quarta-feira, 4 de junho de 2025

Não saber aceitar um "não"

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A sociedade actual não sabe (ou não quer) aceitar um "não".


Seja em que situação, contexto ou faixa etária for, o "não" é, demasiadas vezes, ignorado. Outras tantas, rebatido, em forma de retaliação, represália, vingança ou lição, para quem se atreveu a proferi-lo.


 


Vemos, cada vez mais, crianças a fazer birra, porque não aceitam um qualquer "não" dos pais, dos avós, dos educadores. E, cada vez mais, conseguem fazê-los ceder.


Vemos, não raras vezes, adolescentes a insultar, agredir, a ter comportamentos condenáveis, porque querem tudo à maneira deles, e estão habituados, lá está, desde crianças, a conseguirem sempre o que querem, depois de os "não" se transformarem em "sim".


E, consequentemente, vemos, com cada vez maior frequência, adultos frustrados, inconformados, furiosos, quando o "não" volta a entrar nas suas vidas, só para contrariá-los. Sim, porque, para estes adultos, tudo é, unica e exclusivamente, sobre si. Não importa o que os outros querem, o que os outros sentem. Só não podem é ser contrariados.


 


Por isso, quando alguém ousa "desafiá-los" (não que o objectivo seja esse, mas é assim que o encaram), fazem-se de vítimas. Amuam. Tentam fazer a outra parte mudar de opinião, de ideias. Tentam convencer, de forma persuasiva, de que eles é que estão certos, e os outros errados. 


Outros, por sua vez, ficam transtornados, tornam-se agressivos, transformam-se em perseguidores maníacos, capazes das maiores atrocidades, incluindo, matar.


 


Portanto, hoje em dia, pode-se dizer, que quem se atreve, e de cada vez que se atreve, a dizer um "não" está a arriscar, literalmente, a sua vida.


E não é exagero.


Na sociedade em que vivemos, mata-se por tudo, e por nada.


Mata-se por um punhado de euros.


Mata-se por um bocado de chão, ou meia dúzia de galinhas.


Mata-se por uma opinião diferente, ou por uma atitude que não agrada.


Mata-se porque alguém não quer uma relação.


Mata-se, só porque sim.


Pela incapacidade, cada vez maior, de uns (muitos), de ouvir, lidar e aceitar um "não" de outros!

8 comentários:

  1. Na minha opinião, educam-se as crianças para muitas situações, menos para o desenvolvimento emocional...para o aprender a gerir sentimentos e frustrações... talvez isso torne um adulto infantil nessa gestão...
    Beijinhos

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  2. Não tenho dúvidas de que, em muitos casos, essa dificuldade de gestão gera-se, precisamente, na infância. À medida que os tempos avançam, mais precocemente acontece.

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  3. E creio que esse é um grande mal dos nossos tempos.

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  4. faltou-te o mata-se em nome do amor - que, ao longo dos tempos, talvez seja a principal causa de morte do ser humano. ao pé disso a covid foi/é uma brincadeira

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  5. Em nome do amor, mas que, de amor, nada tem
    Obrigada pela visita e comentário!

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