Estava, no outro dia, no carro, com o meu marido, a descer a rua do meu trabalho, quando vejo um senhor que costumava encontrar algumas vezes, quando ia levar a minha filha à escola.
O senhor tem dificuldades de visão. Não sei se será totalmente cego, mas vê muito pouco, e anda sempre com a sua companheira bengala branca, para saber, literalmente, onde pôr os pés.
Nesse dia, o senhor estava à beira da estrada, por sinal movimentada, e ora dava um passo à frente, iniciando a travessia para o outro lado da mesma, ora dava um passo atrás, provavelmente alertado pelo som dos carros que desciam a rua. Ainda fez isto duas ou três vezes, até decidir que era mais seguro ficar no mesmo sítio.
Dizia o meu marido que é triste, ninguém ajudar o senhor a atravessar a estrada.
É verdade.
As pessoas, hoje em dia, e cada vez mais, com as devidas excepções, tendem a pensar mais em si próprias, na sua vida, nos seus problemas, que nos outros.
É incrível a indiferença do ser humano para com todos aqueles que o rodeiam, nas mais diversas situações.
Muitas vezes, olhamos mas fingimos que não vemos.
Ou estamos com demasiada pressa para prestar ajuda a quem dela precisa.
Algumas vezes, achamos que haverá alguém que tome a iniciativa e, como tal, não temos que nos preocupar.
Não raras vezes, até manifestamos, em pensamento, a intenção de agir, mas não passa mesmo do pensamento.
Outras, simplesmente, pensamos em nós mesmos.
A propósito, vi um vídeo esta semana, em que uma mulher, no comboio, deu o seu lugar a um senhor idoso, depois de os restantes passageiros olharem para ele de lado, ignorando-o, ficando ela de pé por várias horas. Só mais tarde, quando o revisor indicou à senhora um lugar vazio noutra carruagem, perceberam que a própria também tinha dificuldades de locomoção e, ainda assim, tinha feito aquilo que mais ninguém fez.
E, na realidade, já me deparei, por diversas ocasiões, com assentos livres, ou meramente ocupados por malas, mochilas ou qualquer outra coisa, e não deixarem ninguém sentar-se, ou afirmar que os lugares estavam guardados!
Ainda este verão, num dos dias em que íamos no autocarro, iam várias pessoas em pé, quando havia um lugar livre. Mas a pessoa que estava no assento ao lado, em nenhum momento, se chegou para o outro, ou deu passagem para alguém se sentar.
Infelizmente, a indiferença e inacção manifestam-se das mais variadas formas, e nas mais diversas situações, muitas vezes para com aqueles que mais precisavam que reparássemos neles.
Seja por preguiça, por egoísmo, por desprezo ou, simplesmente, porque esperamos que alguém faça aquilo que, a nós, não nos apetece muito...
Desculpa, mas isso de mochilas e lugares guardados só resulta se os outros passageiros deixarem. Se não tiram a mochila, tiro eu. E lugar guardado não existe se tiver que me sentar, sento e pronto. Se o lugar estiver por exemplo à janela e a pessoa de fora não der passagem, eu peço licença e insisto. Não sou obrigada a ir de pé só porque alguém quer ir confortavelmente sozinho no seu espaço. Lamento.
ResponderEliminarNão concordo com a parte da mochila, a pessoa provavelmente põe por acaso, e se ninguém pede licença para se sentar, também não é obrigada a tirar e muito menos a perguntar aos outros se se querem sentar... Já me aconteceu ter um lugar vago ao meu lado e ir pessoas em pé que pelos vistos não se queriam sentar, não me cabia a mim andar a perguntar...
ResponderEliminarhttps://titicadeia.blogspot.com/
Eu, por norma, não pergunto mas, se vejo muita gente e tenho a mala a ocupar o assento, tiro. Depois, cada um faça o que quiser.
ResponderEliminarAcho que muitas vezes as pessoas que chegam ficam com vergonha, e à espera que a iniciativa parta de quem está a ocupar indevidamente. E quem está do outro lado pensa que os outros se quiserem, que peçam. E acaba por nenhuma das partes tomar a iniciativa
Sim, o que acontece é que, muitas vezes, as pessoas não estão para se chatear, e não dizem nada.
ResponderEliminarMas, provavelmente, se a outra pessoa desocupasse voluntariamente, alguém agradeceria e aproveitaria.
Concordo contigo, Marta.
ResponderEliminarAbraço,
P.
Os valores morais e cívicos são ultrapassados pelo comodismo, pela indiferença e pelo egoísmo. Tudo se perdeu numa geração (talvez duas) não sei se definitivamente mas sei (??) que serão precisas muitas mais para recuperar aqueles valores iniciais.
ResponderEliminarOlá. Eu se ocupo um lugar com algo meu, mal entra alguém, e caso não haja mais lugares, retiro logo no sentido de vagar esse lugar. Se entretanto ninguém aproveita, deixo me estar com a mala em cima.de mim.. tb costumo parar para dar ajuda a alguém caso verifique a sua aflição seja em que situação for. So mesmo se não reparar é que não o faço. As pessoas andam na rua distraídas, apressadas, de olhos no teclado do telemóvel, que não há hipótese de verem o ambiente à volta. Enfim, são os novos tempos, novos hábitos.
ResponderEliminarOu porque a vida em capitalismo nos incutou valores individualistas e egoístas, alienando qualquer instinto de comunidade...
ResponderEliminarÉ verdade. Bastava que cada um de nós fizesse uma boa ação por dia nesse sentido.
ResponderEliminarTambém devia de existir no quotidiano mais alternativas, tipo mais sítios com rampas para cadeiras de rodas, avisos sonoros associado aos semáforos para invisuais, elevadores nas escadas...
Parabéns pelo destaque
Sim, é verdade.
ResponderEliminarAinda falta fazer muito pelos que mais precisam, tanto pelas entidades competentes, quer por cada um de nós, a nível individual.
Vivemos numa era centrada no "eu", na "alienação", na "distracção".
ResponderEliminarPor vezes é preciso perder a vergonha, senão ninguém se safa.
Será que se chegam a recuperar?
ResponderEliminarÉ mesmo!
ResponderEliminarSe perdermos alguns minutos a olhar ao nosso redor, vemos isso mesmo.
E, algumas vezes, quando reparam, é mais para rir e gozar, ou simplesmente ficar a ver, do que para ajudar.
Acho que hoje em dia, viver em comunidade significa termos direito a isto e aquilo, esperar dos outros, mas pouco ou nada retribuir em troca.
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