terça-feira, 31 de outubro de 2023

Saw X e Scream (2022)

The 'Saw' Franchise, Ranked By Critics' Scores And Box Office Opening  Weekends


 


"SAW X" estreou há pouco tempo no cinema.


Este fim de semana, a minha filha perguntou-me se queria vê-lo com ela.


Como já tinha visto vários filmes anteriores da franquia, fiquei curiosa.


Apesar de ter sido o último filme a sair, a história desenrola-se entre o primeiro e o segundo filme. Daí que seja logo um ponto contra, porque vimos filmes em que John Kramer estava morto e, agora, afinal, ele ainda está vivo.


Tirando esse ponto negativo, a trama até começa de forma interessante. 


Vemos um John muito fragilizado, mais velho, na fase terminal da sua doença - um cancro no cérebro - com apenas alguns meses de vida, se tanto. E chegamos mesmo a sentir pena dele.


Num grupo de apoio, ele conhece outras pessoas em condições semelhantes sendo que, um dia, encontra um desses "parceiros" de terapia na rua, e fica a saber de um tratamento experimental que promete a tão desejada cura milagrosa.


Pensando que ainda tem muito trabalho a fazer, e numa tentativa de ganhar a sua vida de volta, John entra em contacto com a Dra. Cecilia Pederson, viaja até ao México, e é submetido a uma cirurgia e tratamento à base de químicos, em troca de uma quantia choruda.


Agradecido, John volta ao local onde foi tratado, mas descobre que tudo não passou de um embuste, de um esquema para extorquir dinheiro. Percebe que nunca foi operado, e que nenhuma daquelas pessoas era quem dizia ser.


A partir daí, segue-se a "vingança", ou melhor, a oportunidade de redenção de cada uma das pessoas envolvidas.


E é mais do mesmo. Compreendo a intenção, mas não estou de acordo com os métodos. É tudo muito doentio. 


Apesar de o final surpreender, é um filme que pouco trouxe de novo, e que nada acrescenta.


 


 


Watch Scream (2022) - Stream Movies Online


 


"SCREAM" (2022) está na Netflix.


Até pensei que seria o último. Só depois percebi que não, até porque nada do que tinha visto no trailer aparecia no filme, e o último é deste ano.


Ainda assim, e porque também acompanhei boa parte da saga, vi-o.


Gostei das novas personagens, embora não consiga gostar do actor que interpreta o Wes (parece que o actor tem sempre a mesma expressão e actua da mesma forma em tudo o que entra).


E gostei de rever as personagens antigas.


Desconfiei, desde o primeiro instante, de um dos assassinos. O outro foi uma surpresa.


Ainda assim, soa tudo muito forçado. Um hospital onde só está uma paciente, nenhum pessoal - médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos - à noite, ali pelos corredores. 


As típicas cenas de suspense na casa de banho, ou quando se abre e fecha portas, sempre a dar a entender que o assassino vai aparecer ali.


Motivação para os crimes um pouco estapafúrdia. E crimes cometidos com demasiado facilitismo.


 


Quando saíram os primeiros filmes, de cada uma destas sagas, uma pessoa era mais nova, e os próprios eram uma novidade.


Agora, já não acho grande piada a nada disto.


Com muita pena minha.


 


 


 

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

"Dispara, eu já estou morto", de Julia Navarro

Dispara, Eu Já Estou Morto, Julia Navarro - Livro - Bertrand


 


Porque é que existem guerras?


Porque os povos não sabem/ não querem conversar, negociar, repartir, partilhar, entender-se entre si.


E porque há sempre governantes, líderes, loucos, que só pensam em si, e que se aproveitam dessa discórdia e incapacidade de entendimento dos povos, acabando por reclamar, para si, o poder sobre eles, e sobre o alvo do seu desentendimento: terras, riqueza, estatuto, ou o que quer que seja.


Sempre assim foi. E continuará a ser...


 


Quem sofre as consequências?


Todos! 


 


Há pouco tempo, já não sei bem como, surgiu-me este livro no radar.


Comecei a ler. 


Tinha 840 páginas, meio caminho andado para desistir, mas não o fiz.


Embora, confesso, tenha explicações, situações, descrições a mais, e que poderiam ser mais resumidas. Tem, também, muita política. Para além de que, chegando ao fim do livro, se não for lido todo de seguida, uma pessoa acaba por quase se perder no meio de tanta gente, tantos membros das famílias, e tantas gerações (daria jeito uma árvore genealógica).


 


Tudo começa quando Marian, que trabalha para uma organização que estuda, no terreno, os problemas que as populações deslocadas sofrem devido a conflitos bélicos, e catástrofes naturais, é enviada a Israel, a fim de levar a cabo algumas entrevistas, e elaborar um relatório sobre a situação, nomeadamente, a política de assentamentos.


