quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sonhos que davam histórias #1 - 4ª parte

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O regresso foi estranho. Uma mistura de sentimentos.


O voltar como uma desconhecida, que talvez pudesse nunca recuperar o que havia perdido.


E, no entanto, tudo continuava a parecer-lhe tão familiar, como se nunca tivesse estado longe.


Passou por uma loja de fotografia, e entrou. 


Ao balcão, estava apenas um rapaz, que pareceu reconhecer. Ou talvez a sua lembrança lhe estivesse a pregar uma partida. Seria mesmo ele? O pequeno Lucas, que tinha crescido e agora estava em plena adolescência?


Ao vê-la, o rapaz perguntou-lhe se poderia ajudá-la. Ela, após um breve instante em que se deixou absorver pelos seus pensamentos, explicou-lhe do que andava à procura.


O rapaz pediu-lhe então para esperar um pouco porque, como só ali estava de vez em quando, não lhe sabia responder e tinha que perguntar ao seu pai.


Foi quando o rapaz abriu a porta que dava para uma divisão anexa, que ela o viu! E, então, não teve dúvidas. Nem esperou que ele acabasse de tirar as fotografias aos clientes que tinha no estúdio, para a atender.


Quando o rapaz voltou à recepção, para lhe dizer que o pai viria atendê-la num instante, já não a encontrou.


Não teve coragem...


O pequeno Lucas não a reconheceu. Não fazia a mínima ideia de quem ela era. Quem o poderia condenar.


Mas o pai, esse por certo, reconhecê-la-ia. E depois? O que diria ele? Como a receberia? Não estava preparada para uma mais que certa rejeição, incompreensão.


Por isso, fugiu dali o mais depressa que pode.  


Nessa noite, teve um sonho. Ou melhor, uma visão. Alguém lhe dizia "Se queres recuperar a tua vida e o amor que deixaste para trás, luta por ambos. Só assim saberás o que te espera. Não podes apagar o passado, mas tens o poder de decidir o teu presente."


Mas Lois não teve coragem para enfrentar os seus medos, os fantasmas que a assombravam. Entre ficar com a lembrança do que de bom viveu, e arriscar sabendo que poderia perder tudo de vez, optou por viver com as lembranças.


E assim deixou, definitivamente, Portugal, e as duas pessoas que mais amou na vida. Nunca mais voltou. Nunca mais soube deles. Dedicou-se aquilo que sabia fazer. Até ao dia em que uma bala perdida lhe tirou a vida. Tinha, então, 40 anos.


 


 


 


E foi nessa altura que acordei! Estava na hora de me levantar e ir para o trabalho.

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