
Ir a um hipermercado fazer compras já é tão habitual que quase nem dou pelo que acontece à minha volta, e pela presença dos outros, nomeadamente, o segurança que vigia o respectivo hipermercado.
Sei que ele lá está, por vezes vejo-o, mas é-me indiferente. Nem reparo se ele está a fazer rondas pela loja, ou se, por coincidência, calhou a passar no mesmo corredor que eu. Mais depressa o vejo na frente de loja, parado, a controlar, ou a fazer qualquer outro serviço que não o que lhe competiria.
Mas há pessoas que têm verdadeira alergia e repulsa pelos seguranças, outras que têm a mania da perseguição, e outras que não gostam de ser chamadas à atenção, mesmo quando fazem algo que vai contra as normas do hipermercado, e ainda se acham donas da razão.
É função do segurança zelar pelo estabelecimento que está a vigiar, quer fazendo cumprir as normas, quer evitando danos nos produtos à venda e eventuais furtos.
O segurança está apenas a trabalhar, como nós também trabalhamos. Não tem que ser nosso inimigo, a não ser que tenhamos algo a esconder ou a temer.
Por isso, não compreendo algumas reacções dos clientes relativamente aos seguranças.
Por exemplo, se a função do segurança é fazer rondas pelo hipermercado, e calha passar duas ou três vezes pelo mesmo sítio que nós, não temos que imaginar de imediato que o segurança nos anda a perseguir, com medo que roubemos alguma coisa. Se não temos nada a temer, é deixar andar, e ignorar, ou então falar educadamente com o segurança, se estamos assim tão incomodados.
Se é norma do hipermercado que não se deve consumir produtos deste dentro do mesmo, porque ficam os clientes tão ofendidos quando são abordados pelo segurança que apenas, no cumprimento da sua função, os informa de que tal não é permitido?
É certo que o vamos fazendo, e na maioria das vezes ninguém diz nada, mas a verdade é que sabemos que não o podemos fazer.
Eu tenho tido sorte. Já cheguei a abrir garrafas de água e beber, dentro do hipermercado. Já cheguei a comprar pão para a minha filha, ela comer, e eu levar a embalagem vazia para a caixa, só com o valor a pagar. Nunca ninguém me disse nada. Nem a mim, nem a ninguém que eu tenha visto.
Mas, se dissesse, eu compreenderia, ou explicaria o motivo e deixava que ele, se quisesse, me vigiasse para confirmar se eu pagava o produto ou não.
Há necessidade de fazer logo um escândalo, chamar gerência, fazer reclamação, por algo que foi o cliente que não cumpriu?
Dizem alguns que isto é excesso de profissionalismo, que há muita coisa que mais vale ignorar, fechar os olhos, porque não vale a pena os problemas que o segurança depois tem, e as guerras que compra, por cumprir a sua função.
E quando se passa de perseguido a perseguidor, e vice-versa?
Antigamente, o meu marido estava no lugar do cliente, agia como cliente, e sentia como cliente. Quando passou para o lado de lá, passou a ter que justificar aos outros aquilo que, antes, ele próprio criticava!
Sempre que ele tenta justificar a sua atitude, enquanto segurança, eu lembro-o: "Estás a provar do teu próprio veneno! Agias exactamente como esses clientes!"
Quando passamos para o outro lado, passamos a compreender como se sente quem está no oposto.
Se, como clientes, vamos ao supermercado e tiramos um ou dois bagos de uva para provar, ou algo do género, e ficamos contentes por ninguém nos chamar a atenção, porque havemos nós de fazê-lo aos outros?
Se, como seguranças, sabemos que temos que andar por onde andam os clientes e estar de olho em tudo, porque é que, no lugar dos clientes, nos sentimos incomodados?
Será o profissionalismo levado ao pormenor, algo errado e prejudicial?
Haverá uma medida certa para sermos profissionais, sem que os outros se sintam incomodados?
Existirá alguma linha que separe o que é realmente importante e deve ser cumprido, e aquilo que mais vale ignorar e deixar passar?
Talvez haja. E talvez resida no bom senso de ambas as partes, como em tudo na vida!
Se estivessem no lugar de clientes, o que levariam a mal, no modo de actuação de um segurança, e o que considerariam normal e compreensível?
Já vos aconteceu alguma situação menos boa ou caricata com estes profissionais?
Curioso, porque ontem eu e a minha mãe fomos abordadas no estacionamento por um segurança que nos perguntou se sabiamos onde estava o carro. Rapidamente percebi que pensou que estavamos perdidas, porque o elevador estava muito longe do carro.
ResponderEliminarDesculpou-se imenso por nos abordar, mas eu só pensava que bom seria se tivesse tido alguém tão prestável nas inúmeras vezes em que me esqueci onde estacionei.
Ui, com estacionamentos também já nos aconteceu não fazermos a mínima ideia de onde tínhamos estacionado, mas em shoppings. E andámos ali feitos parvos a procurar no estacionamento todo, por vezes até no piso errado!
ResponderEliminarAcho que há de tudo um pouco, os que deveriam ser mais prestativos, e limitam-se a ficar sossegadinhos no seu canto, e os que, por vezes, exageram.