Nesse sentido, tinha solicitado uma entrevista com Aaron Zucker, um dos mais firmes defensores da política de assentamentos. No entanto, acaba por se ver frente a frente não com Aaron, mas com o seu pai, Ezequiel.


A partir daí, toda a história que se desenrola é um relato, a duas vozes - Marian e Ezequiel - de como tudo começou, até à actualidade em que se encontram e, no fundo, em que nos encontramos hoje.


Resumidamente, os judeus (suponho que um dos povos mais indesejados e discriminados por todo o mundo) viam, na Palestina, a sua pátria e, fugindo de outros países onde eram perseguidos, num regresso às origens ou em busca de uma vida melhor, era para ali que partiam.


Só que, naquela altura, quase toda a Palestina estava sob o regime turco, e era ocupada por árabes, que viam nos judeus uma ameaça, já que chegavam cada vez mais e, pouco a pouco, iam comprando/ ocupando as terras que, no fundo, não lhes pertenciam, por não terem dinheiro suficiente para as comprar, mas nas quais trabalhavam e cultivavam.


E foi assim que começou o conflito, que dura até hoje, com ataques e contra-ataques de ambas as partes, cada uma a defender o seu direito àquelas terras, sem nunca conseguir levar a cabo a partilha das mesmas.


 


Neste livro, vamos acompanhando duas famílias - a família Zucker e a família Ziad - numa história que começa no final do século XIX.


Samuel Zucker e Ahmed Ziad, numa comunidade criada pelo primeiro (que comprou as terras onde vivia o segundo), a que chamaram Horta da Esperança, passam a trabalhar juntos e a respeitar-se, mesmo com culturas e pensamentos diferentes, onde todos - mulheres crianças, adultos, e velhos - trabalham e contribuem com as tarefas. 


Na Horta de Esperança, durante décadas, conviveram árabes e judeus tentanto, a todo o custo, preservar a amizade entre eles, que se viam quase como família, apesar dos conflitos entre os seus povos.


Todos se ajudavam, todos se apoiavam, estavam lá uns para os outros.


Até que, um dia, tiveram que se tornar adversários, por força das circunstâncias. 


 


Actualmente, Ezequiel, filho de Samuel, está de um dos lados, como israelita invasor, e Wadi Ziad, neto de Ahmed, do outro, como refugiado palestiniano, deslocado das suas terras, ocupadas pelos judeus.


Aqueles que, um dia, foram os melhores amigos, estão hoje em lados opostos de uma guerra que só trouxe sofrimento às suas famílias.


Cada um deles carrega um fardo pesado, e demasiadas cicatrizes desses conflitos.


Mas é assim a vida. 


 


O livro acaba por se tornar cansativo, mas o final compensa.


Só nas últimas páginas começamos a desconfiar, e a frase final, que corresponde ao título do livro, deixa em aberto o que acontece porque "Se disparasse, perder-se-ia; se não o fizesse, nunca se perdoaria."


 


Quem tem razão?


Ambos os lados. E nenhum.


Porque, como em tudo na vida, há sempre duas perspectivas.


Mas, diria Mohamed Ziad "Há momentos na vida em que a única forma de nos salvarmos a nós próprios é matando ou morrendo."


E cada um luta, e está disposto a morrer, por aquilo que acredita.


 


 


Sinopse:


"Um romance extraordinário sobre o conflito israelo-árabe retratando personagens inesquecíveis, cujas vidas se entrelaçam com os momentos-chave da história a partir do final do século XIX a meados do século XX, e recriando a vida em cidades emblemáticas como São Petersburgo, Paris e Jerusalém. Aqui Julia Navarro conduz o leitor através de relações duras de homens e mulheres que lutam por uma parcela de terra onde possam viver em paz."

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

1 Foto, 1 Texto #14

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Tombou...


Encontrámo-la assim, caída.


 


Aguentou-se ali, firme, durante décadas.


Mostrou-se viva, resplandecente.


Deu flores. 


Deu frutos.


Tratavam dela, e ela retribuía à sua maneira.


 


Com o passar dos anos, foi sendo esquecida.


Abandonada à sua sorte.


Continuava a haver gente de volta dela, mas só para ver se dela ainda podiam tirar alguma coisa.


Mas, o quê?


 


A cada dia, a cada mês, a cada ano, foi perdendo a vida.


Limitava-se a estar ali.


Ainda estava, apesar de algumas não terem tido a mesma sorte.


E ia sendo o suficiente.


 


Mas o tempo causa estragos.


A indiferença, a negligência, as adversidades, causam danos.


Ainda que não sejam visíveis, ou imediatos.


 


Não sabemos se o "fardo" que carregava se tornou demasiado pesado, para as suas raízes envelhecidas.


Se não aguentou mais lutar contra aquilo que não pode, e que é mais forte que ela.


Se algo, ou alguém, ajudou a este desfecho.


