terça-feira, 17 de junho de 2025

"Titan" - o documentário

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Não sou muito fã de documentários.


E este não foi excepção.


Demasiado extenso. Demasiado "secante". Demasiado técnico.


 


Talvez estivesse à espera de algo mais emocional, pelos testemunhos dos familiares.


Ou de uma espécie de simulação do que aconteceu, desde a entrada no submersível, até à implosão.


Mas não foram por aí.


 


O que se retira, do documentário, é que muitas pessoas sabiam dos problemas, dos erros, das infracções. Muitas vezes, denunciadas. Mas de nada adiantou.


Muitas das pessoas contratadas aceitaram pelo desafio, em termos profissionais e pelo que o conceito significava, ou porque tinham algum fascínio pelo Titanic.


E, dessas, muitas saíram por incompatibilidade de ideias, valores e objectivos, com o "patrão".


A veneração e entusiasmo depressa deram lugar à noção dos riscos, da falta de segurança, e do contornar das regras.


Perceberam que não se tratava de algo feito em prol de todos, mas apenas pelo ego de um só.


 


Stockton Rush, o CEO da Oceangate, é descrito como um homem que tinha um sonho, e quis torná-lo real. Até aí, tudo bem.


Mas é também descrito como o homem que afasta quem não está com ele. Como dizem, uma crítiica ao projecto, era interpretado como uma crítica a ele próprio e, por isso, quem não estava com ele, estava contra ele.


É descrito como uma pessoa que fazia questão de mostrar que era ele que mandava, que era ele o patrão, e que era dele a última palavra.


 


Stockton Rush queria fama, a qualquer custo.


E era arrogante!


Segundo ele, ele não morreria no submersível. Ninguém morreria nele. Da mesma forma que, ironicamente, o Titanic era inafundável!


O dinheiro faz destas coisas: dá às pessoas aquela espécie de direito "quero, posso e mando".


E, aos outros, a ousadia de se aventurarem nestas expedições, a qualquer preço, só pela extravagância. Porque podem pagar para tal.


Porque ficariam na história. Só não sabiam a que custo.


 


Em suma, a tragédia do Titan, aconteceu por negligência técnica, erros humanos, ambição desmedida, e por se privilegiar o circo mediático da inovação em vez da segurança.


No fundo, uma "criança mimada" a brincar com as vidas dos outros (e com a sua própria, como se acreditasse que era imortal), numa brincadeira que, um dia, correu mal.


Afinal, já diz o ditado que "tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia lá deixa a asa".


 


Do sonho, restam os destroços.


Os materiais.


E os emocionais.


E uma investigação que já dura dois anos, ainda não está concluída, e em que, provavelmente, ninguém será responsabilizado.


Até porque cada um dos que pagava por uma viagem destas, assinava um termo em como "abdicava" da sua vida.


 

2 comentários:

  1. O CEO queria um submarino, com custos baixos (lembrar que o que o James Cameron, usou, para lá ir 11 vezes, cada mergulho eram 26 milhões de dólares, mais as despesas da viagem). Assim, já sabia que, os aviões, seguiam o mesmo princípio e funcionavam. E, o Titan, até pode funcionar... até aos 2km de profundidade. O Titanic está bem abaixo disso. Na outra parte, nestes projectos, há sempre pessoas a levantar questões, sobre a forma como se faz. Uns, abertamente, outros porque querem ganhar mais e dá jeito, qualquer projecto, durar 10 anos, em vez de ficar operacional em 3. O Musk fez o mesmo, com a Dragon, até ganhar, os contratos para a ISS. Nessa altura, teve de pedir ajuda, a quem sabe... a NASA ajudou, sem receber nada, em troca. O Stockton não teve essa sorte.
    Mas, no documentário, a única novidade, está no fim: a equipa gravou a implosão do Titan... só 17 meses depois, a descobriram, por acaso. Ouviram o POP, perguntaram-se o que era, receberam a mensagem que tinha largado 2 pesos. Nunca mais se lembraram do POP... até ao inquérito, em que foi passado, o vídeo completo e, para surpresa das 5 pessoas, que lá estavam, no barco, tinham ouvido o POP, quando o Titan implodiu. Não sabiam era que as mensagens, passadas pelo receptor e serem descodificadas, levavam 10 a 17 segundos, entre serem enviadas e recebidas... o Titan implodiu, depois da mensagem ser enviada, quando foi recebida, a equipa pensou estar tudo bem, porque tinham recebido a mensagem. É algo que, acontece em 96% das casas, de Portugal: as box, das operadoras de cabo, afirmam serem perfeitas e comunicação directa. Uma box (as normais) demora 15 a 19 segundos, a descodificar cada sinal. Um receptor (da TDT ou numa casa, onde tenham rede de televisão, ligada à operadora) demora 8 segundos, a fazer o mesmo. Uma box 4k/Android demora 39 a 52 segundos. Por isso, a mesma imagem, foi emitida 8 segundos antes, de a verem numa tv, com a TDT, demora 16 segundos, na TV, ligada à box (HD) e demora 40 segundos, numa box 4k/android (IPTV). Para quem vê jogos de futebol, há formas simples, de perceber o que se passou, para ninguém se ter lembrado de ouvir a implosão: Liguem um rádio (a pilhas), sintonizem uma rádio que esteja a comentar, a partir do estádio (atenção que 90% dos relatos já são feitos, a partir das imagens, da televisão!!! podem saber isso, facilmente, se estiverem a ver, a jogada que o locutor está a relatar... se estiver, no estádio, vocês ouvem o golo, só 8 a 40 segundos depois, é que o vão ver, na tv), liguem a TV (que não precisa de box) no canal que esteja a dar, liguem a box no mesmo canal e, se tiverem, liguem a box/computador, no mesmo canal. Vão ver que, ao longo dos 45 minutos, vão notar que, a rádio chega a ficar 7 minutos, à frente da box/computador e anda 10 a 30 segundos, à frente das tv. Exactamente o mesmo que aconteceu ali e que só 17 meses depois, descobriram.

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