terça-feira, 28 de abril de 2026

O outro lado da independência

 


Muitas vezes, seja por receio, ou por hábito de haver sempre ali um apoio, vamos levando a nossa vida nessa relativa dependência. 

Não é que seja mau. É apenas cómodo. Mais fácil. Menos solitário.

Afinal, todos precisamos, de um modo geral, uns dos outros.

É bom ter uma rede, que nos ajuda, nos protege, nos acompanha quando mais precisamos.


No entanto, as circunstâncias podem mudar. A vida pode pôr-nos à prova, quando menos esperamos e, aí, temos de nos tornar, obrigatoriamente, independentes.

Somos obrigados a nos desenvencilhar sozinhos, em situações que nunca, antes, enfrentámos dessa forma.

E, sem outra opção, lá enfrentamos e ultrapassamos o obstáculo.


Só que, feito uma vez, aprendemos. 

Orgulhamo-nos de mais uma dificuldade superada. 

E, de facto, sentimo-nos, a cada prova ganha, mais independentes.


O problema é o outro lado da independência.

Quando a vida nos põe tantas vezes à prova que nos habituamos a fazer tudo sozinhos, e começamos a rejeitar a ajuda, que não é mais precisa. A rede, que se tornou, de certa forma, desnecessária. 

A companhia que, agora, parece mais incómoda, que prazerosa.


Por vezes, querem-nos tão independentes, que acabamos por nos tornar mais solitários. Mais duros. Mais insensíveis.

Por vezes, querem tanto que vistamos uma capa que, depois, quando nos dizem que não precisamos dela em determinado momento, já não conseguimos tirá-la.



quinta-feira, 23 de abril de 2026

Quando a onda rebenta

 

 


Não raras vezes, mesmo sabendo que o mar está agitado, insistimos em caminhar junto a ele.
Talvez por acreditarmos que estamos a manter a devida distância da rebentação. Que estamos perto mas, ainda assim, suficientemente longe para sermos atingidos.

Pensamos que, desde que nos mantenhamos assim, nada acontecerá. Que temos o controlo da situação.


No entanto, é puro engano.

Quando menos esperamos, ainda que soubéssemos que não era uma questão de "se", mas de "quando", a onda bate contra a rocha, a água salta, e levamos um banho.

Não deixamos de ser surpreendidos quando isso acontece. Porque, por mais que se espere, a verdade é que nunca esperamos que aconteça mesmo. 


Num primeiro momento, somos atingidos pelo choque.

Depois, começamos a sentir os efeitos. No corpo. E na mente.

Mas tudo passa. Não dura para sempre.


Talvez aquela onda tivesse um propósito. 

Talvez fosse a única forma de mudarmos o rumo.

Talvez, no fundo, precisássemos dela, sem o saber. 








sexta-feira, 3 de abril de 2026

A semana numa imagem #11

 


De visita ao Parque, já começamos a ver estas maravilhosas capuchinhas.

Algumas mais tímidas, escondidas por entre a erva.

Outras, menos envergonhadas, a fazer-se notar e sobressair.


O outro lado da independência

  Muitas vezes, seja por receio, ou por hábito de haver sempre ali um apoio, vamos levando a nossa vida nessa relativa dependência.  Não é q...