quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Meter o bedelho onde não se é chamado

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Acontece muito.


E na minha zona não é excepção.


 


Há uns tempos, alguém tinha deixado um carro mal estacionado, a estorvar o caminho de um vizinho que precisava de passar.


O dito vizinho buzinou. Uma, duas, várias vezes, e ninguém apareceu.


Saiu do carro, foi bater a uma ou outra porta para ver se era de alguém dali, ou que estivesse ali de visita. Sem sorte.


Uma vizinha, que mora em frente a mim, logo saiu de casa e ficou ali, solidária, como se a presença dela ajudasse a resolver a questão e o dono do carro, miraculosamente, aparecesse.


Quando já o vizinho pensava em chamar a GNR, ao fim de uns 10/15 minutos, lá apareceu a condutora. 


Ainda houve ali uma troca de palavras, com a vizinha prestável a assistir a tudo e a dar um ar da sua graça.


 


Esta semana, o meu marido veio a casa e, não havendo lugar para estacionar, parou à nossa porta.


Era óbvio que estava a impedir a passagem mas, pensou ele, era uma coisa temporária e se, nesse meio tempo, alguém precisasse passar, era só apitar que ele tirava.


Bem dito, bem feito.


Estava ele na casa de banho, buzinam.


Avisei-o, para que se despachasse.


Fui à rua, entretanto, e avisei a condutora que era só um bocadinho, que no meu marido já tirava o carro.


Não sei se ela percebeu, fez apenas uma expressão com a cara, e continuou no mesmo sítio mas não voltou a buzinar.


O meu marido nunca mais se desenrolava e, às tantas, batem à porta.


Pensei: deve ser a senhora que já está farta de esperar e veio aqui ver se o meu marido se despachava, que ela tem mais que fazer do que passar ali o resto da noite à espera.


E tinha toda a legitimidade para o fazer. Era a única que a tinha.


 


Mas não.


Pelo que percebi, foi a minha vizinha da frente, que mora ali há anos e nos conhece há outros tantos, que ali foi bater à porta.


E com que intenção?


Não, não foi avisar que havia alguém que queria passar.


Foi para "meter o bedelho onde não era chamada".


Para recriminar, porque a senhora tinha duas crianças pequenas dentro do carro, e que o meu marido não tinha consideração.


Para acusar o meu marido de ter parado ali o carro de propósito, por maldade.


Porque já não era a primeira vez.


E ainda falou em chamar a GNR.


 


A maior prejudicada, que era a senhora que queria passar, ao que parece, esperou, o meu marido pediu desculpa, tirou o carro, e ela foi à sua vida.


Mas esta nossa vizinha, não sei se recebe à comissão, por solidariedade, intrometeu-se e ainda fez acusações infundadas.


Quando, numa outra ocasião, em que era ela que queria passar, e apesar de o meu marido estar bem estacionado, foi ele que a desenrascou.


 


Enfim...


Não tenho nada contra a vizinha. Fala-me bem.


Mas sempre disse ao meu marido que me soava a pessoa falsa.


E, pelos vistos, metediça.

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