... aproveito uma aberta, e procuro um banco de jardim, onde me possa sentar, e aquecer ao sol, num dia tão frio.
Por incrível que pareça, tempo não me falta.
Pelo contrário, parece ser tempo a mais, ainda que nunca o seja.
É irónico que esteja sempre a queixar-me de que me falta tempo e, quando o tenho, não o possa aproveitar como gostaria, e só queira vê-lo passar depressa.
Por mim, passam pessoas.
Estudantes, num qualquer intervalo entre aulas, ou já com o dia terminado.
Acompanhantes que, tal como eu, tentam ocupar o tempo.
Funcionários, que aproveitam a pausa para petiscar, ou fumar um cigarrinho.
Pacientes, que vão, ou vêm, de alguma consulta.
Familiares que chegam para visitas.
Poucos se atrevem a sentar.
Afinal, os bancos estão molhados da chuva que, pouco tempo antes, tinha caído.
O vento também não convida a ficar parado muito tempo.
Mas eu, deixo-me estar.
Ali, posso respirar. Aliviar a dor de cabeça. Abstrair.
Olho para o céu.
Nuvens brancas percorrem-no, em passo apressado.
Também não querem ficar ali muito tempo.
E quem quer?
O sol vai aproveitando os seus últimos minutos de esplendor.
A caminho, vêm as nuvens negras que, depressa, o esconderão.
Tiro, para memória futura, uma fotografia daquele pedacinho de paz, no meio da incerteza que me aguarda.
Levanto-me, e dirijo-me de volta ao caos, para me proteger da chuva que não há-de tardar a cair.
E espero...
Abrigada de uma intempérie. Desabrigada de outra.
Eu, e tantas outras pessoas.
Que maneira tão bonita de nos dares um retrato de um pedacinho de vida. Que tempo tão bem aproveitado, enquanto estás pendente das decisões da própria vida.
ResponderEliminarTudo a correr pelo melhor.
Beijinho
É o que aquele espaço tem de melhor: a natureza circundante.
ResponderEliminarSoube mesmo bem aquele bocadinho, para descansar da máscara e aliviar a dor de cabeça.
Beijinhos!
E é tão bom!
ResponderEliminarEspero que esteja tudo mais calmo...
ResponderEliminarPrecisamos destes "pedacinhos de paz" no nosso dia a dia
ResponderEliminarPara já, sim.
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