Mas lá estava: discreto, disfarçado, quase a passar despercebido.
Um tronco no centro de um banco do parque.
A prova de que, quando queremos, conseguimos conjugar as diferenças.
Complementá-las, entre si.
E o resultado pode ser surpreendente!
Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
Mas lá estava: discreto, disfarçado, quase a passar despercebido.
Um tronco no centro de um banco do parque.
A prova de que, quando queremos, conseguimos conjugar as diferenças.
Complementá-las, entre si.
E o resultado pode ser surpreendente!
Esta história daria um bom filme. Ou uma boa série.
Numa actualidade em que os reality shows fazem parte do quotidiano dos
diferentes canais de televisão ou plataformas de streaming, e da vida real, que
enredo melhor do que um reality show para uma história de suspense, com um
assassino à solta, e uma luta pela sobrevivência?
A verdade é que o reality show termina ainda antes de ter começado, dando lugar a uma outra competição, bem mais real e assustadora.
Sabemos que uma comunidade/ sociedade desgovernada pode ser catastrófica.
Sabemos que um líder, alguém racional e sensato, que imponha alguma ordem,
é fundamental.
Mas até que ponto pode, alguém, autoproclamar-se líder, e agir como um
déspota?
Irão, os restantes, permitir que isso aconteça?
Quais as consequências para quem desafia? E para quem é desafiado?
Cinco casais, aparentemente aleatórios, foram escolhidos para participar no reality show. Um programa criado com um propósito que, no fim, percebemos, teve o efeito totalmente inverso.
A ideia era encontrar o casal perfeito. Aquele que chegasse até ao fim,
superando todas as provas.
Mas cada um dos concorrentes tinha o seu próprio objectivo com esta
participação: fama, alavancar carreiras, ser mais conhecido.
Alguns, como Lyla, iam simplesmente para fazer a vontade aos respectivos
companheiros.
Finalizada a primeira prova, e eliminado o primeiro concorrente, deu-se por findo o primeiro dia de gravações.
Nessa noite, uma tempestade ditou o fim do programa.
Sem sinal do navio da equipa de produção, nem qualquer elemento da mesma na
ilha, os participantes veem-se entregues à sua sorte, com comida e água
racionada, um rádio através do qual não conseguem comunicar com ninguém, e o
tempo em contagem decrescente até ficarem sem provisões, e morrerem
desidratados, doentes, ou feridos.
Ou, então, assassinados.
Poderá, naquelas circunstâncias haver, ainda, vencedores e vencidos?
Ali, naquela ilha, os sentimentos, as relações, as emoções, serão
analisados e postos à prova até ao limite.
Até não restar mais do que matar, ou morrer.
Sinopse:
"Um thriller original, viciante e empolgante de um dos grandes nomes
do suspense da atualidade.
A vida de Lyla está num impasse. A sua investigação de pós-doutoramento
falhou e a relação com Nico, um aspirante a ator, não corre muito bem. Quando
surge a oportunidade de o namorado integrar um novo reality show, ela decide
juntar-se. Depois de um rápido processo de audições, Lyla e Nico seguem para um
resort de luxo isolado.
As regras do jogo são simples. Dez estranhos têm de sobreviver juntos na
ilha - e o último casal sobrevivente ganha o prémio. Haverá sol, mar,
gargalhadas e muita sedução. Mas, pouco depois de chegarem à ilha deserta, tudo
começa a correr mal. O primeiro desafio deixa todos abalados e irritados, e uma
tempestade agrava assustadoramente a situação. Completamente isolados, os
concorrentes têm de se unir para sobreviver. À medida que a tensão aumenta,
Lyla percebe que alguém está a jogar a sério - e vale tudo para ganhar.
Um Casal Perfeito é um thriller engenhoso e cheio de tensão que presta
homenagem a Agatha Christie."
Está
disponível, na Netflix, a entrevista concedida por Eric Dane, a Brad Falchuk, no
âmbito da série documental "Famous Last Words".
Cada entrevista é gravada para ser
exibida, apenas e só, após a morte do entrevistado. Daí que sejam as suas
últimas palavras.
A Esclerose Lateral Amiotrófica
(ELA) é um assunto sensível para mim.
Ainda muito pouco conhecida, divulgada, de
certa forma, desvalorizada pelos médicos em termos de diagnósticos precoces
(ainda que nada altere o destino), nem sempre as pessoas que têm esta doença,
sabem que a têm.
A minha mãe nunca chegou a saber. Foi
diagnosticada no dia em que morreu.
Nem sempre a doença se manifesta da mesma
forma, com a mesma gravidade e celeridade. E nem sempre afecta o corpo de forma
semelhante, por uma mesma ordem.
Nesta entrevista, vemos Eric Dane numa
cadeira de rodas. Conseguimos perceber tudo o que diz, mas nota-se que a fala
já está arrastada.
A minha mãe só perdeu a locomoção na
semana em que faleceu, mas a fala já tinha, há muito, sido afectada de tal
forma que não conseguíamos entender nada do que dizia.
Soubemos, depois, que ela tinha a forma
mais grave da doença: a paralisia bulbar progressiva, cuja degeneração e morte
ocorrem mais rapidamente, devido à dificuldade em deglutir, engolir, e
complicações respiratórias, nomeadamente, por risco de aspiração.
Eric Dane foi diagnosticado em Abril de
2025. Faleceu em Fevereiro de 2026. Menos de um ano depois.
Lutou e resistiu como pôde, sabendo que a
morte era certa.
