sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Frustração

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Ali estava...


À sua frente, uma tela em branco.


Uma página, pronta a receber as palavras que a iriam preencher.


As palavras que, alguém, algures, iria, mais tarde, ler.


 


Mas não lhe ocorria nada que pudesse escrever.


Pelo menos, nada digno de suscitar interesse a quem lesse.


Tinha uma ou outra ideia, mas não era sobre nada daquilo que queria falar.


Queria algo diferente. Algo que entusiasmasse. 


 


Já tinha experimentado sair à rua, para ver se lhe vinha a inspiração.


Mas esta nem deu sinal.


Nada do que via lhe parecia diferente do habitual. Nada digno de nota.


Deu uma vista de olhos pelas novidades do dia, mas continuou sem ideias.


Abriu o livro que andava a ler, numa página aleatória, na esperança que alguma palavra fizesse o clique, mas nada surgiu.


 


E como se irritava, quando isto acontecia.


Parecia que a mente lhe estava a pregar uma partida de mau gosto.


Não é que tivesse que cumprir uma obrigação, porque escrevia por gosto, sempre que lhe apetecia.


Quando lhe apetecia.


 


Mas não escrever porque, simplesmente, não tinha ideia sobre o que falar, era diferente.


E quando isso se prolongava por vários dias, ainda pior.


A tela, aborrecida, parecia questionar o que impedia as letras e palavras de a ocuparem.


E quem lhe dera saber responder. Ou satisfazer-lhe a vontade.


 


No entanto, naquele dia, teria de se resignar.


Nada seria escrito.


Quem sabe no dia seguinte.


E, conformando-se, encerrou o computador, e fechou o ecrã...


 


 

6 comentários:

  1. O síndroma da página em branco é conhecido de todos os escritores. O dar-lhe a volta é que pode ser mais difícil. É como os gatos, como o sono em noite de insónia, como o fogo fátuo, quanto mais se corre atrás deles mais esquivos se tormam.

    Por vezes funcionam escrevendo alguma coisa na página, e depois ir transformando. É que com alguma coisa lá escrita a página deixa de estar em branco. Não prometo sucesso. :)

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  2. Eu penso que não vale a pena forçar, é deixar fluir, e ver o que surge.
    Não somos nós que temos que procurar as palavras. Quando for tempo, elas vêm ter connosco.

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  3. É verdade. Mas também podemos tentar, sem desespero, facilitar-lhes o caminho.
    Quando eu era moço, trabalhei muito na quinta onde cresci. Um dos trabalhos que mais fiz foi guiar a água para regar as plantas. Já sabemos que a água só vai para onde ela quer, mas a minha função era tapar-lhe caminhos que não me interessavam. :)

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