 


E que importa?


Irão tirá-la dali. Menos uma.


Daqui a uns dias será esquecida.


Como se nunca lá tivesse estado.


 


Mas, pelo menos agora, não tem que lutar mais.


Talvez esta fosse a sua hora de partir.


Para um mundo onde seja mais respeitada, apreciada, cuidada.


 


Aqui, cumpriu a sua missão.


E, agora, despede-se, de forma triste.


Quebrada, mas com a dignidade que lhe restou.


 


É uma ameixoeira, aquela de quem falo.


Mas, se pensarmos bem...


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto 


 


 

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Bondade, ou burla disfarçada de altruísmo?

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Ontem, uma mulher que o meu pai diz que não conhece, e que nunca viu na vida, bateu-lhe à porta.


Na mão, trazia um prato de sopa, acabada de fazer, que vinha generosamente oferecer ao meu pai.


O meu pai não aceitou.


E, segundo ele, a mulher não insistiu muito, e foi embora.


 


Tudo isto me soa estranho, e muito suspeito.


Se fosse um vizinho, ou conhecido, é uma coisa.


Mas uma estranha? E um prato de sopa?


Qual seria a ideia? 


Entrar lá em casa, esperar que o meu pai comesse, e lhe devolvesse o prato?


O que teria a sopa? Droga? 


 


Ou seria apenas uma desculpa?


Alguém a estudar a situação. A apalpar terreno.


A tentar perceber quem vive ali, se está sozinho ou acompanhado.


Se será um alvo fácil para um assalto ou algo do género.


 


Uma pessoa fica sempre de pé atrás.


Até porque há pessoas para tudo, e capazes de inventar as formas mais inusitadas de levar a sua avante.


 

Alien em Portugal

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A versão original


 


 


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A versão personalizada


 


 


Desde que me mostraram a imagem do alien que achei piada ao mesmo.


O meu marido também gostou, e quis comprar.


Ontem, colocou-o na mesa de cabeceira.


E eu, lembrei-me de experimentar este mini gorro, que andava por ali sem servir a ninguém, e que parecia feito à medida!


Valeu-nos umas boas risadas, mas o meu marido não achou piada a este toque de moda, e já lho tirou.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

1 Foto, 1 Texto #13

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O céu estava carregado.


Não chovia... Ainda.


Mas o vento parecia estar a chamar a chuva.


 


Amanhecia.


Mas o dia, em vez de ficar mais claro,  parecia escurecer.


Pesadas nuvens o atravessavam, e cobriam.


 


Não estava frio, apesar de tudo.


E, por incrível que pareça, sabia bem sentir o vento.


Ainda que a sua presença não tivesse a melhor intenção.


 


Poucas pessoas andavam na rua.


Afinal, o aviso era para ficar em casa.


Até o trânsito circulava melhor.


 


No centro de Mafra, olhei para D. João V.


Também ele, a condizer com o tempo.


Em tons de cinzento e negro.


 


Cheguei ao trabalho, e olhei para a rua.


Tinha começado a chover.


E a tempestade prometia um longo dia pela frente.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

"Pacto de Silêncio", na Netflix

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Descobri esta série por mero acaso.


Não me lembro de me ter sido sugerida, ou de ter visto qualquer anúncio da mesma.


Mas deparei-me com ela, pareceu-me interessante, e comecei a ver.


 


Fiquei viciada!


A série tem 18 episódios, motivo suficiente para torcer o nariz e deixá-la a meio, mas o que é certo é que uma pessoa vê um episódio, e quer mais, e mais, e mais...


 


Há 25 anos, uma bebé foi abandonada à sua sorte, por quatro adolescentes.


Uma delas, era a mãe.


Cada uma seguiu a sua vida, deixando esse segredo no passado.


Apenas a directora do internato sabe da história, porque as ajudou na altura.


Mas todas fizeram um pacto de silêncio.


 


Essa bebé é, na actualidade, Brenda, uma influencer digital com muitos seguidores, que passou a vida a tentar descobrir quem era a sua mãe, e a preparar a sua vingança contra aquelas que, sem dó nem piedade, a abandonaram, e nunca quiseram saber dela.


Apesar de ter, agora, uma boa vida, Brenda viveu na pobreza, com a mulher que a criou até aos 10 anos e, depois, nas ruas, chegando, inclusive, a ser detida.


Disposta, agora que, finalmente, tem uma oportunidade, a ir até às últimas consequências para descobrir qual das 4 mulheres é a sua mãe, Brenda vai desenterrar mais do que apenas a sua origem.


 


Sentindo-se ameaçada, após ser confrontada por Brenda, Ramona, a directora do internato, é a primeira a pagar pela sua participação naquela história.


Mas muito mais está por vir.


E cada uma daquelas 4 mulheres, e respectivas famílias, serão afectadas.


