quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

A vantagem de morar perto do hospital...

ícone-da-sala-de-espera-no-fundo-branco-107419589


... é marcar a consulta, ir até casa e voltar, para ser atendida, três horas depois!


 


Apesar dos votos habituais de saúde para o novo ano, 2023 não fez caso, e trouxe, à minha filha, uma amigdalite.


Começou a sentir dor na segunda-feira. Quando saiu do trabalho, à tarde, estava com febre.


Entretanto, como tomou comprimidos e pastilhas, melhorou.


 


Aqui em Mafra, para sermos vistos por um médico, ou tentamos consulta do dia, no Centro de Saúde, entre as 8h e as 20h (que nunca é assim porque, muitas vezes, a meio da manhã, já não há vagas), ou vamos ao Atendimento Complementar (24 horas), caso não haja vagas no Centro de Saúde, ou fora daquele horário (8h-20h).


Só que, em horas normais, está sempre muita gente.


Ou vamos de manhã cedo, aí pelas 6h/7h, ou a partir da meia-noite.


 


Na terça-feira, a minha filha só trabalhava da parte da tarde, pelo que deixei-a dormir de manhã.


Continuava com dor.


Quando lhe vi a garganta, ao almoço, disse logo: tens mesmo que ir ao médico para te receitarem antibiótico, estás com amigdalite.


Foi trabalhar, com um arsenal de pastilhas e ibuprofeno para atenuar.


À noite, quando saíu, seguimos directamente para o hospital.


 


Marcada a consulta às 21.11h, foi-nos dito que tínhamos mais de 30 pessoas à frente.


Como moramos perto, fomos a casa para a minha filha jantar e descansar um pouco.


Eu adiantei algumas coisas em casa. Ainda dei colo à bichana e comecei a ler um livro.


Cerca das 23h, voltámos ao hospital.


Ainda tínhamos 12 pessoas à frente (e isto porque tinha havido várias desistências).


Esperámos por lá mesmo.


Foi atendida já passava da meia-noite, após 3 horas de espera (não está mau).


 


Num curto espaço de tempo, e quando digo curto, é mesmo curto, à volta de 7 minutos, se tanto, 3 pessoas foram atendidas pelo mesmo médico. Um médico que tinha entrado há poucos minutos ao serviço.


O que me leva a questionar se os que estavam de serviço, até aí, estariam a atender à velocidade de caracol (e daí tanta gente à espera, e tanto tempo de espera), ou se demoram cerca de 20 minutos com cada utente, num atendimento demasiado atencioso, e seria este último a estar mal.


Mas a verdade é que, no caso da minha filha, e se calhar, de tantas outras pessoas, não havia muito por onde demorar. Era só ver a garganta e passar a receita.


 


Como já era tarde e, para nosso azar, a farmácia de serviço ficava a mais de 10km, acabámos por ir directamente para casa. Estava com febre novamente.


Chá de limão quente, mais ibuprofeno e tentar controlar a coisa até ao dia seguinte, para comprar os medicamentos na farmácia ao pé do meu trabalho.


 


Infelizmente, havia ali pessoas, que tinham chegado à tarde, e já iam com várias horas de espera, sem ter para onde ir.


Infelizmente, há hospitais ainda com mais tempo de espera, para onde nem vale a pena ir, e cujas situações seriam fáceis e rápidas de resolver.


Talvez por isso, muitos tenham desistido.


Mas é o que temos. E quem precisa, tem que ser paciente, e resiliente.


 

9 comentários:

  1. Também moro próximo do hospital e traz, de facto, muitas vantagens... só pelo facto de sabermos que, se for preciso, está logo ali a uns minutos... já nos faz sentir maior segurança!!!
    Beijinhos!!

    ResponderEliminar
  2. "E quem precisa, tem que ser paciente, e resiliente".
    O que não foi o caso. Na verdade, teria perdido menos tempo se tivesse ido à tal farmácia que fica a 10 km.
    Como não foi resiliente nem paciente, safou-se a bichana, presumo, que assim teve mais colinho.

    ResponderEliminar
  3. Eu costumo apelidar este hospital de posto de triagem porque, na verdade, funciona como intermediário em situações que não podem ser resolvidas ali, enviando os utentes para hospitais centrais.
    Mas para aquelas doenças do dia a dia, e pequenos acidentes, que não podem esperar pelo médico de família, ou para conseguirmos uma receita médica, serve bem.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. "E quem precisa, tem que ser paciente, e resiliente".
    Referia-me à espera que os utentes enfrentam no hospital, para ser consultados, muitas vezes por coisas tão simples como pedir uma receita, porque é a única forma que têm de a conseguir.
    Mas sim, poderia, tendo forma de me deslocar, ir do hospital à farmácia comprar o antibiótico, para ela tomar ainda nessa madrugada.
    Mas para além de paciência e resiliência, é preciso também consciência e bom senso.
    As bichanas safam-se sempre, com colo ou caminha

    ResponderEliminar
  5. lixou-nos (apanhou-nos ) bem com esse titulo, deixando os leitores entre intrigados e incredulos : o que uma coisa teria a ver com a outra ?!!!

    Do que leio, continuo a ser o unico a defender um posto medico nos hospitais, posto medico justamente para "serviços rapidos".
    Por isso continuo a afirmar que o sistema nao está pensado-montado para servir o utente.

    ResponderEliminar
  6. Este hospital funciona um pouco como posto para serviços rápidos mas, na prática, a rapidez em hora de ponta traduz-se em algumas horas, seja porque só há um médico (ou dois, que valem por um), seja porque é hora de almoço ou jantar, ou mudança de turno, porque se demora mais tempo a emitir uma receita do que a diagnosticar o doente, ou porque estão na conversa em vez de chamar os utentes.
    Depois, claro, há médicos que são mais despachados mas, entretanto, já estão dezenas em espera.

    ResponderEliminar

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!