sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Lágrimas que uma folha amparou

1000009527.jpg 


 


Num passeio pelo bosque, a filha pergunta à mãe:


- O que são estas gotas?


- São lágrimas que uma nuvem chorou, e que esta folha amparou.


- E porque chorou a nuvem?


- Porque já estava muito carregada e, quando assim é, tem que aliviar o peso que carrega. 


- Então, agora, já está mais leve?


- Talvez. Ou talvez tenha que chorar mais algumas vezes. Mas, com o tempo, ficará. 


- E como sabemos?


- Quando vires que ela está branquinha como um floco de neve, ou uma bolinha de algodão, por entre o céu azul.


- E porque é que a folha amparou as lágrimas?


- Para se mostrar solidária com a nuvem, e dizer-lhe que não está sozinha.


- Então, vão ficar sempre ali?


- Não, filho. Primeiro, toda a folha ficou molhada. Agora, apenas restam algumas gotas que, daqui a uns tempos, se irão evaporar.


- Isso quer dizer que quando a nuvem estiver leve, também a folha secará?


- Talvez. Vai tudo desaparecendo aos poucos, até que não reste nenhum vestígio daquele momento mais frágil que, um dia, partilharam.


- E a nuvem vai ficar leve para sempre, ou vai sentir-se pesada outra vez?


- É provável que, uma vez ou outra, as nuvens voltem a ficar mais cinzentas, e chorem novamente. Faz parte da vida.


- E a folha, vai estar sempre ali para amparar as lágrimas?


- Esperemos que sim. Que haja sempre uma folha, uma flor, ou um galho para o fazer.


 


Passados uns instantes, a filha volta a questionar:


- Mãe, quando eu for uma nuvem, tu serás a "minha folha"?


Ao que a mãe responde:


- Sempre! 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

1 comentário:

  1. O meu ombro, a tua folha, grande sintonia.
    Será que é dos astros?
    Gostei muito deste teu texto.

    ResponderEliminar

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!