No entanto, a própria Brenda corre perigo. Alguém fará o que for preciso para que o passado fique no passado, nem que, para isso, tenha que matá-la.


 


O que mais me surpreendeu nesta série foi a facilidade com que empatizamos com as adolescentes, agora mulheres, condenando mais a vingança de Brenda contra elas, apesar de tudo o que passou, do que o abandono delas, relativamente àquela bebé.


Porque cada uma delas já pagou, à sua maneira. 


E, se aquela criança não merecia ser abandonada, também aquelas mulheres não merecem o que Brenda tem planeado para elas.


Até porque Brenda só conhece uma parte da história.


 


Naquela noite, há 25 anos, quatro amigas - Fernanda, Irene, Sofia e Marina - foram ao festival.


Martina discutiu com o namorado, e acabou por ser vítima de uma violação por um jardineiro doente mental que era obcecado por ela. 


Fernanda aproveitou para "roubar" o namorado da amiga.


Sofia encontrou-se com um professor, às escondidas.


E Irene, após ser pedida em casamento, termina a relação porque quer muito mais para a sua vida.


Um outro crime é cometido. E ocultado.


Uns meses depois, uma delas engravida, e dá à luz.


Numa noite, são obrigadas a fugir, e deixar para trás a bebé, na cabana de uma funcionária do internato.


Só saberemos qual das 4 é a mãe de Brenda no último episódio, embora algumas comecem a ser excluídas, antes disso.


 


Martina é, agora, uma mulher independente, empresária de sucesso, que só está interessada em encontros ocasionais, não havendo espaço para relações afectivas, ou amor.


Fernanda é uma mulher que vive para as aparências, mostrando nas redes sociais a vida e família perfeita que não tem, com um homem que sabe que não a ama, e com dois filhos que não são o que, e como, ela queria que fossem.


Sofia é a amiga pobre, cheia de dívidas, uma escritora fracassada que está prestes a ser despejada, casada com um homem que não ama, pai da sua filha, mantendo uma relação extraconjugal com o antigo professor.


Já Irene, é uma deputada, em plena campanha eleitoral, casada com um político e com o enteado como seu acessor.


 


Todas mantiveram a amizade, e o segredo, ao longo dos anos.


Continuam unidas, como naquela altura: Todas, ou nenhuma!


Mas os seus mundos vão ser virados do avesso, com a entrada de Brenda nas suas vidas.


Resta saber se sairão desse turbilhão mais fortes, mais destruídas, ou se nem sequer conseguirão sair.


Incluindo Brenda...


 


Relações abusivas, traumas,  a descoberta da identidade na adolescência, o vício das drogas e do álcool, e a corrupção e poder político, são alguns dos temas abordados para além da história principal, e que valorizam ainda mais a série.


Das melhores que vi nos últimos tempos!


 


 


 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

E são estas pessoas que estão a lidar com os utentes...

What - Free communications icons


 


Começámos bem a semana!


 


Fomos buscar a minha filha ao trabalho.


Queixava-se de dor de garganta.


Chegadas a casa, fui examiná-la e percebi que, para além de constipada, estava com uma amigdalite.


Portanto, foi jantar e seguir para o hospital, para lhe receitarem antibiótico.


Era só isso que queríamos - um antibiótico!


 


Numa segunda-feira, estava a abarrotar.


Era 21.55h e havia pessoas ali desde as 16h. 


Tirámos a senha.


Achei que não valeria a pena sentar-me, porque seria logo chamada para fazer a inscrição.


10 minutos depois, percebi que era melhor sentar-me.


O administrativo (único a atender), apesar de só ter uma pessoa por atender - nós - achou que podíamos esperar o tempo que entendesse para fazer a inscrição, enquanto ele fazia nem sabemos bem o quê.


O meu marido, menos paciente que nós, ao fim de 15 minutos vai lá perguntar se ia chamar alguém, ao que ele deve ter respondido que estava a fazer qualquer coisa. O meu marido perguntou então se não podia chamar para inscrição e continuar a fazer o que estivesse a fazer, depois.


Resposta do administrativo: "Eu giro o meu tempo da forma que eu entender".


E só ao fim de mais uns minutos chamou, então, a senha em espera.


 


Eu compreendo que não adiantasse muito fazer a inscrição na hora, ou meia hora depois, porque, afinal, tínhamos muito tempo de espera pela frente até sermos chamados pelo médico.


E compreenderia se o administrativo tivesse respondido, educadamente, que teríamos que esperar um pouco porque estava a fazer alguma coisa que tinha que ser feita imediatamente.


Mas uma resposta destas?!


Ainda mais quando depois, na prática, se vê, que muitas vezes estão ali sem fazer nada, e até vão fumar um cigarrinho lá fora.


E uma simples inscrição demora menos de 1 minuto, e éramos os únicos por atender.


