Diz-se que Portugal tem "doutores" a mais.
Mas, ao que parece, nesses ditos "doutores", deve haver uma grande falta de médicos, já que uma das medidas anunciadas, pelo ministro da saúde, para melhorar a resposta nos centros de saúde e diminuir a afluência às urgências dos hospitais no SNS, foi recorrer a médicos reformados!
Para isso, tornam-se necessárias alterações à lei. Como diz Paulo Macedo, está a ser “ultimada a legislação no sentido de dar novas possibilidades de contratar médicos reformados, por exemplo, não lhes exigindo um horário de 40 horas integral mas flexibilizando essa prestação”.
De acordo com o ministro, esta possibilidade tem vindo a ser negociada com o Ministério das Finanças
porque, “claramente trata-se de uma excepção relativamente aos reformados do nosso país mas que nos parece que, face às necessidades das pessoas, se justifica”.
Será que, realmente, se justifica? E em que sentido?
Justifica-se porque é, de facto, necessário contratar médicos e não temos entre nós outros médicos dispostos a trabalhar nas condições propostas, ou suficientemente competentes para os cargos? Ou porque é mais conveniente para o Estado, e nem sequer ponderaram contratar médicos ainda no activo, ou à espera de uma oportunidade para exercer aquilo para que estudaram?
E, já agora, se se justifica abrir uma excepção à regra, e contratar profissionais reformados, face às necessidades das pessoas, no caso da saúde, por que não se justifica também para aqueles que, apesar de reformados, ainda se sentem úteis e capazes de trabalhar?
E como é que vão proceder em relação à reforma e ao pagamento pelos serviços prestados desses médicos reformados. Será que, justificando-se a excepção à regra, se justifica também a acumulação de uma e de outro? Ou suspenderão a reforma enquanto estiverem ao serviço do Serviço Nacional de Saúde? E, se se justifica para estes, porque não para aqueles a quem a reforma mal chega para sobreviver, e que arranjam um trabalho para compensar?
Aí já não têm interesse as necessidades das pessoas?
Pois aqui na nossa cidade reformaram-se três médicos em 31.12.2014, a directora saiu e por isso temos quatro médicos a menos, ou seja 90% das pessoas não têm médico de família.
ResponderEliminarDestes médicos alguns já estão a dar consultas em consultórios privados a 65,00 a consulta... é fazer as contas!
O nosso presidente da câmara diz que paga uma casa para os médicos que quiserem vir para cá, mais a escola dos filhos... e mesmo assim... nada...
E é se os reformados aceitarem. Ao meu pai não o apanham lá de certeza.
ResponderEliminarAinda em Outubro do ano passado andava a polémica da emigração médica como se pode ver neste artigo
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/este-ano-ja-emigraram-quase-300-medicos-1671812
Muitos devido às condições.
O meu marido, desde que pediu transferência para o Centro de Saúde de cá, já foi atendido por vários médicos diferentes. Da última vez que quis marcar para o médico que lhe tinha passado os exames, disseram-lhe que tanto esse como o outro anterior já tinham ido embora do Centro de Saúde. E isto em cerca de dois meses.
ResponderEliminarJá a minha filha, que estava a ser acompanhada pela mesma médica pediatra desde que teve a Púrpura, passou agora a ter um médico porque a médica já não trabalha no hospital.
não sei onde isto vai parar
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