Chuva, chuva, e mais chuva!
Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
Há portas que permanecem apenas entreabertas, permitindo a passagem, a entrada e a saída, mas sem espaço para o fazer à vontade.
Algumas, eventualmente, podem abrir-se mais, em determinados momentos, e assim deixar-se ficar.
No entanto, quando algo as desestabiliza, seja uma corrente de ar, seja algo (alguém) que não consegue usufruir, sem causar estrago, do espaço que lhe foi aberto, as portas não só tendem a voltar ao ponto inicial, de abertura mínima, como até mesmo a fechar-se, impedindo a passagem. Impedindo o que (quem) quer que seja de voltar a entrar.
Neste momento, sinto-me a porta que está fechada, e com muita relutância em voltar a abrir, nem que seja uma fresta.
Não sei se estarei num elevado nível de insensibilidade, ou se me transformei, ao longo dos anos, numa pedra.
Mas, se tivesse de descrever a minha atitude ou comportamento, chamar-lhe-ia uma espécie de hibernação emocional.
Porquê?
Porque, perante situações adversas, o meu lado emocional entra numa espécie de dormência profunda, sem qualquer manifestação do que, normalmente, seria de esperar.
A quem está de fora, soa a total ausência de sentimento. A frieza.
No entanto, parece-me que é a minha mente a encetar uma estratégia de adaptação a períodos difíceis, a ausências imperativas.
No entanto, parece-me que começa a ser cada vez mais difícil sair, quando há essa possibilidade, desse estado de hibernação, como se já não soubesse como viver fora dele.
E por aí, costumam hibernar emocionalmente, ou sou a única?!
Já, em tempos, por cá tinha andado.
Depois, mudei de casa.
Fixei residência numa "aldeia", onde tive o apoio de uma comunidade pequena, mas unida.
No entanto, a vida muda.
E a mudança obriga-nos, mesmo que não queiramos, a mudar com ela.
Hoje, regresso à "cidade".
Não sei se para ficar. Se apenas de passagem, a ver como correm as coisas.
Espero poder contar convosco desse lado!

Como já vínhamos a antecipar, os blogs parecem estar, oficialmente, em desuso.
Ainda que meia dúzia de anfíbios continuem por cá, os entraves e dificuldades que estavam a surgir fizeram muitos questionar-se sobre o futuro por aqui.
E hoje, 12 de Janeiro, de certa forma, alguém decidiu por nós.
Foi anunciada a descontinuação do Sapo Blogs.
Para tristeza de muitos que viam, nesta plataforma, um lugar seguro. Uma verdadeira comunidade.
Resta, perante este anúncio, agradecer.
Ao Sapo Blogs, por ser casa ao longo de tantos anos, e a toda a equipa.
Em particular, ao Pedro, pela ajuda, pela disponibilidade, pelos conselhos.
Aos seguidores que por aqui passaram, que deixaram um pouco de si, que partilharam comigo esta experiência.
A todos aqueles que me propuseram os mais diferentes desafios, seja de escrita, seja de fotografias.
Às pessoas que tive o privilégio de conhecer, privar, travar amizade.
No fundo, o que levamos daqui, quando tudo for eliminado, são as pessoas, e o quanto ganhámos, em todos os sentidos, com elas.
Escrever num blog foi desafiante, divertido, enriquecedor, terapêutico.
Uma espécie de diário.
Um arquivo que consultávamos quando não nos lembrávamos de algo.
Um obrigada por todos os conselhos e opiniões.
Pelas mais diversas sugestões de leitura, de cinema, de televisão, de música, de locais a visitar, e tantas outras.
Um obrigada por estarem desse lado, e fazerem a diferença!
Ainda não sei se mudarei o blog para outra plataforma, ou se este capítulo se encerra definitivamente.
Enquanto isso, quem quiser, sabe onde me encontrar.
Facebook - https://www.facebook.com/martasegao/
Email - no perfil
Instagram - @martasegao
Blogger (entretanto retomado provisoriamente) - https://marta-omeucanto.blogspot.com/
Aqui no Sapo, não creio que valha a pena continuar a publicar, já que daqui a uns meses tudo será eliminado.
Por isso, à partida, fico-me por este dia. ![]()
Encontramo-nos por aí!


