
Deve um paciente saber a verdade sobre a sua situação clínica, ainda que esse paciente seja apenas uma criança?
É legítimo os familiares de um paciente, pedirem a um médico que omita/ minta a esse mesmo paciente?
Quanto de altruísmo ou de egoísmo está presente nesse pedido?
Por vezes, tentamos proteger tanto, que não percebemos que aqueles que queremos proteger não vivem dentro de uma bolha, que não são parvos e sabem pensar por si, e perceber quando nos dizem a verdade ou nos mentem.
Por vezes, as nossas acções visam aquilo que achamos que é o melhor para os outros mas, no fundo, é aquilo que é o melhor para nós próprios.
"Ah e tal, não vai aguentar!", "Vai ser pior saber", "Se não souber, não sofre.".
Mas, quem somos nós para dizer o que os outros querem, o que vão pensar ou como vão reagir, decidindo por eles em algo que diz, acima de tudo, respeito a eles?
Coloco-me no lugar do paciente e, por mais que me custasse, iria querer sempre que me dissessem a verdade, nua e crua, do que fingirem que estava tudo bem, quando tudo e todos à minha volta agiam em sentido contrário às palavras, denunciando-os.
Até porque o facto de omitirem só leva a que seja mais fácil, para eles próprios, lidar com o sofrimento deles. Se não virem o sofrimento dos outros, não sofrem ainda mais.
Estando eu doente, não tenho o direito de saber? Correndo riscos, não tenho o direito de ser informada? Estando com os dias contados, e a vida por um fio, não tenho direito a fazer a minha própria despedida, à minha maneira?
É eticamente correcto os médicos, a pedido de alguém ou por sua própria autoria, ocultarem a real situação clínica do paciente?
E quando transpomos isto para uma criança? Mudará alguma coisa? Ou continuará a ter os mesmos direitos?
Colocando-me no lugar de familiar, nomeadamente, mãe, quereria eu que a minha filha soubesse a verdade? Estaria ela preparada para isso? Saberia eu própria lidar com essa verdade, e com os eventuais estragos que ela pudesse fazer à minha filha? Ou pediria ao médico que lhe mentisse, tal como eu, para que ela continue a ter uma vida normal, sendo que nunca o será?
Lá está, mais uma vez, percebo que, não querendo que a verdade seja dita, estaria a aliviar-lhe os últimos momentos da sua vida mas, sobretudo, a aliviar-me a mim, enquanto mãe, de lidar com as frustrações, negações, conformismo, depressão da minha filha, a somar às minhas. Nesse sentido, é altruísmo para com a minha filha, ou egoísmo da minha parte?
Conseguiria eu levar a farsa até ao fim, sem me denunciar? É pouco provável e, como já referi, as crianças não são parvas. Acho que, em qualquer caso optaria, por mais difícil que fosse, pela verdade.
E enquanto médica? Posso eu mentir a um paciente, seja ele qual for, sobre o seu estado de saúde? Que os pais não tenham coragem, ou queiram esconder/ proteger, é com eles. Mas como profissional de saúde, como devo agir?
Com uma verdade esmagadora, ou com uma mentira piedosa?
Assim a cru, eu diria que deverá ser dita a verdade.
ResponderEliminarMas, se fosse comigo, sinceramente, não sei como iria reagir e espero nunca ter de saber. Bjs, Marina
Também espero nunca passar por isso, em nenhum dos papéis.
ResponderEliminarBom fim-de-semana!
Bjs
Quando são adultos, devem ser informados e terão que descobrir a melhor forma de lidar com a situação, por muito difícil que possa ser. Mas com crianças, a meu ver, não é assim tão simples. Não deve nunca ser decisão do médico a forma como se irá contar a uma criança (caso decida contar-se, claro...) que está doente. Acho que cabe aos pais. Não sei (nem quero descobrir nunca) como iria reagir, mas compreendo a visão de que não contando aos filhos possa estar a poupá-los à dor :(
ResponderEliminarEste é daqueles temas complicados!
ResponderEliminarSaber a verdade?!
Eu por muito que me fosse custar, chorar, deprimir até preferia a verdade!
Pois com a verdade teria tempo para fazer muita coisa e talvez quando chegasse a hora conseguiria ir feliz e sereno!
Dizer a verdade?!
É um pouco da nossa dor a falar mais alto, não teríamos coragem! Não sei...
Não sei se diria a uma mãe ou um irmão que ele estaria a braços com um diagnóstico grave e sem retorno! Não sei...
É estranho, querer saber a verdade, sendo eu próprio a passar por isso, mas não ter coragem de contar a verdade quando são terceiros a passar pelo mesmo!
Sei que não aguento a minha dor, mas pior seria aguentar a dor dos outros, principalmente dos meus!
Beijinho e bom fim de semana.