Não faz sentido.


Levou, claro, com reclamação no livro. E aposto que, tendo em conta a forma bruta, arrogante e antipática como lida com os utentes, já deve ter muitas outras. 


 


 


Aguardava-nos uma longa noite.


Lá fora, um vento descomunal que, horas depois, foi regado com chuva.


E nós, lá dentro, munidas de muita paciência e resiliência, afinal, tínhamos mais de 30 pessoas à frente.


Saímos de lá pouco depois das 3h da manhã, porque muitas pessoas desistiram, ou ainda seria pior.


Portanto, 5 horas de espera, com um único médico a atender, para conseguir uma receita.


 


Eu sei que não nos devemos automedicar, e que a saúde está caótica, mas deveria haver alguma alternativa (ainda mais prática, rápida e viável), de se obter uma receita ou antibiótico, sem estar a ocupar tempo que outras situações, mais graves, poderiam precisar, e sem estar tanto tempo à espera, no meio de tanta gente doente, sujeitos a sair de lá pior do que entrámos.


 


Não havendo, esta é a alternativa para a maioria de nós: um atendimento complementar permanente, que funciona por ordem de chegada, e ao qual temos que recorrer em todas as situações.


E em que a melhor hora para lá ir é de madrugada. Depois de chegarmos, só entraram mais 3 pessoas, e depois das 2h ninguém mais apareceu.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

1 Foto, 1 Texto #12

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A cada dia, chegas mais tarde...


Longe vão as manhãs em que nos brindavas, com a tua presença, ao acordar.


Agora, temos que esperar, para te ver...


 


A cada dia, o caminho se vai encurtando.


Continuas forte, é certo.


E continuamos a usufruir da tua companhia, o que é bom.


 


Mas, a cada dia, de mansinho, vais escapando mais cedo.


E mais depressa.


Porque esperam por ti do outro lado, e não te podes demorar.


 


A cada tarde, te vais despedindo.


Avisando-nos que os dias estão a encolher, e as noites, a crescer.


E que, em breve, não te veremos mais, ao final do dia.


 


O azul claro tornar-se-á escuro.


A luz natural dará lugar à artificial.


E tu, cederás o teu lugar à lua.


 


É um "até já".


Um "Até amanhã."


E um "até breve".


 

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Constipada

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Ora dá um espirro


E depois dá outro


Ora dá mais um


Que só dois é pouco


 


A garganta a arder


O nariz a pingar 


E um pouco de tosse


P'ra não destoar


 


Vai um comprimido


e depois vai outro


Toma lá mais um 


Que só dois é pouco


 


A cabeça pesada


O olfacto apurado


Vai mais um chazinho


E um rebuçado


 


 


Dizem que as constipações de verão são as piores.


Tendo em conta que, apesar do outono, estamos com tempo de verão, eu confirmo!


Pelo sim, pelo não, fiz um teste de covid.


Deu negativo.


 


 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

"Dançando Sobre Vidro", de Ka Hancock

Dançando Sobre Vidro, Ka Hancock - Livro - Bertrand 


 


"Dançando Sobre Vidro" foi a expressão usada para explicar como seria a relação entre Lucy e Mickey, nos momentos em que a bipolaridade deste se manifestasse na sua pior fase.


 


Pode não haver amor à primeira vista, mas algo fez com que Lucy e Mickey se sentissem atraídos e, de alguma forma, ligados, desde a primeira vez que se viram.


Lucy não teve medo de arriscar. Mesmo quando soube da doença de Mickey.


Já este, sempre com dúvidas, e não se achando merecedor de viver o amor, por conta de uma doença que não consegue controlar, quase deitou tudo a perder.


Podem ter considerado que se tratava de uma decisão irreflectida, de um capricho, mas a verdade é que se casaram, e sempre tentaram fazer funcionar a relação, com as peculiaridades de ambos.


Sim, porque Lucy também teve a sua dose de problemas de saúde, por conta de um cancro da mama, herança de família, que a estará constantemente a assombrar.


 


A destacar desta história, a "relação" especial de Lucy com a "Morte", a partir do momento em que o pai lhe disse que:


1 - a morte não é o fim; 2 - a morte não dói; 3 - não há que temê-la, porque ela traz consigo uma certa magia.


Desde então, sempre que alguém está prestes a morrer Lucy sente, antecipadamente, a sua presença.


 


Outro dos destaques vai para a relação entre as três irmãs - Lucy, Lily e Priss - cada uma com os seus próprios problemas, a sua própria personalidade, muitas vezes chocando entre elas, mas sempre unidas, porque o amor de irmãs fala mais alto.


 


Quanto à história de amor entre Lucy e Mickey, eles estabeleceram um acordo com várias regras, que deveriam ser levadas à risca, para que o casamento funcionasse.


Uma delas, dado o historial clínico de ambos, era não ter filhos.


