terça-feira, 29 de abril de 2025

Era para ser só mais uma segunda-feira!

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Era para ser só mais uma segunda-feira.


Após um fim de semana prolongado.


Mas as segundas-feiras nunca são só isso, não é?!


 


Já na anterior tinha sido um dia de nervos, a partir do momento em que me ligaram a informar que havia uma vaga e que, se eu quisesse, poderia fazer a minha cirurgia nesse dia.


Assim foi.


 


E esta, uma semana depois, tinha que vir em grande!


Depois de um fim de semana com uma constipação, ou crise de rinite, ou lá o que for (que o que foi possível testar deu tudo negativo), com direito a perda de olfacto e paladar, para além de todos os outros sintomas, parecia que a segunda-feira ia ser melhor.


Fui de manhã cedo mudar o penso ao Centro de Saúde, levantei dinheiro e fui trabalhar, com o anti-histamínico a fazer algum efeito.


 


E eis que, do nada, ficamos sem luz.


Nada de anormal. Volta e meia acontece.


Mas estava a demorar mais que o normal a voltar.


Sendo a única por aqui com operadora da Meo, era a única a ter dados móveis, e a conseguir comunicar.


 


Começaram a chegar as primeiras notícias, de que foi um apagão.


Não só em Mafra, mas em Lisboa, e outras partes do país. 


Pior. Não só em Portugal, mas também em Espanha, em França e na Itália.


 


E, depois, a (des)informação.


Foi isto. Foi aquilo.


Pode demorar até 72 horas a ser reposta a electricidade. Ou até uma semana.


Ou, talvez, de 8 a 10 horas. Mas não era possível prever.


 


Pessoas presas em elevadores. Pessoas presas no metro.


Pessoas sem conseguir comunicar, nem que fosse para avisar que estavam bem, ou saber se os outros estavam bem.


Semáforos sem funcionar. Acidentes.


Começámos a ouvir sirenes, talvez ambulâncias, aqui na zona.


 


A seguir ao almoço, o caos nas bombas de gasolina (as que ainda estavam abertas), a corrida aos hipermercados para comprar bens e água. Sim, porque, entretanto, veio o comunicado da EPAL, de que a água poderia vir a faltar.


E a comida nos frigoríficos ia-se estragar toda, por isso, havia que abastecer de enlatados...


 


Mas nada disto era assim tão grave, se pensássemos nos hospitais, nos medicamentos que precisam de refrigeração, nos transportes que as pessoas não poderiam apanhar para se deslocar, no "isolamento" forçado a que cada um de nós estava a ser condenado.


Parecia uma cena de um qualquer filme já visto.


A electricidade, neste caso, a falta dela, pára o mundo. Pára tudo. 


 


Não é a falta de internet, ou a luz em si.


Não é o não ter com que entreter.


Não é o ir para a cama mais cedo.


Não é o ter que voltar aos tempos antigos, e reaprender a desenrascar.


 


É mais do que isso e, por muito que embelezem ou romantizem o "apagão", como o melhor que nos poderia ter acontecido, não o vejo assim.


Vejo-o como uma prova da nossa dependência.


Como um teste, no qual todos falharam. Uns mais. Outros menos. 


Mas ninguém estava (nunca estamos) preparados para nada fora do normal. 


 


Felizmente, foram apenas umas horas. 


Desta vez.


Mas, e se fosse mais tempo?


 


E sim, foi apenas uma falha de energia. 


Não foi o estalar de uma guerra.


Não foi uma catástrofe.


Não foi um fenómeno extremo que colocasse a população toda em risco de vida.


Era necessário encarar com alguma calma.


 


Mas, a longo prazo, tudo falharia. Não haveria dinheiro (multibancos sem funcionar, bancos sem resposta), o combustível necessário para os geradores acabaria, os bens esgotariam, sem qualquer hipótese de reposição, doentes que necessitassem de aparelhos, ou medicação, dependentes de electricidade estariam em risco, os transportes parariam, as fábricas, a economia.


 


Ao final do dia, fui buscar a minha filha ao trabalho.


Sim, porque ela trabalhou. E foi dos dias em que mais vendeu!


