terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Há falta de médicos em Portugal?


 


Diz-se que Portugal tem "doutores" a mais.


Mas, ao que parece, nesses ditos "doutores", deve haver uma grande falta de médicos, já que uma das medidas anunciadas, pelo ministro da saúde, para melhorar a resposta nos centros de saúde e diminuir a afluência às urgências dos hospitais no SNS, foi recorrer a médicos reformados!


Para isso, tornam-se necessárias alterações à lei. Como diz Paulo Macedo, está a ser “ultimada a legislação no sentido de dar novas possibilidades de contratar médicos reformados, por exemplo, não lhes exigindo um horário de 40 horas integral mas flexibilizando essa prestação”.


De acordo com o ministro, esta possibilidade tem vindo a ser negociada com o Ministério das Finanças
porque, “claramente trata-se de uma excepção relativamente aos reformados do nosso país mas que nos parece que, face às necessidades das pessoas, se justifica”.


Será que, realmente, se justifica? E em que sentido?


Justifica-se porque é, de facto, necessário contratar médicos e não temos entre nós outros médicos dispostos a trabalhar nas condições propostas, ou suficientemente competentes para os cargos? Ou porque é mais conveniente para o Estado, e nem sequer ponderaram contratar médicos ainda no activo, ou à espera de uma oportunidade para exercer aquilo para que estudaram?


E, já agora, se se justifica abrir uma excepção à regra, e contratar profissionais reformados, face às necessidades das pessoas, no caso da saúde, por que não se justifica também para aqueles que, apesar de reformados, ainda se sentem úteis e capazes de trabalhar?


E como é que vão proceder em relação à reforma e ao pagamento pelos serviços prestados desses médicos reformados. Será que, justificando-se a excepção à regra, se justifica também a acumulação de uma e de outro? Ou suspenderão a reforma enquanto estiverem ao serviço do Serviço Nacional de Saúde? E, se se justifica para estes, porque não para aqueles a quem a reforma mal chega para sobreviver, e que arranjam um trabalho para compensar?


Aí já não têm interesse as necessidades das pessoas?


 


 


 

4 comentários:

  1. Pois aqui na nossa cidade reformaram-se três médicos em 31.12.2014, a directora saiu e por isso temos quatro médicos a menos, ou seja 90% das pessoas não têm médico de família.
    Destes médicos alguns já estão a dar consultas em consultórios privados a 65,00 a consulta... é fazer as contas!

    O nosso presidente da câmara diz que paga uma casa para os médicos que quiserem vir para cá, mais a escola dos filhos... e mesmo assim... nada...

    ResponderEliminar
  2. E é se os reformados aceitarem. Ao meu pai não o apanham lá de certeza.

    Ainda em Outubro do ano passado andava a polémica da emigração médica como se pode ver neste artigo

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/este-ano-ja-emigraram-quase-300-medicos-1671812

    Muitos devido às condições.

    ResponderEliminar
  3. O meu marido, desde que pediu transferência para o Centro de Saúde de cá, já foi atendido por vários médicos diferentes. Da última vez que quis marcar para o médico que lhe tinha passado os exames, disseram-lhe que tanto esse como o outro anterior já tinham ido embora do Centro de Saúde. E isto em cerca de dois meses.
    Já a minha filha, que estava a ser acompanhada pela mesma médica pediatra desde que teve a Púrpura, passou agora a ter um médico porque a médica já não trabalha no hospital.

    ResponderEliminar

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!