 


No entanto, Lucy engravida.


E, a partir daí, vai ser todo um dilema, com três factores a contribuir para o pesadelo - a gravidez, o transtorno bipolar de Mickey e o cancro que voltou, desta vez com metástase no pulmão, e com a expectativa de cura muito baixa.


Ou Lucy aborta, e se concentra no tratamento para combater o cancro, ou leva a gravidez adiante, e arrisca-se a não sobreviver.


Já Mickey, perante a possibilidade de perder a mulher que ama, e acreditando que nunca poderá ser pai, sozinho, quer a todo o custo que Lucy aborte. Ao mesmo tempo, a sua situação piora, embora não se perceba bem se é consequência da bipolaridade, ou o simples medo normal de qualquer pessoa.


 


No dia em que está marcado o aborto, com Lucy já prestes a ser intervencionada, ela vê a "Morte".


Será a da sua filha? Ou será a sua?


O que significará?


A decisão que Lucy toma muda tudo ainda que, no fundo, não mude nada, porque a constante estaria sempre lá.


Resta a todos compreender essa decisão, aceitá-la, e fazê-la valer a pena.


 


É uma história que nos faz reflectir, mas achei que é dramática demais para todas as personagens e, por isso, peca um pouco, porque não havia necessidade.


Mas vale a pena ler!


 


 


SINOPSE:


"Lucy Houston e Mickey Chandler provavelmente não deviam ter-se apaixonado, muito menos casado. Ambos têm genes imperfeitos - ele é bipolar; ela tem um histórico familiar implacável de cancro na mama.
Mas quando os seus caminhos se cruzam na noite do 21º. aniversário de Lucy, surgem faíscas, e não há como negar a química que existe entre eles.
Sempre cautelosos a cada passo do caminho, eles estão determinados a fazer com que a sua relação funcione - e colocam esse compromisso por escrito. Mickey vai tomar sempre a sua medicação. Lucy não vai culpá-lo por coisas que estão fora do controlo dele. Ele promete honestidade. Ela promete paciência. Como em qualquer casamento, existem dias bons, dias maus e dias muito maus.
Ao lidarem com os seus desafios, tomam uma decisão difícil: não ter filhos. Depois de uma consulta médica rotineira, Lucy tem uma surpresa, algo que deveria ser impossível. Algo que muda tudo. Mesmo tudo.
De súbito, todas as regras são atiradas pela janela, e os dois têm de redefinir o que é verdadeiramente o amor."


 


 


 

domingo, 8 de outubro de 2023

O (tão aguardado) casamento real!

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Há muito que se ouvia falar do casamento da Infanta Maria Francisca de Bragança e Duarte Martins.


Em parte, pela polémica do voluntariado.


Depois, pela escolha do Palácio Nacional de Mafra para a cerimónia religiosa.


Pelo bolo partilhado com a população, que estava toda convidada.


E pela realeza que se esperaria na nossa terra.


Um casamento igual a qualquer outro mas, ao mesmo tempo, um acontecimento raro, a fazer lembrar os casamentos reais de Espanha ou Inglaterra mas, desta vez, em Portugal o que, queiramos ou não, suscita a curiosidade.


 


 


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Sábado, foi o dia!


Mafra quase parou para viver o casamento, e o momento.


Era toda uma romaria de pessoas a ir ver a chegada da noiva. Outras, que já o tinham visto, a dar uma volta enquanto decorria a cerimónia religiosa. Mais tarde, novamente algumas pessoas a dirigir-se ao Terreiro D. João V, desta vez à espera de ver a saída do casal e, quem sabe, provar uma fatia de bolo.


Estava muita gente, mas não tanta como acreditei que estaria.


 


Calhou marcarem-me consulta de optometria para a hora do casamento.


A loja fica mesmo em frente ao palácio.


Fui a pé.


Pelo caminho, fui vendo algumas pessoas conhecidas, que me diziam: "Então, já vais atrasada, a noiva já entrou" ou "Já não vês a noiva". Até pessoas que não conheço de lado nenhum acharam-se no direito de meter conversa "Olha, também vais ao casamento."


Pensei: "Senhores, há vida para além do casamento real!".


Será que uma pessoa já não pode sair de casa, que toda a gente acha que é para isso?!


 


Enquanto estava no oculista, ainda ouvi a parte dos votos dos noivos, mas confesso que era barulho a mais para mim.


Saí do oculista, arrisquei ir em frente. Vi um dos ecrãs gigantes, vi algumas carrinhas mas nem me apercebi que, algures por ali, estavam o Manuel Luís Goucha e a Rita Rodrigues na transmissão em directo para a TVI.


Havia pessoas a circular com bandeiras.


Fui às compras, e voltei para casa.


 


 


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E foi em casa que, evitando horas a fio ali em pé, e a confusão, fui acompanhando o evento na TVI.


