terça-feira, 27 de setembro de 2016

Distribuição de preservativos nas escolas

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A pergunta de ontem do Sapo era:


"Concorda com a distribuição de preservativos grátis nas escolas?"


 


E eu, com toda a sinceridade, respondi "não sei". Porque, de facto, não sei se isto será boa ou má ideia.


Até porque a questão principal não passa por aí, mas sim muito antes disso.


 


Concordo que deveria haver uma disciplina de educação para a sexualidade nas escolas. Inventam tantas disciplinas para preencher horário, que não fazem qualquer sentido, nem têm qualquer utilidade. Esta seria, sem dúvida, muito mais importante.


A verdade é que os jovens têm curiosidade em saber mais, e em experimentar mais, cada vez mais cedo.


No tempo dos meus pais, sexo só depois do casamento, e já na idade adulta. 


No meu tempo, isso era coisa em que começávamos a pensar aos 16/ 17 anos. Uma ou outra, inclusive, ficava grávida.


Hoje, vemos adolescentes de 14/15 anos a namorar. Namorar é uma maneira de dizer - andam aos beijos com um, ficam interessadas e falam com outros. Outras há que avançam mais, seja por vontade própria, seja por estarem iludidas com falsos amores e promessas vãs, seja para ser aceite, ou por se ver forçada.


Pior, vemos crianças de 11/12 anos, a quererem fazer e experimentar, o que estes adolescentes de que falei antes, precocemente, fazem.


Vemos crianças/ adolescentes a engravidarem cada vez mais cedo, a abortarem cada vez mais, a utilizarem de forma errada os métodos de contracepção disponíveis (ou a não utilizarem sequer), e a utilizarem a pílula abortiva como método recorrente de contracepção.


E, claro, no meio de tudo isto, a falta de protecção e possível transmissão de doenças sexuais.


 


Por isso, se me perguntarem se é urgente uma disciplina que os elucide, que os informe, que lhes explique os prós e os contras, que os aconselhe, que os previna, e que funcione como acréscimo ao trabalho dos pais nesse sentido, concordo. 


Agora, até que ponto distribuir preservativos de forma gratuita pelos estudantes - e aqui penso que a ser cumprido, deveriam também distribuir a pílula - não será uma forma de incentivo, de mascarar o verdadeiro problema, não sei.


Mas, entre o não fazer nada, e algo de pior acontecer por falta de medidas destas, e o poder evitar males maiores com elas, ainda que sejam insuficientes, acho que é preferível a primeira opção.


 


Imagem www.sabado.pt

9 comentários:

  1. Sinceramente, acho que a distribuição não vai resolver qualquer mal. Até podiam distribuir porta-aporta, que nada seria resolvido também. Há que saber usá-los, e isso não é só colocar. Educação sexual nas escolas, nas famílias, nas comunidades, é essencial, uma vez que os problemas da sexualidade estão muito para além da colocação do preservativo. Em alguns casos, esta medida será até contraproducente, uma vez que quem tem responsabilidades (como os pais, por exemplo) vai sentir que já está tudo feito e descurar as suas obrigações.

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  2. Este post esta exelente. Os miúdos de hoje em dia são tão irresponsaveis que até me arrepio.
    Não sei se a distribuição de preservativos será uma boa ideia mas mal não fará certamente é concordo que umas aulas sobre o tema tb não iam fazer nenhum mal

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  3. Eu acho que a vontade de experimentar é tanta, que se esquecem de tudo o resto. Até mesmo aqueles que já sabem, ou acham que sabem tudo.
    Mas preocupa-me ver miúdas de 14/15 anos a namorar, sendo que o namorar de hoje em dia vai muito além daquele do nosso tempo. E preocupa-me ainda mais ver crianças com 11/12 anos, a querer seguir o exemplo destas miúdas, a querer saber como é um rapaz estar interessado nelas e beijá-las. E daí até acontecer o resto, é um passo.

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  4. Embora seja um pouco subjectivo quando é que será a hora certa, parece-me que cada vez mais as coisas acontecem na hora errada, e pelos motivos errados.

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  5. Parece-me que a preocupação principal é evitar o risco de transmissão de doenças sexuais. Do género, querem fazer, façam, mas ponham lá isto para não apanharem nada.
    Penso que os principais responsáveis pela educação sexual dos filhos deveriam ser os pais, mesmo que com todo o apoio dos professores e escola.
    Mas penso que muitos pais, ou por vergonha, por desprendimento, ou outro motivo qualquer, preferem não abordar o assunto, preferem ignorar, não querer saber. Não é que possam controlar o que os filhos fazem, nem tão pouco proibir, mas se houvesse abertura, diálogo, confiança, preocupação, as coisas poderiam correr de outra forma.

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  6. Claro que os pais são os principais, daí se calhar a educação sexual deveria começar por "educar" os pais. Um género de preparação pré-parto, mas para pais de adolescentes ;)
    O problema é que o preservativo não protege de todas as doenças, uma sexualidade responsável é muito mais eficaz do que o preservativo. Já para não falar de que muitos nem sabem colocar corretamente o preservativo, até adultos mesmo.

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  7. Bem...sexo só depois do casamento no tempo dos nossos pais, em muitos casos era só em teoria. A minha bisavó de um lado e a minha avó de outro foram mães antes (embora, claro que só ficamos a saber anos mais tarde pelas certidões de nascimento dos tios ) mas concordo contigo, acho que hoje em dia os miúdos estão a deixar de ser crianças muito cedo de várias maneiras.

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  8. Olha que não exagero!
    A minha mãe, aos 24 anos, levou uma bofetada do pai por ter dado um beijo ao meu pai. Ainda é das que namorava quase sempre acompanhada de um adulto, ou à janela.

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