terça-feira, 11 de abril de 2017

Sinto a Tua Falta, de Kate Eberlen

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Se tivesse que escolher a palavra que melhor define esta história seria, talvez, "perdoar".


 


É possível perdoar um irmão que nos deitava abaixo e achava que era melhor que todos?


É possível perdoar um filho, que nada fez para impedir o irmão de caminhar para a morte, ainda que nada pudesse fazer?


É possível perdoar pais para quem um filho significa tudo o que há de bom no mundo, e o outro filho a culpa pela morte do primeiro?


É possível perdoar o homem com que se teve uma relação de seis anos, e abandona a companheira porque de um caso com outra mulher resultou uma gravidez?


É possível perdoar um homem que, mesmo estando ao nosso lado, nunca percebeu o que afinal nós precisávamos?


 


 


É possível perdoar a nossa melhor amiga por ter começado a namorar sem nos contar?


É possível perdoar a nossa melhor amiga por se estar a deixar deslumbrar pelo dinheiro e pela vida de rica que lhe está a ser dada, e ter atitudes que, antes, seriam impensáveis? 


É possível perdoar a nossa melhor amiga quando, mal viramos costas, ela nos rouba o namorado, embora sabendo que, de qualquer forma, nunca iríamos levar a relação avante?


 


 


É possível perdoar uma mãe que morre de cancro, deixando-nos perdidas e com o futuro destruído, apesar de nenhuma culpa ter por isso?


É possível perdoar um pai que não dá valor à filha, nem a tudo o que ela tem feito desde a morte da mãe?


É possível perdoar um irmão que também nos desvaloriza, e manteve a sua vida à distância, mesmo sabendo que as irmãs, sobretudo a mais nova, precisavam de si?


É possível perdoar a irmã de quem cuidámos desde a morte da nossa mãe, sacrificando os nossos sonhos, quando ela nos acusa de não a ter deixado viver?


 


 


É possível perdoar o destino, que nos coloca no caminho de tantas pessoas, e vice-versa, umas boas, outras nem tanto, enquanto mantém à distância aquela que seria a mais acertada?


 


 


E, afinal, o que há a perdoar?


É a vida...Tudo isto faz parte da vida, das nossas experiências. 


 


 


Tess e Doll são as melhores amigas, e estão de férias a fazer um interrail. Tess pressente que a sua vida irá, de certa forma, mudar. Tem uma estranha sensação, mas não sabe explicar. Entretanto, recebe o tão desejado resultado dos exames, que lhe garante a entrada para a universidade.  


Durante este interrail, Tess conhece Gus, embora não troquem grandes palavras.


Ao longo de mais de 10 anos, os seus caminhos irão cruzar-se sem, no entanto, se encontrarem, mesmo estando a escassos metros um do outro. É estranho imaginar como, por vezes, as pessoas estão tão perto e, ainda assim, tão inacessíveis...


 


Gus é o segundo filho de uma família que não o perdoa por ter virado costas ao irmão mais velho, quando ele inconsequentemente, decide deslizar na neve fora da pista, sofrendo um acidente que lhe ditou a morte. Gus foi para a universidade, formar-se em medicina. É lá que conhece Nash, que se tornará uma grande amiga, e que conseguiu aquele quarto à última hora, devido a uma desistência.


 


Tess descobre, quando regressa das férias, que a mãe tem um cancro em estado avançado, acabando por morrer, deixando a seu cargo Hope, a irmã mais nova, que sofre de síndroma de Asperger. Assim, ela passa a cuidar da irmã, desistindo da universidade.


 


Toda a história será alternada entre a vida de Tess e a de Gus, desde esse momento, até à actualidade, e tudo aquilo por que passaram: conquistas, derrotas, paixões, desamores, discussões, frustrações, desilusões, reviravoltas, desencontros, lutas.


 


Poderão Tess e Gus, ao fim de tantos anos, voltar a encontrar-se? Será que estão destinados a ficar juntos ou será, nesta altura, tarde demais para ambos?

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