sexta-feira, 23 de junho de 2023

A propósito do Titan...

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É certo que incidentes, acidentes e tragédias podem acontecer a qualquer momento, sem que se possa fazer nada para evitar.


É certo que temos muito pouco controlo sobre a nossa vida, e o que se passa à nossa volta. 


Mas isso não significa que tenhamos que brincar com as nossas vidas, ou servi-las, de bandeja, à morte.


 


Há determinadas situações em que uma pessoa ainda consegue ter o mínimo de controlo, ter poder de acção.


E outras, em que estamos totalmente dependentes.


É o caso de uma viagem de carro ou autocarro, em que estamos dependentes do condutor. De avião ou avioneta, em que dependemos do piloto. Um elevador, ou outros mecanismos do género.


E, neste caso, um submarino.


 


Só de pensar em entrar dentro dele, e imaginar ficar fechado, debaixo de água, sem qualquer hipótese de fuga, com oxigénio contado, já é suficientemente claustrofóbico, para não me meter lá dentro.


Porque é, literalmente, entregar a vida nas mãos de uma máquina, e confiar cegamente.


Quem já fez a viagem turística, garante que vale a pena o risco. Risco que, ao que parece, era do conhecimento de todos os que se atrevem a desafiar o destino.


 


Ainda assim, o que seria do mundo sem os aventureiros?


Hamish Harding era um desses aventureiros, que já tinha, inclusive, viajado até ao espaço, para além de ser detentor de três recordes mundiais do Guinness, incluindo o maior tempo durante um mergulho na parte mais profunda da Fossa das Marianas, o local mais profundo dos oceanos. 


Paul-Henri Nargeolet, um oceanógrafo francês mais conhecido como Sr. Titanic, tantas as vezes que visitou os seus destroços (cerca de 25 mergulhos ao naufrágio desde 1987), foi outro deles.


Stockton Rush, marido de uma descendente de duas vítimas do naufrágio do Titanic, era também o CEO da OceanGate Expeditions, proprietária do submarino que o levou à morte. Mas, bem vistas as coisas, ele era o próprio a afirmar que a segurança era "puro desperdício".


Consigo compreender a vontade e o desejo destes três homens, em aventurar-se nesta expedição.


Já é mais difícil compreender quanto aos restantes dois tripulantes - Shahzada Dawood e Suleman Dawood - membros de uma das famílias mais ricas no Paquistão que, aparentemente, queriam só mesmo uma aventura diferente. Aliás, o pai queria, e o filho, apesar de estar, segundo uma familiar "apavorado", acabou por fazer a vontade ao pai.


 


E não é dos aventureiros que reza, quase sempre, a História?


Cinco pessoas morreram. E ficarão para sempre na História.


Duas tragédias interligadas: Titanic e Titan, o navio inafundável e o submarino que levava curiosos a explorá-lo.


Às vítimas, e aos destroços, do naufrágio de 1912 juntam-se, agora, em 2023, as vítimas, e os destroços, da implosão do submarino.


Maldição?


Acaso?


Destino?


Consequência de soberba, ostentação e irresponsabilidade?


Que importa...


 


Posso nunca ficar conhecida, ou ficar para a História. Posso nunca viver grandes aventuras. Ou grandes feitos.


Ainda assim, prefiro não correr riscos desnecessários.


Já basta tudo aquilo que temos mesmo que fazer, ou sobre o qual não temos qualquer poder de decisão.


Prezo muito a minha vida para arriscar perdê-la por puro capricho ou curiosidade sabendo, à partida, que, alguma coisa correndo mal (e aqui havia muitas coisas que podiam correr mal), a morte era certa, sem fuga possível.


Mas cada um sabe de si...


 


 


Imagem: ladbible


 


 


 

15 comentários:

  1. O James Cameron, realizador do Titanic de 1997, mergulhou 33...
    26 anos depois era suposto ser mais seguro.
    São coisas do destino.