A corrida às powerbanks, cartões Meo, lanternas, pilhas, telemóveis, e os tão desejados rádios a pilhas fez-se sentir por lá, com vários produtos a esgotarem e terem que ser repostos.


O próprio supermercado estava a funcionar normalmente. Só havia longas filas para o combustível.


 


Para casa, já noite escura, viemos à luz de lanterna. Na zona onde vivemos, poucos carros andavam a circular àquela hora, para iluminar o caminho.


Mas passou por nós, duas vezes, um carro da GNR (não sei se andava a patrulhar as ruas).


 


O jantar foi aquecido no fogão, e a rotina feita à luz de velas e lanternas. Depois, cama. 


Na esperança que a electricidade já estivesse de volta quando acordássemos.


Sim, porque até nisso fomos "discriminados"!


Já muita gente nos ia dizendo que tinha luz, em locais diferentes e, por aqui, continuávamos sem nada.


 


Hoje?


Hoje é terça-feira.


Está tudo de regresso à normalidade de uma semana banal, não fosse ser mais uma de quatro dias, com feriado pelo meio!


 


 


 


 

terça-feira, 22 de abril de 2025

"Ransom Canyon"

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Passada no Texas, esta é uma daquelas histórias que deve (assim o sucesso o permita) durar várias temporadas.


Pelo menos, uma segunda, fará falta, depois do final totalmente em aberto, ou não valeria a pena sequer ter começado a ver a primeira.


Conflitos familiares, perdas, guerras entre rancheiros e romances complicados são parte do menu.


 


Staten perdeu a mulher, e acabou de perder o filho.


É um homem casmurro, aparentemente insensível e fechado ao amor, de poucas palavras e demonstrações de afectos.


Mas é apaixonado por Quinn.


 


Quinn, por sua vez, sempre amou Staten, mas nunca foi (ou acreditava ela) correspondida.


Por isso, acaba por se envolver com o rival, e cunhado, de Staten, Davis, o que vai aumentar ainda mais os problemas entre ambos.


 


Mas o que mais me cativou nesta primeira temporada, foi o enredo entre Ellie e Yancy Grey.


A forma como Yancy se vai transformando (pelo menos, assim parece) num homem diferente, melhor.


A determinado momento, ele faz este comentário, referindo-se a si mesmo, e a Ellie:


"Os homens aprendem devagar. Às vezes, temos de cometer o mesmo erro vezes sem conta até que aparece uma mulher que nos faz querer ser melhores."


Mas será mesmo assim? Ou acabará, o passado, por levar a melhor?


 


 


sexta-feira, 18 de abril de 2025

Páscoa

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Quantas vezes não somos traídos pelas pessoas que nos eram mais próximas?


Quantas vezes não somos crucificados, e condenados, sem qualquer motivo válido?


 


Como se nos cravassem espinhos?


Ferindo. Provocando dor. Causando lágrimas.


 


Quantas vezes não nos sentimos "morrer", por dentro, pelas mais diferentes situações que enfrentamos?


Ou com as quais temos que lidar?


 


E, não obstante, quantas vezes não "ressuscitamos" depois?


Quantas vezes não nos reerguemos, e seguimos em frente?


 


Inteiros.


E mais fortalecidos.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 17 de abril de 2025

"Um Ano Para Ser Feliz"

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Quase se pode dizer que este filme é um "três em um": tem romance, tem o luto pela morte de um ente querido e tem a típica lista de objectivos a cumprir!


Como "cereja no topo do bolo", ainda lhe acrescentaram os DVD's, gravados pela falecida mãe. Quando assistimos, parece apenas uma conversa normal entre mãe e filha, como se tivesse surgido, naturalmente, naquele instante, e não há muitos meses atrás.


 


Alex é a filha mais nova de Elisabeth.


A filha com quem ela tem uma relação especial que, por vezes, os irmãos não compreendem.


Nos últimos tempos, Alex andava um pouco à deriva na sua vida, e a mãe quis tentar resgatar, de alguma forma, a mulher que sabia que a filha poderia ser.


Os DVD's, entregues por etapas, após a morte da mãe, consoante Alex fosse cumprindo os itens da sua lista de objectivos, escrita na adolescência, mas totalmente actual, foi a forma que encontrou.


