são-nos colocados grilhões de uma forma tão subtil, que nem nos apercebemos que os temos.


 


Também eu tenho os meus.


Alguns, que permiti que me fossem colocados.


Outros, parece que surgiram de um momento para o outro, e não faço ideia onde anda a chave que me permite soltá-los.


Confesso que, por vezes, torna-se difícil carregá-los.


Por vezes, pesam.


Dificultam.


Limitam.


E as pessoas dizem que não sou livre. Porque não me atrevo a libertar-me deles.


 


Por vezes, vemo-nos fechados num determinado espaço, e depreendemos que não nos é permitido sair dele. Ainda que a porta não esteja trancada. 


E, não raras vezes, a porta está mesmo aberta. E, ainda assim, não saio. Mantenho-me no mesmo espaço.


Sim, algumas vezes, sinto que posso enlouquecer. E que o melhor seria fugir, para lá da porta.


E as pessoas dizem que não sou livre. Porque não tenho coragem de sair.


Mas, outras vezes, isso é tão insignificante, que a segurança e liberdade que sinto me levam a permanecer na minha prisão.


 


Porquê?


Porque, aqui, ainda sonho.


Ainda tenho momentos felizes.


Ainda sou relativamente livre.


Ainda me sinto em segurança.


 


E lá fora? 


O que irei eu encontrar?


Com o que poderei, eu, contar?


Como me sentirei, quando já não tiver nada que me prenda?


 


E o que sabem as pessoas da minha prisão, e da minha liberdade?


Que direito têm, de opinar? 


Quando elas próprias não se conseguem libertar das suas próprias prisões?


Ou não se querem libertar?


 


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

9 comentários:

  1. Bom dia Marta!
    Gostei imenso.
    Grande verdade......
    Um beijinho.

    Luísa Faria.

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  2. Obrigada, Luísa!
    Todos temos correntes que nos prendem, de uma ou outra forma. E nem sempre nos queremos livrar delas
    Beijinhos

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  3. Bom dia Marta
    Gostei muito do teu texto e foi através dele que tive conhecimento deste desafio que também me inspirou! https://greenideas.blogs.sapo.pt/aprisionada-89888
    Neste sentido, agradeço-te pela oportunidade para ler o teu belo texto, mas também por me inspirares à participação neste desafio que eu ainda não tinha tido oportunidade de ler!
    Um dia feliz!

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  4. Obrigada, Ana :)
    A imagem veio mesmo a calhar para o texto que já andava aqui a germinar na minha cabeça!
    Estou curiosa para ver as restantes participações
    Beijinhos

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  5. Também eu! Espero que não nos escapem. Eu segui as indicações do Triptófano colocando no comentário o link para o meu texto. Se quiseres também poderias colocar no meu o link para o teu excelente texto. Foi mesmo a minha inspiração!

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  6. Sim.
    E depois, habituamo-nos. E quando nos libertamos, estranhamos.
    Somos um bicho estranho

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  7. Já tinha lido este texto, mas "saltei para outos posts, esqueci de comentar.
    Tens uma boa filosofia nas palavras que usas.
    Fico parada, por vezes, a olhar para as palavras.
    Já sabes o que penso de ti.
    Beijinhos

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  8. Tivesse eu iniciativa e acção na mesma medida da filosofia das palavras que me saem, em algumas situações da vida
    Beijinhos

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