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  2. E foi um dos que alertou para os riscos destas expedições.
    Num vídeo que vi, diziam que este tipo de submersíveis, sem certificação, não deve ser usado para transportar pessoas.
    "Só uma dezena de submersíveis no mundo inteiro são capazes de levar pessoas a profundidades de quatro mil metros. O Titan é um deles, mas era também o único desse grupo restrito que não é certificado. Os especialistas do setor alertaram para esse problema e para o caráter experimental do aparelho."

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  3. Tenho horror a barcos e pânico de submarinos. Nem em doca seca entro num e nesse tal Titan, só punha lá os meus pés se lhe tirassem a prota que se fecha só por fora com parafusos!

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  4. Sou como tu.
    Só de pensar que estava fechada e debaixo de água a uma profundidade até menos que esta, não me atreveria, nunca, meter -me numa "coisa" destas.
    Já fui menos claustrofóbica, mas com o tempo , a idade e o bom senso, tenho amor à minha vida.
    Sabes que esta noite não tinha sono, eram 3h00 não dormia, infelizmente porque pensava nestes 5 aventureiros que satisfizeram um capricho, e ironicamente, como também referes, Titanic, Titan, a desgraça aconteceu.
    Beijinhos

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  5. Eu acho que entre um barco e um avião, me afligiria mais o avião. Embora já tenha feito curtas viagens de barco e avioneta.
    Mas mergulhos e submarinos, tal como foguetões e naves para ir ao espaço, é para esquecer.

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  6. Faz alguma impressão, apesar de, para nós, serem meros desconhecidos.
    Já fazia, quando achávamos que estariam a morrer por falta de oxigénio, mas havia sempre uma ínfima esperança de encontrá-los com vida. Ver a confirmação de que morreram todos...
    É graças a aventureiros, a pessoas que arriscam as vidas, que muitas vezes se fazem descobertas incríveis.
    Não me parece que seja este o caso, acho que era mais curiosidade, fazer história, ocupar o tempo e o dinheiro de forma diferente, e exibicionista.
    E é caso para dizer que a morte lhes saiu bem cara, pagaram bem por ela.
    Ah e tal, já tinham sido feitas outras excursões. Pois, mas como diz o ditado: "Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que um dia lá deixa a asa."

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  7. Concordo plenamente consigo. E não sabia o detalhe de o rapaz ter ido só para fazer a vontade ao pai. Que tristeza.

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  8. Como já li por aí: "É arriscado regressar ao passado"

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  9. a unica parte polemica é justamente a ultima frase, embora se perceba bem o sentido-coerencia.
    Por acaso até consta do post (o elevador), a unica coisa que me ocorreu ainda antes de ler o post, para :
    existem pessoas capazes dos mais diferentes saltos mortais mas incapazes de entrar num elevador !!!

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  10. No que toca a transportes, onde me sinto mais seguro é de avião e de comboio.

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  11. Uma morte é sempre lamentável.
    Porém, acho um pouco hipócrita ficarmos muito chocados com este caso e desvalorizarmos (mundialmente) o cemitério que se tornou o mar Mediterrâneo.

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  12. Não consideraria isso hipócrita. Hipócrita seria mostrarmo-nos muito chocados sem realmente o estarmos, só porque é isso que se espera.
    Acho que o choque (e a maior atenção dada), pelo menos na minha opinião, vem do facto de ser uma "morte parva", quase que encomendada, que ninguém imaginaria, algo a que não estamos acostumados. Da mesma forma que ficamos chocados com a morte de um actor ou músico conhecido.
    É impactante, mas depressa passa.
    Não é que desvalorizemos as mortes no Mediterrâneo, tal como não desvalorizamos as mortes provocadas pela fome, pelas guerras, pelos incêndios, pelas cheias e tantas outras causas.
    É só que, infelizmente, já estamos habituados a elas. Pessoas que, sem culpa nenhuma, perdem as vidas, muitas delas na procura de uma vida melhor, ou simplesmente a tentar sobreviver.

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  13. A mim não me convidem nem para o fundo do mar, nem para o espaço. Prefiro os pés bem assentes na Terra

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