Muitas vezes, seja por receio, ou por hábito de haver sempre ali um apoio, vamos levando a nossa vida nessa relativa dependência.
Não é que seja mau. É apenas cómodo. Mais fácil. Menos solitário.
Afinal, todos precisamos, de um modo geral, uns dos outros.
É bom ter uma rede, que nos ajuda, nos protege, nos acompanha quando mais precisamos.
No entanto, as circunstâncias podem mudar. A vida pode pôr-nos à prova, quando menos esperamos e, aí, temos de nos tornar, obrigatoriamente, independentes.
Somos obrigados a nos desenvencilhar sozinhos, em situações que nunca, antes, enfrentámos dessa forma.
E, sem outra opção, lá enfrentamos e ultrapassamos o obstáculo.
Só que, feito uma vez, aprendemos.
Orgulhamo-nos de mais uma dificuldade superada.
E, de facto, sentimo-nos, a cada prova ganha, mais independentes.
O problema é o outro lado da independência.
Quando a vida nos põe tantas vezes à prova que nos habituamos a fazer tudo sozinhos, e começamos a rejeitar a ajuda, que não é mais precisa. A rede, que se tornou, de certa forma, desnecessária.
A companhia que, agora, parece mais incómoda, que prazerosa.
Por vezes, querem-nos tão independentes, que acabamos por nos tornar mais solitários. Mais duros. Mais insensíveis.
Por vezes, querem tanto que vistamos uma capa que, depois, quando nos dizem que não precisamos dela em determinado momento, já não conseguimos tirá-la.