 


À medida que Alex vai visualizando os vídeos, e seguindo os conselhos da mãe, vai percebendo que, por vezes, é preciso olhar as coisas de uma outra perspectiva. Que todos cometem erros. Mas tudo (ou quase tudo) se pode resolver, melhorar, perdoar.


 


Houve apenas um objectivo, de todos os que tinha que cumprir até ao final do ano, que Alex acredita que falhou: encontrar o verdadeiro amor.


Mas será que falhou mesmo? Ou apenas não o consegue ver?


 


quarta-feira, 16 de abril de 2025

Decisões

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"O facto de uma decisão ser a mais acertada, ou necessária, não a torna menos dolorosa."


 


Li esta frase há uns tempos, e é a mais pura verdade.


Há decisões que estão, unicamente, nas nossas mãos.


Que só nós podemos tomar.


Antes que as tomem por nós. 


 


Se não estamos bem numa determinada situação, cabe-nos agir.


Ou não. Podemos sempre deixar andar. Deixar arrastar. 


Ignorar, ou fingir que está tudo bem.


Mas isso não é vida.


Não é justo.


 


E sim, as decisões que tomamos colocam-nos um peso, e uma responsabilidade, em cima.


Para todos os efeitos, fomos nós que escolhemos esse caminho, de livre vontade.


Demos o corpo às balas. Arriscámos tudo.


 


Podemos perder tudo.


Mas também podemos ganhar.


O que nunca devemos deixar morrer, é o amor próprio.


 


É trocar uma mágoa, por outra.


Uma tristeza, por outra.


Um sofrimento, por outro.


 


Mas, quem sabe, não era isso que fazia falta?


Quem sabe não era, esse, o passo necessário, no presente, para um futuro bem melhor?


 


Ainda assim, por muito que saibamos que fizemos o que tínhamos a fazer, e que aquela decisão tomada foi a decisão certa, não a torna menos difícil.


Não dói menos por isso. Pelo contrário.


 

terça-feira, 15 de abril de 2025

"O Jardineiro", na Netflix

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"O Jardineiro" é uma série sobre um assassino.


Mas, acima de tudo, sobre uma relação tóxica entre uma mãe e um filho.


Controlo, posse, obsessão, disfarçados de amor?


 


Elmer sofreu um acidente de viação quando era criança e, desde então, como sequela do mesmo, perdeu a capacidade de sentir qualquer emoção.


Foi assim que cresceu, ao lado da mãe, apenas os dois, até à actualidade.


Elmer é jardineiro, e faz um trabalho incrível com as plantas e as flores de que cuida, para além dos viveiros que são o sustento de ambos.


E é, também, um assassino.


 


Ao longo da série, vamos percebendo o que o levou a cometer o primeiro crime, e como a mãe se aproveitou disso, em benefício próprio, transformando o filho naquilo que ele é hoje.


Um negócio paralelo, com mortes por encomenda, para fazer desaparecer os "problemas" de todo o tipo de pessoas.


Até ao dia em que tudo muda.


 


Elmer tem um tumor que, pela primeira vez, o faz sentir emoções.


E apaixona-se. Por aquela que deveria ser o seu próximo alvo.


Agora que começou a expeimentar emoções novas, e a gostar, Elmer percebe que não quer voltar ao estado, e à sua vida de antes.


China, a mãe, que não quer perder o filho, não só em termos de saúde, mas também em termos afectivos decide, então, tomar medidas drásticas para recuperar o seu menino, a sua fonte de rendimento e ambição, o Elmer que ela pode manipular.


Resta saber se Elmer vai continuar subjugado à mãe, ou se vai lutar pelo seu amor, contra tudo e contra todos.


 


Confesso que esperava um outro final.


Não, necessariamente, melhor, mas diferente.


No entanto, este é o ideal para uma eventual segunda temporada que decidam levar adiante.


 


Com apenas 6 episódios, vale a pena ver!


 


 



 


 

sexta-feira, 11 de abril de 2025

A simplicidade por debaixo da exuberância

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A beleza está presente em tudo o que nos rodeia.


Até nas cores que encontramos numa mera flor.


Que se conjugam em harmonia, como se se fundissem umas nas outras.


E, no entanto, não deixam de ser autónomas.


