Os membros da realeza são pessoas comuns.
A diferença é que, quando assumem o seu papel perante o seu povo, passam a carregar um peso, a viver de aparências, a esconder segredos e, em alguns casos, a ser consumidos pelo dever, abdicando da sua felicidade.
"Realeza" é uma comédia romântica.
No entanto, não foi o romance o que mais me cativou.
Foi a forma como a relação familiar, entre a mãe e os seus três filhos, vai mudando, e melhorando, perante as dificuldades que enfrentam, e os segredos que se vão desvendando.
Na verdade, também todos eles mudam, individualmente. Crescem.
Aviraaj, o "bon vivant" a quem o pai deixou o trono, recusa a coroa. De costas voltadas com o pai, em vida, não quer nada que venha dele, após a morte.
Parece um homem mimado e arrogante mas, na verdade, carrega muita coisa dentro dele, que terá de resolver. E adora os seus cavalos, com quem não mede esforços, em prol da sua saúde e bem estar.
Digvijay é o filho "ignorado". Ele próprio, a determinado momento, menciona sentir que um dos funcionários mais antigos da família é a sua única "família".
Adora cozinhar e, para provar que tem talento, e ser reconhecido pelo mesmo, e não pelo seu título, decide inscrever-se numa competição de culinária, como um homem comum.
Divyaranjini, mais conhecida por Jini, considera-se, também ela, ignorada por todos.
Talvez por ser mulher. Talvez porque os seus irmãos chamam mais a atenção. E têm outras responsabilidades.
Jini vai ter atitudes de menina mimada, fazer birras mas, no fundo, ela apenas não sabe como lidar com tudo aquilo que está a descobrir sobre si mesma.
Rani Padmaja, a mãe, agora viúva.
Viveu uma vida de mentira, pelo bem do reino. Mas não só.
Começa por parecer uma mulher fútil, à semelhança da restante família, mas depressa percebemos que, também ela, trava uma luta interna, que está longe de terminar.
Com o objectivo de manter o palácio na família, e afastar Sophia, uma plebeia, do seu filho Aviraaj, acaba por mexer num vespeiro do qual ela sairá, sem esperar, como a maior vítima.
É caso para dizer que, depois de tudo o que foi conquistado, no último episódio, tudo se desmorona, com um "sopro" do inimigo.
E a forma como quiseram mostrar que devemos sempre seguir os nossos sonhos, arriscar naquilo que gostamos de fazer, mesmo que nos digam que nunca chegaremos a lado nenhum.
Mesmo que aqueles, que julgávamos estar do nosso lado, nos atraiçoem.
Ainda que nos queiram passar a perna, e colher os louros daquilo que construimos, afastando-nos dos nossos próprios projectos, como se nos tornássemos, de repente, pessoas incapazes e não desejadas.
Nunca devemos desistir. Nunca nos deveos dar por vencidos.
Destaco também a banda sonora, o guarda-roupa, e algumas das tradições que nos são dadas a conhecer.
Está confirmada uma segunda temporada, que espero que chegue brevemente, para saber como vai acabar esta história que, quando parecia que estava a terminar, nos troca as voltas, e está, provavelmente, apenas a começar!
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