terça-feira, 6 de dezembro de 2022

"Terra", de Eloy Moreno

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O que dizer deste livro?


Ainda estou sem palavras após acabar de lê-lo.


E não é porque não haja muito para dizer sobre ele.


É porque a história tanto nos envolve e nos atrai, como começa a soar fantasista e nos repele. Tanto nos faz uma chamada de atenção e nos volta a agarrar, como parece apenas mais do mesmo, e nos desprende.


Mas posso dizer que o final, esse ninguém está à espera. E vale mesmo a pena! É o final que nos conquista!


E, afinal, a "chave" estava mesmo no início.


 


Vi este livro pela primeira vez, num hipermercado.


Interessou-me, pus na minha lista, mas não comprei logo.


Desde então, tenho estado na dúvida se o havia de comprar, ou dar prioridade a outros.


Porque é diferente. 


Tem uma história diferente.


E poderia ser uma alternativa aos romances e thrillers do costume.


 


Tive oportunidade de lê-lo, ainda que em espanhol.


É de fácil leitura, e compreende-se bem, apesar disso.


 


O protagonista, outrora um pai que propôs um jogo aos seus filhos, actualmente um homem poderoso, que brincou com a vida de muitas pessoas, faz uma revelação bombástica, antes de se suicidar: a televisão é uma mentira!


Confesso que, a cada palavra do seu discurso, ia identificando os reality shows das nossas televisões, as manipulações, a forma como as coisas verdadeiramente funcionam e como nós, público, temos tão pouca, ou mesmo nenhuma, influência, apesar de nos venderem essa ideia.


A televisão, segundo ele, é uma mentira.


Uma mentira da qual dependemos e, por isso, ela não tem limites, e não há forma de pará-la. Porque nós vamos aceitando uma mentira atrás da outra, e uma maior que a outra.


E, ainda que nos digam, à descarada, que tudo é uma mentira, nós aceitamo-la na mesma.


Porque a adição, seja ela ao que for, incluindo a televisão, é uma fraqueza de que quem pode se aproveita, para dela fazer negócio, e lucrar.


No que respeita, especificamente, aos reality shows, e quando se questiona quem tem interesse em assistir a horas e horas da vida de outras pessoas, isoladas num determinado sítio, a resposta é simples: quem não tem vida própria!


 


"Terra" é um livro sobre verdades, e mentiras.


As mentiras que "compramos" no dia a dia, e as verdades que fingimos não ver.


 


É, também, um livro sobre impossíveis.


Sobre decisões que, uma vez tomadas, não podem ser revertidas.


Sobre arrependimentos.


Sobre o que se fez, e o que se deixou de fazer.


E como, por vezes, pagamos um preço alto por isso.


 


É uma história sobre jogos, desejos e promessas que são para cumprir.


É uma história sobre os humanos, a humanidade, e o nosso mundo.


E, no fundo, não é mais do que a história de um pai que, um dia, numa cabana, propôs um jogo aos seus filhos, em que, em troca de conseguirem levá-lo a cabo, com sucesso, ele prometia tudo fazer para concretizar o desejo de cada um.


 


Nem tudo correu da melhor forma.


Muito se passou desde esse dia, até ao momento em que este pai se mata, e o jogo retoma o ponto em que ficou para, desta vez, ser concluído de vez, e com sucesso.


 


Alan já viu o seu desejo concretizado.


Conseguirá Nellyne, agora, concretizar o seu?


A resposta, essa, está na "Terra"!


 

2 comentários:

  1. sobre os dizeres na capa do livro, ainda ontem num blog em destaque, tentei dizer isso mesmo ao Autor. Era sobre liberdade. E depois de a termos ? "nao saber o que fazer com ela" como diz a capa do livro.

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  2. Muitas vezes tranca-se alguém, e ele faz tudo para sair. Abre-se a porta, e é vê-lo ficar lá dentro, por não saber como agir cá fora.

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