A tempo de ver a Rita referir-se ao Terreiro D. João V como Terreiro Afonso V, ouvir o Manuel a repetir milhentas vezes que o vestido da noiva era de mikado de seda, ver a Manuela Moura Guedes e o apelidado "Rei de Queluz", seu marido, chegarem à Igreja, e por aí fora, e a Maria Cerqueira Gomes infiltrada no meio dos convidados, a entrevistá-los.


À entrada da igreja, o Padre Luís Barros, todo sorridente, a receber os convidados. Afinal, algo assim não acontece todos os dias.


 


 


 


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Sobre o casamento, propriamente dito, tenho a dizer que, tirando a parte de conhecer D. Duarte Pio e Isabel de Herédia como Duques de Bragança, pouco mais sabia, ou conhecia da família.


Por isso, é caso para dizer que conheci a noiva ontem, e gostei. Para além da simplicidade, uma grande simpatia. Quase não reconheci o pai, de tão magro que está, mas adorei a chegada dos dois na caleche, e D. Duarte com o seu panamá!


O noivo também parece simpático, mas talvez mais nervoso, por estar menos habituado a realezas, e eventos públicos para todo o país ver. Ainda mais o seu próprio casamento.


 


 


 


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Passei à frente a cerimónia, assistindo ao casal, já cá fora, a partir o tão aguardado bolo com uma espada (deve dar tanto jeito, de facto).


E, depois, a recepção dos convidados nos jardins do Palácio.


 


 


 


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Como disseram, e bem, é um casamento privado, que os noivos decidiram partilhar com o país.


Mas é um casamento como outro qualquer e, à parte determinados protocolos, e os títulos de muitos dos convidados, são pessoas como outras quaisquer.


Foi isso mesmo que deu para ver: pessoas a conviver, a comer e a beber, a tirar fotografias e selfies, ou simplesmente sentadas, a descansar. A partilhar um momento especial com a família e com os noivos.


E estes, agora casados, radiantes, como deve ser!


 


 


Imagens: TVI


 


 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

1 Foto, 1 Texto #11

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Lasiocampa quercus


 


Parar.


Escutar.


Observar.


Nem sempre, andando de um lado para o outro, sem rumo, ora chegando aqui, ora chegando ali, sem nunca permanecer muito tempo, conseguimos perceber o que nos rodeia.


Há que ser paciente.


Astuto.


Apurar todos os sentidos.


Compilar toda a informação.


E, só então, voar!


 


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1Texto

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Desacelerar

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Desacelerar...


Cada vez mais, é preciso.


Mas como?!


 


É caso para dizer:


"Deixa para logo o que não precisas de fazer agora. Ou para amanhã. E, assim, hoje, terás mais tempo."


 


Mas, o que é certo é que isso é, apenas, um adiar.


Logo, ou amanhã, terei por, e para, fazer, aquilo que agora, ou hoje, não fiz. A somar ao que teria que fazer amanhã.


Portanto é um desacelerar momentâneo, para acelerar ainda mais a seguir.


 


A verdade é que estamos na era em que as pessoas cada vez têm menos tempo.


Em que as pessoas andam mais a correr.


Com mais tarefas a fazer, e com prazos para cumprir.


Com mais responsabilidades e obrigações.


Com mais compromissos.


 


Em que as pessoas mais acumulam o trabalho doméstico com a vida laboral.


Algumas, com filhos.


É a era do stress, em que estamos, constantemente, a pisar a fundo no acelerador, para chegar a tudo e a todos, e a todo o lado, sem atrasos, adiamentos ou falhas.


Estamos na era em que tudo nos é exigido, e em que tudo nos exigimos.


 


Simultaneamente, estamos na era em que mais precisamos de tempo.


Em que mais precisamos escolher as nossas prioridades.


Relativizar.


Delegar.


E usar o travão.


Desacelerar.


Pensar em nós, e pôrmo-nos, e à nossa saúde, em primeiro lugar.


Antes que seja tarde demais.


 


Porque as consequências, a curto e a longo prazo, de quem vive constantemente no limite, sem moderar a "velocidade" apesar das circunstâncias, e dos avisos que vai recebendo, podem ser terríveis.


E irreversíveis.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Os ciclos da vida

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A história é feita de ciclos. Acontecimentos que se vão repetindo no tempo.


A vida parece ser, também ela, feita de ciclos.


 


Nem sempre isso me agrada.


Porque, na maior parte das vezes, acredito que uma determinada situação aconteceu, resolveu-se, e ficou para trás. E não se voltará a repetir.


No entanto, volta e meia, percebo que me estou a deparar com situações idênticas, em que tudo se volta a repetir.


 


E, ainda que não digam, directamente, respeito a mim, interferem comigo.


Ainda que não seja eu a vivê-las, acabo envolvida por quem as vive.


