terça-feira, 1 de abril de 2025

Na corda bamba

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A sensação que tenho, nestes últimos tempos, é de que estou a andar sobre uma corda bamba.


Não faço, sequer, a mínima ideia se, ou por quanto tempo, vou conseguir percorrê-la em equilíbrio.


Porque, quando comecei, devagarinho, pé ante pé, até estava confiante de que, talvez, quem sabe, fosse uma missão possível de levar a cabo, e com sucesso.


 


Mas bastou meia dúzia de passos para perceber que não. 


Para me relembrar que, aceitar este desafio, implicava passar o tempo todo em sobressalto.


Sabendo que, a qualquer instante, poderia cair para um lado, ou para o outro.


Sem qualquer segurança.


Que, se, ou quando, isso acontecesse, me iria magoar.


E que, com sorte, o empurrão fatal poderia vir daqueles que tinham prometido nunca me deixar cair.


 


Não foi por inocência.


Não foi por ignorância.


Não foi para provar o que quer que fosse, a quem quer que fosse.


Não foi, sequer, por mera competição. Para levar a melhor. 


Estava bem ciente daquilo a que ia, e do que poderia aí vir.


 


Mas, claro, quando estamos no meio da cena, a perspectiva muda, relativamente àquela que imaginávamos, antes de entrarmos nela.


Porque, aí, sentimos de perto a ameaça.


Vemos a dimensão da queda que nos espera.


E as mazelas que ela acarretará.


 


A única forma que tenho, de continuar o percurso, é alhear-me do que me rodeia.


Não permitir que as distrações me desestabilizem. E me desequilibrem.


Ignorar o ruído de fundo. Ignorar o óbvio. Abstair-me do perigo que corro.


O que, neste momento, está a ser difícil.


 


Ou, então, dar-me por vencida.


Afinal, gosto de saber com o que conto.


Ter os pés bem assentes em terra firme.


Prefiro a segurança, à instabilidade.


 


Posso até tropeçar, e cair na mesma.


Mas o tombo não será tão grande.


 


 

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