sexta-feira, 11 de março de 2022

Das partilhas inúteis nas redes sociais

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Ontem o meu marido perguntou-me se eu tinha visto um vídeo que ele tinha partilhado. 


Tinha sido uma pessoa, que ele conhece, a filmar o momento em que uma assistente social, acompanhada de agentes da polícia, retira uma criança à mãe, e que pediu para partilhar o vídeo. Com que objectivo?


Pois...


Ah e tal, devia ser para ajudar. - respondeu o meu marido.


Ajudar? Quem? Como?


Penso que a ideia era condenar, à partida, esta retirada, e o papel dos assistentes sociais. Viralizar o vídeo. Levar as pessoas a comentar, a dar opiniões de algo que não sabem. E tornar famoso quem o filmou.


 


Em primeiro lugar, quem está a partilhar, e quem está a ver de fora, não conhece o contexto. 


Em segundo lugar, não é por as pessoas descarregarem ali o seu ódio, e as suas opiniões sem conhecimento de causa e fundamento, que a criança vai deixar de ser retirada, ou devolvida à mãe.


Até porque as pessoas hoje têm uma opinião e, amanhã, se for preciso, já têm outra. É para o lado que pendem, naquele dia.


Hoje condenam por se tirar uma criança. Amanhã, condenariam por não ter sido tirada, e evitar o pior. 


Portanto, onde é que está a ajuda na partilha no vídeo?


Talvez eu esteja a ver as coisas mal. Mas eu não teria partilhado, nem comentado, sem saber o que levou a essa situação.


Não falo daquilo que não sei. Nem alimento quezílias nem guerras que não são minhas.


 


Esta é só uma de muitas situações e publicações que não percebo porque são publicadas, e tão pouco, partilhadas.


É como aquelas imagens de pessoas, com deformações físicas ou outras, que perguntam se alguém lhes vai dar os parabéns, ou um bom dia.


Qual é a ideia?!


Gerar "pena"?


Porque se é, nem isso conseguem. Têm, precisamente o efeito contrário e, a mim, passam-me ao lado.


 


Gosto de partilhar coisas úteis, engraçadas, importantes, curiosas, que possam ter interesse para mim, e para aqueles com quem estou a partilhar, ou ajudar de alguma forma, quem está do outro lado.


Não apenas porque é moda.


Não quando me pedem, sem razão plausível.


Não porque goste ver o circo pegar fogo e incendiar as redes, gratuitamente.


Ou porque compactue com vitimizações sem sentido, quando a ideia é, precisamente, tratar todos de igual forma, sem fazer discriminações.


 


E por aí, também costumam encontrar partilhas inúteis nas redes sociais? 

5 comentários:

  1. Quem filmou devia ter tido em primeiro lugar, a preocupação porque a criança foi retirada à mãe!

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  2. Olha, hoje se estivesse aqui, estaria a filmar a minha vizinha e o filho, cujas guerras habituais levaram à intervenção da GNR e INEM.

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  3. Ui, tristeza! Essa história não vai acabar bem....

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  4. Isto já dura há anos.
    A mulher grita como uma louca para chamar a atenção. A maior parte das vezes, só se ouve ela. Ultimamente, ela e o filho. Na semana passada tive que passar por eles, enquanto discutiam. Ela é louca e bêbada. Ele tem problemas mentais e anda na droga.

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  5. Vai acabar terrívelmente mal! São várias misturas explosivas.

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