Umas, são capa. Outras, conteúdo.


O segredo é manter sempre, por debaixo de uma certa exuberância, a simplicidade e a singileza.


Destacar-se, sem ofuscar.


Ser admirada, sem ferir o olhar.


Reconhecida como um todo, formado pela soma de todas as suas partes.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

Quando percebo aquilo em que a minha vida (e o meu corpo) se vai transformar

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Ontem foi dia de consulta no IPO.


A terceira.


E, desta vez, não passei na "inspecção".


 


Tenho mais um sinal suspeito, que tem de ser tirado.


Três anos depois, a ameaça paira novamente.


E tenho uma nova cirurgia pela frente, já no próximo mês.


 


Não esperava, é certo. Mas não foi bem a notícia em si, ou a cirurgia, que me afectou.


Foi o facto de perceber a realidade do que vai ser a minha vida daqui em diante.


E no que se vai transformar o meu corpo, com a quantidade absurda de sinais que tenho: uma colecção de cicatrizes.


 


E sim, esse é o menor dos males. E é por um bem maior: viver!


Mas, digamos que não estava nos meus melhores dias para receber a informação da forma positiva e entusiasta que deveria.


 


 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Os dentistas e os médicos!

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No sábado de manhã, o meu irmão vejo ao hospital de Mafra, por causa de uma dor de dentes que não lhe passava, para ver se lhe receitavam algum antibiótico.


Calhou-lhe uma médica que lhe deu a seguinte resposta (mais coisa, menos coisa):


"- O que é que está aqui a fazer? Ninguém vem aqui por causa de uma dor de dentes. Se tem um problema no dente, vá ao dentista. Eu não sou dentista.


- Então e a doutora sabe se eu tenho dinheiro para pagar um dentista?


- Isso não é um problema meu, se tem dinheiro ou não. O mais que lhe posso passar é uns comprimidos para as dores. Não sou dentista, não faço ideia se tem uma infecção ou não. Não vou passar antibiótico."


- Então, e se eu vier aqui com um problema no coração, a doutora também não faz nada, porque não é cardiologista?!


- Exactamente!"


 


Nesse mesmo dia, mas mais cedo, fui ao mesmo hospital, por um motivo semelhante.


Calhou-me um médico.


Observou-me a boca. Expliquei-lhe que o Ibuprofeno não estava a fazer nada.


Viu que, realmente, eu tinha tudo inflamado, a cara inchada, e passou-me antibiótico.


No entanto, ele também não era dentista!


 


O mais caricato de toda esta situação é que, dois dias antes, eu tinha ido ao dentista, precisamente porque achei que era o sítio/ especialista mais indicado para a minha situação.


Uma dor de dentes, desde o fim de semana anterior, que não passava, e que eu não sabia se era sinusite maxilar, ou algum problema dentário mesmo.


E o que é que o dentista fez?


Fez-me uma ortopantomografia, através da qual não detectou nada a nível dentário, considerando que o problema deveria ser mesmo a sinusite, visto que via ali muitas opacidades a fazer pressão nas raízes, a juntar ao dente incluso.


Receitou-me Ibuprofeno, para tomar durante uma semana. E cortisona para descongestionar o nariz.


Então, e antibiótico, não? 


Ah e tal, não vejo necessidade, não me parece que haja infecção.


 


Resultado: as dores pioraram, e tive que ir ao hospital porque, pelos vistos, o meu problema exigia mesmo um antibiótico. E o certo é que, a partir do momento em que comecei a tomar, melhorei.


Ou seja, não me adiantou de nada ir ao dentista. Apenas fui gastar dinheiro, na consulta, exame e medicamentos desnecessários, para depois ter que ir ao hospital, e comprar novos medicamentos.


 


Para que se veja que isto dos médicos e dos dentistas, tem muito que se lhe diga!


 


Um aparte: o dito médico, na sua boa vontade e vendo as dores que eu tinha, receitou-me também uns comprimidos.  Quando os fui levantar na farmácia, a técnica informou-me que eram fortes, e que poderiam provocar sonolência, tonturas ou náuseas.


Tomei o primeiro à noite, mas fui dormir, por isso não notei nada.


Ontem de manhã, tomei o segundo. 