Ou porque desabafam e me pedem opinião.


Ou porque me pedem ajuda.


Ou apenas porque, quem as vive, está muito próximo de mim.


 


E nem sei bem porquê. Ou para quê!


Porque a opinião é aceite, mas tem uma curta validade, antes de cair no esquecimento.


A ajuda é aceite, mas facilmente boicotada quando dá jeito.


Ficam cartas por pôr na mesa. 


E mesmo que se abra, momentaneamente, o jogo, logo se fecha, e se altera.


 


O que hoje é, amanhã já não o é.


Muda-se o discurso, e as acções, consoante a utilidade, e a vontade, do momento.


As certezas já adquiridas voltam a transformar-se em dúvidas.


Troca-se o certo, pelo incerto.


A estabilidade, pela insegurança.


 


Na maior parte das vezes, por iniciativa própria, e não porque o destino ou algo superior assim o quis.


Que é o mais difícil de perceber.


 


Porque parece que já se está a caminhar no bom sentido, e com vários passos de avanço e, de repente, está-se lá atrás outra vez.


Como se o caminho já feito de nada servisse. Como se a aprendizagem adquirida caísse em saco roto.


 


Cada um leva a vida como bem quiser.


Se querem repetir os mesmos erros, façam-no.


Se querem arriscar, vão em frente. Até pode dar certo. Até pode ser esse o caminho.


Mas, nesse sentido, limitem-se a comunicar, se assim o entenderem.


Porque se é óbvio que aquilo que nos pedem, quando não vai de encontro ao que esperam, não é levado em conta, nem vale a pena ser pedido.


 


É uma perda de tempo e desgaste desnecessário de quem se oferece para ajudar, em vão.


 


 


 


 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

"Nowhere", na Netflix

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Acabadinho de estrear, "Nowhere" foi o filme escolhido para ver este fim de semana.


Não é inspirado em factos reais, mas até poderia ser, tendo em conta a quantidade de pessoas que tentam fugir, clandestinamente, dos seus países, e os enganos e acidentes que acontecem com essas pessoas, pelo caminho impedindo-as, muitas vezes, de chegarem ao destino.


Muitas são as vezes que acabam separadas dos familiares.


Que são presas. Recambiadas de volta. Ou, simplesmente, morrem.


 


Em "Nowhere", vemos Espanha como um país devastado pela escassez de recursos para a sobrevivência da população, em que a solução encontrada, pelo regime, é exterminar crianças e mulheres grávidas.


Mia e Nico já perderam a sua filha, Uma, quando esta foi levada pelos militares e, possivelmente, morta por eles.


Agora, Mia está grávida e, junto com o marido Nico, pagam por uma viagem clandestina para fugir para a Irlanda.


Na confusão instalada pela quantidade de fugitivos a querer entrar, e a necessidade de os dividir pelos vários camiões, o casal acaba separado.


Numa operação de controlo, o regime percebe que o camião onde está Mia transporta fugitivos e, por isso mesmo, extermina-os a todos. À excepção de Mia, que se conseguiu esconder e que, agora, segue sozinha no contentor.


Mas se ela acha que o pior já passou, está enganada.


O pior ainda está por vir.


 


Durante uma tempestade, o contentor de Mia cai ao mar, e é lá que ela fica, à deriva, trancada, até que alguém a encontre, ou morrerá ali mesmo.


É a partir daqui que Mia, a protagonista do filme (um grande papel de Anna Castillo), desenvolve todo o seu instinto de sobrevivência e, ao mesmo tempo, mostra o que o instinto maternal é capaz de fazer para proteger o seu bebé, acabado de nascer, onde nunca imaginou.


Com pouca água, quase nenhuma comida, com um bebé que tem que cuidar e alimentar, isolada, sem forma de pedir ajuda ou comunicar com alguém, e sem saber se sairá dali a tempo, antes que o contentor afunde, Mia vai passar por momentos em que quase se rende às evidências, sobretudo quando acredita que Nico morreu, e a culpa pela morte da sua filha a faz querer morrer também.


 


Anna Castillo "carrega", de forma exímia, o filme às costas.


Excelente interpretação, num filme que vale a pena ver.


No entanto, sinto que o filme não conseguiu estar a 100%. Que lhe faltou qualquer coisa.


Talvez um enquadramento da situação, o porquê de eles estarem a fugir. Fica subentendido, mas não há essa contextualização.


E, quem sabe, mostrar, através dos pensamentos de Mia, o que aconteceu a Uma. Embora haja uma conversa, ficou a faltar visualizar a cena.


Por outro lado, Nico foi quase um figurante, insignificante para a história, e não se percebe que destino teve.


 


Quanto a Mia e Noa, a bebé nascida em alto mar, conseguirão elas sobreviver?


Ou ficarão, para sempre, no oceano?


 


 


A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!