Como causa directa da morte, lá está,
insuficiência respiratória, sendo a causa subjacente a esclerose lateral
amiotrófica.
No momento da entrevista, é possível ver a
sua vulnerabilidade física e emocional, ainda que mantenha o seu sentido de
humor.
É uma espécie de viagem ao seu passado.
Uma revisitação de toda a sua vida, até então.
Uma reflexão sobre o que somos, o que
temos, o que sobra de nós.
Uma reflexão sobre resiliência e
perseverança, tantas vezes confundidas.
Um olhar sobre si próprio.
"Os meus amigos também me recordam de
que tudo o que me resta sou eu. É uma maneira um bocado marada de percebermos
que sempre fomos suficientes. Quando tudo nos é tirado, a única coisa que nos
resta somos nós".
É fazer as pazes com o passado, e viver o
presente, sabendo que não haverá futuro.
Eric Dane foi um activista na luta para a
consciencialização da esclerose lateral amiotrófica, dando voz e sensibilizando
para esta doença rara, e participando em campanhas de angariação de fundos para
investigação e financiamento público.
A esse propósito, e do pouco investimento
que é feito para se descobrir uma cura para a doença, diz ele: "Acho
que é difícil compreender o conceito de uma vida individual...e como essa vida
pode ser importante e quantas pessoas ela afecta. E, quando um dirigente olha
para os números..."
Aconselho a ver toda a entrevista mas,
sobretudo, a mensagem final que Eric Dane deixa às suas filhas, que aqui
resumo, mas que devem ver na íntegra:
"Eu tentei.
Tropecei algumas vezes, mas tentei.
Quero dizer-vos quatro coisas que aprendi
com esta doença.
Primeiro, vivam agora. Agora mesmo, no
presente.
Em segundo lugar, apaixonem-se.
Em terceiro lugar, escolham bem os vossos
amigos.
Por último, lutem com todas as vossas
forças e com dignidade.
Esta doença está a levar lentamente o meu
corpo, mas nunca vai levar o meu espírito."
O que dizer deste filme?
Nem sei bem.
É daqueles filmes que nos deixam, de certa forma, sem palavras.
Num outro tempo, num outro mundo, olharíamos, talvez, para esta história, com outros olhos.
Mas na realidade dos nossos dias, na actualidade, neste mundo louco em que vivemos, a nossa perspectiva muda.
Vivemos num mundo que nos leva a desconfiar de tudo e todos.
Que nos leva a pensar o pior.
A acreditar que algumas pessoas podem esconder, em si, verdadeiros monstros, capazes das maiores atrocidades.
Qual a linha que separa a racionalidade, do desespero?
A desconfiança, de uma falsa certeza?
Qual a linha que separa aquilo que estamos a condenar, dos nossos próprios actos tão, ou mais, condenáveis?
E como conjuga o ser humano, dentro de si, a raiva, o perdão, o discernimento, a impotência, a frustração, a absolvição, a confiança, a dúvida?
Mara, juntamente com a sua filha Lide, o cunhado, a mulher deste, e o sobrinho, deslocam-se até à casa de Mara e do seu falecido marido, para empacotar tudo e deixar a casa livre para venda.
Lá, percebem que um incêndio deflagrou e que o melhor é apressarem tudo e partirem naquele mesmo dia.
No entanto, após uma discussão entre Mara e Lide (devo confessar que achei a miúda extremamente irritante), Lide refugia-se na cabana, sem que ninguém se aperceba.
Quando, finalmente, procuram Lide e não a encontram, começa o pesadelo.
Santiago, o vizinho, diz que a última vez que a viu foi na dita cabana. Mas ela não está lá.
Começa, então, uma busca, por parte das autoridades, pela criança desaparecida, a determinado momento, interrompida pelo incêndio que está cada vez mais perto, e mais perigoso.
Em total desespero, e por conta própria, Mara e o cunhado Luís, tentam encontrar Lide.
É nesse momento que uma série de circunstâncias, coincidências, atitudes e um certo mistério, os levam a desconfiar do vizinho Santiago.
Aliás, não só desconfiam, como acreditam que é culpado.
E estão dispostos a tudo para o fazer falar, confessar o que fez, dizer onde está a miúda.
No entanto, Santiago jura que não sabe de nada. Que nunca faria mal a uma criança.
O tempo está a passar, o incêndio é uma ameaça, e Mara e Luís estão a perder a razão, e a deixar-se levar pelo desespero, sem respostas.
Uma coisa é certa: Lide conhecia bem o bosque. Não iria, propriamente, perder-se.
Por outro lado, para além da família, Santiago era a única pessoa por ali.
Ao longo de todo o filme, é impossível não seguir a mesma linha das personagens, ora acreditando que Santiago é culpado, ora questionando se ele não estará, realmente, a dizer a verdade.
E será assim até ao fim.
Até sabermos o que, de facto, aconteceu. E porquê?
Vejam!
Por entre ameaças de novas tempestades a caminho, e das poeiras vindas de África, com dias alternados de inverno, e outros com cheirinho a primavera, ali estava o caracol, indiferente ao que pudesse vir.
Por entre alguma chuva, que insiste em marcar presença, e o sol, que desta vez está a dar luta, o caracol aproveita uma pausa, sereno.
Afinal, o que tiver de ser, será...
Não sei se sempre ali esteve, e nunca reparei nele. Mas lá estava: discreto, disfarçado, quase a passar despercebido. Um tronco no centro d...