Vem isto a propósito da concorrente Maria Inês, do programa The Voice Portugal que, num determinado momento, se foi abaixo e ficou frustrada consigo própria por não ter sido capaz de dar aquilo que podia e sabia que conseguia dar.
E foi então que o Anselmo mencionou à Simone o facto de esta concorrente já ter sido vítima de bullying, e da própria concorrente o ter referido, devido ao facto de ter um peso acima do normal, uma estatura baixa e não ser detentora de uma grande beleza, segundo palavras suas.
O meu marido veio em defesa dela, dizendo que compreendia o que ela sentia. Já eu, tenho uma opinião um bocadinho diferente.
Ela até pode ter sofrido por ter sido vítima de bullying e de discriminação, e acredito que isso lhe tenha sido penoso, mas isso foi algo que aconteceu no passado. E se já é passado, é lá que deve ficar. Não deveria ser trazido para o presente, nem tão pouco condicionar o futuro.
E se, eventualmente, ainda é algo que se passa na actualidade, só seria mais uma razão ou motivo extra para que ela quisesse mostrar a todos o que vale, independentemente, do seu aspecto físico.
Vejamos, por exemplo, a Milene- outra concorrente desse mesmo programa que já pensou, inclusive, em suicidar-se. Por muito que ela já tenha tido, e ainda tenha, a autoestima em baixo e ache que não é suficientemente boa, ela chega ao palco e dá tudo o que tem, e com grande garra.
Mas este é só um de muitos casos. Há por aí muito boa gente que ainda vai buscar tudo o que de mau passaram na vida, há vários anos atrás, para justificar determinadas atitudes que agora têm (ou a falta delas). E que se fazem, muitas vezes, de coitadinhas para que os outros fiquem com pena, sejam mais condescendentes, e lhes passem a mão na cabecinha.
Só que, alguém que um dia já foi vítima, não precisa de o ser para sempre.
Se alguém já sofreu de violência doméstica, não quer dizer que toda a sua vida vá sofrer. Alguém que já foi vítima de bullying, não precisa de estar sempre a recordá-lo, nem deixar que isso o afecte no presente. Alguém que já passou pelas mais diversas dificuldades, deve utilizar isso como ensinamento e como força para lutar por uma vida melhor. Alguém que cometeu erros não precisa de ficar parado a lamentar os erros, mas sim a fazer com que, no futuro, não os volte a repetir.
Alguém que já teve más experiências, não deve usar isso como desculpa para não se aventurar em novas experiências, com o pressuposto de que, se correu mal uma vez, vai correr sempre. E, neste aspecto concreto, contra mim falo, porque também sou um pouco assim.
Mas a ideia que me dá é que muitas pessoas utilizam o passado como desculpa para os eventuais fracassos, que muitas vezes não passam de medos infundados que o cérebro constrói, e para justificar acções que em nada estão relacionadas com esses factos passados.
Por isso, e apesar de tudo o que já sofreram e passaram, e que, naturalmente, nunca esquecerão, vamos lá deixar o passado no lugar dele, viver o presente que é real, e tentar que o nosso futuro seja o mais brilhante e sorridente que conseguirmos!
Eu adorei a Maria Inês e tive imensa pena da rapariga... Ser vitima de bullying não é fácil e não se consegue esquecer facilmente. E acredito que muito menos quem tenta vingar num mundo em que a opinião dos outros condiciona tudo! O facto de ser mais "cheinha" num mundo em que o que vence é a beleza do corpo é frustrante. O medo apodera-se das pessoas... Eu já tive anoréxia por não conseguir lidar com os comentários e por não conseguir gostar de mim mesma! Se hoje me sinto mal? Não com o meu corpo mas com o meu passado sim... Compreendo a rapariga. Não é fácil! Não é mesmo nada fácil... Umas pessoas têm mais força mental do que outras. Talvez a Milene tenha mais do que a Maria Inês, mas os casos de ambas não poderão ser compráveis pois cada caso é um caso. A Milene teve depressão. A Maria Inês tem depressão associada ao bullying. A Milene seguiu em frente e ganhou força. A Maria Inês ainda tem na mente as vezes que lhe chamara nomes e a mandaram para baixo. Ela esquece-se de que é linda e tem uma voz magnifica! E é pena... Mas a culpa não é dela. É de uma sociedade que gosta de julgar o outro e humilha-lo por ser mais gordo, menos bonito, mais baixo ou menos inteligente! É culpa dos pais que não educam os seus filhos para serem respeitadores e tolerantes... A culpa jamais será da Maria Inês. O medo existe, é real. E, infelizmente, não se esquece algo assim... Um dia ela conseguirá olhar para trás e pensar que é passado. Mas talvez ainda não consiga. E lamento. Pois como já disse, ela é linda e com uma voz fantástica! Um dia... Um dia a Maria Inês consegue!
ResponderEliminaratão mas isso é um programa de música ou de histórias trágicas que podiam passar na julinha?
ResponderEliminarEstou tão mas tão de acordo contigo.
ResponderEliminarUm grande exemplo é o Nuno Markl que passou por isso tudo e agora veja-se o que ele faz com essa experiência e aquilo que ele é.
E há alguém neste mundo que não tenha razões para se fazer de vítima se quiser?
É o que o meu marido costuma perguntar?! Então eles vão ali para cantar ou falar das desgraças da sua vida?
ResponderEliminarE olha que já passei por muitas também, desde muito nova. mas o que lá vai lá vai. É mais fácil com alguma maturidade, e por vezes com muita ajuda.
ResponderEliminarEm termos de talento, acredito que a Maria Inês o tenha, mas ainda não o tenha conseguido mostrar totalmente, talvez por esse medo ou receio que tem, e que não a deixa soltar-se mais em palco. Nesta última actuação senti um pouco isso, que ela não estava a soltar-se, a deixar a música fluir, e a aproveitar o seu momento.
ResponderEliminarE estava muito bonita!
Acredita que eu sei bem o que é ser vítima de bullying, porque já o sofri na pele desde muito cedo. E sei que não é fácil ultrapassar. Principalmente quando temos filhos e ficamos com receio por eles também.
E já passei por muitas outras coisas que não vale a pena estar aqui a falar, e que me deitaram abaixo.
Tens razão quando dizes que cada caso é um caso e cada pessoa tem o seu tempo e a sua maneira própria de ultrapassar estas situações.
No meu caso, precisei de ajuda. E a maturidade também ajudou.
Espero que a Maria Inês, e todas as pessoas em situações semelhantes, também o consigam.
Confesso que essa parte me irrita, irem para ali contar histórias nada tem a ver com o seu talento. E é como eu disse, quem não tem histórias desgraçadinhas para contar da própria vida que atire a primeira pedra.
ResponderEliminarAdorei ler um livro chamado "Chega de Desculpas" e é mesmo sobre isto. Acreditar que o que lá vai lá vai, que agora és tu responsável pela tua vida e resta andar em frente e não ficar agarrado ao passado a ser vítima.
ResponderEliminarSim... Estamos todos a torcer por ela. Espero que ela sinta a energia positiva!
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