Gostam. E, parece-me, precisam.
São aquelas pessoas que, num primeiro momento, cativam todos à sua volta.
São simpáticas com todos. Prestáveis. Amigas.
Sim, são daquelas que dizem que são amigas de toda a gente.
E são! Desde que sejam elas o centro das atenções. Da bajulice. Da preocupação e dos cuidados.
Desde que sejam elas a estrela, e ninguém mais as ofusque.
Porque, quando isso acontece, a máscara cai.
E passamos a ver pessoas mesquinhas, invejosas, traiçoeiras.
Daquelas que até aceitam ver alguém bem, mas nunca melhor do que elas.
Pessoas que elevam a incoerência ao nível máximo.
Que se acham senhoras e donas da razão.
Mesmo que não tenham nenhuma.
As intempéries deixam a sua marca na natureza, de diversas formas.
E isso é visível até numa simples flor, talvez mais jovem, mais frágil, que perdeu parte das suas pétalas.
Da mesma forma, as situações menos boas pelas quais passamos ao longo da vida fazem-nos, muitas vezes, perder partes de nós mesmos, que um dia nos caracterizaram.
Não significa que tenhamos ficado incompletos.
Que não consigamos seguir em frente e continuar com a nossa vida.
Apenas há coisas que deixarão de existir em nós.
E passaremos a valer-nos de alternativas, ou não tivessemos nós a capacidade e o poder de nos adaptarmos.
E de regenerarmos, qualquer que seja a forma que encontrámos para tal.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

Eles andam por aí.
Disfarçam-se de bondade, de companheirismo, até de amizade.
Acolhem e protegem aqueles que acreditam que os seguirão fielmente, porque os veem como "líderes".
Ou aqueles que, a seu ver, são mais fracos, e nunca lhe farão frente, pelo que não constituem uma ameaça.
Mostram-se sensatos, amistosos, sábios.
E assim conquistam todos ao seu redor.
No entanto, basta que algo, ou alguém, se atreva a sair do trilho, para estes lobos começarem a deixar cair a sua máscara.
Para começarem a mostrar o que se esconde por debaixo do aparente cordeiro inofensivo.
Pessoas arrogantes, prepotentes, com a mania que são mais, e melhores, que os outros.
Pessoas que não sabem conviver e lidar, ou tentar compreender a diferença.
Que acham que, por falarem num tom de voz baixo e monocórdico, ou por terem o dom da oratória, não deixam transparecer o ataque, a agressividade, a ameaça velada que estão a transmitir aos outros.
E é desses que devemos manter a distância.
Porque uma pessoa até pode não estar correcta nas coisas que diz, na forma como o diz, no tempo em que o diz, mas não ter maldade ou más intenções.
Já aqueles que não se permitem perceber isso, compreender os outros, e agem com superioridade, com desprezo, com rancor, com uma raiva disfarçada sem qualquer motivo, acabam por ter pior carácter, do que aqueles que querem denegrir.
Uma pessoa que se impõe de forma autoritária, falando sem permitir que os outros também falem, atacando sem permitir que o outro se defenda, como se só ela fosse a dona da razão, e os outros tivessem que se vergar ou curvar perante si, é uma pessoa a manter bem longe.
Distância de falinhas mansas, de discursos fingidos, de olhares raivosos, dos "lobos em pele de cordeiro" deste mundo.

O novo ano veio zangado, o mau tempo a celebrar a sua chegada.
Muitos enfeites natalícios arrancados e caídos no chão, já a dar a despedida da época.
Nas árvores, as poucas folhas que ainda lá existiam, caíram, deixando-as quase completamente despidas.
Ainda assim, só hoje, e só para contrariar, uma fotografia cheia de cor, de um tempo relativamente recente.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto
Algures, ali entre as cinco e as seis da tarde, ocorre a tão conhecida hora dourada!
Isto, claro, em dias de sol.
O momento em que as diferentes cores se convertem numa só, por breves instantes.

