Uma memória esquecida é uma vida que nos foi roubada, ou uma nova vida que nos foi oferecida?
Descobrir quem, um dia, fomos, mudará aquilo que, hoje, somos?
Qualquer pessoa tem direito a conhecer a sua verdadeira história. A saber a verdade sobre o seu passado.
No entanto, por vezes, é colocado demasiado peso nessas revelações. Como se elas pudessem mudar todo o seu futuro.
Não é que não mudem. Mas nem sempre essa revelação corresponde à expectativa, fantasia ou ilusão que criámos.
Não raras vezes, as pessoas desejam voltar atrás e não saber de nada.
No entanto, uma vez revelada a verdade, não há forma de a voltar a esconder.
Quando era apenas uma criança, Andrew levou a sua filha para longe da mãe, contando-lhe mentira atrás de mentira, para iniciarem uma nova vida, com novas identidades, e uma nova história.
A questão que se coloca é: tinha motivos válidos para tal, ou foi uma decisão leviana?
O que leva um progenitor a privar o seu filho da presença e cuidados do outro progenitor durante anos, e a privar este do contacto e presença na vida de um filho?
Elise, a mãe, ficou vinte e oito anos sem saber onde estava a sua filha.
Delia, a filha, ficou vinte e oito anos a pensar que a mãe tinha falecido num acidente, e que só tinha o pai.
Andrew, o pai, passou vinte e oito anos à espera do dia em que a polícia lhe bateria a porta, e o levaria preso, acusado do rapto da sua filha de quatro anos.
Se ele fez o que considerou que qualquer pai deveria fazer, ou se se convenceu disso, para que pudesse seguir em frente com o plano, sem duvidar ou se condenar, só ele saberá.
Se Delia, ou Elise, o perdoarão por isso, só elas poderão dizer.
Mas quando lhe perguntam se voltaria a fazer o mesmo, ele não hesita em afirmar que sim, faria tudo de novo.
O que ele, certamente, não esperava, era conhecer a realidade da vida nas prisões, e de como uma pessoa tem de fazer de tudo para sobreviver. Matar, ou morrer. Alinhar, ou lutar.
E ele já não vai para novo. Nunca foi um criminoso.
A condenação parece óbvia.
O seu advogado de defesa, que será o seu futuro genro, não tem muito a que se agarrar para o evitar.
Só Andrew poderá mudar tudo: contando a verdade, ou lançando mais uma mentira.
Como quem faz um truque de magia.
Mas não têm, todos os truques de ilusionismo, uma verdade escondida?
Uma história que faz as mães e os pais pensarem o que fariam se estivessem em situações semelhantes, e como agiriam, da mesma forma que questiona, enquanto filhos, o que quereriam que os pais fizessem.
As citações que mais me marcaram:
Sinopse:
"Delia Hopkins tinha seis anos quando o pai a deixou ser sua assistente num espetáculo de magia. " Aprendi muito nessa noite… Que as pessoas não se evaporam no ar". Uma lição que agora, já adulta, confirma todos os dias: a profissão de Delia, na verdade, é encontrar pessoas desaparecidas com a ajuda do seu cão fiel. Gosta do trabalho e também da vida que leva. Apesar de ter perdido a mãe quando ainda era criança, foi criada pelo pai com amor e agora está prestes a casar com o companheiro com quem vive há muito tempo e de quem tem uma filha. Mas, na véspera do casamento uma coisa inesperada e chocante acontece: o seu pai é preso pela polícia sob a acusação de ter raptado Delia à mãe que esta julga ter morrido num acidente de automóvel.
Numa dramática inversão de situações e de emoções, privada das suas certezas e do seu passado, Delia inicia uma busca dolorosa da verdade que lhe escapa, porque cada um tem a sua verdade, e porque às vezes amar e proteger uma pessoa também pode obrigar a mentir..."
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