…e depois as querem devolver!
Tenho uma única filha. Biológica. Até aos dois anos, sempre foi uma criança sossegada. A partir daí, mudou. Com a separação dos pais, ficou pior. Entre os 4 e os 7 anos, foram várias as birras que fez, só para testar os meus limites. Eu era a mãe, era comigo que vivia, era eu que lhe dava educação, que impunha regras, que não lhe satisfazia todas as vontades. O pai era um aliado! E eu, a má da história!
As birras começavam por nada em especial, mas começavam, e quase sempre acabavam mal. Muitas vezes a tive que arrastar de casa dos meus pais até à nossa, muitas vezes atirou com coisas, deu pontapés no que lhe aparecia à frente, tentou bater-me…Muitas vezes me disse que não gostava de mim, que eu era má, que queria ir viver com o pai, que preferia que eu morresse… Muitas vezes me enervei, chorei e pensei em lhe fazer a vontade, porque já não aguentava mais…
Mas não o fiz. Procurei ajuda para saber como lidar com toda essa situação, e aprendi a impor-me, a controlar-lhe as birras, a não mostrar o quanto isso me afectava. Hoje, com 9 anos, ainda tem uma ou outra birra, comum a todas as crianças, mas nunca voltou a ter aquele comportamento agressivo e revoltado.
Afinal, e como eu costumo dizer na brincadeira, “um marido podemos sempre despachar, mas um filho é para a vida”!
É esse pensamento que deve ter em mente quem pretende adoptar uma criança. O problema, é que nem sempre os casais que adoptam vêem essas crianças como seus filhos biológicos. Não é que os pais biológicos não abandonem os filhos, porque muitos o fazem. Mas, por norma, os “verdadeiros pais”, aqueles que sabem o real significado dessa palavra, nunca abandonariam um filho. E conheço pais adoptivos que foram mais “pais” que os biológicos.
O que acontece é que, não raras vezes, quem adopta, não está realmente preparado para esse passo, embora o pense. E só se apercebe disso depois de já ter a criança consigo. Ou não se apercebe. Provavelmente consideram-se óptimos pais. A culpa será da criança que é mal comportada, que tem problemas, que não teve uma infância fácil, que não é perfeita, que não é de todo o que tinham imaginado. Mas isso é algo que se resolve com facilidade: já que é um período experimental, devolve-se a criança. Ou troca-se por outra. Já que têm essa possibilidade, porque não aproveitá-la?!
E assim se reduz, de certa forma, uma criança a uma mercadoria, a um peso, a um objecto que afinal chegaram à conclusão que não querem e trocam por outro. Algo que, possivelmente, nunca fariam com um filho biológico. Escolhem o caminho mais fácil.
Mas que disse que ter um filho seria uma tarefa fácil. Nunca o foi, e nunca o será! Talvez para alguns casais não seja tão difícil do que para outros mas, definitivamente, fácil não é. E, se não estiverem cientes disso, então é preferível não iludir estas crianças que, tal como as outras mas, normalmente, mais sofridas, apenas querem uma família que as aceite como são e que as ajude a minorar ou ultrapassar os traumas do passado. Isso implica uma luta diária constante. E implica determinação, perseverança, educação, apoio, regras, limites, dedicação e, acima de tudo, amor!
permite me comentar?
ResponderEliminarmas gostei imenso do que li
muito mesmo,
felicidades na sua vida
bom fds
carla santos
luadoceu