O que dizer deste filme?
Nem sei bem.
É daqueles filmes que nos deixam, de certa forma, sem palavras.
Num outro tempo, num outro mundo, olharíamos, talvez, para esta história, com outros olhos.
Mas na realidade dos nossos dias, na actualidade, neste mundo louco em que vivemos, a nossa perspectiva muda.
Vivemos num mundo que nos leva a desconfiar de tudo e todos.
Que nos leva a pensar o pior.
A acreditar que algumas pessoas podem esconder, em si, verdadeiros monstros, capazes das maiores atrocidades.
Qual a linha que separa a racionalidade, do desespero?
A desconfiança, de uma falsa certeza?
Qual a linha que separa aquilo que estamos a condenar, dos nossos próprios actos tão, ou mais, condenáveis?
E como conjuga o ser humano, dentro de si, a raiva, o perdão, o discernimento, a impotência, a frustração, a absolvição, a confiança, a dúvida?
Mara, juntamente com a sua filha Lide, o cunhado, a mulher deste, e o sobrinho, deslocam-se até à casa de Mara e do seu falecido marido, para empacotar tudo e deixar a casa livre para venda.
Lá, percebem que um incêndio deflagrou e que o melhor é apressarem tudo e partirem naquele mesmo dia.
No entanto, após uma discussão entre Mara e Lide (devo confessar que achei a miúda extremamente irritante), Lide refugia-se na cabana, sem que ninguém se aperceba.
Quando, finalmente, procuram Lide e não a encontram, começa o pesadelo.
Santiago, o vizinho, diz que a última vez que a viu foi na dita cabana. Mas ela não está lá.
Começa, então, uma busca, por parte das autoridades, pela criança desaparecida, a determinado momento, interrompida pelo incêndio que está cada vez mais perto, e mais perigoso.
Em total desespero, e por conta própria, Mara e o cunhado Luís, tentam encontrar Lide.
É nesse momento que uma série de circunstâncias, coincidências, atitudes e um certo mistério, os levam a desconfiar do vizinho Santiago.
Aliás, não só desconfiam, como acreditam que é culpado.
E estão dispostos a tudo para o fazer falar, confessar o que fez, dizer onde está a miúda.
No entanto, Santiago jura que não sabe de nada. Que nunca faria mal a uma criança.
O tempo está a passar, o incêndio é uma ameaça, e Mara e Luís estão a perder a razão, e a deixar-se levar pelo desespero, sem respostas.
Uma coisa é certa: Lide conhecia bem o bosque. Não iria, propriamente, perder-se.
Por outro lado, para além da família, Santiago era a única pessoa por ali.
Ao longo de todo o filme, é impossível não seguir a mesma linha das personagens, ora acreditando que Santiago é culpado, ora questionando se ele não estará, realmente, a dizer a verdade.
E será assim até ao fim.
Até sabermos o que, de facto, aconteceu. E porquê?
Vejam!

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