Estava sentada na cozinha, a ver uma série no telemóvel. Comecei a ficar enjoada. Passado um bocadinho, muito tonta, já nem estava a prestar antenção nenhuma à série, tive que parar. Um calor estranho de repente até me fazer transpirar e, logo em seguida, frio. O corpo todo a tremer, uma fraqueza súbita. 


Tive que me levantar. Mexer-me. Ver se aquilo passava.


Nem consegui almoçar.


E só voltei ao estado normal a meio da tarde.


Definitivamente, não volto a tomar aquilo!


 


 


 

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A grandeza

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Através desta mera árvore, conseguimos perceber o quão pequeninos e insignificantes somos, perante a força e a grandeza da natureza que nos rodeia.


Dá uma espécie de vertigem, só de olhar lá para cima, para o topo.


Parece tão alta. Tão inalcançável.


 


E, ainda assim, nem sempre a grandeza é mais apreciada, ou desejada.


Por vezes, acaba por ser ela a distanciar. A não permitir uma aproximação, ou interação.


Por vezes, é preferível focar nas coisas mais pequenas. Naquelas que estão ao nosso alcance. 


Aqui, tão perto.


E não naquelas que estão lá, tão longe.


 


Por outro lado, é tudo uma questão de perspectiva.


Talvez se a grandeza se fizesse mais pequena, tudo o resto deixasse de parecer tão pequeno, e tudo se equilibrasse melhor.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quarta-feira, 2 de abril de 2025

A "número um"

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No outro dia, ouvi um rapaz dizer à sua namorada: tu és o meu número um!


Acredito que ele queria fazer isto soar como um elogio.


Uma coisa boa.


Mostrar a importância que ela tinha para ele.


 


Mas, a mim, soou-me de outra forma.


E não pude deixar de pensar que, se ela é a "número um" na vida dele, haverá outra que será a "número dois"! E, com sorte, a numeração não se ficaria por aqui. A afirmação pressupõe uma lista, na qual ela era a primeira.


Porque, caso contrário, a melhor forma de fazer um brilharete era dizer, não que ela era a "número um", mas que era única.


Ainda que fosse uma grande mentira!

terça-feira, 1 de abril de 2025

Na corda bamba

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A sensação que tenho, nestes últimos tempos, é de que estou a andar sobre uma corda bamba.


Não faço, sequer, a mínima ideia se, ou por quanto tempo, vou conseguir percorrê-la em equilíbrio.


Porque, quando comecei, devagarinho, pé ante pé, até estava confiante de que, talvez, quem sabe, fosse uma missão possível de levar a cabo, e com sucesso.


 


Mas bastou meia dúzia de passos para perceber que não. 


Para me relembrar que, aceitar este desafio, implicava passar o tempo todo em sobressalto.


Sabendo que, a qualquer instante, poderia cair para um lado, ou para o outro.


Sem qualquer segurança.


Que, se, ou quando, isso acontecesse, me iria magoar.


E que, com sorte, o empurrão fatal poderia vir daqueles que tinham prometido nunca me deixar cair.


 


Não foi por inocência.


Não foi por ignorância.


Não foi para provar o que quer que fosse, a quem quer que fosse.


Não foi, sequer, por mera competição. Para levar a melhor. 


Estava bem ciente daquilo a que ia, e do que poderia aí vir.


 


Mas, claro, quando estamos no meio da cena, a perspectiva muda, relativamente àquela que imaginávamos, antes de entrarmos nela.


Porque, aí, sentimos de perto a ameaça.


Vemos a dimensão da queda que nos espera.


E as mazelas que ela acarretará.


 


A única forma que tenho, de continuar o percurso, é alhear-me do que me rodeia.


Não permitir que as distrações me desestabilizem. E me desequilibrem.


Ignorar o ruído de fundo. Ignorar o óbvio. Abstair-me do perigo que corro.


O que, neste momento, está a ser difícil.


 


Ou, então, dar-me por vencida.


Afinal, gosto de saber com o que conto.


Ter os pés bem assentes em terra firme.


Prefiro a segurança, à instabilidade.


 


Posso até tropeçar, e cair na mesma.


Mas o tombo não será tão grande.


 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!