Em supermercados nunca tive qualquer problema com seguranças. Bem pelo contrário. Por regra até são prestáveis quando necessário.
ResponderEliminarContudo já tive uma má experiência num shopping. Já fui abordado rudemente por um, que possivelmente me confundiu com outra pessoa. Entretanto os colegas comunicaram algo pelo walkie talkie e ele apercebeu-se do erro, e foi-se embora, sem um mísero pedido de desculpas.
Até posso compreender o erro, pois também já abordei pessoas por engano a pensar que eram outras. Contudo a falta de educação e profissionalismo, na ausência de um pedido de desculpas para uma situação que é sempre constrangedora para o cliente ou visitante, é injustificável e indesculpável.
Escusado dizer que quem ficou a perder foi o shopping em questão, que o passei a evitar.
Nunca me senti incomodada pelos seguranças, muito pelo contrário e dos comportamentos que descreves nenhum me causaria estranheza, se não cumprimos as regras é normal que nos chamem a atenção, são pagos para isso e ninguém tem nada que reclamar disso.
ResponderEliminarEnquanto funcionária de um supermercado também tenho coisas a contar sobre a segurança.
ResponderEliminarÉ proibido vender bebida alcoólicas a menores, tive um grupo de 4 raparigas a tentar passar na minha caixa, tiveram azar, vi o cartão da escola, eram do 8º ano, fiz as contas. Liguei ao segurança para as ter em atenção. Passaram numa caixa mais à frente e depois por mi, a gozar, claro.
Qual não foi o meu espanto quando passado 2 dias, sim, mesmo, fui chamada pela minha supervisora para me dizer que o segurança tinha dito que no dia anterior tinha deixado passar cervejas a menores.
PASSEI-ME DE TAL FORMA... Num dia não actua, no outro actua e faz queixa...
Outra, vi um senhor a guardar fiambre dentro do saco, informei, passou na minha caixa, viu o senhor, mas só "por fora", não fez nada. O sr. foi direito à casa de banho... guardar as coisas, claro.
PASSEI-ME DE NOVO. É que afinal só podem actuar SE FOREM ELES A VER.
Onde o meu marido trabalha, há uma troca de informações entre segurança/ caixa, do género "fulano tal estava a comer x, vê se ele diz alguma coisa e paga", ou ao contrário, da caixa para o segurança "fulano tal costuma fazer isto, vigia a ver se não faz o mesmo".
ResponderEliminarMas há uma coisa que me faz confusão - os seguranças têm normas a cumprir, iguais para todos mas, quando colocam em prática, são chamado à atenção porque não vale a pena chatear-se com isto ou aquilo, porque fulano é maluco e é melhor deixar passar, porque o produto não vale os problemas e outras desculpas do género.
E isto já para não falar das vezes em que os gerentes pedem desculpa ao cliente incomodado, por lhe terem chamado à atenção por um erro que foi o cliente que cometeu, e o segurança limitou-se a agir como lhe pagam para o fazer!
Há clientes que ficam ofendidos, que acham que o segurança não tem que lhes chamar à atenção só a eles, mas a todos. Esquecem-se que há lá observações afixadas, e que os clientes é que estão mal porque nem sequer leram!
ResponderEliminarAcreditas que o meu marido já teve um stress com uma chefe de loja de um outro hipermercado da mesma cadeia, e que devia ser a primeira a conhecer as normas e a achar bem que as fizessem cumprir, por ter sido chamada à atenção, e o acusou de excesso de profissionalismo?
Também acontece!
ResponderEliminarE, se calhar, esse segurança se estivesse no lugar de cliente, não iria gostar que lhe fizessem isso.
Há seguranças estúpidos, que não sabem abordar os clientes, ser educados. Que exageram na forma de actuação.
Obrigada pelo comentário :)
Acredito, anda tudo louco.
ResponderEliminarOnde já se viu acusar alguém de excesso de profissionalismo? Só em países com uma cultura como a nossa... enfim.
a mim nunca me aconteceu e sinceramente também não ligo muito a quem está por ali 😄
ResponderEliminarPois, uma pessoa vai às compras, quer é pegar nas coisas e despachar-se.
ResponderEliminarA mim o que me incomodava mesmo era quando ia a uma loja dos chineses, e quem lá estava ia mesmo atrás de uma pessoa, ver o que fazíamos, no que mexíamos, se roubávamos alguma coisa, e por vezes ficavam numa determinada zona, a disfarçar, quando sabíamos perfeitamente que estavam a vigiar.
Creio que tem de haver bom senso quer do segurança quer do cliente. O segurança se é zeloso é porque está a fazer o trabalho dele. Também há clientes difíceis, mas como dizes, quem não deve, não teme...
ResponderEliminarAté agora, o meu marido só apanhou uma pessoa a roubar descaradamente, a pôr tudo dentro de um saco e querer sair sem pagar. Quando foi abordado, fez-se de maluco, doente.
ResponderEliminarEra suposto aguardar pela chegada da GNR, mas como estava a dar mau aspecto e criar mau ambiente na loja, acabaram por dizer para o deixar ir embora, já que tinham reavido as coisas.